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Terça, 16 Agosto 2022

Onças-pintadas são monitoradas no Amapá por meio de projeto que busca garantir proteção e reprodução da espécie

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O Brasil tem um grande número de onças-pintadas e, por conta disso, destaca-se em relação a outros países do mundo. Mesmo assim, não é fácil conseguir ver o terceiro maior felino do planeta de perto. Para garantir a preservação dessa espécie, um projeto busca monitorar a população de onças em áreas de conservação no Amapá.

O "Fera", que vive no Bioparque da Amazônia, é um desses animais. Abandonado quando ainda era filhote, a onça macho passou por tratamento e hoje vive em um espaço no local se tornando um dos maiores atrativos para os visitantes.

"As crianças adoram. Existe um receio por ser uma onça, mas o primeiro local que elas querem olhar é o logradouro do Fera. Ele é um bicho bem mais tranquilo, não é agressivo, mas existe toda uma grade de proteção, justamente para ter a distância correta do público", explicou Geraldo Biondi, gerente do Bioparque.
Onça-pintada identificada em área de preservação no Amapá. Foto: Divulgação/ICMBio

Por causa de um problema de visão ele não pode mais voltar para a natureza. Geralmente, a espécie é encontrada em ambientes com árvores em abundância, como é o caso das florestas da Amazônia.

Na Estação Ecológica Maracá-Jipioca (EEMJ), que fica na costa do Amapá, existe uma grande concentração de onças-pintadas, por isso o local também é conhecido como "Ilha das onças".

A área é considerada uma região de proteção integral e não são permitidas práticas de uso direto dos recursos naturais. As informações foram levantadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

"As áreas que a gente escolhe para colocar essas armadilhas fotográficas e conseguir fazer esse levantamento, são locais que ainda não foram visitados e serão vistos pela primeira vez, então não tem trilha e a pessoa precisa ter conhecimento de GPS, bússola e um bom condicionamento físico", detalhou Girlan Dias, agente ambiental do ICMBio.

"Ilha das onças" é considerada uma das áreas de preservação ambiental no Amapá. Foto: Divulgação/ICMBio

Em muitos casos, os cientistas precisam passar a noite em acampamentos improvisados, já que a distância entre as estações é de cerca de 3 quilômetros. A média, segundo o agente ambiental, é de que os pesquisadores enfrentam aproximadamente 20 quilômetros por dia nas expedições.

Os animais podem ser vistos às margens da ilha e ainda nas praias que se formam. Por conta disso, um novo monitoramento vai ser feito este ano, para contemplar outras áreas do estado.

Iranildo Coutinho, chefe da Estação Ecológica de Maracá-Jipioca, fala que esses números são importantes para ajudar no planejamento de novas ações de conservação da espécie.

"O levantamento tem o objetivo de verificar a densidade populacional de onças em alguns lugares do estado, principalmente nas unidades de conservação federais [...]. A ideia é fazer um monitoramento anual nessas regiões e seguir acompanhando como vai variar essa população, e também sobre a conservação desse felino", contou.

O trabalho de conservação da espécie também é acompanhado pelo World Wildlife Fund ou Fundo Mundial da Natureza (WWF-Brasil), organização não-governamental brasileira que integra a maior rede de preservação da biodiversidade no planeta.

"O destaque do Amapá são as áreas protegidas, 72% do estado tem algum grau de conservação das suas florestas e isso já é um diferencial. Essas florestas se mantêm saudáveis, porque muito provavelmente, as espécies indicadoras de um ambiente saudável, como as onças, também vivem por lá", afirmou Marcelo Oliveira, especialista em Conservação do WWF-Brasil.

*Por Karina Rodrigues e Jorge Junior, da Rede Amazônica AP 


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