Frutos amazônicos são testados no controle de doenças crônicas não transmissíveis

O Projeto vai trabalhar com camu-camu e os frutos das palmeiras de açaí, bacabá e patauá

Aprimorar tecnologias na obtenção e verificar o efeito de bebidas à base de frutos amazônicos. Este é o objetivo do novo projeto da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) Francisca das Chagas do Amaral Souza, que foi aprovada no Programa de Bolsas de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O trabalho busca desenvolver bebidas, como shake – de camu-camu (rica em vitamina C), açaí, bacabá e patauá, além de avaliar o efeito desses produtos biotecnológicos para reduzir taxas elevadas de colesterol no sangue e obesidade abdominal
 

Foto: Ingrydd Ramos/Inpa
Doença crônica, a obesidade cresceu de forma “incontrolável”, tornando-se a maior ameaça nutricional na América Latina e no Caribe. O problema já afeta um em cada quatro adultos, conforme o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional 2018 divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), UNICEF e Programa Alimentar Mundial (PAM). A cada ano, 3,6 milhões de pessoas ficam obesas nessa região.

As Bolsas DT financiadas pelo CNPq são destinadas a pesquisadores que se destaquem no desenvolvimento tecnológico, indução e disseminação de inovação e empreendedorismo de base tecnológica.

Alimentação Saudável

O foco do estudo é a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, cânceres e diabetes, que vislumbra, em última instância, a promoção da alimentação saudável em prol da saúde humana.

No projeto serão trabalhadas espécies com potencial econômico tecnológico, nutricional e funcional como o grupo das arecaceaes: bacaba (Oneocarpus bacaba Mart.), patauá (Oneocarpos pataua) e açaí (Euterpe oleracea Mart.), assim como as mirtaceaes dentre eles, camu-camu (Myrciaria dubia (Kunth) Mac vaugh), frutos nativos, tipicamente Amazônicos e de uma singularidade ímpar.
 

Foto: Afonso Rebelo/Inpa 

Segundo Souza, normalmente esses frutos são subaproveitados, com uso direcionado principalmente ao consumo direto, e necessitam de novas tecnologias em relação ao processamento que possibilitem aumento da vida de prateleira e melhor utilização. “Neste contexto, compõe o leque de atividades a serem implementadas o processamento das arecaceaes para fins de obtenção de óleos e torta residual e das mirtaceaes para fins de obtenção de bebidas, assim como o impacto da utilização desses produtos na redução de colesterol e triglicérides”, explicou a pesquisadora.

Reconhecimento

Líder do Grupo de Alimentos e Nutrição do Inpa, Francisca Souza conquistou no ano passado junto com o pesquisador do Inpa Jaime Aguiar o 2º lugar no Prêmio Samuel Benchimol na categoria Projetos de Desenvolvimento Sustentável na Região Amazônica com a proposta Frutos Amazônicos como estratégia de inovação, sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida.

Na última década, o Grupo de Alimentos e Nutrição do Inpa se dedicou a estudar as propriedades e funcionalidades de frutos nativos, espécies que têm participação na economia do setor agrícola da região. A proposta agora é agregar valor a alimentos existentes e na elaboração de novos produtos regionais, nutritivos e funcionais.
 

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