Participantes do evento, Renata Alves (pesquisadora do ISA), Jochen Schongart (pesquisador do INPA) e Carlos Durigan (pesquisador do IPAM), além de Carlos Souza Jr (pesquisador do Imazon) remotamente. Foto: Reprodução/IPAM
Dentro da programação da COP15 das Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) em Campo Grande (MS), um evento reuniu pesquisadores para discutir o papel das áreas úmidas e dos sítios Ramsar na proteção de espécies migratórias.
A atividade ocorreu nesta sexta-feira (27) na Casa do Homem Pantaneiro, com organização do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
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Foi apresentada uma análise preliminar de cientistas do IPAM sobre a riqueza de espécies migratórias e fatores de degradação em áreas selecionadas da Amazônia.
Segundo os pesquisadores, os sítios Ramsar na Amazônia têm maior riqueza de espécies migratórias em comparação com terras indígenas e unidades de conservação. No entanto, a perda de cobertura de água foi identificada como um risco potencial para a degradação.
Os sítios Ramsar são áreas alagadas de forma perene ou sazonal, como manguezais, veredas e várzeas, mas também lagoas de água doce ou salgada. Levam esse nome pois resultam de convenção assinada na cidade de Ramsar, no Irã, para a certificar unidades de conservação de áreas úmidas.
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Análises sobre as espécies migratórias
“Nossas análises corroboram a ideia de que ações voltadas à conservação de espécies migratórias exigem fortalecer a proteção e consolidação de unidades de conservação e terras indígenas, mas também avançar em ações que extrapolem esses limites, em escala de biomas — na Amazônia e além — garantindo conectividade entre paisagens e países. Esse é um dos pontos centrais em debate na COP15. Nesse contexto, os sítios Ramsar emergem como uma camada estratégica adicional, especialmente para espécies associadas a ambientes aquáticos e áreas úmidas”, comenta Carlos Durigan, pesquisador do IPAM.
Jochen Schongart, pesquisador do INPA que participou da atividade, pondera:
“Ainda existem grandes lacunas do conhecimento sobre espécies migratórias de diversos táxons e sua variação de ocorrência em espaço e tempo na Amazônia. Portanto, a integração de populações indígenas e tradicionais em programas de monitoramento ambiental e ocorrência de espécies migratórias é fundamental para gerar mais informações sobre a importância das paisagens úmidas na Amazônia”.
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Visando aumentar a proteção das espécies e evitar a degradação ambiental, as recomendações incluem, além de integrar de conhecimentos tradicionais e acadêmicos para maior efetividade nas ações, conectar as áreas protegidas já existentes e criar novos sítios Ramsar a partir da destinação de florestas públicas não destinadas. Essas florestas ocupam uma área do tamanho da Bahia na Amazônia e aguardam definição estadual ou federal de categoria fundiária.
Para tanto, os especialistas frisam que é necessário apoio financeiro a médio e longo prazo de forma a fortalecer a gestão participativa das áreas protegidas e conservação integrada de grandes paisagens úmidas.
Os efeitos negativos das mudanças climáticas na natureza evidenciam a urgência de medidas coordenadas entre os diversos setores da sociedade e em cooperação internacional. Segundo relatórios divulgados pela CMS durante a COP15, 24% das espécies migratórias listadas na Convenção estão ameaçadas globalmente e 49% enfrentam queda em suas populações.
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Peixes migratórios de água doce estão entre os animais que correm mais risco: desde 1970, sua população caiu 81% no mundo todo – as secas cada vez mais severas explicam essa realidade, somadas à poluição da água, à pesca predatória e ao barramento de rios. Com tamanhos obstáculos, fica difícil para as espécies navegarem em busca de alimento e seguirem seus ciclos de reprodução.
Também participaram da atividade Renata Alves, pesquisadora do ISA, e Carlos Sousa Jr., pesquisador do Imazon, remotamente.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia
