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Sábado, 23 Janeiro 2021

A impontualidade nossa de cada dia

Se você é uma pessoa que, como eu, tenta ser pontual no seu dia a dia, certamente tem muitos motivos para se irritar aqui no Brasil. Provavelmente, você é sempre um dos primeiros a chegar nas reuniões presenciais ou remotas, ou mesmo em outros compromissos, profissionais ou pessoais. Talvez você procure não reclamar e, ao manifestar seu aborrecimento, quando em situações de recorrência com as mesmas pessoas se torna insuportável, ouve críticas e comentários do tipo: "calma, você anda muito estressado. Relaxa! Para que tanta pressa?".

 Se como eu, você já tem um bom tempo de jornada neste plano, e neste país, já desenvolveu mecanismos para tentar fazer destes tempos de espera, pelo menos, algo produtivo. Talvez aproveite para responder mensagens, acessar uma rede social, ler ou mesmo escrever (quem sabe, um artigo). Sim, certamente, você encontrou um jeito de sobreviver, já que é você e eu que temos que mudar e não a maioria em volta, diria o senso comum. Afinal, ser pontual é um problema nosso. Os incomodados que se mudem. Ou se adaptem, não é mesmo?

O que não é só problema nosso são os efeitos, desta, digamos, característica de nossa personalidade como país. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), feito há alguns anos, o Brasil ocupava um dos últimos lugares em produtividade, a 11ª posição entre 12 países pesquisados. Somos assim tão ruins? Não, somos improdutivos. E mais do que isso, somos muito improdutivos. Não apenas no setor econômico, mas em todos os campos da vida.  

Foto: Divulgação 

 Para compensar, gastamos muito mais horas no que classificamos como "tempo de trabalho", em que costumam estar incluídas horas de deslocamento, cafezinhos, parada para o cigarro ou um lanche, bate-papos (vários), conversas preliminares (sem as quais nenhuma reunião começa no Brasil) e outras tantas e tantas formas de matar o tempo e, assim, nos enganarmos, pensando que estamos trabalhando muito, já que saímos cedo de casa e só voltamos bem tarde. Comparando com o americano típico que sai do trabalho às 17h, janta às 18h e está livre à noite para a família, um show ou cinema, ou simplesmente dormir cedo, a nossa vida parece sacrificada.

Durante a pandemia, tivemos que quebrar velhos hábitos. Muitos se surpreenderam ao perceber ser mais produtivos no home office. Foi mais fácil concentrar-se no que precisava ser feito, sem alguns dos desvios, presentes nos escritórios. Outros, ao contrário, não conseguiram criar uma rotina mais produtiva. Foram puxados por outras tentações: as da casa, da família, das minisséries ou outras de qualquer tipo. Para estes, o problema apenas mudou de lugar, mesmo que imaginem que tudo será resolvido quando retornarem às empresas.

É imensurável o tempo que desperdiçamos. É incalculável o tempo que perdemos por causa do desrespeito dos outros pelo nosso tempo ou de nós pelo tempo dos outros. Como não trabalhamos bem no tempo devido, o trabalho e o seu entorno ocupam muito mais de nossa vida do que deveria. Nossos outros papéis (familiar, conjugal, pessoal, transcendental) são sacrificados. Como precisamos ter todos os "pratos" balanceados, vivemos a permanente sensação de que não tem jeito, e que o melhor é relaxar e deixar que a vida, como diria o Zé Pagodinho, nos leve para onde for.

Ao contrário disso, o filósofo japonês Mokiti Okada diz: "para conhecer o grau de sinceridade de uma pessoa, observo se ela é pontual em seus compromissos". Parece pouco, mas não é. A sinceridade está relacionada a tentar fazer o que fala e tentar falar o que faz. Ou seja, dar valor a sua própria palavra, mesmo em coisas simples, como um horário combinado. A impontualidade é muito mais cara do que parece e pagamos todos nós por isso, mesmo pessoas como você ou eu. 


Julio Sampaio de Andrade Mentor e Fundador do MCI – Mentoring Coaching Institute Diretor da Resultado Consultoria Autor do Livro: O Espírito do Dinheiro (Editora Ponto Vital), dentre outros.

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