Bengala inteligente criada por alunos do Maranhão alia tecnologia e inclusão social

A bengala inteligente de detecção de obstáculos foi projetada para ampliar a autonomia e a segurança de pessoas com deficiência visual.

Bengala inteligente de detecção de obstáculos. Foto: Uema

Com o propósito de unir tecnologia e inclusão, estudantes do curso superior de Tecnologia em Redes de Computadores, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), desenvolveram uma bengala inteligente de detecção de obstáculos, projetada para ampliar a autonomia e a segurança de pessoas com deficiência visual.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O dispositivo

O dispositivo utiliza sensores ultrassônicos, um microcontrolador Arduino, motor vibracall e buzzer acoplados a uma bengala dobrável tradicional de alumínio para detectar obstáculos a diferentes distâncias e alturas, emitindo alertas sonoros e táteis que orientam o usuário durante o deslocamento.

Bengala inteligente
A bengala inteligente utiliza sensores ultrassônicos. Foto: Uema

“O desenvolvimento da bengala inteligente representou um desafio no que diz respeito a software e hardware embarcados, pois exigiu a conciliação de um baixo custo de produção com a necessidade de um dispositivo de desempenho robusto e confiável. O software precisou ser otimizado para superar algumas limitações do hardware de baixo custo. Assim, o projeto demonstra que é possível aliar o desenvolvimento de tecnologia assistiva de alto impacto social a uma arquitetura de software e hardware eficiente, entregando um produto final seguro e acessível”, contou o estudante Milton Ribeiro.

O professor José Pinheiro explica que o dispositivo foi pensado para atender diferentes perfis de usuários com deficiência visual e auditiva.

“Essa bengala inteligente possui sensores que detectam o obstáculo e atuadores que vibram e emitem som de alarme quando o usuário se aproxima dele. Ela foi pensada tanto para pessoas cegas quanto para aquelas com deficiência auditiva associada, emitindo alertas diferentes conforme a distância do objeto. Trata-se de uma solução simples, acessível e altamente funcional”, explicou o professor José Pinheiro.

Ele acrescenta que o grupo pretende patentear o projeto. “A ideia é patentear o projeto e registrar o software. O grupo desenvolveu toda a programação no Arduino, enfrentando desafios técnicos como o posicionamento dos sensores e a autonomia da bateria, e conseguiram excelentes resultados. É um trabalho de relevância científica e social, digno de pesquisa em nível de pós-graduação”, destacou.

Um dos autores do projeto, o estudante Francivaldo Sousa, que é cego, utilizou sua experiência pessoal para contribuir com o aprimoramento da bengala.

O grupo e o orientador já estão providenciando o registro do software e a patente da bengala. Foto: Uema

“A ideia surgiu nas aulas de automação, quando pensamos em criar algo que melhorasse a mobilidade das pessoas com deficiência visual. A bengala tradicional não detecta obstáculos acima do nível do solo. Com a bengala inteligente, o usuário é alertado antes mesmo de esbarrar, pois ela vibra e emite sons conforme a distância do obstáculo”, contou Francivaldo Sousa.

Para ele, a proposta também representa acessibilidade financeira e inclusão.

“Essa bengala inteligente é de fácil uso e baixo valor, permitindo que qualquer pessoa com deficiência visual possa ter acesso a um recurso que aumenta sua independência. Hoje, sinto que cumpri o propósito que estabeleci quando entrei na Uema: ajudar outras pessoas com deficiência por meio da tecnologia”, completou o estudante.

O grupo e o orientador já estão providenciando o registro do software e a patente da bengala, além disso pretendem agregar novas funcionalidades ao projeto.

“Nosso próximo passo é aprimorar o dispositivo, incluindo um botão de emergência capaz de enviar a localização geográfica do usuário em tempo real a contatos de confiança, ampliando ainda mais a segurança. Depois que a gente tiver a patente, pretendemos buscar parceiros para tornar isso replicável”, afirmou José Pinheiro.

Leia também: Plantas utilizadas para benzimento no Maranhão são analisadas em artigo científico; veja as mais populares

Fruto de um TCC

O dispositivo é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) dos alunos Milton Rodrigues Ribeiro, Rafael da Silva Sales e Francivaldo Sousa Reis do curso superior de Tecnologia em Redes de Computadores do Programa de Formação Profissional Tecnológica (ProfiTec), da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) – Campus Coroatá

A bengala inteligente é de fácil uso e baixo valor, e permite que qualquer pessoa com deficiência visual possa ter acesso a um recurso que aumenta sua independência. Foto: Uema

O projeto foi orientado pelo professor do Departamento de Engenharia da Computação da Uema, José Pinheiro de Moura, e representa um exemplo de inovação tecnológica e social com baixo custo de produção, o protótipo foi construído com investimento inferior a R$ 200 em recursos tecnológicos adicionados à bengala.

*Com informação da da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), escrito por Débora Souza

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Rabada no tucupi: prato típico do Acre gerou curiosidade depois de ser tema de conversa no BBB 26

Receita acreana, rabada no tucupi foi citada pela paraense Marciele durante diálogo com Leandro dentro da casa do reality show.

Leia também

Publicidade