Cuias feitas em Alter do Chão (Santarém/PA). Foto: Alexandre Nazareth da Rocha/Acervo Iphan
As cuias amazônicas ocupam um lugar de destaque na cultura tradicional da região Norte. Elas são utilizadas no preparo e no consumo de alimentos e bebidas como tacacá, açaí, mingaus, caldos e outras receitas típicas. Mas elas também fazem parte do uso cotidiano em comunidades ribeirinhas, em que servem para despejar água durante o banho, armazenar líquidos, auxiliar em rituais tradicionais e até mesmo integrar cerimônias culturais.
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Feitas a partir do fruto seco da cuieira — planta nativa da Amazônia — as cuias são reconhecidas como um dos artesanatos mais antigos e simbólicos do território amazônico. Sua confecção envolve técnicas ancestrais preservadas por gerações, especialmente em regiões como o Baixo Amazonas, onde o ‘saber-fazer‘ da cuia é considerado patrimônio cultural e mantido, principalmente, por artesãs.
O Iphan produziu um vídeo contando como é esse processo:
O processo artesanal começa com a colheita do fruto maduro da cuieira. Depois, ele é cortado, esvaziado e deixado para secar ao sol até que a casca atinja a rigidez ideal. Em seguida, o artesão lixa, modela e pode aplicar desenhos tradicionais, pinturas ou entalhes. Muitas cuias amazônicas são decoradas com grafismos e símbolos culturais que representam a identidade das comunidades.
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As cuias também conquistam as redes sociais
Em uma rede social, o influencer indígena Kallisson Waphichaca ensina em um de seus vídeos como fazer a preparação de uma cuia tradicional.
No vídeo, ele demonstra o corte do fruto, o processo de limpeza, a secagem e o acabamento, ajudando a preservar e divulgar uma das técnicas ancestrais que permanecem vivas na Amazônia.
A divulgação desse processo mostra a dificuldade em fazer esse tipo de material devido ao tempo e cuidado que se deve ter para a confecção.
Preparação e cura das cuias
Assim como as cuias usadas para chimarrão em outras regiões do país, as cuias amazônicas exigem um processo de cura antes do primeiro uso. Esse procedimento garante higiene, elimina resíduos naturais do fruto e fortalece a casca interna.

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A cura começa com a lavagem em água quente para remover impurezas superficiais. Depois, a parte interna deve ser preenchida com erva ou material vegetal umedecido com água quente. Esse conteúdo permanece dentro da cuia entre 24 e 48 horas, ajudando a soltar fibras internas e reduzir o cheiro característico do fruto seco.
Após o período de descanso, o interior deve ser raspado cuidadosamente e novamente enxaguado em água quente. Essa etapa também prepara a cuia para receber alimentos ou líquidos quentes, tornando-a mais resistente, durável e segura.
A higienização após o uso deve ser feita apenas com água quente, evitando sabão, já que o material poroso absorve substâncias facilmente e pode reter cheiro ou sabor. E ela deve ser deixada para secar naturalmente em local ventilado. É importante que ela não permaneça com água parada, pois isso favorece a formação de mofo e fragiliza o material.

Se aparecer mofo, é necessário lavar novamente com água quente, raspar o interior e repetir a cura. Em casos persistentes, a cuia pode precisar ser substituída.
E aí? Conhecia esse todo esse processo para a produção de uma cuia?
