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Quinta, 23 Setembro 2021

Sobre o V colóquio de História da alimentação e do abastecimento na Amazônia

Sobre o V colóquio de História da alimentação e do abastecimento na Amazônia

Dentre as muitas características que constituem os territórios amazônicos e que os tornam singulares, a cozinha e a comida ocupam lugar fulcral, funcionam como lugares nos quais as identidades e as lógicas de pertencimento às Amazônias brasileiras são forjadas e experimentadas.

Nesse sentido, cabe ressaltar que a cozinha é pensada aqui muito além de um lugar onde produtos e ingredientes são processados e convertidos em alimentos, do mesmo modo que compreendo a comida para além da junção de nutrientes capazes de sustentar o corpo. Dizem respeito primeiro a escolhas e práticas coletivas que se constituem em linguagens de identidades, ou seja, a cozinha e comida são aqui percebidas como lugares onde coexistem e coabitam uma multiplicidade de práticas e experiências que alcançam as paisagens, os territórios, as representações, as crenças, os mitos etc., que configuram, marcam e definem os modos de estar e viver em um país, em uma região ou em uma comunidade. 

Fonte: Alere

Pensar a cozinha e a comida nessa perspectiva nos permite, entre outras coisas, compreender que cada lugar é portador de suas próprias cozinhas e comidas as quais implicam um conjunto muito complexo de classificações, taxionomias, regras e maneiras que dizem respeito não somente ao tempo e aos modos de produzir, fazer e combinar determinados alimentos, mas também definem as escolhas e as proibições deste ou daquele produto, tornando-os não apenas comestíveis, mas comíveis. Estabelecem, ainda, os modos de estar na mesa e nos levam a definir com quem, quando e como comer.

Os argumentos acima mencionados ajudam a entender o lugar fulcral que a cozinha e a comida têm ocupado na cultura das sociedades e essa centralidade pode ser reconhecida por meio dos sabores, dos fazeres, dos saberes, dos valores, das técnicas, dos utensílios, das representações simbólicas que atravessam e entremeiam as experiências comensais de qualquer grupo humano em qualquer território. Conceber a cozinha e a comida nesses termos corresponde a reconhecer que todas as suas dimensões, em particular os atos de cozinhar e consequentemente de comer, implicam um sistema complexo de conhecimento, de técnicas, de pensamentos, de gostos, de costumes, que exaltam os sentidos, aguçam a imaginação, traduzem-se em saborosos pratos. Esses, ao mesmo tempo em que são capazes de operar como marcadores da identidade coletiva de uma dada sociedade, são portadores de sentimentos quando estimulam as memórias afetivas e gustativas dos atores sociais.

Sendo assim, não seria exagero afirmar que quando aprendemos sobre uma dada cozinha, sobre uma certa comida ou sobre os modos de comer de um povo, também estamos conhecendo sobre seus modos de plantar, colher, fazer, degustar e compartilhar a vida. Quando pensamos sobre essas particularidades que envolvem o mundo da cozinha e do comer, imediatamente somos levados a refletir sobre o espaço, a paisagem, o território, a região e o lugar onde elas habitam e se fazem habitadas e, é exatamente isso que se propõe a fazer Alere, que é um Grupo de Pesquisa em História da Alimentação e do Abastecimento na Amazônia. 

O Alere, que vêm do Latim nutrir, sustentar e que significa: aquela que nutre, que "nutri é sustenta todos nós de conhecimento" (MACÊDO). O Grupo nasceu em 2016 e foi fundado por com conjunto de alunos graduandos da Faculdade de Licenciatura em História da Universidade Federal do Pará -UFPA, do Campus de Ananindeua sob a coordenação da professora doutora Sidiana Macêdo, que havia recém-ingressado na UFPA. Segundo ela, aos poucos foram chegando outros profissionais que hoje são a base do Alere.

Fonte: Alere

Atualmente, o grupo possui dois coordenadores: a professora doutora Sidiana Macêdo e o professor doutor Carlos Dias Jr. Segundo eles, hoje o grupo conta com 7 pesquisadores doutores; 4 mestres; 4 especialistas, 20 pesquisadores graduandos e 5 em outros níveis. São professores de instituições públicas e privadas, discentes e profissionais de três áreas de conhecimento que envolvem a temática da Alimentação: História, Antropologia e Gastronomia.

Isso posto, é importante saber que o Alere tem como morada institucional a Universidade Federal do Pará, com registro no CNPq:

 Desde aquela reunião em 2016, nós não paramos mais. Somos um grupo de alunos, professores e pesquisadores que trabalham com a temática da alimentação na Amazônia. Pesquisar, estudar e divulgar sobre a Amazônia a partir de nossas pesquisas é o que nos movem. São pessoas que há muito tempo estudam e pesquisam sobre a Amazônia falando da Amazônia. Partindo do nosso lugar de vivência e de fala também. Somos o primeiro grupo de pesquisa com essa natureza da região 

        (MACÊDO E DIAS)

Nesses cinco anos de existência, o Alere tem contribuído, sobremaneira, com e para a produção do conhecimento acadêmico e científico, particularmente, sobre os modos de viver e comer na Amazônia, constituindo-se referência em estudos em História, em Antropologia e outros campos que investigam a alimentação na Amazônia, cujas pesquisas são representativas e "muito ricas! Como falei, temos como algo importante a fala que parte de nosso mundo, das nossas gentes e do nosso povo. Um povo que tem uma identidade alimentar muito forte e que vive suas práticas alimentares de forma orgulhosa e ancestral." (MACÊDO E DIAS)

Fonte: Alere

Ainda de acordo com Macêdo e Dias, as produções acadêmicas e científicas desenvolvidas pelo grupo podem ser encontradas nos livros e artigos publicados nos dossiês organizados, nas palestras, nos cursos e minicursos ministrados, assim como em webnários e, com fulcralidade, nos Colóquios de História da Alimentação e do Abastecimento na Amazônia, evento que este ano ocorrerá na sua 5ª. edição.

Ao longo desses 5 anos, não deixamos de fazer nosso Colóquio do Alere. Mesmo com a pandemia que alterou tanto nossas vidas ano passado, nós realizamos em caráter virtual. O Colóquio de História da Alimentação e Abastecimento na Amazônia é o evento anual do Grupo de Pesquisa Alere. Foi pensado pelos seus membros em outubro/ novembro de 2016 e, desde então, está na programação oficial do grupo. O Colóquio já é evento certo na agenda dos pesquisadores de todo Brasil. É um evento acadêmico que aborda e discute pesquisas com foco na temática da Alimentação a partir das áreas da História da alimentação, da Antropologia, da Gastronomia e áreas afins 

(MACÊDO E DIAS)

Destarte, torna-se importante saber que este ano o V Colóquio ocorrerá na modalidade on-line, no período de 14 a 17 de setembro, constituindo-se em

Um marco importante ao Alere, são cinco anos de muito trabalho coletivo, muitas ideias e muita pesquisa. Uma pesquisa que descortina saberes sobre a Amazônia, suas práticas alimentares e a cozinha e comida da região. Então, em meio à tantas adversidades atuais, o próprio descaso em relação ao ensino e educação, acho o trabalho do Alere como uma resistência imensa e muito importante para a academia.

(MACÊDO)

Segundo a coordenação, a 5ª. edição do Colóquio está imperdível e com uma programação de "dar água na boca."

 O evento é formado por conferências, palestras, mesas redondas, conversa com autor e os simpósios temáticos. O público destinado são estudantes, historiadores, antropólogos, nutricionistas, pesquisadores, professores, gastrônomos e profissionais de áreas afins a temática da alimentação. O evento dialoga com várias perspectivas de análises e pesquisas tanto ao longo do território brasileiro quanto de outros países. Nesse sentido, este ano teremos vários convidados de outros países: Portugal, Colômbia, México e Argentina. Assim como de outros estados brasileiros. A exemplo de São Paulo, Goiás, Minas Gerais. Nosso alcance é grande, inscritos de outros estados e países. Está imperdível!

(MACÊDO E DIAS)

Nesse sentido, o Colóquio do Grupo Alere tem alcançado outras e outros pesquisadoras e pesquisadores, além das fronteiras amazônicas.

Desde nosso segundo Colóquio, o grupo ganhou um alcance internacional. E isso é maravilhoso, porque permite quealunos tenham opções pra fazer estudos lá fora também. Temos conexões com professores de outros países, um de nossos colaboradores é o professor Gregório Saldarriaga, da Universidade de Antioquia, da Colômbia. Atualmente estamos construindo pontes em Portugal. Além do mais, o Colóquio vêm tendo regularmente professore s(as) de outros países nas suas Conferências, palestras e mesas redondas. Além, de pesquisadores e estudantes de outros países que se inscrevem em nosso evento

(MACÊDO E DIAS)

Por fim, informamos que o prazo para inscrições com apresentações de trabalhos para o V Colóquio se encerrará no próximo dia 20 de agosto e para ouvintes no próximo dia de 30 do corrente mês.

Ficou interessado? Então, te convido a dar uma espiada no site do evento para obter mais informações: https://aleregrupo.wixsite.com/alere/v-col%C3%B3quio


Miguel Picanço: Doutor em Ciências Sociais (PPGCS/UNISINOS/ PDSE/ODELA- UNIVERSIDAD DE BARCELONA). Pós- Doutor em Antropologia da Alimentação: Alimentação, Patrimônio e Turismo. ODELA/ Universidad de Barcelona.

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Comentários: 1

Wendell Cordovil em Quinta, 19 Agosto 2021 14:10

Um Grupo que é referência no Brasil e já está se tornando referência no mundo. Muito bom o texto.

Um Grupo que é referência no Brasil e já está se tornando referência no mundo. Muito bom o texto.
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Quinta, 23 Setembro 2021

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