Com o objetivo de alinhar estratégias ao combate às queimadas no estado, o governo de Rondônia participou da reunião ordinária do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), realizada em Maceió (AL), nos dias 27 e 28 de agosto. O evento, promovido pelo Ministério da Justiça, reuniu secretários de segurança dos estados da Amazônia Legal para discutir e alinhar estratégias e ações conjuntas voltadas à proteção da floresta Amazônica, com foco no combate às queimadas, que têm assolado a região.
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o combate às queimadas exige a união de esforços entre todos os estados da Amazônia Legal e governo federal. “Essa reunião do Consesp é fundamental para traçarmos estratégias eficazes”, ressaltou.
A Amazônia enfrenta desafios cada vez mais sérios devido ao aumento das queimadas, que têm devastado áreas significativas de floresta em Rondônia e em outros estados da Amazônia Legal. Durante a reunião, os secretários discutiram uma série de medidas para enfrentar essa crise ambiental, e proteger a biodiversidade da região.
O titular da Sesdec, Felipe Bernardo Vital ressaltou a importância da cooperação entre os estados e o governo federal para enfrentar os desafios de forma eficaz.
“A proteção da Amazônia é uma responsabilidade que transcende fronteiras estaduais. As queimadas que assolam Rondônia e outros estados da Amazônia Legal são uma ameaça não apenas ao meio ambiente, mas à saúde e ao bem-estar de todos os brasileiros. Precisamos de ações integradas, rápidas e eficazes para preservar essa riqueza natural, que é vital para o planeta”, afirmou o secretário.
Ações de combate
As discussões incluíram propostas como o reforço das operações conjuntas de combate às queimadas, a ampliação do uso de tecnologia para monitoramento em tempo real das áreas de risco, e o aumento das penalidades para crimes ambientais. Além disso, os secretários debateram a importância de ações preventivas, como campanhas educativas voltadas às comunidades locais, para reduzir as práticas que contribuem ao início dos incêndios.
Representantes do Ministério da Justiça, presentes no encontro, reafirmaram o compromisso do governo federal em apoiar os estados da Amazônia Legal, na proteção da floresta. Durante a reunião foram definidas medidas que deverão ser implementadas visando reverter a situação atual e garantir a preservação da Amazônia para as futuras gerações.
Inga é um gênero de plantas da família Fabaceae, conhecidas pelos nomes comuns de ingá ou ingazeiro, mesmo nome dado ao fruto da árvore. Trata-se de uma longa vagem que contém sementes envolvidas por uma polpa adocicada comestível.
É muito comum nas margens de rios e lagos, sendo encontrada na floresta amazônica, mas o gênero também possui representantes no México, Antilhas e em toda a América do Sul
Seu nome, “Ingá”, tem origem no termo tupi ‘in-gá’, cujo significado é “embebido, empapado, ensopado”. Acredita-se que o nome seja em alusão à consistência da polpa aquosa que envolve as sementes.
A fruta é rica em nutrientes, incluindo vitamina C, vitamina A, cálcio e ferro. Além disso, o Ingá é uma fonte natural de antioxidantes, que ajudam a combater os radicais livres e a prevenir doenças crônicas.
Mancha de fogo encobre parte da Amazônia e países da América do Sul. Foto: Reprodução/Windy
Uma mancha de fogo com mais 500 quilômetros de extensão e mais de 400 quilômetros de largura tem avançado sobre a Amazônia, conforme captado pelo satélite europeu Copernicus. Na quinta-feira (29), o fenômeno cobria os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de áreas do Peru, Bolívia e parte do Paraguai.
Segundo dados do programada BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia registrou mais de 61 mil focos de queimadas de 1º janeiro até sexta (30), enquanto o Pantanal contabilizou quase 9 mil focos. Os dois biomas estão no território que está sendo afetado pela mancha de fogo.
Abaixo, veja a situação dos estados onde a mancha de fogo foi registrada:
Mato Grosso lidera em número de focos de incêndio no país, totalizando 24.880 de janeiro a agosto. Nesta sexta-feira (30), o estado também declarou situação de emergência por 180 dias, em resposta ao aumento significativo dos registros de focos de calor e incêndios florestais, com destaque para a região do Pantanal.
No Amazonas, o total de focos de incêndio chegou a 14.483 de janeiro a agosto. O estado enfrenta uma crise ambiental grave, causada pela combinação de seca nos rios e queimadas. Todos os 62 municípios do Amazonas foram declarados em estado de emergência na quarta-feira (28).
No Mato Grosso do Sul, o fogo tem devastado o Pantanal há mais de três meses, com um total de 9.938 focos de incêndio registrados. O estado foi um dos primeiros a declarar situação de emergência nas cidades afetadas pelos incêndios no Pantanal, ainda em 24 de julho.
Rondônia também bateu recordes de queimadas, com o maior número de focos registrados em em um mês de agosto dos últimos cinco anos: 6.223. Nesta semana, o governo estadual implementou uma proibição do uso de fogo em todo o território por 90 dias. Além disso, o governo federal reconheceu a situação de emergência em 18 municípios de Rondônia devido à estiagem.
O Acre registrou 2.654 focos de incêndio de janeiro a agosto. O estado declarou situação de emergência ambiental já em junho deste ano devido à diminuição das chuvas e ao aumento do risco de incêndios florestais.
O satélite Corpenicus aponta que a mancha de fogo tem se expandido com o passar dos dias. Na quarta-feira (28), o fogo se concentrava no Amazonas, em Rondônia e no Mato Grosso.
No entanto, o cenário mudou e o mapa mostra que Acre, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia estão formando, agora, um cinturão de fogo. O satélite também mostrou um crescimento de queimadas na região de Novo Progresso, no Pará.
Leonardo Vergasta, meteorologista do Laboratório do Clima (Labclim) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), explicou que a mancha indica uma alta concentração de dióxido de carbono na atmosfera, resultado das queimadas que produzem essa fumaça.
“A formação de queimadas está diretamente relacionada a essa concentração de dióxido de carbono, que é um gás que está presente na atmosfera terrestre. A circulação do vento está normal, mas as queimadas persistem na Região Sul do Amazonas, no Acre e em Rondônia”, afirmou.
Vergasta também destacou que a falta de chuva intensifica o problema. “Regiões como Mato Grosso e Rondônia estão há mais de 90 dias sem chuva, enquanto o Sul do Amazonas e o Acre enfrentam uma seca de 7 a 21 dias. A ausência de chuva e as altas temperaturas durante a estação seca tornam a vegetação extremamente vulnerável às queimadas provocadas pela ação humana”, explicou.
Controle de queimadas em Apuí, no Amazonas. Foto: Divulgação/CBMAM
Fumaça pode voltar ao sul do país, diz especialista
A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, afirmou que os rios voadores — corredores de massas de ar que transportam a umidade da Amazônia para outras partes do país — podem contribuir para a dispersão da fuligem das queimadas. Na semana passada, uma nuvem de fumaça chegou até o sul do Brasil, afetando 10 estados.
“A Amazônia desempenha um papel crucial para o restante do país por meio dos rios voadores. Quando a região está muito seca, isso impacta esses rios voadores. Além de transportar a umidade, as massas de ar também carregam a fuligem, as partículas de aerossóis e outros materiais liberados pelas queimadas”, explicou.
A pesquisadora também destacou os riscos que a Amazônia enfrenta se continuar experimentando ciclos mais frequentes de queimadas.
“A floresta amazônica não é adaptada ao fogo. Quando ocorrem incêndios, muitas árvores morrem, iniciando um processo de degradação. Se essa situação persistir, a degradação só tende a piorar, pois a floresta necessita de tempo para se recuperar”, alertou.
“E com isso, o impacto é a mortalidade das árvores, tem impacto, ainda, no estoque de carbono, na biodiversidade em si e se esse fogo continuar recorrente, a floresta vai estar mais inflamável, e vai haver um empobrecimento da vegetação, e somente as espécies adaptadas a essas condições vão conseguir se estabelecer nesse lugar”, finalizou.
Governo Federal destinou mais de R$ 450 milhões para combater queimadas e vai contratar brigadistas O Governo Federal disse que liberou, até agosto deste ano, R$ 405 milhões do Fundo Amazônia para apoiar o Corpo de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal. Além disso, R$ 785 milhões do programa União com Municípios foram destinados para ações de combate ao desmatamento e incêndios em 70 municípios prioritários.
Ainda segundo o Governo, o presidente Lula sancionou, em julho deste ano, um projeto de lei que regulamenta o manejo integrado do fogo no país.
No início da semana, o Palácio do Planalto também autorizou a contratação de brigadas federais temporárias para a prevenção e o combate aos incêndios florestais em 19 estados e no Distrito Federal.
A medida foi oficializada por meio de uma portaria do Ibama, que autoriza o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) a estruturar brigadas em um conjunto de cidades brasileiras afetadas pelas queimadas, com estruturas e tamanhos diversos.
Os municípios contemplados estão nos estados do Amapá, Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Tocantins, Pernambuco, Pará, Paraná, Piauí, São Paulo, Roraima, Rondônia e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal.
Segundo o Planalto, as brigadas variam em tamanho e as equipes podem ser compostas por chefes de brigada, chefes de esquadrão e brigadistas — em quantidades que variam entre dez e 25 profissionais, em alguns casos.
O Rio Solimões enfrenta a maior seca da história. Nesta sexta-feira (30), a cota chegou a -94 cm em Tabatinga (AM), superando a mínima de -86 cm, de 2010. Em 24 horas, a cota reduziu 16 cm. Os dados são apresentados no 35º Boletim Hidrológico da Bacia do Rio Amazonas, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).
“O Solimões chegou às cotas mais baixas de maneira antecipada. Nas duas únicas vezes em que observamos cotas negativas (2010 e 2023), a mínima foi atingida somente em outubro. Por essa análise, e diante da previsão de chuvas abaixo do esperado para as próximas duas semanas, as projeções indicam que o cenário pode se agravar”, explica o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), Andre Martinelli.
Essa situação crítica no Solimões, que está na cabeceira da Bacia do Amazonas, pode influenciar outros trechos, como o Rio Negro, em Manaus (AM). De acordo com o boletim do SGB, o Negro está na cota de 20,27 m, ou seja, 2,60 m abaixo do normal para a época. São observadas variações diárias de 24 cm. “No baixo Amazonas, onde estão as cidades de Itacoatiara (AM) e Parintins (AM), também existe maior chance de observarmos cotas críticas, visto que o Madeira também está caminhando para níveis históricos”, enfatiza Martinelli.
Em Porto Velho (RO), o Rio Madeira registra a cota de 1,34 m – a 2ª mínima da história, atrás da marca de 1,10 m registrada em 2023. O Rio Acre, na cidade de Rio Branco (AC), também enfrenta uma seca grave. Nesta sexta-feira (30), foi observada a marca de 1,31 m – a 5ª cota mais baixa já observada.
É importante ressaltar que as cotas indicadas são valores associados a uma referência de nível local e arbitrária, válida para as réguas linimétricas específicas de cada estação.
Os dados gerados a partir da operação do Sistema de Alerta Hidrológico também foram compartilhados, nesta sexta (30), pelo pesquisador Marcus Suassuna, na Sala de Crise da Região Norte, promovida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Parceria
O monitoramento dos rios é realizado a partir de estações telemétricas e convencionais que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações, gerando informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas.
As informações coletadas por equipamentos automáticos, ou a partir da observação por réguas linimétricas e pluviômetros, são disponibilizadas no Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) e, em seguida, apresentadas na plataforma SACE.
O Rio Negro desceu cinco metros somente em agosto em Manaus. Os dados são da Defesa Civil do Amazonas. Neste domingo (1º), o nível do rio está em 19,77 metros.
A previsão do governo do estado é de que, neste ano, o Amazonas tenha uma seca severa nos mesmos moldes ou até pior do que o estado viveu em 2023. Durante a estiagem do ano passado, o Rio Negro alcançou o nível mais baixo dos últimos 120 anos.
Neste ano, Tabatinga, na Região do Alto Solimões, já enfrenta a pior seca da história. No sábado (31), o nível do Rio Solimões chegou em -1,4 metro.
Conforme a Defesa Civil, a estiagem antecipada já afeta 330.099 pessoas em todo o Amazonas, que também enfrenta os impactos das queimadas. No último dia 28, o governo estadual ampliou um decreto situação de emergência para todos os 62 municípios do estado (antes, apenas 20 estavam em emergência).
De acordo com o monitoramento da Defesa Civil, o Rio Negro começou o mês de agosto medindo 25,09 metros. Já no sábado (31), as águas mediam 20,02 metros. Ainda segundo o órgão, entre o sábado (31) e o domingo (1º), o rio desceu ainda mais, chegando a 19,77 metros.
Apesar do problema, pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) acreditam que o rio não deve atingir a cota da seca de 2023, que foi de 12,70 metros. A previsão para este ano é de que o nível das águas fique em torno de 14 a 15 metros, o que já é considerado muito baixo.
Em Itacoatiara, na Região do Médio Amazonas, a situação da vazante é a mesma. O Rio Amazonas começou agosto medindo 10,6 metros e o último registro da Defesa Civil, feito no dia 29 do último mês, aponta que as águas estavam medindo 6,9 metros.
A situação também é crítica em Coari, na Região do Médio Solimões. Lá, o Rio Solimões desceu 5,80 metros no último mês.
Os estudantes Emili Bezerra e Quefren Leher, do mestrado em Ciência da Computação, da Universidade Federal do Acre (Ufac), publicaram, em inglês e coautoria, na revista “Sensors” (vol. 24, ed. 16, Qualis A2), artigo que faz uma análise exploratória de técnicas de sensoriamento remoto para monitoramento de lagos nas regiões de Ancash e Cusco, nos Andes peruanos, utilizando modelos de deep learning para segmentação de corpos hídricos.
Entre os modelos analisados estão o DeepWaterMapV2, WatNet e o modelo adaptado WaterSegDiff, que utiliza mecanismos de difusão e transformação especificamente condicionados para segmentação de lagos.
A pesquisa teve como objetivo desenvolver um conjunto de dados com imagens multiespectrais do Landsat-8, capturadas entre 2013 e 2023, para realizar análises quantitativas e qualitativas das técnicas de segmentação.
Os resultados indicaram que as arquiteturas DeepWaterMapV2 e WatNet apresentaram desempenhos equivalentes e adequados para segmentação de lagos, apesar das condições geográficas e atmosféricas desafiadoras do ambiente de alta montanha. O modelo WaterSegDiff demonstrou ser promissor na análise qualitativa, especialmente em contextos mais complexos.
O trabalho foi realizado em coautoria com a professora e coordenadora do Laboratório de Pesquisas Aplicadas em Visão e Inteligência Computacional (Pavic-Lab), da Ufac, Ana Beatriz Alvarez Mamani, com a pesquisadora plena do Pavic-Lab, Thuanne Paixão, e com pesquisadores do laboratório Liecar, da Universidade Nacional de San Antonio Abad de Cusco (Unsaac, Peru), William Isaac Perez-Torres, Diego Armando Uman-Flores, Andres Benjamin Quispe-Quispe e Facundo Palomino-Quispe.
A seca severa que atinge a região do Alto Solimões este ano revelou um tesouro arqueológico do Amazonas: as ruínas do Forte São Francisco Xavier de Tabatinga. Localizado na margem esquerda do rio, abaixo do terminal hidroviário da cidade, o forte, construído no século XVIII, foi uma peça-chave para o domínio de Portugal sobre a região, em um período marcado pela disputa territorial com a Espanha.
O forte, que desempenhou um papel estratégico na defesa contra as expedições espanholas, estava escondido no fundo do rio, mas agora, com o baixo nível das águas, as ruínas voltaram a aparecer. Nesta sexta-feira (30), o rio atingiu a menor cota registrada na história, com -0,94 metro, em Tabatinga, sendo a maior seca dos últimos 40 anos.
Apaixonado pela região do Alto Solimões, o historiador Luiz Ataíde tem se dedicado por 20 anos a estudar o local, buscando vestígios daquela época. Entre os achados, estão peças de louça e munições usadas pelos militares quando o forte ainda funcionava.
“Quando o forte incialmente foi fundado no dia 15 de julho de 1766 pelo Sargento-mor Domingos Franco, acompanhados de novos soldados, era apenas de taipa, coberto de palha, posteriormente foi feito de alvenaria entre 1872 e 1874”, lembrou Ataíde.
Foto: Divulgação
A luta pela conquista da área de fronteira entre o Brasil, Colômbia e o Peru é marcado por dois momentos histórico, sendo eles: o Tratado de Madri, em 1750, que garantiu a soberania da região ao governo português; e o Tratado de Santo Idelfonso, em 1777, onde a coroa espanhola pede de volta à Portugal a área territorial onde hoje se encontra a região do Alto Solimões.
Para honrar a coragem dos militares, o Exército Brasileiro construiu um memorial que reproduz parte da estrutura do forte. O espaço, que inclui canhões e outras peças da época, pode ser visitado no Museu do Comando de Fronteira Solimões, dentro do Parque Zoobotânico de Tabatinga.
“A ação desses militares apoiados pela população foi de fundamental importância para que esse território se mantivesse nas mãos da coroa portuguesa, o que posteriormente seria Brasil”, explicou o curador do memorial, sargento Bruno.
Apesar de ter sido inundado pelas águas do Solimões em 1932, o Forte São Francisco Xavier continua sendo um símbolo de resistência. Atualmente, está inscrito no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Fotos: Roney Elias/Rede Amazônica AM
Seca no Solimões
No Amazonas, o percurso do Rio Solimões é dividido em três trechos, chamadas “calha”, e banha 24 cidades do estado. O Alto Solimões, onde se atingiu a menor cota já registrada, é a “porta de entrada” do rio no Brasil. Ele segue descendo rumo as proximidades de Manaus, passando pelas calhas do Médio e Baixo Solimões.
A estiagem severa já impacta todo o estado do Amazonas e fez com que o governo estadual decretasse, na quarta (28), situação de emergência para todos os 62 municípios amazonenses. Para 2024, o governo estadual prevê uma seca severa que pode ser tão grave quanto, ou até pior do que, a enfrentada no ano passado.
O Brasil está um passo mais próximo de uma vacina contra a Dengue e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) fez parte desse processo. Em artigo recente publicado na The Lancet, periódico de referência mundial em ciência da saúde, resultados da fase 3 da vacina Butantan-DV demonstram segurança e uma eficácia de quase 70% em populações de 2 a 59 anos.
Os professores da UFMT e do Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM), Cor Jesus Fernandes Fontes e Luciano Teixeira Gomes participaram da coleta de dados em Mato Grosso.
“Quando temos uma proteção acima de 50% já é algo bom. Nosso resultado, 67%, é muito bom, principalmente pensando na perspectiva epidemiológica, porque muitas pessoas vão estar protegidas, diminuindo a sobrecarga no sistema de saúde por causa da doença”, explica o professor Luciano Gomes.
Os resultados dessa fase agora serão encaminhados para a Anvisa e para a FDA, visando a aprovação da vacina para uso no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente.
“A terceira fase é uma fase mais robusta na quantidade de pessoas. A fase 1 e 2 é feita preferencialmente com adultos jovens saudáveis, mas para essa vacina específica tivemos também uma fase 2 com crianças, já para demonstrar a segurança nesse grupo e conseguir a aprovação para ele”.
Para a produção desses dados, mais de 16 mil voluntários foram acompanhados durante um período de 2 a 5 anos – a variação diz respeito à quando essas pessoas se voluntariaram, quem iniciou mais tarde, foi acompanhado por menos tempo. Desses, mais de 10 mil receberam uma dose da vacina e os demais foram incluídos no grupo placebo, de forma aleatória, para comparação dos resultados. O grupo placebo recebe uma injeção, mas sem a vacina.
“Nesse período nós mantivemos contato constante com esses pacientes, com ligações até semanais no início, para conferir se eles tinham algum sintoma. Foram feitas em média 30 consultas de rotina com cada um deles, além de 10 coletas de sangue para análise, e toda vez que algum sintoma de dengue aparecia eles eram chamados para mais uma visita”.
Esse processo, realizado pelos profissionais da UFMT/HUJM com os voluntários de Cuiabá, é fundamental para a comprovação da eficácia da vacina. Foi por meio dessas análises e visitas que os pesquisadores conseguiram identificar se um paciente teve contato com o vírus e como sua imunidade reagiu à isso.
“Nos 5 anos da pesquisa os sorotipos 1 e 2 do vírus tiveram muita circulação pelo Brasil, mas não os sorotipos 3 e 4 […]”
– Sorotipos são como variações do mesmo vírus, com pequenas diferenças que podem influenciar na forma como o corpo se defende deles e nos efeitos que ele pode causar, mas não o suficiente para que sejam considerados vírus totalmente diferentes –
“ […] Isso significa que os dados que temos e o pedido que será feito para os órgãos de controle é para o uso da vacina como forma de prevenir a dengue tipo 1 e 2. Ainda há uma preocupação em relação ao tipo 3, que também pode levar à forma grave da doença, mas não tanto com o tipo 4, que causa uma forma mais branda de Dengue”.
No mundo dos testes de vacina, para ganhar (e ser aprovada) é preciso provar que a vacina fez a sua parte contra determinado tipo de vírus. Neste caso, é como se a Dengue tipo 3 e 4 não tivesse aparecido para competir, então não dá pra afirmar que a vacina ajuda o sistema imunológico a vencer delas. Entretanto, existem dados de outras pesquisas que indicam que a vacina pode sim ser efetiva contra os tipos 3 e 4 e, de acordo com o pesquisador, a fase 4 da pesquisa, que observa a vacina já disponibilizada para o público, deve produzir mais dados demonstrando isso.
Para o Brasil, além da importância de poder contribuir mundialmente com o avanço da medicina, a vacina contra Dengue pode significar uma mudança significativa na vida da população.
“Estamos em um país em que a Dengue é endêmica, então todos os anos vemos um surto. É uma doença que causa uma alta taxa de hospitalização, as pessoas precisam se afastar do serviço, têm sintomas muito fortes e morrem. Então ter uma vacina que diminui a incidência, diminui as hospitalizações, diminui a gravidade da doença e diminui o número de óbitos, sem sombra de dúvidas é algo muito relevante. Até porque não conseguimos nos livrar do mosquito”.
Apesar de haver muito investimento em tecnologias para controlar o Aedes Aegypti, para diminuir sua população, para educar a população sobre as formas de combatê-lo, essa forma de controle da doença não tem se demonstrado o suficiente.
Para piorar, as mudanças climáticas e o aumento da temperatura média da Terra abrem cada vez mais espaços para que o mosquito se espalhe. Dengue era, até pouco tempo, um problema dos países de climas tropicais, mas – como foi amplamente noticiado por causa das Olimpíadas – já existem casos até na França, em pessoas que não tinham viajado e, portanto, só poderiam ter contraído a doença de mosquitos que agora vivem lá.
“E sazonalmente a gente sabe que esse desequilíbrio entre período secos e chuvosos, significa que as doenças também vão ter um período maior de acometimento. Nesse ano tivemos casos de dengue até maio, por exemplo”.
Uma diferença importante entre as vacinas da Covid-19 e da Dengue, e que por vezes é comentada como forma de desinformação, é o quanto cada uma demorou para ser aprovada.
Sobre isso, o professor Luciano explica que a aprovação de uma vacina não depende necessariamente do tempo.
“Para demonstrar a segurança e eficácia de uma vacina eu preciso ter recursos para a pesquisa, preciso ter pessoas voluntárias para serem vacinadas e para termos um grupo placebo, e preciso que esses pacientes tenham contato com o vírus para a gente avaliar como o sistema imunológico vacinado se comporta em comparação com o que não foi vacinado. No período da Covid a gente tinha tudo isso muito rápido, a doença estava acometendo quase todo mundo, muita gente queria tomar a vacina porque sabia que ela podia ser a salvação e tinha dinheiro de muitas empresas e governos interessados em resolver a pandemia”.
Por isso a vacina de Covid-19 pode ser aprovada mais rapidamente e ainda assim com segurança.
O esporte é uma ferramenta valiosa para elevar a autoestima e despertar a sensação de pertencimento, promovendo a inclusão social. Quando aliado à cultura e tradições de uma comunidade ou povo, torna-se um caminho para a promoção da cidadania. Por isso, uma das principais vertentes de um dos projetos socioeducacionais criado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), é a realização de atividades esportivas que incorporam a valorização da cultura ribeirinha, empoderando crianças e adolescentes da Amazônia.
Nos últimos seis anos, a FAS realizou três Copas e 10 Olimpíadas da Floresta em comunidades do Amazonas. Os eventos reúnem delegações de jovens ribeirinhos e indígenas para competir em modalidades como futebol, vôlei, cabo de guerra, corrida de saco, arco e flecha, entre outras. Além de incentivar a prática esportiva, os eventos também estimulam a integração de crianças e jovens de diferentes comunidades.
Dentro dos eventos esportivos, também são incorporados elementos das culturas ribeirinhas. Um exemplo é a escolha do nome das delegações, que podem remeter a um elemento típico daquela comunidade, como um animal ou uma fruta, por exemplo. As ações também envolvem apresentações coreográficas, musicais e poemas sobre a floresta.
O jovem Miguel da Silva, de 16 anos, participou das Olimpíadas da Floresta que ocorreu no município de Presidente Figueiredo (a 126 quilômetros de Manaus). Ele, que mora na comunidade Santo Antônio do Manari, conta que teve a oportunidade de participar de diversas modalidades esportivas como futebol, queimada e corrida de saco.
“As Olimpíadas da Floresta contribuíram muito para a minha trajetória, porque conheci novas pessoas, [fiz] novas amizades e uma experiência incrível. Participei de diversas modalidades e o evento também incentivou a minha comunidade. Fez com que outros jovens abrissem suas mentes para o respeito aos mais velhos e também sobre a preservação da floresta”, relata o estudante.
Foto: Larissa Gaynett
Segundo a gerente do Programa de Educação para a Sustentabilidade (PES) da FAS, Fabiana Cunha, o projeto cumpre um papel importante para a garantia de direitos da juventude, por meio do incentivo ao esporte e à cultura.
“As atividades do projeto Desenvolvimento Integral de Crianças e Adolescentes Ribeirinhas na Amazônia contribuem para a garantia de direitos e benefícios de crianças e jovens, como a saúde, desenvolvimento social e humano e valorização da cultura ribeirinha. Além disso, o projeto fortalece a interação entre comunidades e o empoderamento das populações ribeirinhas, estimulando as habilidades, a criatividade e o bem-estar do público infanto-juvenil”, afirma a gerente.
Com 10 anos de atuação, o projeto tem o objetivo de fortalecer a rede de proteção de crianças e adolescentes ribeirinhos da Amazônia por meio da promoção de ações socioeducativas. Nos últimos seis anos de projeto, foram mais de 18,1 mil pessoas impactadas pela iniciativa, sendo 10,3 mil crianças e adolescentes, em 357 comunidades situadas em nove municípios do estado do Amazonas. O projeto executou 348 atividades no âmbito de 21 projetos, entre seminários, oficinas, encontros de jovens, eventos culturais, Olimpíadas e Copas da Floresta, e cursos de qualificação profissional.
Uma das ações para mitigar a crise hídrica em Rondônia se concentra no trabalho de regaste de alevinos de Pirarucu (Arapaimas gigas) na Resex Lago do Cuniã, que estão em lagos isolados, formados de forma inesperada no período da seca.
As atividades serão desenvolvidas pelas equipes técnicas da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO), a Cooperativa de Moradores, Agricultores, Pescadores e Extrativistas da Resex do Lago do Cuniã (Coopcuniã), Associação dos Moradores Extrativista Produtores Rurais da Reserva Extrativista do Lago do Cuniã (Asmocun), Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e Secretaria Estadual do Desenvolvimento Econômico (Sedec).
De acordo com a coordenadora de Desenvolvimento da Agricultura, Pecuária e Aquicultura, Isis Fabiana Ximenes, a ação acontecerá com as autorizações e acompanhamento pertinentes expedidas pelo ICMBio, órgão competente da Unidade de Conservação da Resex Lago do Cuniã.
A dinâmica de trabalho ocorrerá em duas fases, sendo a primeira em agosto, de 26 a 31, e a segunda de 16 a 21 de setembro deste ano, dado a urgência que exige a ação, haja vista que, a seca severa tem ameaçado a vida aquática e a sustentabilidade dos recursos pesqueiros, que são fundamentais para a subsistência das comunidades ribeirinhas e tradicionais locais. Nesta primeira etapa, vai ocorrer a identificação e mapeamento das áreas críticas, onde os alevinos estão expostos, e o resgate e soltura destes.
Estratégia
Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a iniciativa do resgate de alevinos configura o engajamento do governo do estado em primar pela conservação e preservação da espécie, bem como manter os trabalhos da cadeia produtiva.
“Mediante ao cenário que estamos vivenciando, o governo de Rondônia, por meio da Seagri, não tem medido esforços para minimizar os impactos em nossos recursos naturais. E essa é mais uma estratégia, que vem ao encontro da proposta do Comitê de Crise Hídrica. Com isso, garantimos a preservação da cadeia produtiva dessa espécie, considerando as mudanças climáticas e suas consequências para os ecossistemas locais”, salientou Isis Fabiana.
Da mesma visão compartilha o secretário da Seagri, Luiz Paulo. “É um trabalho de extrema importância e requer urgência. Por essa razão, nossos técnicos estarão in loco para desenvolver esse trabalho, mantendo os cuidados necessários, e com isso, mantermos os trabalhos da cadeia produtiva que fomenta a região e o nosso estado”, afirmou o secretário.
Próximos passos
Após a realização das duas etapas da ação de realocação dos alevinos, será feito o monitoramento das áreas de soltura e avaliar o sucesso da operação.
Parceiros
A ação também conta com a parceria do Batalhão da Polícia Ambiental do Estado de Rondônia (BPA),Sedam, colônia de pescadores Z1, Emater, Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura (SFPA), Asmocun e Coopcuniã.
A Resex Lago do Cuniã está localizada a cerca de 123 km de Porto Velho, possui cerca de 100 famílias e 400 extrativistas, que vivem das cadeias produtivas locais. Um ambiente de extrema biodiversidade preservada.