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Quinta, 18 Abril 2024

Cheia do rio Negro ficará entre as seis maiores dos últimos anos, diz CPRM

Cheia do rio Negro ficará entre as seis maiores dos últimos anos, diz CPRM
Foto: Portal Amazônia/Clarissa Barcelar
A cheia do rio Negro em 2017 ficará entre as seis maiores nos últimos 10 anos. O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira (31) pela Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM). De acordo com a previsão, a enchente em Manaus este ano deverá registrar a média de 29,60 metros.

A previsão máxima é de 29,95 m, o que tornaria a enchente deste ano em Manaus a segunda maior da história, desde o início do monitoramento no Porto da capital, em 1902. A maior registrada foi em 2012, quando atingiu quando o nível do Rio Negro em Manaus chegou a 29,97m.

De acordo com o superintendente na CPRM, Marco Antonio Oliveira, a previsão máxima de 2012 era de 30,02 metros e a cheia se aproximou deste valor, no entanto, é necessário acompanhar o ritmo da enchente, que pode variar. "Se vai atingir a cheia de 2012, existe uma incerteza. Mas o que queremos indicar neste primeiro alerta é que é uma cheia grande, o que consideramos quando o rio ultrapassa os 29 metros, e por tanto, deve atingir toda a população de Manaus e também do interior. Uma vez que quem controla o Rio Negro é o Rio Solimões, então se o Negro está refletindo uma cheia grande ela também deve acontecer em toda a calha do Solimões, de Tabatinga até o baixo Solimões", explicou.

Este primeiro alerta é dado com uma antecedência de 75 dias. "Vamos melhorando a previsão na medida que chegamos perto do fenômeno da cheia, que acontece em julho", completou Oliveira. O segundo está previsto para ser divulgado em  30 de abril e o terceiro apenas dia 2 de julho. "Se a cheia for grande como está sendo previsto, em abril as pessoas já estão sofrendo com o processo da cheia. Portanto esse alerta eu acho que é o mais importante", finalizou.

Segundo a engenheira ambiental da CPRM Luna Gripp, quando a cheia em Manaus chega a 28,50 m já gera impacto na população ribeirinha. A expectativa prevista é que este nível seja atingido uma vez a cada sete anos, de acordo com analises dos monitoramentos desde 1902 no Porto da cidade. A previsão para cota acima dos 29 metros era de uma a cada oito anos. "Mas se pegar toda a serie histórica, observamos que há uma mudança significativa nesse padrão nos últimos anos. Ainda não temos um consenso das causas", informou.

Fenômenos climáticos

Presente na reunião de divulgação do alerta, o meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Dallarosa, informou que o fenômeno climático La Ninã (produz aumento de chuvas na região) deixa de atuar na Amazônia. "A La Ninã está indo embora e existe uma expectativa de instalação de um El Niño para daqui talvez três meses. Temos um efeito residual do La Niña e que esse ano esteve bastante ativo principalmente na Amazônia colombiana, peruana. Por conta disso, os rios já começaram o ano com um nível já relativamente elevado, como no caso do Juruá. A expectativa é nesses próximos três meses se tenha a condição de permanência dessa situação", informou.

A previsão, desta forma, é que as chuvas se mantenham. "Pelo fato de que estamos na estação chuvosa isso é mais preocupante. Estamos chegando na transição, mas até lá ainda teremos chuvas abundantes sobre as bacias dos rios e preocupação com relação as populações ribeirinhas", destacou. "A contribuição das chuvas vai ser bastante significativa nesse período", disse.

Segundo Dallarosa, os dados são baseados em dois modelos de previsão: ECMWF, que indica chuvas acima do esperado no proximo trimestre no noroeste da América do Sul; e CFSv2, que também mostra que o noroeste da região terá chuvas acima do esperado. "É com esse quadro que temos a possibilidade de fazer uma avaliação com relação a chuva. Abril ainda será bastante chuvoso, maio começa a transição  e então junho inicia a seca para nós. Esperamos que não chova tanto na Amazônia brasileira, mas sobre as bacias dos rios que tem nascente fora", concluiu.

Atuação da Defesa Civil

O secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Fernando Pires Jr, declarou que o trabalho do órgão teve início já no fim de 2016 com relação à cheia. "Começamos fazendo o levantamento, de acordo com os diagnósticos que recebemos do CPRM, Sipam. Tudo está ocorrendo conforme as previsões. A primeira calha observada foi a do Juruá, onde temos quatro municípios em situação de emergência e mais dois em situação de alerta. A primeira assistência das Defesas civis do Estado e dos municípios já atuam para fazer o socorro a mais 5,9 mil famílias", explanou.

Em situação de emergência estão Guajará, Ipixuna, Eirunepé e Itamarati, com 5.970 famílias atingidas. Todos na calha do Juruá. Em alerta estão: Juruá, Carauari, Envira, Tabatinga, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins e Atalaia do Norte, nas calhas do Juruá e Solimões.

Já em atenção, no Baixo Amazonas, estão: Parintins, Barreirinha, São Sebastião do Uatumã, Nhamundá, Urucará, Boa Vista do Ramos e Maués. Em situação de emergência com deslizamentos de terra está Manacapuru, no Baixo Solimões, com 41 famílias afetadas. "Hoje Parintins está muito próximo da cota de transbordamento, no entanto a Defesa Civil já está preparando a comunidade. A única calha que ainda não deu muita preocupação é a do Madeira, que está dentro da normalidade apesar de estar no processo de enchente", destacou Pires Jr.

Também com vistorias desde meados de janeiro, a Defesa Civil de Manaus tem atuado nas áreas de risco com levantamentos para as ações de precaução e resolução. "Uma vez concluído o levantamento e o monitoramento, vamos iniciar a construção das passarelas, em seguida o cadastramento dessas famílias nesses locais onde a situação é crítica para, inclusive, fornecer ajuda humanitária e moradia temporária. Depois a desinfestação, desinfecção desses locais que são tomados pela água e como a nossa cheia permanece por, em média, 45 dias, esses ambientes precisam ser tratados", explicou o gerente de resposta ao desastre, Ariomar Nobre. O atendimento da Defesa Civil de Manaus é feito por meio do número 199, 24hs por dia. 

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