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Sábado, 21 Mai 2022

Árvores são insuficientes para Manaus, aponta estudo

Árvores são insuficientes para Manaus, aponta estudo
Um estudo realizado pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) apontou que apenas 22% da área urbana de Manaus é arborizada, percentual considerado mínimo por especialistas da área de geografia urbana. Falta de conscientização da população e ausência de políticas públicas de incentivo ao plantio e à manutenção de árvores são apontadas pelos pesquisadores como um dos principais entraves para a existência de complexos arbóreos na capital. Na tentativa de solucionar o problema, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) desenvolve o plano ‘Arboriza Manaus’ que prevê o plantio de dez mil mudas distribuídas em todos os bairros da cidade.

Foto: Manoel Vaz/Semcom
De acordo com o doutor de geografia urbana do Departamento de Geografia da Ufam, Marcos Castro, apenas 22% do total da área urbana de Manaus é coberta por árvores, índice que segundo ele, é insatisfatório para resultar em sombreamento e conforto térmico. Ele explica que Manaus está dentro da faixa equatorial, por isso, recebe raios solares com intensidade e a ausência de áreas verdes dificulta a ocorrência de menores temperaturas.

“O índice de área coberta por árvores em Manaus ainda é mínimo em relação ao necessário para obtermos temperaturas mais agradáveis. O problema é que historicamente não tivemos um plano que atendesse à arborização. Houve a negação do verde. O  ideal seria que ao construir se reservasse uma área para o plantio de árvores. Mas, o nosso planejamento nega isso. A arborização existente nos bairros é de iniciativa das pessoas e não há uma política sistemática de incentivo”, comentou.

Conforme Castro, a árvore promove o aumento da oxigenação, proporciona o sombreamento e a diminuição da temperatura. A engenheira ambiental Dângela Lopes lembra que segundo pesquisas, Manaus está classificada como a segunda cidade menos arborizada do país. Ela considera esse dado como uma ‘ironia’ ao citar que a cidade está inserida no centro da Floresta Amazônica, que é a principal cobertura vegetal do Brasil e ocupa 45% do território nacional.

“Manaus não é bem arborizada e as poucas árvores existentes nas vias e logradouros são mal distribuídos. Vemos que a avenida Getúlio Vargas, por exemplo, é bem arborizada. Enquanto a Eduardo Ribeiro tem um número mínimo de árvores. A questão está em educar as pessoas a cuidarem, preservarem o meio ambiente. Muitas árvores são depredadas pelos próprios cidadãos”, disse.

Na avaliação da engenheira, faltam projetos por parte do governo com o intuito de incentivar a comunidade a plantar, cuidar e preservar o meio ambiente. “Vejo que quando as pessoas se incomodam vão lá e cortam a árvore e isso é errado. Uma árvore só pode ser cortada com a permissão dos órgãos ambientais. Também entendo que não adianta o poder público plantar as mudas e depois não dar condições de manutenção daquela planta”, frisa.

Dângela ainda explica que a menor quantidade de árvores distribuídas por Manaus ocasiona o clima seco com o aumento na temperatura. Ela observa que nos bairros da zona leste o calor é constante devido à falta de áreas verdes. Por outro lado, na zona norte, segundo ela, há ocorrências de chuvas constantes devido à proximidade com reservas arbóreas. 

Mudanças com o plantio de mudas 

O Plano de Arborização 2016, denominado como Arboriza Manaus, tinha o objetivo realizar o plantio de dez mil mudas em 58 logradouros públicos de 35 bairros de Manaus de até dezembro deste ano. O prazo para o cumprimento da meta foi antecipado e no próximo dia 21, no Dia Nacional da Árvore, a instituição fará o plantio da muda de número dez mil. Entre as espécies plantadas por meio do programa estão jutairana, pau-pretinho, ipê amarelo, pata de vaca, cedro, jatobá e aceroleira.

De acordo com a engenheira agrônoma Rosemary Bianco, ao invés de 58, foram arborizados 61 logradouros, entre canteiros centrais e passeios públicos, além de praças e áreas de convivência de instituições públicas. As mudas plantadas têm altura entre 1,5m e 1,8m. “Estamos elaborando um cronograma para a manutenção dessas mudas com a poda e o replantio. Há locais em que a muda morre tanto por questões naturais como por depredação. Faremos um trabalho de conscientização com a população para que entendam a importância de uma árvore e das áreas verdes para uma cidade”, afirmou.

No total, 33 bairros receberam novas árvores e segundo a engenheira, entre três e dez anos será possível verificar a diferença tanto na estética como na temperatura da cidade. A irrigação das plantas é feita por quatro caminhões pipas que abastecem todos os bairros de Manaus diariamente.

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