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Quinta, 01 Outubro 2020

Atraso tecnológico segura crescimento econômico no Brasil

Atraso tecnológico segura crescimento econômico no Brasil
Indústria 4.0, inteligência artificial, nanotecnologia, robótica, biotecnologia configuram plataformas tecnológicas que se encontram no centro da poderosa revolução científica e tecnológica em curso no Planeta. Alguma dessas tecnologias já foram executados em outros momentos da humanidade, quando foi inventada na China o papel (105 a.C.) e a pólvora (século I), a máquina impressora de Gutenberg na Alemanha por volta de 1450, a máquina a vapor que definitivamente impulsionou e consolidação a Revolução Industrial inglesa do século XIX.

A propósito, de acordo com professor Tarso Ledur Kist, do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em entrevista concedida à revista do Instituto Humanitas da Universidade Unisinos (IHU On-Line), os desafios da biotecnologia no Brasil ainda são enormes. Certamente, afirma o cientista gaúcho, “porque possuímos uma biodiversidade e recursos biológicos como poucos países”, mas, por outro lado, “não possuímos uma cultura científica, investigativa, prática e pragmática como outras”.

Segundo Kist, todo desenvolvimento tecnológico traz riscos e benefícios para a sociedade, mas ao que tudo indica a biotecnologia e a nanotecnologia vieram para ficar. Segundo o professor, novos processos e fenômenos estão sendo descobertos, o que demonstra que não há esgotamento ou limites para futuros desenvolvimentos na área. “É exatamente neste fato que reside a certeza de um grande mercado em potencial e da capacidade destas disciplinas afetarem todos os setores da economia, desde os mais tradicionais e até de criar novos setores econômicos”, conclui.

Com a biotecnologia pretende-se produzir mais, a um menor custo, com melhor aproveitamento do solo e sustentabilidade ambiental, desenvolvendo processos e produtos de maior rentabilidade em setores estratégicos e inovadores, tais como enzimas e insumos oriundos da bioeconomia. A biotecnologia e a genéticas são uma das maiores ferramentas para aumentar a biodiversidade e frear a extinção de espécies. Provavelmente, afirma Kist, nos próximos anos algumas espécies já extintas poderão ser trazidas de volta com o uso da biotecnologia e genética. Pode-se esperar que esta busca se intensifique num horizonte de 10 a 50 anos. A Amazônia é rica em exemplos nesse campo.

O potencial da biotecnologia e da nanotecnologia de agregar valor à economia é realmente muito grande. Existem muitos produtos em potencial como também fenômenos e processos novos sendo descobertos a toda hora sem possibilidade de esgotamento ou limite para estas descobertas e sua inserção no sistema econômico. É exatamente este fato que nos induz a crer em potencialidades a serem exploradas e em mercados potenciais capazes de promover uma revolução econômica envolvendo desde os setores mais tradicionais aos de características disruptivas.
Foto:Reprodução/UEA
O Brasil está enfrentando os desafios desse “admirável mundo novo” na qualidade de coadjuvante por não ter sido capaz de estruturar projeto de desenvolvimento arrimado em tecnologias de ponta de sorte a promover o equilíbrio estrutural do país em consonância com suas diferenciações regionais, e corrigir monumentais atrasos em relação ao sistema político, educacional, de ciência e tecnologia. Na Amazônia a situação é ainda mais grave face à persistência de históricos déficits de investimentos em setores estratégicos.

O Amazonas apresenta profundo desequilíbrio setorial. Mais de 90% de sua economia é gerada no Polo Industrial de Manaus (PIM), razão pela qual enfrenta imensa dificuldade de equacionar soluções definitivas visando o aproveitamento das potencialidades da biodiversidade, dos recursos minerais e do ecoturismo. Ignorar a importância do campo como catalisador do processo de transferência de capitais aos demais setores da economia (industrial e de serviços) significa, em última instância, não ter como gerar perspectiva positiva quanto à geração de emprego, renda e desenvolvimento.

Manaus, 6 de agosto de 2018.

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