Reaprendendo a sonhar

A idade pode nos levar a pensar que há pouco tempo para realizar alguma coisa, mas o sonho pode nos lembrar que é possível e que podemos fazer a nossa parte e confiar no Universo.

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Eu não sei se você concorda comigo, mas percebo que, com o passar do tempo, vamos, aos poucos, desaprendendo a sonhar. As crianças costumam sonhar com tanta facilidade que são capazes de viver maravilhosas fantasias com seus super-heróis, elas mesmas ocupando o papel de super-homens e supermulheres. Algumas criam até um amiguinho invisível com quem conversam e brincam, e que depois desaparece.

Quando jovens, nossos sonhos são outros. Qual é o seu sonho? Fizemos esta pergunta para uma turma do programa “Jovem, o que te fará feliz?” do MCI, em uma escola pública com alunos entre 14 e 16 anos. “Meu sonho é ser um jogador de futebol, rico e famoso”, disse um. Uma menina respondeu: “meu sonho é ser a primeira pessoa da família a me formar”. Houve até um menino que nos emocionou quando falou: “meu maior sonho é dar para a minha mãe tudo que ela merece e que nunca teve”. Em um outro grupo, de crianças vulneráveis, os sonhos custaram a aparecer. A realidade deles era dura e não aprenderam a sonhar. Ou melhor, desaprenderam antes mesmo de aprender.

No meu caso, lembro que, desde cedo, sonhava em ter uma namorada e isto era uma coisa muito importante, muito séria. Depois, sonhei em ser um médico bem-sucedido, andar de jaleco branco e ser chamado de doutor. Também sonhava em salvar vidas, mas isto vinha em segundo plano. Sonhei em ser um escritor e viver disso, começando a escrever um livro aos 12 ou 13 anos, que nunca foi concluído. Depois o sonho era entrar em uma faculdade pública, montar o meu próprio negócio e ser independente. Quando me casei, o sonho era mais da noiva do que meu, mas sonhava em sermos felizes juntos com nossas filhos ou filhas. Como executivo, o sonho era crescer na carreira, liderar milhares de pessoas e gerar muitos empregos. Quem sabe um dia estar na capa da Revista Exame? Senti o gosto de ajudar pessoas e sonhei fazer diferença para bastante gente, milhares ou milhões de pessoas. Sonho que o movimento Felicidade Consciente ganhe força e contribua significativamente para um mundo melhor.

Alguns sonhos que tive nasceram e morreram. Vários se tornaram realidade. Outros ficaram pelo caminho ou foram sendo transformados em outros sonhos. Todos foram importantes porque ajudaram a manter acesa a chama que somente o sonho é capaz de fazer. Sem o sonho, tudo fica cinza, sem sabor, sem cheiro, sem beleza.

Saber disso me ajuda a, conscientemente, combater o excessivo realismo que nos faz desaprender a sonhar. Sinto que o tempo me fez ser mais realista. A razão é positiva, mas ela não pode reinar absoluta. É como a combinação das forças de Yang e Yin. Neste caso, racionalidade e imaginação ou realidade e esperança.

A idade, por exemplo, pode nos levar a pensar que há pouco tempo para realizar alguma coisa, mas o sonho pode nos lembrar que é possível e que podemos fazer a nossa parte e confiar no Universo. Que coisas mágicas ocorrem quando conseguimos fazer isto. Lembrar que cada um de nós já viveu a experiência de sonhos que se transformaram em realidade, contrariando tudo o que parecia lógico. A propósito, você seria capaz de se lembrar de algumas destas situações em sua vida?

É no invisível mundo dos sonhos onde as coisas mais importantes começam a existir. É preciso reaprender a sonhar.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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