Foto de capa: José Cruz /Agência Brasil
O Instituto Trata Brasil divulgou o ranking atualizado dos 100 municípios com os piores índices de saneamento básico entre as cidades mais populosas do Brasil. Os dados mostram que os piores resultados estão concentrados na região Norte do país e o destaque negativo fica por conta de Santarém, no Pará, que lidera o levantamento.
Além de Santarém, outros municípios da região estão na lista: Parauapebas, Belém e Ananindeua, também do estado paraense; Porto Velho (Rondônia), Rio Branco (Acre) e Macapá (Amapá). Eles estão entre as dez primeiras posições do ranking, baseado em informações de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). A lista completa das cidades pode ser conferida AQUI.
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Para a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, as particularidades geográficas da região Norte são consideradas as maiores dificuldades para avanço do saneamento básico.
“O maior desafio é a especificidade da geografia e cultura local e a baixa densidade demográfica. O fato da gente estar numa região rica em biodiversidade tem que ser levado em consideração, é uma região onde a solução muitas vezes para o acesso ao saneamento não vai ser convencional por conta dos povos ribeirinhos. Então, a gente precisa pensar em soluções que casem com a realidade da geografia, com a cultura de cada um dos itens que representam a região Norte de forma geral”, pontuou Luana.

Outro fator “complicador” citado por Luana são as redes de abastecimento de água instaladas nas cidades. Segundo a presidente, muitas já são antigas e tem apresentado diversos problemas nos últimos anos.
“Quando se tem rede e tubulações antigas que tem muitos problemas de deteriorização e vazamento, é preciso trocar esses sistemas e muitas das vezes a infraestrutura já existente não possibilita um espaço para colocar novas redes de abastecimento de água ou coleta e tratamento de esgoto. É preciso que as soluções sejam planejadas de maneira inovadora. Por isso que eu sempre digo que é mais difícil modernizar do que começar do zero, porque a gente não sabe o que está pegando, qual é a realidade e o que precisa fazer. Do ponto de vista técnico, é bastante desafiador, mas que tem solução”, frisou a presidente executiva do Instituto Trata Brasil.
O diretor-presidente da Águas do Pará, André Facó, confirma que o crescimento urbano acelerado é um ponto específico que contribui para a dificuldade em relação ao envelhecimento dos sistemas e que impactam no cenário geral.
“O saneamento ainda é um problema crônico no país. O Pará é um recorte do que acontece no país. (…) Quando a gente vem aqui para o Pará, talvez os dois grandes desafios sejam, primeiro, essa baixa cobertura em relação ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário (…) E o segundo desafio que nós temos aqui é de instalações, infraestruturas, tubulações, que são relativamente antigas e que precisam de investimentos para que a gente possa ter a garantia do fornecimento daquilo que já existe”, comenta Facó.

Importância do investimento
De acordo com Luana Pretto, a região Norte conta com 62% da população com acesso á agua tratada, e apenas 16% estão contemplados com o serviço de coleta e tratamento de esgoto.
Apesar dos números críticos, a presidente destacou a importância dos investimentos para a implementação do saneamento básico na região amazônica.
“Por outro lado, em cada um real investido em saneamento básico na região amazônica, a gente tem um retorno de R$ 5,10, o que impacta significativamente na redução de custos com saúde, reflete no ganho de produtividade, na valorização imobiliária. No caso do Pará, significa um retorno para cada cidadão de aproximadamente R$ 650 por ano. Isso demonstra a importância da priorização desse tema, principalmente na região Norte”, pontuou.
Luana destacou ainda que um bom planejamento é crucial para a implementação do saneamento básico nas cidades do Norte. “Quando a gente fala de acesso pleno ao saneamento, a gente primeiro precisa ter o planejamento, para depois fazer o projeto, correr atrás do licenciamento ambiental, e partir daí a gente possa ter as obras iniciadas e efetivamente levar o acesso a água tratada e coleta e tratamento de esgoto. Isso é um ciclo de vida longo, pois é necessário estudar cada realidade, identificar os problemas e planejar de acordo com a realidade in loco. Por isso que a gente colhe os frutos no médio e longo prazo”, explicou Pretto, que destacou:
“Temos uma oportunidade de melhorar a vida de muitas pessoas, daquelas que não tinham água tratada e possam começar a ter, e assim diminuir o número de doenças, trazendo melhoria para a escolaridade das crianças, uma renda média para os adultos. A gente está falando efetivamente de trazer qualidade de vida, produtividade e desenvolvimento econômico e social para muitas famílias, além de garantir um futuro melhor e conservação para toda essa biodiversidade tão rica da nossa região. E isso vem com acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto”, finalizou Luana.
Águas que transformam
As entrevistas com Luana Pretto e André Facó fazem parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 18 de março.
O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação do jornalista Ronaldo Santos, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira as entrevistas completas (a partir de 1:16):
Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’
Revitalização de poços melhora saneamento e garante qualidade da água no Pará
