Tachã: conheça o pássaro sentinela símbolo do Mato Grosso

O pássaro tachã é conhecido como sentinela, devido seu comportamento de ficar pousado no alto das árvores, sobre a copa, onde pode ser avistada.

A sua coloração é pardo-acinzentada, com algumas manchas brancas que se espalham pelo corpo, mas seu colarinho preto se tornou a sua principal marca, além do seu canto que chama a atenção. O seu tamanho também é um diferencial, pois pode atingir em média 80 centímetros e pesar em torno de 4 quilos. Essas são características do tachã (Chauna torquata), ave considerada símbolo do Mato Grosso.

Outra peculiaridade da ave é o fato que as pernas e braços são robustos e acabam se tornando desproporcionais em relação ao tamanho da sua cabeça. Além do Mato Grosso, esses pássaros também podem ser encontrados em alguns países da Amazônia Internacional, como o Peru e a Bolívia.

Portal Amazônia conversou com o doutor em ecologia e Recursos Naturais, especialista em avifauna e professor na Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Josué Ribeiro, sobre essa ave “diferentona”. 

Foto: Josué Ribeiro/

O tachã possui parentesco com a anhuma (Anhima cornuta), sendo ambos da família Animidae. Também pertence a ordem Anseriformes juntamente com patos, gansos e marrecos. O tachã e a anhuma podem ser encontrados em várias regiões do Brasil, incluindo a Amazônia

É conhecido como sentinela devido seu comportamento de ficar pousado no alto das árvores, sobre a copa, onde pode ser avistada. Mas é caracterizada como uma ave tímida, que constrói seus ninhos no chão sobre capins ou plantas aquáticas. Nos ninhos põe seus ovos e choca seus filhotes, atividade que fica dividida entre o casal de pássaros. A asa é avistada na coloração negra, porém durante o voo é possível visualizar uma área inferior totalmente branca. As fêmeas são menores que os machos.

“É realmente uma ave grande que está sempre andando em pares ou grupos de alguns indivíduos que podem ser formados pelos filhotes de anos anteriores que permanecem no local. Ainda que sejam comumente avistados sobre a copa das árvores, alimenta-se principalmente de folhas e brotos de capim que apanham caminhando ativamente nos brejos e beiras de rios”, esclareceu Josué.

O tachã também possui patas curtas e fortes e um esporão no cotovelo da asa, que serve como uma defesa, porém são raras as vezes que o pássaro utiliza esse instrumento como uma defesa natural.

“Existem relatos sobre a espécie ser utilizada na alimentação, ainda que não seja comum. Também é conhecida como inimiga dos caçadores que dizem que quando se aproximam para a caçar a anhuma, com sua vocalização estridente e alta avisa todos os animais que os caçadores estão chegando e todos se escondem”,

contou o biólogo.

Foto: Josué Ribeiro/

Durante o período reprodutivo, há um compartilhamento: os machos passam mais tempo chocando os ovos, revezando com a fêmea, e nunca deixam o ninho sozinho, tendo entre 2 e 7 ovos. Os filhotes de tachã são classificados como nidífugos, ou seja, nascem emplumados e depois de 24 horas deixam o ninho e passam a seguir os seus pais.

“[Os filhotes] caminham com os pais, ficando imóveis e escondidos na vegetação ao primeiro grito de alerta. Os juvenis recebem os cuidados parentais de ambos os progenitores durante três a quatro meses. Os filhotes nascem com plumagem densa, marrom-amarelada. Por volta dos cinco meses completam a plumagem e podem voar”, concluiu Josué. 

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