Você sabia que Manaus teve um complexo com cinco jardins?

A área era formada pela Praça Oswaldo Cruz e os seus jardins que existiram até 1975.

Você sabia que a cidade de Manaus (AM) contou com um complexo de jardins? Isso mesmo. A área era formada pela Praça Oswaldo Cruz e os seus jardins, que existiram até 1975. O relato está no livro ‘Praças históricas de Manaus’, do Instituto Durango Duarte.

De acordo com a obra, o então prefeito Jorge Teixeira, com o objetivo de reestruturar o sistema viário da cidade, principalmente na área do Centro, removeu três dos quatro jardins que compunham o logradouro. As obras foram realizadas tendo como justificativa o Plano de Desenvolvimento Local Integrado (PDLI).

Após as obras implementadas por Teixeira, a Praça Oswaldo Cruz, com todos os seus jardins e pavilhões, foi resumida apenas à área do Jardim Santos Dumont, onde está, até hoje, a fonte-monumento. 

Em 1991, no primeiro mandato do ex-prefeito Arthur Neto, a praça foi restaurada sob a supervisão da Diretoria de Turismo do município e a assessoria do historiador Mário Ypiranga Monteiro. Dentre os melhoramentos, cuja primeira fase foi inaugurada em 5 de junho daquele ano, a fonte foi restaurada e as esculturas de anjos, que haviam sido retiradas, foram recolocadas em seus lugares de origem. Ainda na década de 1990, o jardim triangular com a fonte-monumento foi ‘integrado’ ao Parque da Matriz.

1. Jardim Santos Dumont (Triangular) 

Apesar de existir desde a década de 90 do século XIX, esse jardim somente veio a receber uma denominação oficial em 1926, por meio da Lei Municipal 1.339, de 15 de julho, quando passou a se chamar Jardim Araújo Lima, por proposta do intendente Guerreiro Antony. Nesse mesmo ano, o jardim recebeu a instalação de energia elétrica e a fonte monumento foi remodelada. 

O prefeito da época, Araújo Lima, mandou construir, também, uma base circular para as apresentações musicais que aconteciam aos domingos e feriados. Dois anos depois, essa nomenclatura foi alterada, pelo Decreto Municipal 26, de 4 de dezembro de 1928, para Jardim Santos Dumont, como forma de homenagear o regresso do Pai da Aviação ao Brasil.
Vista da Praça Oswaldo Cruz, com o Jardim Santos Dumont (1), o Jardim Jaú (2), o Jardim Ajuricaba de Menezes (3) e o jardim do Pavilhão Universal (4) e do Pavilhão Ajuricaba (5). Foto: Reprodução/Cartão-postal Bazar Sportivo

2. Jardim Jaú (Estação dos Bondes) 

Com formato oval, situava-se em frente ao, hoje extinto, edifício da Manáos Tramways and Light Company Limited – companhia inglesa concessionária de energia elétrica e de transporte coletivo da cidade –, na antiga estação dos bondes. Em 19 de outubro de 1927, a Lei Municipal 1.451 deu a esse espaço a denominação Jardim Jaú, em referência ao hidroavião Jahu, primeiro a atravessar o Oceano Atlântico com tripulação brasileira e sem o apoio de embarcações. O feito havia ocorrido em 28 de abril daquele ano, sob o comando do piloto paulista João Ribeiro de Barros.

Sete anos depois, durante a reforma executada pelo prefeito Severiano Nunes, o jardim recebeu calçamento em pedra tosca e a instalação do Monumento a Sant’Anna Nery. Possuía dois abrigos, onde os passageiros aguardavam os bondes. Um deles ficava de frente para o prédio da Manáos Tramways, enquanto o outro, inaugurado em 28 de junho de 1940 na administração do prefeito Antônio Botelho Maia, ficava no lado oposto e era conhecido, popularmente, como Tabuleiro da Baiana por causa do seu formato lembrar as mesinhas que as baianas utilizavam para vender suas
guloseimas.

O Tabuleiro foi demolido em junho de 1975, na administração do prefeito Jorge Teixeira. Após o Jardim Jaú ter sido removido, um novo jardim, em forma de triângulo, foi erguido, no final da década de 1980, em uma área muito próxima a esse. Porém, devido às obras de revitalização do Porto de Manaus, em 2001, esse novo espaço também foi desativado e sua área transformada no estacionamento da Estação Hidroviária.

Vista área do Jardim Jaú, com o monumento a Sant’Anna Nery e o Tabuleiro da Baiana.
À direita, o Jardim do Pavilhão Universal. Acervo: Reprodução/Jornal do Commercio

3. Jardim Ajuricaba de Menezes (Clave Alongada) 

No formato de uma clave alongada, localizava-se entre o armazém 10 da Manáos Harbour Limited – onde hoje está instalada a Estação Hidroviária – e o Jardim Santos Dumont. A denominação Jardim Ajuricaba de Menezes foi autorizada pela Lei Municipal 1.450, de 19 de outubro de 1927, em homenagem ao médico Ajuricaba Martins de Menezes, filho de Olímpio José Martins de Menezes, artista que projetou esse jardim. 

Nele, existiam duas estatuetas e um chafariz de ferro, em cuja parte superior havia a estátua de uma mulher segurando uma tocha e sua base era composta por quatro leões alados (Chafariz das Quimeras). Em 1968, o prefeito Paulo Nery transferiu essa fonte, junto com a escultura, para a hoje extinta Praça João Pessoa, também conhecida como Praça da Bola. Assim como os outros jardins da Praça Oswaldo Cruz, o Ajuricaba de Menezes foi desativado em 1975.

Jardim Ajuricaba de Menezes com o chafariz de ferro. Foto: Reprodução/Album de Manáos 1929

4. Pavilhão Universal 

Em 1909, o superintendente Agnello Bittencourt, por meio da Lei Municipal 588, de 27 de novembro, foi autorizado a fazer concessão da área do jardim da então Praça do Comércio (antes denominada Praça 15 de Novembro), em que se plantaram as palmeiras reais, para que nela se edificasse um chalé de ferro. O acordo foi firmado no mês seguinte com José Avelino Menezes Cardoso, que se comprometeu em construir um quiosque, com base de oito metros quadrados, para explorá-lo, pelo prazo de vinte anos, como estabelecimento comercial.

No entanto, o chalé – denominado Pavilhão Universal – somente foi construído dois anos mais tarde, sendo inaugurado em 12 de outubro de 1912, com participação de uma banda de músicos do 2º Batalhão da Força Policial. A administração do botequim ficou sob a responsabilidade dos senhores Manoel Polaco Cerdeira, José Alves Junior e Agostinho José de Oliveira, da firma Cerdeira, Oliveira e Companhia.

O jardim ali existente foi remodelado pela Prefeitura, porém, cabia aos concessionários do quiosque a sua manutenção. O local recebeu uma área com grama inglesa, bordada com trevos de várias cores, em forma de desenhos, e a plantação de roseiras, buganvílias, begônias, papoulas e outras.

No início do seu funcionamento, o Pavilhão Universal possuía três áreas distintas: enquanto no térreo funcionava o serviço de bar, com mesas de mármore e cadeiras de palhinha, o subsolo e o andar de cima eram reservados à prática de jogos de salão. Em 1975, quando o quiosque estava sob a gerência de um comerciante conhecido como “Pará” – sendo, por isso, o local mencionado nos periódicos da época como Pavilhão Pará –, o prefeito Jorge Teixeira removeu todo o jardim por conta das obras de pavimentação realizadas no entorno da Matriz.

O pavilhão foi desmontado e a Prefeitura de Manaus planejava reerguê-lo na área da Praça Tenreiro Aranha para funcionar como um minimercado de artesanato regional, sob a responsabilidade da Empresa Amazonense de Turismo (Emamtur).

Entretanto, isso não se concretizou: em 10 de julho de 1976, o Pavilhão Universal foi inaugurado na Praça Ribeiro da Cunha, localizada na rua Silva Ramos, Centro. No início dos anos 1980, a Empresa Municipal de Urbanização (Urbam) transferiu novamente o quiosque, desta vez para a área triangular situada entre o Bar O Jangadeiro, a Capitania dos Portos e a avenida Floriano Peixoto, em frente à Praça Tenreiro Aranha, a fim de utilizá-lo como sede da Casa do Índio do Amazonas, com exposição e comercialização de artesanato indígena e administrado pela Delegacia Regional da Fundação Nacional do Índio (Funai).

No fim de 1995, quando o prefeito era Eduardo Braga, o pavilhão foi desmontado e retirado para restauração. A reinauguração do Pavilhão Universal ocorreu no dia 23 de outubro de 1996, agora na Praça Tenreiro Aranha, mantendo a finalidade turística de ser um posto de venda de artesanato dos povos originários de diversas etnias. Passados mais de vinte anos, em 2019, nas comemorações dos 350 anos de Manaus, a administração do prefeito Arthur Neto submeteu o pavilhão a uma nova restauração, executada pela Construtora Biapó.

A obra se estendeu de abril a outubro daquele ano e foram realizadas intervenções para desmontagem, remanejamento, adaptações e a realocação do monumento, que foi instalado outra vez na área entre a Capitania dos Portos e o Bar O Jangadeiro, local que recebeu, nessa reforma, o nome de Praça Adalberto Valle. O histórico Pavilhão Universal foi reaberto ao público no dia 11 de novembro de 2019, sob a supervisão da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), e serve atualmente como Centro de Atendimento ao Turista (CAT).

Pavilhão Universal. Reprodução: Acervo/CCPA

5. Pavilhão Ajuricaba 

O prefeito Francisco do Couto Vale, em 1945, cedeu a Wilson Vieira de Carvalho uma área ao lado do Pavilhão Universal, no mesmo jardim, para a construção de outro quiosque, destinado à venda de bebidas não alcoólicas, gêneros de confeitaria e cigarros. Pela Lei Municipal 247, de 8 de março daquele ano, a concessão desse pavilhão, que ficou conhecido como Ajuricaba, teria a duração de quinze anos.

Em 1948, a Lei Municipal 71, de 3 de agosto, autorizou o Poder Público Municipal a conceder a Lúcio de Souza uma área no mesmo jardim, contígua ao Pavilhão Ajuricaba, para ali instalar um posto de gasolina, no lado que dá para a avenida Sete de Setembro. Ao término da concessão do quiosque, em 1960, a Câmara Municipal fez a doação do Pavilhão Ajuricaba à Associação dos Ex-Combatentes do Brasil para que ali fosse estabelecida uma escola para alfabetização de adultos.

Nesse local, essa associação realizou, em 8 de maio de 1970, a sessão solene de comemoração dos 25 anos ( jubileu de prata) do fim da Segunda Guerra Mundial. Cinco anos depois, em 1975, tanto o posto quanto o quiosque foram demolidos pela reformulação viária realizada pelo prefeito Jorge Teixeira no entorno da Igreja Matriz.  

Antigo posto de gasolina, com o Pavilhão Ajuricaba à esquerda. Foto: Hamilton Salgado

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