Jovens ribeirinhos e indígenas falam sobre desafio de trabalhar com comunicação na Amazônia

A equipe do Portal Amazônia conversou com alguns jovens para entender o que os atraiu para o universo da comunicação e quais são os desafios reais e conquistas dessa jornada.

A comunicação é fundamental. E na Amazônia muitos desafios precisam ser vencidos para que ela se torne clara e consciente. Tanto, que é crescente o número de jovens se destacando no campo da comunicação social. São jornalistas, fotógrafos e assessores de comunicação que, oriundos de comunidades indígenas e ribeirinhas, dedicam-se a levar a realidade de suas culturas e vivências para o grande público. A equipe do Portal Amazônia conversou com alguns desses jovens para entender o que os atraiu para o universo da comunicação e quais são os desafios reais e conquistas dessa jornada.

Para muitos desses jovens, a comunicação é mais do que uma carreira, é uma missão. O indígena Pedro Tukano faz parte da assessoria de imprensa da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Natural de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, Pedro viu nos meios de comunicação uma oportunidade de lutar pelo seu povo.

Ao ser enviado para estudar na capital amazonense, Manaus, ele conheceu o trabalho de uma jornalista local e ficou encantado. Dedicado, procurou maneiras de conhecer mais sobre a área e almejou trabalhar com comunicação.

“Ainda estou em processo de construção da minha carreira, principalmente dentro do próprio movimento indígena. Atualmente, faço parte também da Articulação Brasileira de Jornalistas Indígenas, que está construindo uma alicerce para o futuro da comunicação indígena”, destacou o jovem.

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Através da Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas (Makira E´ta), que junto a Unicef e a Coiab, desenvolveram o projeto Rede de Comunicadores, foi que o Emmanuel Alencar, da etnia Baniwa, teve o primeiro contato com a comunicação social. “Eu já auxiliava ajudando a Rede em uma ação mais popular, mas eles me ensinaram a atuar em outras áreas da comunicação, como por exemplo, jornalista e fotografo”, destacou o jovem.

Em Manaus, o jovem estuda psicologia, mas decidiu também entrar em um curso técnico de comunicação para agregar mais conhecimento na área. “Antes da psicologia, eu já trabalhava com comunicação porque é algo que sou apaixonado, principalmente por ajudar a comunidade indígena através dos meus trabalhos, sejam os textos ou fotos. É importante que os indígenas aprendam a falar de si, pois existem assuntos que só os indígenas podem cooperar”, explicou Emmanuel.

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Uma nova vertente da comunicação social é a mídia social (redes sociais). E o profissional responsável por este nicho é o social media. Foi dessa maneira que a jornalista Odenilze Ramos se encontrou na comunicação. Aos 14 anos, ela participou do projeto Repórter da Floresta da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Com a ajuda de profissionais da comunicação, Odenilze conseguiu desenvolver seus textos e visão crítica.

“Além dos textos, comecei a fazer um programa de TV local. E foi fluindo. Hoje eu trabalho com o Instagram. Eu consigo contar todas as novidades da minha comunidade através das redes sociais. A internet nos possibilita dar voz a essas populações e mostrar a realidade em estão inseridas. Afinal, existem diversas Amazônias e nosso papel é mostrá-las”, disse.

Protagonismo

Os jovens indígenas e ribeirinhos participaram nesta sexta-feira (21), do Encontro de Jornalismo Colaborativo na Amazônia na Maloca do Parque das Tribos. Com o tema ‘Protagonismo na Narrativa Socioambiental’, o evento tem o objetivo de fortalecer o proganismo local, garantindo uma comunicação mais alinhada com os interesses reis dos habitantes da região.

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