Maduro mantém e amplia poderes especiais com novo decreto

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, lançou um novo decreto de estado de exceção e emergência econômica, que amplia por mais 60 dias os poderes especiais para fazer frente à crise agravada pela queda abrupta dos preços do petróleo. Segundo o Diário Oficial, datado de 13 de setembro e divulgado na quinta-feira, Maduro prorrogou a medida em todo o país “dadas as circunstâncias extraordinárias no âmbito social, econômico e político, que afetam a ordem constitucional,a paz social, a segurança da Nação, as instituições públicas e os cidadãos”, a fim de que o Executivo “adote as medidas urgentes… para assegurar que a população desfrute plenamente de seus direitos, preservar a ordem interna, o acesso oportuno a bens, serviços, alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais para a vida”.

Foto: Reprodução/Cubadebate

O governo de Caracas sustenta que a crise é consequência de uma “guerra econômica” promovida por empresários e setores oposicionistas para desestabilizar o governo. O novo decreto amplia por dois meses as medidas decididas em janeiro para enfrentar a complexa crise econômica. As medidas tinham prazo inicial de 60 dias e já haviam sido prorrogadas outras vezes. O decreto foi avalizado pelo Tribunal Supremo de Justiça, após a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, votar contra ele.

O decreto outorga ao Executivo o poder de decidir sobre a “suspensão temporária e excepcional da execução de sanções de caráter político contra as máximas autoridades do Poder Público e outros altos funcionários, quando essas sanções possam obstaculizar a continuidade da implementação de medidas econômicas para a reativação urgente da economia nacional, o abastecimento de bens e serviços essenciais ou deixar vulnerável a segurança da nação”.
Maduro já afirmou várias vezes que promulgou o decreto para enfrentar a crise sem depender da Assembleia Nacional e adiantou que pretende mantê-lo em vigor até o fim do ano. Segundo ele, a medida é tomada para evitar que os legisladores oposicionistas possam “sabotar” o orçamento deste ano e do próximo, que por lei deve ser enviado pelo Executivo ao Legislativo em outubro para aprovação dos parlamentares.
Os adversários políticos do presidente rechaçam desde o princípio o decreto de emergência. Segundo eles, as ações oficiais não enfrentam a inflação galopante, a escassez e a recessão e exigiram repetidamente que o Executivo mude o modelo econômico. Nos últimos nove meses, o principal tribunal do país, apontado como controlado pelos governistas, declarou inconstitucional a maioria das leis e decisões aprovadas pela maioria opositora na Assembleia Nacional, o que gerou um enfrentamento entre os poderes.
O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que a inflação possa chegar a 720% neste ano na Venezuela, que também enfrenta graves problemas de desabastecimento de produtos básicos e uma forte recessão, aprofundada pelo recuo dos preços do petróleo a commodity gera 98% dos recursos recebidos pelo país por suas exportações. A falta de diversos produtos e a deterioração de uma ampla gama de serviços pioraram nos últimos dois anos, devido ao fato de que houve uma redução no montante de vendas oficiais, o que impede que o setor produtivo compre matérias-primas e equipamentos no exterior.
Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Base do primeiro campus fluvial do Brasil será construída no Amapá

Ordem de serviço da base foi assinada durante um evento no Instituto Federal do Amapá (Ifap) no dia 27. Estrutura deve ser entregue em até seis meses.

Leia também

Publicidade