Foto: Dalton Chagas
Uma tradição carnavalesca no Maranhão é a máscara de Fofão. A personagem emblemática é representada por uma máscara artesanal, macacão em chitão colorido, guizos e vareta, com traços e cores vibrantes, símbolos de alegria e irreverência.
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A inspiração nasceu do Carnaval europeu e se mistura à tradições como a dos Clovis, no carnaval carioca, e também ao colorido do Bumba Meu Boi. Mas, apesar da tradição na época mais animada do ano, a personagem também é capaz de assustar.
Isso porque as máscaras feitas à mão tradicionalmente são consideradas “feias”, feitas das mais variadas formas, como a técnica de ‘papel machê’.
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Fofão como manifestação cultural
No trabalho de conclusão de curso (TCC) de Dalton Chagas, ‘A dinâmica do fofão maranhense: historicidade, celebrações e composições estéticas’ (UFMA, 2022), a tradição do fofão na cultura popular maranhense “é imprescindível como identificação artístico-cultural”.
“A sua trajetória artística-social requer reflexões a partir de um universo simbólico que vai desde as influências da Antiguidade por meio de atuações e encenações do encanto mágico do teatro de rua, de rituais com o uso de máscaras e das inovações que ocorrem no seu figurino a partir de tecnologias resultantes de uma indústria transnacional que busca por outras matérias-primas como consumo alienado desses produtos”, destaca o autor.
Chagas aponta essa relação uma vez que o fofão, “na condição de símbolo emblemático do carnaval maranhense”, possui “recursos de interpretação e improvisação com uma parentela artística semelhante de um bufão medieval ou de um bobo das pantomímicas das comédias do passado”.
Ainda segundo o autor, o fofão é uma forma divertida de expressão cultural, uma vez que aquele que se propõe a se tornar um deles durante o carnaval, transforma-se em uma manifestação viva da história.
“Por entre ritos e celebrações envolvem-se agentes, atores e personagens míticos, fantasiosos, fantasiados, mascarados, desmistificados, personificados, espirituosos. Nessa perspectiva, de realidade embaraçosa, de contrapontos entre seres reais, sociais ou misteriosos, podemos concentrar essa mítica sociológica em pessoas que se relacionam com o fofão, ou que se camuflam com as vestes deste personagem, o que elas fazem por trás do seu figurino multifacetado de planos e formas, e o porquê de se fantasiar dessa forma toda colorida e mascarada”, frisa.
Dalton Chagas faz uma análise extensa sobre a ação histórica, formas e uso do fofão como expressão maranhense. Confira o trabalho completo AQUI.
Em 2025, o fofão ganhou uma exposição especial em São Luís. Confira os detalhes:
