Foto: Edley Oliveira/Amazon Sat
O Carnaboi 2026, em Manaus (AM), realizado nos dias 20 e 21 de fevereiro, não se resume à celebração da festa de boi-bumbá, protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido, de Parintins. A valorização do artesanato local e a expansão dos saberes tradicionais também fazem do evento, que marca a transição do período carnavalesco para a temporada bovina, relevante para a difusão cultural.
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Durante as duas noites de evento, o Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho – Sambódromo de Manaus – contou com espaços voltados para a exposição de produtos feitos pelos povos indígenas do Amazonas.
Cerca de 10 artesãos das etnias Baré, Hixkaryana, Kokama, Kambeba, Sateré-Mawé e Tikuna puderam apresentar adereços e acessórios para o público em geral com inspiração nos bois de Parintins e em suas culturas.
Itens como biojoias, cestarias, artigos decorativos para casas, peças produzidas com matérias-primas naturais e técnicas tradicionais da medicina indígena repassadas entre gerações foram alguns dos produtos comercializados no Carnaboi.
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Raquel Wosayme, da etnia Hixkariana, é uma das expositoras que faz parte do grupo participante desta edição do evento. Da aldeia Kassawa, no município de Nhamundá, ela conta que usa material natural para suas produções de biojoias, como as miçangas morototó com açaí.
“Morototó, a gente colhe no mato, lavando, secando pra trabalhar”, revela a artesã, que levou cerca de 500 peças para o espaço dedicado à economia criativa, como colares, gargantilhas, pulseiras e brincos. “E tomara que dê certo pra todos nós aqui!”, desejou.




Cachaça artesanal
Quando se fala em artesanato é possível que a primeira imagem seja mesmo alguma das que fazem parte da galeria acima, mas não para por aí. Um exemplo é a ‘Cachaça do índio’, uma bebida alcóolica artesanal apresentada por Yuri Magno, da etnia Sateré Mawe.

“A cachaça do índio é preparada de forma natural, a base do caldo de cana, o mirantão, o xixuá, o manacâmara, o puamo e o guaraná, que são as raízes mais afrodisíacas da Amazônia. A cachaça do índio, a diferença dela na preparação, é que ela não vai no fogo, a fermentação dela é de forma natural, então essa é uma diferença”, conta.
Segundo o produtor, com apoio do Governo do Estado, a bebida é apresentada em diversos eventos realizados no Amazonas e, claro, todos os anos está presente em Parintins. “Hoje tem uma faixa de umas 15, 20 mil garrafas já preparadas. E a cachaça do índio não vem sozinha, ela traz também o artesanato indígena de vários povos do Amazonas”, comenta.
Segundo Magno, o grupo produtor conta com cerca de 30 artesãos. “Pra nós é muito importante, a gente já se prepara o ano todo pro Carnaboi, pro festival de Parintins, pras férias”, afirma.



Valorização
Para o diretor-presidente da Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Amazonas (Fepiam), Nilton Makaxi, a presença de expositores reforça a valorização cultural e o fortalecimento dos povos indígenas do Amazonas.
“Foi uma verdadeira vitrine estratégica para evidenciar que o artesanato indígena carrega arte, memória e resistência. Ao promovermos esses espaços, asseguramos visibilidade, geração de renda e respeito às nossas comunidades, além de impulsionar a autonomia dos artesãos”, ressaltou Nilton.
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Carnaval Amazônico
O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.
