Foto da capa: Marcelo Seabra/Agência Pará
Realizar reparos em redes de abastecimento nas grandes cidades é uma operação fundamental para a melhoria de serviços essenciais como água e esgoto, mas também envolve vários desafios complexos. Isso porque a execução das obras de manutenção impacta diretamente na rotina da população, além de exigir tempo e paciência dos cidadãos.
Por depender de acesso à, em sua maioria, espaços subterrâneos, os reparos acabam interferindo na mobilidade urbana como o tráfego de veículos, o ir e vir de pedestres e até mesmo o consumo. Para o engenheiro civil Rodrigo Souza, o principal desafio das equipes técnicas é a quantidade de problemas estruturantes encontrados no subsolo urbano.
“Do ponto de vista técnico, o maior desafio que a gente encontra é a alta densidade de interferências. Em cidades antigas como Belém, é comum encontrar rede de água e esgoto misturado com drenagem, fiação de energia, telecomunicações, tudo ocupando o mesmo espaço, muitas vezes com o cadastro técnico não confiável. Isso acaba dificultando bastante na hora da execução dos reparos”, explica Rodrigo, que atua na área de saneamento e infraestrutura em obras.

O especialista conta que, na maioria das vezes, o cenário encontrado exige a interrupção no fornecimento dos serviços e a atuação conjunta das empresas prestadores para solucionar os problemas.
“Nem sempre essas interferências estão mapeadas e isso acaba exigindo paralisações pontuais. Por exemplo, quando se atinge uma rede, tem que parar, chamar a concessionária de água ou energia, para avaliar o rompimento e ajudar naquele momento de execução. No rompimento de uma adutora de água, por exemplo, é necessário desligar o abastecimento para solucionar o problema e isso, naturalmente, acaba impactando no prazo de conclusão dos reparos e na rotina dos clientes”, frisou o engenheiro, que é pós-graduado em engenharia ambiental e saneamento.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
Segurança para realizar os reparos
Outro ponto é a segurança dos funcionários que atuam nas obras. Segundo o Rodrigo, é fundamental avaliar primeiro o local para garantir a integridade física dos trabalhadores, para depois iniciar a execução dos trabalhos.
“É preciso garantir a segurança e condições adequadas para aqueles trabalhadores que estão no local, porque qualquer falha durante a etapa pode causar acidentes e a perda de vidas. Voltando ao exemplo da adutora, não tem como realizar o serviço com uma rede pressurizada, não é somente instalar uma tubulação e pronto, por isso, a segurança é fundamental, tanto para quem está trabalhando quanto para a qualidade da execução dos reparos”, reforçou o engenheiro.

Soluções
Para minimizar a demora das obras de manutenção, o especialista reforça que as empresas utilizam estratégias para sanar os impactos no dia a dia da população.
“A mitigação desses impactos precisa ser feita com planejamento executivo e um controle rigoroso na execução das obras de reparos, onde precisa ter um engenheiro e um técnico acompanhando em tempo real. Geralmente, essas intervenções são divididas em trechos menores para poder reduzir o tempo de uma vala aberta, já que é um problema que afeta a população em termos de trânsito”, pontuou.
Águas que transformam
A entrevista com Rodrigo Souza faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 25 de março.

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.
Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:16):
