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Quarta, 28 Outubro 2020

Pesquisa indica diminuir consumo de certos peixes no AP devido elevado nível de mercúrio

Uma pesquisa realizada por três instituições científicas analisou 400 amostras de peixes de rios do Amapá e identificou que na maioria havia uma concentração de mercúrio maior do que a recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A descoberta leva a uma recomendação que pode alterar a rotina de quem tem peixe como alimento essencial na mesa.

A substância química em excesso afeta o coração e cérebro do ser humano. Por isso, uma das orientações dos pesquisadores é a redução do consumo de algumas espécies encontradas no estado.

O estudo, publicado recentemente em revista internacional, foi feito nas bacias hidrográficas do Araguari, Amapari, Cassiporé, Oiapoque e Amapá Grande, e é um desdobramento de um levantamento iniciado em 2017.

Foto: Renata Ferreira/Iepé/Divulgação

Entre os animais analisados, os peixes carnívoros registraram a maior concentração de mercúrio (77,6%), seguidos pelos onívoros (20%) e herbívoros (2,4%). De acordo com o estudo, isso acontece porque nos carnívoros o mercúrio dos peixes consumidos se acumula no organismo.

Em razão disso, a recomendação é que sejam consumidas por semana até 200 gramas de tucunaré, traíra, bagres, mandubé ou de pescada branca. Pirarucu e piranha no máximo uma vez ao mês, apontam os pesquisadores.

Por serem da costa amapaense, tainha, acari e branquinha são as espécies mais seguras, acrescenta a pesquisa.

A doutora em peixes e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), Cecile Gama, ressalta que a intenção não é acabar o consumo de peixes, que integra a base da alimentação do morador da Amazônia, mas a ideia é conscientizar a população sobre o cuidado com a saúde.

"Quando vamos às feiras, nós não sabemos a origem certa do peixe, mas também nós não queremos que as pessoas parem de comer o peixe. Nesse trabalho estamos propondo uma forma mais segura de se alimentar com peixe, porque é um alimento base da população ribeirinha", explicou.

Foto: Cecile Gama/Arquivo Pessoal

Problemas neurológicos, motores, cegueira, gastrointestinais, cardíacos e déficit de atenção no aprendizado de crianças são os riscos do consumo de mercúrio em excesso, segundo apontou o estudo. Também pode haver consequências para mulheres férteis.

A pesquisa aponta que o motivo para essa contaminação elevada nos peixes seria a presença de muitos garimpos ilegais no estado.

"Esses empreendimentos de garimpo não só jogam o mercúrio diretamente no ambiente, mas o desmatamento que eles causam libera o mercúrio que naturalmente já estaria no ambiente e gera queimadas. Isso tudo vai tá aumentando o nível de contaminação dos corpos d'água", detalhou Cecile.

O especialista em conversação da ONG WWF, Marcelo Oliveira, explicou que o mercúrio fica no meio ambiente por pelo menos um século.

"O mercúrio fica até 100 anos na cadeia, então se a gente terminasse hoje de introduzir mais mercúrio através de atividade ilegais de garimpo, isso poderia ficar por mais 100 anos na cadeia alimentar. O que a gente precisa é atacar o problema em todos os níveis: municipal, estadual e federal", disse.

Foto: Cecile Gama/Arquivo Pessoal

Oliveira acrescentou que o problema da poluição provocada pela extração de ouro ilegal é antigo e tem aumentado nos últimos anos.

"Desde a década de 70 esse problema acontece. Com os preços recordes de ouro, isso tem crescido e também com a sinalização positiva do governo federal de permissividade à essa ilegalidade. Nós temos visto os garimpos avançarem terras indígenas e unidades de conservação", afirmou.

A pesquisa foi feita pelo Iepa, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), além da ONG WWF-Brasil, entre agosto de 2017 e março de 2018. O estudo foi publicado este mês na Revista Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública.

"Estamos preparando uma estratégia de interação com o poder público. Chamar o poder público estadual e também os senadores do Amapá para uma conversa, estabelecer o diálogo e uma construção de soluções para esse problema", declarou Oliveira, como uma das saídas da poluição.

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