Vestígios de antigas civilizações são encontradas em obras da BR-156 no Amapá

Equipes técnicas que trabalham nas obras de pavimentação da rodovia encontraram vestígios associados aos povos antigos.

Primeiros vestígios, encontrados em maio de 2025, apontam supostas peças associadas aos povos antigos que viveram no sul do Amapá. Foto: Divulgação/Dnit

Durante as obras de pavimentação da BR-156, no Amapá, equipes técnicas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) encontraram peças associadas às antigas civilizações que viveram ao Sul do estado. De acordo com o Programa de Arqueologia, os vestígios estão associados aos grupos associados à tradição Jari, que viveram na região há aproximadamente 1.200 anos.

Segundo o DNIT, os primeiros achados ocorreram em maio de 2025, quando as equipes técnicas encontraram fragmentos de cerâmica decorada, artefatos líticos como lâminas de machado e lascas de pedra, além de objetos associados à produção têxtil, como rodas de fuso, e peças com elementos antropomorfos.

Tais materiais, de acordo com o orgão, também apresentam características atribuídas aos grupos Koriabo, que ocuparam áreas do sul do Amapá e do Pará entre os anos 1000 e 1700 d.C. Os arqueólogos do programa afirmam que Os arqueólogos destacam que a área é rodeada por um sítio arqueológico, identificado como Quintela I, localizado nas proximidades do rio Vila Nova.

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Área de encontro dos vestígios fica próximo de um sítio arqueológico.
Área de encontro dos vestígios fica próximo de um sítio arqueológico. Foto: Divulgação/Dnit

No local, foram encontrados recipientes cerâmicos inteiros, incluindo exemplares com elementos decorativos associados à tradição marajoara, reconhecida como uma das mais sofisticadas expressões da cerâmica indígena na Amazônia.

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Vestígios resgatam história

Vestígios apontam a existência de povos que viveram na região do Sul do Amapá.
Vestígios apontam a existência de povos que viveram na região do Sul do Amapá. Foto: Divulgaão/Dnit

As escavações, conforme o Programa de Arqueologia, visam garantir que mesmo com a pavimentação, haja o resgate de vestígios arqueológicos importantes, contribuindo para a preservação do patrimônio histórico e cultural da região.

A partir desses materiais, é possível entender como as civilizações se organizavam, além de aspectos do modo de vida e da economia. Esse contexto mostra como esses povos influenciaram o desenvolvimento da região e a sociedade atual.

As atividades arqueológicas são realizadas de forma contínua, por meio de monitoramento, resgate e salvamento arqueológico, conforme previsto nas condicionantes do licenciamento ambiental.

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Obras da BR-156

Obras da BR-156 já conta com três dos cinco lotes já licitados.
Obras da BR-156 já conta com três dos cinco lotes já licitados. Foto: Divulgação/Dnit

A rodovia federal, que passa pela maioria dos municípios do estado, é considerada a mais importante do Amapá. Segundo o DNIT, dos cinco lotes da rodovia, três já foram licitados. Os trabalhos são divididos entre o DNIT e o Exército, conforme a capacidade de operação dos militares:

  • 1º lote: de Laranjal do Jari até o Igarapé Água Branca. Já licitado, com obras em andamento em 60 quilômetros.
  • 2º lote: de Água Branca até a comunidade do Maracá. O edital sai em 29 de dezembro. Obras devem começar no 1º semestre de 2026.
  • 3º lote: vai até a comunidade de Vila Nova. Projeto já aprovado, com licitação prevista para junho de 2026.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

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