De poeta a historiador: a trajetória de Abrahim Baze na literatura do Amazonas

Com 43 livros publicados, sendo quatro com destaque internacional, Baze virou referência quando o assunto é história do Amazonas

No vasto mosaico do Amazonas, existem figuras que se destacam como guardiãs de sua rica história. Uma dessas pessoas é o renomado historiador, jornalista e imortal da Academia Amazonense de Letras, Abrahim Baze, cuja vida é voltada a guardar e registrar o passado do Estado. Em uma entrevista ao Portal Amazônia, Baze compartilhou os detalhes de sua jornada na literatura e o que o motivou a se tornar guardião da história amazonense.

Nascido em 27 de agosto de 1949, filho de Akil Ayub Bazzi e Jandira Zena Bazzi, Baze virou uma referência quando o assunto é história do Amazonas. Publicou mais de 40 livros, inclusive transcendendo fronteiras, com quatro obras nas bibliotecas da Europa.

Foto: Reprodução/Facebook

De acordo com Baze, o seu interesse pela história aconteceu cedo. Ele estudava no grupo Escolar Barão do Rio Branco e já tinha a certeza que a história seria a matéria de um futuro estudo. “É claro que como aluno, eu não gostava de matemática, como não gosto até hoje. E, de certa forma, a história foi entrando em minha vida, principalmente pelas coisas que eu vivenciei durante a infância”, disse.

À época, a cidade de Manaus contava com cerca de 400 habitantes e Baze afirmou que só de caminhar pelas ruas da cidade conseguia interagir com a história da mesma. “Por exemplo, a rua onde eu morava, Avenida 7 de setembro esquina com a Joaquim Nabuco, ainda era calcetada com as pedras que vinham da Europa. Lá, passava o bonde e era um meio de transporte barato, tudo isso fui guardando na memória”, contou o historiador.

Mudanças 

Porém, a partir de 1967, com a chegada da Zona Franca de Manaus, o historiador percebeu que parte do patrimônio histórico da cidade começou a se perder. Houve uma febre no mercado patrimonial no sentido de que valia muito dinheiro a moradia. Então, os moradores vendiam suas residências, que eram transformadas em lojas.

“A Zona Franca no seu início não tinha o distrito e Manaus era uma meca de venda, quer dizer, eram quatro ou cinco aviões por dia chegando e saindo da cidade”, destacou Baze.

Junto a isso, o jovem Abrahim Baze se descobria no mundo literário, mas não foi através da história. Isso mesmo, no início ele escrevia poesias, algo muito distante do que mergulhar na história de um personagem real. Entre um poema e outro, surgiu uma vaga como assessor da Secretaria de Cultura, através do convite do então secretário, Robério Braga. 

Trabalhando ao lado de Braga, Baze aprendeu e adquiriu diversas experiências positivas. Foi nesta fase, que o escritor recebeu um conselho que mudaria o curso de sua vida. “Um dia, Robério Braga me chamou e pediu para deixar a poesia de lado e voltasse a minha atenção para histórias reais. E aquilo ficou na minha cabeça por um final de semana. Segui para a casa de Aníbal Bessa, que concordou com Robério. A partir deste momento, tomei a decisão que deveria fazer história e me aficionei pela biografia”, disse.

Foto: Isabelle Lima/Portal Amazônia

Conquistas

A primeira biografia escrita por Baze foi a de Álvaro Maia. O livro, que foi publicado em 1996, e já chegou em sua quarta edição. Aos poucos, o escritor começou a transitar pela literatura biográfica. Nessa época, outra figura importante cruzou o caminho dele, o jornalista Phelippe Daou, um dos fundadores do Grupo Rede Amazônica.

“Ele me motivou a entrar em uma universidade para cursar história. Eu já tinha 17 livros publicados, por esse motivo, achava que era tarde. Na época, eu com meus 57 anos, pensava que não valia a pena ir para o banco de uma universidade naquela idade. Após uma insistência de mais de três anos, entrei para o curso de história”, contou. 

 Com incentivo e força de vontade, Baze estudou durante quatro anos e, depois de concluir o curso, fez uma especialização em ensino à distância através da Fundação Rede Amazônica. Mais tarde, recebeu o título de Notório Saber em História, dado pelo Ciesa, que o qualificou como doutor.

“A minha história foi construída dentro desses espaços onde eu pude divulgar o meu trabalho. Claro que há mais de duas décadas tenho o Portal Amazônia como aliado, já que é um lugar onde coloco meus artigos. Depois veio a rádio CBN e, claro, o canal Amazon Sat, local no qual apresento o programa ‘Literatura em Foco’, que se tornou uma vitrine para os escritores da região amazônica”, afirmou.

Para Baze, a história o deixou mais responsável e focado em um processo de conhecimento e, ao mesmo tempo, de divulgação. “As pessoas costumam dizer que a história não tem dono, mas isso não é verdade. A história pertence a todos”, destacou o historiador.

Existe uma obra favorita? 

A reportagem questionou se Baze possui algum livro favorito. Depois de muito pensar, o escritor chegou a pensar, mas logo respondeu. “Todo livro para um escritor é importante. Nós esperamos um livro como uma mãe aguarda para ter um filho. Eu tenho alguns livros que me deram satisfação especial, como por exemplo, a obra sobre a história do Grupo Rede Amazônica, pois sou pioneiro neste resgate. As outras emissoras da cidade não possuem um acervo de sua própria história, então, consegui fazer esse resgate para o Phelippe Daou”, destacou.

O escritor também destacou duas obras. A primeira é a biografia de Samuel Isaac Benchimol, que já está em sua quarta edição. Outro motivo de orgulho para Baze é o livro ‘Escravidão – O Amazonas e a Maçonaria Edificaram a História’. “Não que um livro seja mais importante que outro, porém, existe uma satisfação quando finalizamos uma obra tão complexa. No fim, sabemos que vamos deixar os leitores reflexivos, e isso nos deixa  felizes”, disse Baze. 

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