Entenda como reparos em redes de abastecimento impactam na rotina da população das grandes cidades

Desafios estruturantes no subsolo urbano interferem nas obras de reparo em redes e na rotina de cidadãos.

Foto da capa: Marcelo Seabra/Agência Pará

Realizar reparos em redes de abastecimento nas grandes cidades é uma operação fundamental para a melhoria de serviços essenciais como água e esgoto, mas também envolve vários desafios complexos. Isso porque a execução das obras de manutenção impacta diretamente na rotina da população, além de exigir tempo e paciência dos cidadãos.

Por depender de acesso à, em sua maioria, espaços subterrâneos, os reparos acabam interferindo na mobilidade urbana como o tráfego de veículos, o ir e vir de pedestres e até mesmo o consumo. Para o engenheiro civil Rodrigo Souza, o principal desafio das equipes técnicas é a quantidade de problemas estruturantes encontrados no subsolo urbano.

“Do ponto de vista técnico, o maior desafio que a gente encontra é a alta densidade de interferências. Em cidades antigas como Belém, é comum encontrar rede de água e esgoto misturado com drenagem, fiação de energia, telecomunicações, tudo ocupando o mesmo espaço, muitas vezes com o cadastro técnico não confiável. Isso acaba dificultando bastante na hora da execução dos reparos”, explica Rodrigo, que atua na área de saneamento e infraestrutura em obras.

Obras para reparos no sistema de drenagem no Pará. Foto de 2018/Cosanpa
Obras para reparos no sistema de drenagem da Avenida Almirante Barroso, em Belém (2018). Foto: Divulgação/Acervo Cosanpa

O especialista conta que, na maioria das vezes, o cenário encontrado exige a interrupção no fornecimento dos serviços e a atuação conjunta das empresas prestadores para solucionar os problemas.

“Nem sempre essas interferências estão mapeadas e isso acaba exigindo paralisações pontuais. Por exemplo, quando se atinge uma rede, tem que parar, chamar a concessionária de água ou energia, para avaliar o rompimento e ajudar naquele momento de execução. No rompimento de uma adutora de água, por exemplo, é necessário desligar o abastecimento para solucionar o problema e isso, naturalmente, acaba impactando no prazo de conclusão dos reparos e na rotina dos clientes”, frisou o engenheiro, que é pós-graduado em engenharia ambiental e saneamento.

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Segurança para realizar os reparos

Outro ponto é a segurança dos funcionários que atuam nas obras. Segundo o Rodrigo, é fundamental avaliar primeiro o local para garantir a integridade física dos trabalhadores, para depois iniciar a execução dos trabalhos.

“É preciso garantir a segurança e condições adequadas para aqueles trabalhadores que estão no local, porque qualquer falha durante a etapa pode causar acidentes e a perda de vidas. Voltando ao exemplo da adutora, não tem como realizar o serviço com uma rede pressurizada, não é somente instalar uma tubulação e pronto, por isso, a segurança é fundamental, tanto para quem está trabalhando quanto para a qualidade da execução dos reparos”, reforçou o engenheiro.

Segurança dos trabalhadores é fundamental para a execução correta dos serviços. Foto: Divulgação/Águas do Pará

Soluções

Para minimizar a demora das obras de manutenção, o especialista reforça que as empresas utilizam estratégias para sanar os impactos no dia a dia da população.

“A mitigação desses impactos precisa ser feita com planejamento executivo e um controle rigoroso na execução das obras de reparos, onde precisa ter um engenheiro e um técnico acompanhando em tempo real. Geralmente, essas intervenções são divididas em trechos menores para poder reduzir o tempo de uma vala aberta, já que é um problema que afeta a população em termos de trânsito”, pontuou.

Águas que transformam

A entrevista com Rodrigo Souza faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 25 de março.

Águas que transformam, entrevista com especialista para falar sobre os impactos de obras de saneamento nas cidades
Participação de Rodrigo Souza, por telefone, no quadro Águas que Transformam, no Estação CBN Belém. Foto: Reprodução/CBN Amazônia

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:16):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’

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