Modo de Fazer Viola de Cocho: Patrimônio Imaterial Brasileiro no Livro dos Saberes

O instrumento possui uma sonoridade singular. Ele é produzido de forma artesanal com a utilização de matérias-primas da floresta.

A viola de cocho é um instrumento musical singular quanto à forma e sonoridade, produzido exclusivamente de forma artesanal, com a utilização de matérias-primas existentes no Mato Grosso. Sua produção é realizada por mestres cururueiros, tanto para uso próprio como para atender à demanda do mercado local, constituída por cururueiros e mestres da dança do siriri.

O Modo de Fazer Viola de Cocho foi registrado como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan) no Livro dos Saberes de 2005.

Modo de Fazer Viola de Cocho – Foto: Reprodução/Secel-MT

O nome viola de cocho deve-se à técnica de escavação da caixa de ressonância da viola em uma tora de madeira inteira, mesma técnica utilizada na fabricação de cochos (recipientes em que é depositado o alimento para o gado). Nesse cocho, já talhado no formato de viola, são afixados um tampo e, em seguida, as partes que caracterizam o instrumento, como cavalete, espelho, rastilho e cravelhas. A confecção, artesanal, determina variações observadas de artesão para artesão, de braço para braço, de forma para forma.

Os materiais utilizados tradicionalmente para sua confecção são encontrados no eco-sistema regional, correspondendo a tipos especiais de madeiras para o corpo, tampo e demais detalhes do instrumento; ao sumo da batata ‘sumbaré’ ou, na falta desta, a um grude feito da vesícula natatória dos peixes (ou poca) para a colagem das partes componentes; a fios de algodão revestidos para trastes (que, na região, também são denominados pontos) e tripa de animais para as cordas. 

O Modo de Fazer Viola de Cocho foi registrado como Patrimônio Imaterial Brasileiro – Foto: Reprodução/Iphan

Manejo 

Foi lançado em fevereiro de 2023, o plano de manejo das espécies utilizadas na confecção de violas de cacho. A ação faz parte do projeto que tem por objetivo a preservação da cultura deste trabalho tão importante para o Mato Grosso.

As mudas foram plantadas na mata ciliar do Museu de História Natural, cuja área alcança as margens do rio Cuiabá. Entre as espécies há Ximbuva, Cumbaru e Pata-de-vaca, e o manejo está sendo feito pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), uma das instituições parceiras do projeto.

Além do projeto de manejo, o Plano de Salvaguarda do Modo de Fazer Viola de Cocho integra diferentes frentes de atuação, distribuídos em eixos de ações socioculturais e socioambientais, descritos para promover a preservação e valorização desse bem imaterial. O plano está em finalização e deverá ser lançado ainda este semestre.

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