Aplicativos de realidade aumentada auxiliam estudantes amazonenses a estudarem Química

Os apps demonstram, na tela do telefone, os movimentos químicos que antes só eram ilustrados estaticamente nos papéis dos livros.

No distrito do Cacau Pirêra, município de Iranduba (distante 27 quilômetros da capital), no Amazonas, os alunos do Ensino Médio da Escola Estadual (EE) Senador João Bosco Ramos de Lima têm utilizado a tecnologia como aliada para estudar Química de uma forma diferenciada e atrativa. Por meio de aplicativos de realidade aumentada, os estudantes conseguem visualizar, na tela do telefone, os movimentos químicos que antes só eram ilustrados estaticamente nos papéis dos livros.

Os aplicativos foram desenvolvidos pelo professor de Química da unidade de ensino, Filadelfo Coelho, durante a sua pesquisa de mestrado, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Os apps auxiliam o docente a lecionar assuntos complexos. 

De maneira lúdica, as ligações que ocorrem na química orgânica, a transferência de elétrons entre elementos da tabela periódica, reações moleculares e eletroquímica são alguns dos assuntos que agora podem ser melhor compreendidos por meio da iniciativa do educador.

Foto: Euzivaldo Queiroz/ Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

Com o acompanhamento do professor, os alunos baixam os aplicativos nos celulares deles. Filadelfo também traz consigo as impressões em papel dos itens a serem estudados, que são distribuídas e lidas pelas câmeras de telefone dos estudantes.

No final, a ferramenta reconhece e apresenta, na tela do dispositivo móvel, uma imagem em movimento que representa o item. As impressões também interagem entre si na tela do telefone, demonstrando, na prática, a interação química desejada em maior escala de visualização. 

“No livro, esses assuntos são visualizados de maneira estática, mas não da forma que acontece na prática. Ter essa maneira de aprender é muito boa, destrava a cabeça. Ao observar para onde vai o elétron, como que ocorre a reação, por qual motivo muda de cor, o conhecimento se constrói de outra maneira”,

destacou Filadelfo Coelho.

Foto: Euzivaldo Queiroz/ Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

Participação dos alunos 

Os alunos da 3ª série do Ensino Médio, da unidade de ensino, participaram da rotina de estudos com os aplicativos. Atualmente, mais de 120 estudantes da 2ª série também estão tendo contato com a iniciativa. De acordo com o aluno Micael Neves, 17, que está tendo acesso à realidade aumentada pela primeira vez, a ferramenta aproximou os alunos da disciplina.

“Eu achava Química um assunto complicado, mas depois do aplicativo, comecei a gostar, me interessar mais. Eu e meus colegas ficamos curiosos no início e depois conseguimos visualizar e entender melhor o que acontece nas reações dos elementos químicos”,

destacou o aluno.

Pesquisa 

O projeto desenvolvido na EE Senador João Bosco Ramos de Lima é inédito na unidade, mas não para o professor e nem para a rede estadual. Em 2019, Filadelfo já tinha utilizado a ferramenta de realidade aumentada na rotina escolar de alunos da 3ª série do Ensino Médio da EE Professora Enery Barbosa dos Santos, localizada no município de Nhamundá (distante 383 quilômetros de Manaus).

Na época, o experimento rendeu ao professor a publicação de um artigo na revista da IEEE Frontiers In Education, uma organização internacional que concatena iniciativas científicas no campo educacional. Intitulado como “Case Study Using Augmented Reality for Teaching Organic Compound Reactions”, em tradução livre “Estudo de caso de realidade aumentada para ensinar reações orgânicas compostas”, o artigo fala sobre a experiência de trabalhar realidade aumentada com os estudantes de Nhamundá.

Atualmente, na EE Senador João Bosco Ramos de Lima, o docente também coordena dois projetos científicos vinculados ao Programa Ciência na Escola (PCE), com a participação de mais de 50 estudantes nas pesquisas realizadas.

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