Manaus 30º • Nublado
Quinta, 01 Dezembro 2022

Você sabia que existe um "Marrocos" na Amazônia?

Implantado oficialmente em 15 de novembro de 1915, o município de Mazagão, no sul do Amapá, possui uma história curiosa. O município teve origem no século 18, mais precisamente em 23 de janeiro de 1770, com a fundação de Mazagão Velho pela Coroa Portuguesa.

Mas o que tem de curioso nisso? O fato é que Mazagão Velho só foi fundado com o intuito de abrigar famílias da Marrocos Africana, uma colônia portuguesa que ficava localizada no Marrocos e foi desativada para ser transferida para o Brasil.

O Portal Amazônia explica como as famílias portuguesas chegaram até o Amapá. Confira:

Foto: Reprodução/Prefeitura de Mazagão-AP

Na região Norte da África, na área geográfica dos reinos do Marrocos e Mauritânia, existiam conflitos entre portugueses, cristãos e árabes mulçumanos. A razão para o Marquês de Pombal, ministro do rei Dom José I, desativar a Mazagão Africana, foi em detrimento da 'Guerra Santa' que aconteceu naquela região.

Nesse contexto, foi criada a Mazagão Amazônica, no Amapá, com o intuito de abrigar famílias portuguesas residentes até então na África, acompanhadas por seus escravos, que se tornaram agricultores da região.

A Guerra Santa aconteceu devido a falta de distribuição igualitária de rendimentos, concentração de riquezas nas mãos dos portugueses, que resultaram na dependência socioeconômica exclusiva do rei. 

Com isso, em 1529 foi instalado em Marrocos um novo poder Árabe, denominado de Xerife, no qual atacou o reino de Fêz, também de dominação muçulmana, acusado de pactuar com os católicos, trazendo prejuízos à causa islâmica.

O conflito religioso existia entre os cristãos e muçulmanos. Nas ruas de Fêz, a frase mais pronunciada pelos seguidores de Maomé era: "Guerra aos cristãos". Durante a batalha, inúmeros soldados morreram. 

Foto: Reprodução/Prefeitura de Mazagão-AP

Mazagão Novo

Atualmente, a cidade é conhecida como Mazagão Novo e fica a cerca de 32 quilômetros da capital Macapá, concentrando boa parte da população - estima-se 22.468 habitantes (IBGE, 2021).

O relevo do município é constituído por Serra do Iratapuru, Planície de Terra e área de Igapó. A vegetação é marcada por matas densas, arbustos e campos alagados.

A cidade tornou-se destaque no setor oleiro-cerâmico e na agricultura, ambos em declínio na região. Atualmente, uma das rendas é proveniente do comércio. Em 2016, devido a construção da ponte sobre o Rio Matapi, houve uma integração do município e da Região Metropolitana, dentre elas Santana e Macapá.

O município também é representado pela criação de gado bovino, bubalino, suíno, caprino e equino, avicultura e pesca. No extrativismo, estão presentes a castanha-do-Brasil, madeira para fabricação de carvão e móveis, e a extração de látex da seringueira, que segue para exportação.

Com a presença do catolicismo, entre julho e agosto são homenageados a padroeira da cidade, Nossa Senhora da Assunção, e São Tiago, que misturam rituais religiosos, cavalhadas e teatro a céu aberto, recontando a guerra os mulçumanos e cristãos. A festividade acontece desde 1777.


Veja mais notícias sobre TurismoAmapá.

Veja também:

 

Comentários: 1

Laura Barbosa em Terça, 22 Novembro 2022 10:33

"Marrocos" é Mazagão velho, e não a Sede do Município.

"Marrocos" é Mazagão velho, e não a Sede do Município.
Visitante
Quinta, 01 Dezembro 2022

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://portalamazonia.com/