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Segunda, 06 Mai 2024

Manuel Rodrigues do Nascimento, um português formado na Universidade Livre de Manáos

Manuel Rodrigues do Nascimento e os pais. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Manuel Rodrigues do Nascimento que nasceu no dia 12 de dezembro de 1886 foi durante muito tempo diretor do Corpo Cênico do Luso Sporting Club. O destino deste lusitano marca de forma profunda a história da "Universidade Livre de Manáos". Seu pai, o imigrante português Lourenço do Nascimento, imigrou para o Brasil, cujo destino final era a cidade de Manaus, em 1889, tendo deixado em Portugal sua esposa Maria Rodrigues e seu filho Manuel Rodrigues do Nascimento.

Lourenço Nascimento seu pai já em Manaus, logo começa a trabalhar no Mercado Adolpho Lisboa, com uma pequena banca de verduras e frutas. Distante da família que ficara em Portugal, logo constitui nova família em Manaus, tempos depois sua esposa Maria Rodrigues embarcou com o filho Manuel Rodrigues do Nascimento com aproximadamente sete anos de idade, aqui chegando tomou conhecimento da nova família que seu esposo havia constituído.

Fotografia tirada em Braga, Portugal. Manuel Rodrigues do Nascimento, Ermelinda Soeiro do Nascimento (esposa). Filhos: Diogenes, Ilcia, Aristóteles, Manoel e Maria Tereza (1940). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Tentou a todo custo uma reconciliação, porém, o objetivo não foi alcançado. Após contrair grave doença Maria Rodrigues vem a falecer. Manuel Rodrigues do Nascimento fica órfão de mãe aos oito anos de idade desta forma não quis ir morar com o pai e a madrasta. Apesar de muito jovem começa cedo a trabalhar ajudado por "patrícios" nos afazeres gerais.

O tempo passa e o jovem Manuel Rodrigues do Nascimento tornou-se balconista no Mercado Adolpho Lisboa. Tendo recebido convite dos padres para viajar pelo interior do Estado e, logo os padres impressionados com a inteligência do menino proporcionam-lhe o retorno aos estudos, com formação religiosa e a conclusão dos estudos, ele aos dezoito anos retorna a Manaus.

Manuel Rodrigues do Nascimento. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Portador de uma inteligência rara, começa logo a se envolver em atividades culturais no Luso Sporting Club, tendo se destacado como ator do Corpo Cênico e diretor da referida Instituição, onde permaneceu atuando até o seu retorno para Portugal. Em Manaus trabalhou duro buscando seu crescimento profissional, para sua subsistência inicia uma nova profissão a de barbeiro, homem extremamente generoso nas horas vagas ajudava arrancando dentes, para atender os patrícios menos favorecidos e principalmente pessoas pobres que o procurava.

Escreveu-se no Curso de Odontologia na "Universidade Livre de Manáos", tendo iniciado seus estudos no ano letivo de 1917 a 1918, formando-se em 23 de dezembro de 1918. Contraiu matrimônio duas vezes, tendo ficado viúvo em ambos. Após a viuvez, conheceu a jovem Ermelinda Soeiro de Carvalho, também de nacionalidade portuguesa, ela natural de Guedeiras – Colônia de Sendim – Viseu com quem contraiu matrimônio, cuja, diferença entre eles era de nove anos.

Manuel Rodrigues do Nascimento na faculdade. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Seu primeiro filho com Ermelinda nasceu em Manaus. Regressou definitivamente para Portugal em 1923, instalando seu consultório odontológico em sua residência em Moimenta da Beira, Distrito de Viseu. Ainda nesta casa nasce o segundo filho que, por vontade dos pais, chamou-se Diógenes, mas tarde, resolveu alugar uma casa em Braga, localizada no Campo da Vinda, nº 49, para onde mudou-se com toda família. Nesta casa exerceu com dignidade e profissionalismo o sacerdócio de médico dentista. O tempo passa e Deus proporcionou ao casal mais quatro filhos.

Após sua morte esta casa foi ocupada pelo filho mais velho Diógenes, o único a nascer em Manaus, que como pai tornou-se médico dentista como é o ensino em Portugal e, passou a ocupar o consultório deixado pelo pai.

Seus filhos Demóstenes, Tereza e Manuel imigraram para o Brasil. Demóstenes tornou-se industrial na cidade do Rio de Janeiro, aonde veio a falecer. Manuel reside em Belém do Pará e Tereza residiu em Manaus, até falecer.

Diploma original entregue à Manuel Rodrigues do Nascimento da Universidade de Manaós. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Manuel Rodrigues do Nascimento foi um homem com enorme contribuição ao Diretório do Centro Republicano Português, em cujas sessões foi sempre um eloquente orador. No Luso Sporting Club escreveu sua história fruto do labor coletivo e a partilha das encenações teatrais, onde alimentado pelo prazer criativo da bela arte deu vida a seus personagens, que permanecem silenciosamente nas paredes do centenário club, cujas, lembranças continuam vivas no cenário imaginário de nossas mentes.

No dia 29 de maio de 1920 em virtude da preparação em seu regresso a Portugal renunciou a diretoria do club. Igual participação atuou em defesa da classe de Odontologia na Associação Amazonense de Cirurgiões Dentista. Seus filhos Ilcia, Aristóteles e Diógenes residem em Portugal. O Luso Sporting Club quando de sua partida definitiva para Portugal prestou significativa homenagem no dia 29 de fevereiro de 1920, perdia o Amazonas um grande homem e ganhava Portugal um excelente profissional. Manuel Rodrigues do Nascimento faleceu na cidade de Braga, em Portugal no dia 20 de janeiro de 1946.

*Informações obtidas pessoalmente pelo autor quando de sua visita a cidade do Porto em Portugal, onde nesta ocasião foram prestadas por sua sobrinha (filha) senhora Maria Ermelinda Faria de Carvalho. 

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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