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Quarta, 19 Janeiro 2022

Covid mata quarto membro da Academia Rondoniense de Letras

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Faleceu na madrugada de sábado (30), aos 75 anos, o folclorista Zé Catraca, nome artístico de Silvio de Macedo dos Santos. Ele estava internado havia duas semanas em Porto Velho, acometido de Covid-19.

Ele foi o quarto membro da Academia Rondoniense de Letras (ARL) a morrer vítima do novo coronavírus. Os demais foram o poeta João Correia, o historiador Francisco Matias e a memorialista Anísio Gorayeb.

Zé Catraca foi um dos fundadores do bloco carnavalesco Banda do Vai Quem Quer que arrasta mais de cem mil brincantes; também colaborou durante décadas com o arraial Flor do Maracujá. Foi cantor, compositor e homenageado como enredo de escola de samba.

Jornalista durante décadas, escrevia a coluna Lenha na Fogueira no Diário da Amazônia, retratando sempre os artistas e a cultura rondonienses. Ultimamente era colunista na Rádio CBN. Também tem um livro publicado. 

Foto: Divulgação

 Autêntico ''beiradeiro'' 

Filho de Inês Macedo e José Caninha dos Santos, nascido em 8 de dezembro de 1946, no distrito de São Carlos — região do baixo Rio Madeira, município de Porto Velho — Zé Catraca era um autêntico "beiradeiro" (como também são chamados em Rondônia os ribeirinhos). Ele ingressou na comunicação ainda criança. Trabalhou como linotipista no extinto jornal Alto Madeira e sonoplasta na Rádio Caiari. Aprendeu violão e composição. Nunca mais parou de poetar, cantar e se envolver em tudo que diz respeito à cultura popular.

Ativista, muitas vezes reuniu a categoria para lutar por políticas públicas para o setor. Como por exemplo, sua permanente defesa por mais recursos e estrutura para a realização do Flor do Maracujá, evento que reúne milhares de pessoas e tem importância social na periferia de Porto Velho. "Os jovens com acesso à arte e à cultura não têm tempo para o mal", dizia. 

Foto: Leandro Morais

 Memorialista

Além do jornalismo e do ativismo cultural, Zé Catraca ajudou a escrever boa parte da história de Rondônia. Ele costumava entrevistar personagens locais de diversos setores, extraindo delas suas memórias publicadas geralmente aos domingos.

O folclorista tinha na ponta da língua muitas informações sobre a formação do Estado. Foi, sobretudo, um colecionar de histórias pitorescas.

Zé Catraca fará muita falta a Rondônia e, por ora, não tem substituto à altura. Ele foi único no seu jeito de ser e de fazer jornalismo, com engajamento e paixão. 


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