Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP
Pesquisadores estão estudando as ruínas da Vila Vistosa da Madre de Deus, fundada pela Coroa Portuguesa em 1767, às margens do rio Vila Nova, zona rural do município de Santana, no Amapá. O local chegou a ter cerca de 500 moradores, mas foi abandonado completamente no início do século 19.
De acordo com o pesquisador Marcos Guedes, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o principal motivo foram epidemias, como a de cólera. Os habitantes que sobreviveram se mudaram para outros locais, como a Vila de São José de Macapá e a de Mazagão.
“Essa vila teve ligação com o contexto histórico da colonização portuguesa na região amazônica. Na segunda metade do século 18, foram criadas três vilas na região do atual estado do Amapá. Uma das razões pro abandono da população da vila, foram as graves epidemias que aconteceram e forçaram a população a migrar pra outros lugares abandonando a vila”, disse o pesquisador.
De acordo com os registros históricos, além do comércio, a vila foi implantada para garantir a defesa da área contra aventureiros franceses, ingleses e holandeses que tinham interesse nessa região. O responsável pela fundação foi o governador do Grão-Pará e Maranhão, Fernando da Costa Ataíde Teive.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/k/c/D4QOKLTF6LWURqZLrrDA/20250215-093239.jpg)
“E nessa vila moraram cerca de 500 pessoas, entre portugueses, indígenas e africanos escravizados. Havia autoridades na vila, havia um pároco. E o Brasil precisa conhecer essa história, porque nessas terras da Madre de Deus uma parte da história do Brasil aconteceu”, descreveu Paulo Roberto, diretor-presidente do Museu Afro Amazônico.
A estrutura da igreja possui paredes com meio metro de espessura, 20 metros de comprimento e 10 metros de largura.
A Raimunda Bousse Nobre cresceu nessa região e descreveu que chegou a ver o telhado da igreja, antes de desabar com o passar do tempo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/N/i/m1mBakScGyMxqnABAPBA/20250215-085251.jpg)
“Meu pai me disse que ela era muito bonita. Ela era coberta de telha de barro e atrás tinha várias salas, como uma república. Parece quando se faz uma igreja e atrás se faz lugar pra catequizar. No fundo, por dentro, ela tinha uma armação, tipo de um santuário, que deveria ser muito lindo”, disse a moradora da região.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/h/B/XurMRtQsyPFLZNr9eINQ/20250215-093125.jpg)
*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP