Foto: Divulgação/AMAZ
Quase 30 toneladas de peixe saíram de Fonte Boa, no interior do Amazonas, com destino a São Paulo. No caminho, a carga passou por voadeira, barco e caminhão, precisou ser armazenada com gelo no porão de uma embarcação e enfrentou dificuldades para fazer o transbordo em Manaus. Na estrada, ainda veio a BR-319.
O percurso do pirarucu ajuda a explicar um dos principais desafios para quem quer transformar produtos da Amazônia em negócios: produzir é apenas uma parte do caminho. É preciso também financiar, armazenar, transportar e encontrar mercado. Para Michelle Guimarães, CEO da Navegam, a falta de infraestrutura ainda limita o crescimento das cadeias produtivas.
“Enquanto a gente não tem melhoria na infraestrutura logística, na capital, nos interiores, nas estradas, a gente não consegue ter uma escala desses produtos, porque tudo passa pela logística”, afirma.
É nesse cenário que empresas como a Navegam e a ForestFi desenvolvem soluções para problemas encontrados nas cadeias produtivas da região. Os dois negócios são apoiados pela AMAZ, maior aceleradora de negócios de impacto do Norte do país, dedicada a empreendedores que atuam na Amazônia. O programa de aceleração é adaptado às necessidades de cada negócio.
Os exemplos ganham destaque neste 5 de setembro, Dia da Amazônia, data criada para chamar atenção para a conservação da floresta e para o desafio de conciliar desenvolvimento e preservação. Nos últimos cinco anos, a AMAZ analisou mais de 500 empresas e atualmente acompanha 16 negócios.

Crédito também é um gargalo
Enquanto a Navegam atua sobre os problemas de logística, a ForestFi trabalha com outra dificuldade das cadeias da sociobiodiversidade: o acesso a capital.
A empresa busca conectar recursos financeiros a negócios da bioeconomia amazônica. Segundo o CEO Macaulay Abreu, muitas organizações ainda encontram dificuldades para acessar investimentos e capital de giro.
“Nem sempre as organizações estão aptas a receber investimentos externos. Acho que essa é uma das grandes lições que nós aprendemos ao longo desse processo”, afirma.
Uma das estratégias é antecipar recursos para que organizações consigam formar estoques de produtos da bioeconomia antes do período de maior demanda. Com isso, os produtores ganham mais tempo para negociar e vender a produção.
Da floresta ao mercado
Na Navegam, o desafio apareceu na prática durante o transporte do pirarucu de Fonte Boa para São Paulo. A operação precisou combinar diferentes meios de transporte e lidar com limitações de infraestrutura ao longo do percurso.
A empresa começou atuando com logística fluvial e rastreabilidade e, posteriormente, passou a operar de forma multimodal, conectando diferentes etapas do transporte. Para Michelle, melhorar essa estrutura é condição para ampliar a participação dos produtos amazônicos em outros mercados.
“Não existe desenvolvimento socioeconômico na Amazônia se não existir a melhoria da infraestrutura logística”, afirma.
Os casos da Navegam e da ForestFi mostram uma das questões que estão por trás do debate sobre o futuro da Amazônia: como gerar renda e atividade econômica a partir dos recursos da região sem abrir mão da conservação da floresta. Para esses negócios, parte da resposta passa por resolver problemas concretos que ainda estão no caminho entre a produção amazônica e o mercado.
