Foto: Taíse Pereira
Com foco no fortalecimento da agroindústria e no aproveitamento integral do caju, a Embrapa Roraima realizou no final de fevereiro o Curso de Produção de Cajuína. A capacitação ocorreu no Laboratório de Pós-colheita da Unidade e reuniu agricultoras familiares e indígenas dos municípios de Bonfim e Normandia.
O treinamento foi uma realização da Embrapa Roraima e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do programa Quintais Produtivos, via Termo de Execução Descentralizada (TED) do MDA. A iniciativa integra as ações de desenvolvimento da cajucultura no estado, viabilizadas por emenda parlamentar da deputada federal Helena Lima (MDB/RR), e contou com o apoio estratégico do Sebrae, Senai, Di Fruta’s e Bebidas Monte Roraima.
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Muito além do caju: ciência e prática no campo
O curso foi ministrado pelos pesquisadores Ingrid Moraes e Gustavo Saavedra, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), em parceria com as pesquisadoras Caroline Coelho e Mariana Fensterseifer, da Embrapa Roraima. A programação integrou teoria e prática, abordando desde o preparo da matéria-prima e todas as etapas de produção da cajuína, incluindo extração, clarificação, padronização, rotulagem e controle de qualidade, conforme as exigências do mercado.
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Para o pesquisador Gustavo Saavedra, o potencial de Roraima é estratégico, pois o pedúnculo do caju possui grande potencial de aproveitamento e pode ser utilizado na produção de polpa, suco clarificado, cajuína e doces, agregando valor à cadeia produtiva:
“Quando trabalhamos o aproveitamento integral do fruto, ampliamos as possibilidades de geração de renda e fortalecemos as comunidades produtoras. Esse avanço é resultado de décadas de pesquisa sobre o caju, com estudos iniciados ainda nas décadas de 1950 e 1970. A parceria entre as Unidades é fundamental para garantir a transferência desse conhecimento e das tecnologias já consolidadas, permitindo que essas soluções científicas sejam aplicadas de forma prática nas comunidades locais”, afirmou Gustavo.
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Fortalecimento da Agricultura Familiar
Entre o público-alvo, destacaram-se as mulheres da Associação das Mulheres Rurais de Normandia (ASMURN) e da Associação Reviver, de moradores indígenas da sede de Bonfim. Ambos os grupos já recebem orientações técnicas da Embrapa e veem no processamento do caju uma oportunidade de independência econômica.
Lucineia Sagica, presidente da Associação Reviver, destacou o impacto da capacitação para a comunidade.
“Aproveitamos o caju nativo, mas antes parte da produção se perdia, porque fazíamos apenas doce e o ‘mocororó’, bebida tradicional fermentada à base de suco de caju, comum nas comunidades indígenas. Com o curso, aprendemos como produzir cajuína com qualidade. Isso vai transformar a rotina da associação e valorizar o trabalho das mulheres indígenas”, afirmou.
*Com informações da Embrapa
