Jovens estudantes se engajam na pesquisa científica. Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
Nos dias 26 e 27 de fevereiro, no campus do Instituto Mamirauá em Tefé, no Amazonas, foi realizado o Seminário Parcial do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação científica e tecnológica (PIBICT). O PIBICT é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltada para o fomento à formação de jovens pesquisadores desde 2004.
A programação estendeu-se por duas manhãs e uma tarde, contando com a presença de jovens bolsistas das modalidades Júnior (ensino médio) e Sênior (graduação) para apresentarem o andamento dos projetos de pesquisa iniciados em setembro de 2025.
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Segundo a pesquisadora e atual coordenadora do programa, Hilda Chávez, o seminário é um espaço fundamental para que os estudantes compartilhem o desenvolvimento de seus estudos em áreas como ciências biológicas, sociais e tecnológicas.
“Sou muito apaixonada pelo programa, e acredito que é uma ferramenta muito importante que permite os jovens se desenvolverem e se fazerem presentes. Esse programa então permite dar bases e ferramentas para que eles entendam como manejar o conhecimento não só na vida acadêmica, mas também em aplicar a ciência em suas vidas”, relata.
Jovens se dedicam
Érica Antônia, estudante do 7º período do curso de história na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), é bolsista há 3 anos no Instituto Mamirauá. Inserida no Grupo de Pesquisa Territorialidades, seu projeto de trabalho de conclusão de curso aborda as relações sócio-espaciais e condições de vida nas comunidades do mosaico do Baixo Rio Negro, nas unidades de conservação, cuja proposta é coletar dados através de entrevistas dentro destas comunidades, transformando assim a sabedoria local em conteúdo científico.
“Eu acho importante trazer essa perspectiva para os jovens da nossa região Norte, assim não precisamos ir longe para fazer pesquisa: podemos fazer ciência com as situações do nosso cotidiano. Moramos em uma região extremamente rica de informações, de biodiversidade, de relações humanas e de relações do homem com a natureza. Então, é importante que os jovens tomem posse de seu território e que eles façam ciência para o nosso povo”, ressalta Érica.
Estudante em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e bolsista do Instituto Mamirauá, o indígena Hiago Marques, da etnia Kambeba, estuda a fauna parasitária provenientes da pesca artesanal no Médio Solimões, uma região central do Amazonas banhada pelo rio Solimões e caracterizada por sua rica biodiversidade. Para ele, conhecer o ambiente que vive é fundamental para difundir o conhecimento coletado e desenvolvido.
“Ter a oportunidade de estar trabalhando e pesquisando pelo Instituto Mamirauá Faz com o que eu possa eu ter conhecimento sobre a ecologia local e repassar esse conhecimento para as pessoas da minha aldeia e para as pessoas com quem eu socializo”, reforça Hiago.

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Histórico e impacto do Pibict
O programa de iniciação científica do Instituto Mamirauá teve início em 2004 e, ao longo de duas décadas, já beneficiou mais de 500 bolsistas da região do Médio Solimões. Atualmente, o programa conta com cerca de 17 alunos sêniores e 7 juniores, envolvendo não apenas estudantes de Tefé, mas também de outras localidades, sempre sob a orientação de pesquisadores da instituição.
O objetivo central do PIBICT é despertar a vocação científica e incentivar a continuidade da formação acadêmica, proporcionando aos alunos o aprendizado de métodos e técnicas de pesquisa diretamente na prática investigativa.
Estudos realizados por egressos do programa apontam que a experiência é decisiva para o ingresso em cursos de graduação e pós-graduação, além de fortalecer competências de análise de dados e comunicação científica.
Sobre o Instituto Mamirauá
O Instituto Mamirauá é uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação que atua por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social na Amazônia, tendo como linhas de ação principais a aplicação da ciência, tecnologia e inovação na conservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica, bem como a construção e consolidação de tecnologias sociais e programas de manejo em parceria com comunidades tradicionais.
*Com informações do Instituto Mamirauá
