Home Blog Page 362

Peixe ao molho de caju: receita de chef indígena com itens regionais é aposta para inovar no Natal

0

Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Em dezembro, duas coisas são certas em Roraima: o Natal e o caju. Presente em quintais por todo o estado, o caju é quase uma fruta símbolo local, marcando presença na época mais festiva do ano. Pensando nisso, o Grupo Rede Amazônica convidou a chef Kalu Brasil — um dos maiores nomes da culinária roraimense — para ensinar como preparar uma receita exclusiva: peixe ao molho de caju, perfeita para inovar nas celebrações natalinas com sabores regionais.

A receita foi criada pela própria Kalu e está presente no livro “Kalu Brasil – Da Aldeia Para o Mundo”, lançado no início do mês. O prato leva filé de peixe (podendo ser qualquer dourado ou tambaqui), cebolas, tomates, pimentões e, claro, o caju. A receita tem grau de dificuldade média e pode ser acompanhada por arroz branco e farinha. (veja a receita completa no vídeo acima).

Kalu conta que criou o prato há 8 anos — a ideia era fazer uma receita que aproveita a época do caju, que é uma fruta muito típica e só aparece no fim do ano.

“É uma forma de valorizar tanto o peixe como as frutas regionais. Recomendo preparar com o dourado que é um peixe muito parecido com o bacalhau, só que mais acessível. Fico muito feliz em compartilhar essa receita, que considero uma realização, por ser apreciada e valorizar nossa cultura e sabores regionais”, conta a chef.

Ingredientes

4 kg de filé de dourado
4 dentes de alho
1 colher de sopa (rasa) de sal
1 xícara de chá de azeite extra virgem
2 cebolas
2 tomates
1 maço de cheiro verde (opcional)
2 pimentões, sendo um verde e um vermelho
4 cajus
250 g de castanha de caju torrada
2 limões

Modo de preparo

Lave o peixe utilizando água e limão, depois corte-o em pedaços com aproximadamente cinco centímetros de comprimento. Escorra bem e transfira para uma tigela grande. Amasse o alho com o sal, use para temperar o peixe e adicione um fio de azeite de oliva;
Fatie as cebolas e os pimentões em rodelas, retire as sementes dos tomates e corte-os também em rodelas. Misture todos esses vegetais com o peixe;
Em uma travessa grande de vidro, disponha os pedaços de peixe já temperados e intercale rodelas de caju entre eles, espalhando uniformemente. Asse em forno baixo (entre 150 e 180 graus) por cerca de 20 minutos. Confira se o peixe está bem cozido e, caso o caldo esteja reduzido, adicione uma xícara de água. Salpique as castanhas sobre o prato e leve de volta ao forno para gratinar por mais 20 minutos.

Caju para Kalu

Filha de mãe indígena Wapichana e pai não indígena, Kalu Brasil é chef de cozinha, culinarista, matriarca e dona de uma simpatia singular. Para ela, a receita é uma alternativa por ser acessível.

“Esse prato também valoriza os ingredientes que temos aqui na região, uma opção deliciosa e econômica. Afinal, nem todos podem comprar bacalhau, mas o dourado, por exemplo, encontramos facilmente em mercados locais”.

O caju para ela remete memórias de infância e por isso tem um valor simbólico.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Você sabia que é possível ver o alinhamento solar anual de inverno em sítio milenar construído por indígenas da Amazônia?

0

Alinhamento solar é visto do stonehenge da Amazônia. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

No estado do Amapá, turistas de vários lugares se reuniram para apreciar a chegada do ‘Solstício de Inverno‘, o fenômeno de alinhamento solar com as rochas no ‘Stonehenge da Amazônia‘ ou ‘Parque do Solstício’ como é popularmente conhecido o Sítio AP-CA-18 Rêgo Grande 1, construído por indígenas habitantes da região há cerca de mil anos.

O Solstício acontece apenas duas vezes no ano, no período do verão e inverno. No inverno, este alinhamento pode ser visto nos dias 21 ou 22 de dezembro, além disso, as noites se tornam mais longas que os dias.

Leia também: Rochas milenares eram usadas como calendário solar por povos indígenas: conheça o Stonehenge da Amazônia, no Amapá

Observação astronômica através das rochas

Os turistas do Amapá partiram em uma jornada rumo ao local megalítico histórico do Amapá por volta das 5h30 da madrugada para acompanhar o nascer do sol até o principal momento do dia. Cada um conseguiu ver de perto as rochas de granito arrastadas ao local pelos povos originários.

Em seguida, às 6h20, foi possível enxergar à olho nu o alimento do sol entre duas rochas. O sol atravessa a ‘pedra do furo’, que possui um círculo em sua extensão e segue até a pedra da ponta oposta, apontando o local exato do sol no alvorecer do solstício.

Durante a tarde do mesmo dia, a partir das 14h39, um dos blocos passa a não projetar sombras nas faces principais. A sombra concentra-se ao leste e o sol no oeste. Ao longo do ano, o sol se posiciona no sentido norte, sendo a posição ‘máxima’ no hemisfério sul.

O Lúcio Costa Leite, gerente do centro de pesquisas arqueológicas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), explicou ao g1 sobre o momento em que a estação é marcada.

Turistas chegaram ao local ainda pela madrugada. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

O professor de história que esteve como turista assistindo ao solstício Carlos Haussler, contou ao g1 que já tinha conhecido parque, mas nunca no período de alinhamento solar.

“Antes eu não tinha a leitura que eu tenho agora desse espaço, dessa região, que são monumentos históricos, isso é um fator que de grande valorização para o município de Calçoene”, contou o professor.

As informações sobre o parque como observatório foram constatadas conforme uma pesquisa realizada pelo Iepa. Segundo os pesquisadores, esta era a principal função do sítio, a observação dos fenômenos astronômicos, monitorando além dos solstícios, os equinócios.

Segundo os pesquisadores, outra forma de funcionamento do parque era através de rituais religiosos e manifestações culturais e funerais de figuras importantes da época.

Engenharia Indígena

A estrutura do sítio é formada por diversos formatos de rocha granítica que totalizam 127, fixadas em diferentes locais e composições que somam 30 metros de diâmetro. Alguns dos blocos apresentam desgastes e lascamentos nas bordas.

O pesquisador Lúcio contou ainda que o mais fascinante é o posicionamento das rochas que possuem cerca de 4 toneladas chegando a alcançar 2 metros e meio de altura, que estão perfeitamente alinhadas no topo de uma pequena colina, o que evidencia um esforço coletivo devido a ausência de qualquer máquina ou tecnologia.

O pesquisador disse ainda que a etnia dos indígenas habitantes da região está sendo estudada com base nos materiais utilizados. Lúcio esteve à frente como guia turístico na data, explicando aos turistas a criação, propósito e funcionamento do observatório em meio a Amazônia.

“Nós temos esses fenômenos expressos nas rochas e também nos materiais arqueológicos que foram escavados pela nossa equipe em diferentes épocas e que hoje fazem parte da reserva arqueológica”, complementou o gerente sobre as pesquisas.

Visita ao passado amapaense

Os materiais coletados ou preservados no local são protegidos por lei. É proibida a destruição e venda. Por se tratar de peças históricas preservadas, apenas instituições autorizadas podem levá-las à público.

As coleções guardadas em questão se tratam de diversas cerâmicas, instrumentos de pedra, peças decoradas e outros e estão sob reparos do NuPArq, para estudos e visitação.

O NuPArq informou que os achados em Calçoene possuem características próprias e uma “assinatura própria”. As peças consistem em poços funerários com câmaras laterais em formato de bota com placas de granito como se fosse um mausoléu.

Uma das visitantes, a bibliotecária Marília Shibayama contou que o local é mais um para sua lista de culturas conhecidas.

“Eu adoro conhecer a cultura, conheço várias culturas do nosso Brasil, mas aqui no Amapá, até a questão do acesso é difícil. Estamos aproveitando essa oportunidade do dia do solstício. Aqui a gente tem a questão da cultura, da história. E tudo feito aqui foi pensado”, disse.

O local é aberto á visitas apenas em ocasiões especiais como a chegada do solstício, ou com a solicitação prévia para a autorização de um rápido acesso.

Além disso, existe um fenômeno chamado de megalitismo amazônico ou megalitismo atlântico, onde há a ocorrência de 40 sítios do conhecimento do Iepa, inclusive ao longo de toda extensão do Amapá. O próximo solstício a acontecer é o de verão, em que os dias são mais longos, que acontece entre os dias 20 e 22 junho.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Amazônia: além das ideologias, um compromisso com a vida

0

Floresta Serra da Escama com cidade de Óbidos (PA) ao fundo. Julho 2021. Foto: Olímpio Guarany

Por Olimpio Guarany

Hoje, venho me posicionar diante de um argumento que infelizmente tenho ouvido: o de que a Amazônia contribui pouco para o clima global. Essa visão não só é equivocada, como também ignora evidências científicas e o papel vital que a maior floresta tropical do mundo desempenha para todos nós.

A Amazônia é um dos maiores reguladores climáticos do planeta. Ela é responsável por produzir cerca de 20% do oxigênio da Terra e atua como um dos maiores sumidouros de carbono, ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Quando árvores capturam dióxido de carbono, elas combatem o aquecimento global de forma direta e indispensável.

Além disso, a floresta gera um fenômeno único chamado rios voadores: um transporte massivo de vapor d’água que alimenta chuvas em boa parte da América do Sul, incluindo regiões agrícolas essenciais para a economia brasileira. Sem a Amazônia, sofreríamos severas crises hídricas, afetando diretamente a produção de alimentos e o fornecimento de energia elétrica.

Do ponto de vista socioeconômico, a floresta sustenta mais de 30 milhões de pessoas, incluindo povos indígenas e comunidades ribeirinhas que dependem diretamente dos recursos naturais para sua sobrevivência. Além disso, a bioeconomia amazônica – baseada no uso sustentável da biodiversidade – tem o potencial de transformar a região em um polo global de inovação, gerando empregos e riqueza sem destruir o meio ambiente.

Floresta Serra da Escama, Óbidos (PA). Julho 2021. Foto: Olímpio Guarany (Drone)

Infelizmente, discursos que incentivam o desmatamento, sob o pretexto de desenvolvimento econômico, escondem intenções predatórias. Essas narrativas não trazem progresso; elas abrem caminho para a destruição. Defender a voracidade de quem só quer explorar a Amazônia sem limites é, na prática, ser contra a sustentabilidade, contra a biodiversidade e, no final das contas, contra a vida.

É fundamental entender que desmatar a Amazônia não apenas libera enormes quantidades de carbono, mas também destrói habitats e espécies únicas que podem conter a chave para medicamentos e tecnologias ainda desconhecidos. Proteger a Amazônia não é uma questão ideológica; é uma questão de sobrevivência para o Brasil e para o mundo.

A Amazônia é nosso maior patrimônio. Preservá-la é um dever de todos nós. Vamos nos unir para defender a floresta, porque, no final das contas, proteger a Amazônia é proteger a vida na Terra.

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista, economista e professor universitário. Realizou a expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru) por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes e depois subiu a Quito, Equador (2020-2022), refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Tocantins registra menor índice de focos de incêndios dos últimos dois meses, mostra boletim

0

Foto: Cleide Veloso/Governo do Tocantins

O Governo do Tocantins, por intermédio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), divulgou no dia 19 de dezembro o menor índice de focos de incêndio registrado nos últimos dois meses. Com 37 ocorrências, o 15º Boletim Climático e de Riscos de Incêndio aponta também a redução de 71% dos focos na semana de 12 a 18 de dezembro, comparada à semana anterior que registrou 126 incidências.

Sem ocorrências na região do Bico do Papagaio e em Araguaína nesta semana, o relatório aponta registros em 22 municípios, tendo em Natividade cinco focos, o que equivale a 13,5% do total do período e com três focos em cada município, Araguacema, Crixás do Tocantins e Sandolândia, que somaram 24,3% do registro.

As condições meteorológicas do Tocantins, na última semana, apontaram, na região norte, a precipitação de 26,8 mm, com temperatura média de 25,7ºC e umidade relativa do ar de 86%. Na região central, houve 36,7 mm de chuva, temperatura de 27,0ºC e 79% de umidade relativa. Já na região sul, a precipitação alcançou 6,0 mm, a temperatura foi de 26,3ºC e a umidade relativa foi de 80%.

Nesse período, em média, Palmas manteve a boa qualidade do ar na faixa de classificação, com registro de 3,63 µg/m³, conforme classificação Guia Técnico para o Monitoramento e Avaliação da Qualidade do Ar, do Ministério do Meio Ambiente, com dados coletados pela estação de monitoramento instalada na Procuradoria Geral do Ministério Público do Tocantins (MPTO).

De acordo com o Boletim Hídrico deste período, na maioria das estações monitoradas, houve registro do aumento do nível dos rios, com destaque na estação UHE Peixe Angical da Bacia Hidrográfica do rio Paranã com 4,62 m, na estação Araguacema da Bacia Rio Araguaia com 4,09 m e estação Fazenda Grupo AgroPaulo da Bacia do Rio Caipó com 3,71 m.

Boletim

Com divulgação semanal, o Boletim Climático e de Riscos de Incêndio do Tocantins é produzido pelo Centro de Inteligência Geográfica em Gestão do Meio Ambiente (Cigma) da Semarh, com dados do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Esse relatório fornece informações detalhadas sobre o monitoramento climático, os focos de queimadas, qualidade do ar, nível dos rios nas bacias hidrográficas do estado e a distribuição dos incêndios em áreas estaduais e federais.Para mais detalhes, consulte o 15º Boletim Climático e Riscos de Incêndio.

*Com informações do Governo do Tocantins

Projeto busca desenvolver biomateriais com fungos amazônicos para degradar pesticidas

Fungos presentes em plantas amazônicas serão fundamentais na pesquisa. Foto: Grasiele Cavallini

Docentes do Mestrado em Química da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Câmpus de Gurupi, conquistaram mais de R$ 3 milhões em recursos para o desenvolvimento do projeto ‘Produção de sistemas para biorremediação de agrotóxicos utilizando fungos endofíticos da região amazônica‘. A proposta foi aprovada no edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltado para Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Região Amazônica.

O projeto visa criar biomateriais inovadores capazes de degradar pesticidas presentes no ambiente. A metodologia utiliza fungos encontrados em plantas da Amazônia para produzir bioprodutos que possam contribuir para a conservação ambiental e a exploração sustentável da biodiversidade.

A iniciativa conta com a colaboração de renomadas instituições, como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

De acordo com a coordenadora do projeto, Grasiele Cavallini, a aprovação do recurso é um marco para a pesquisa em Química no Tocantins.

*Com informações da UFT

Pesquisa identifica cerca de 200 espécies de algas no Rio Uiacurapá, em Parintins

Foto: Angela Maria da Silva Lehmkuhl/Acervo pessoal

No município de Parintins, no Amazonas, pesquisadores realizaram um levantamento das algas diatomáceas (microalgas) presentes no rio Uaicurapá para avaliar os impactos das atividades locais sobre a qualidade da água e ecológica do rio.

A pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), identificou cerca de 200 espécies de diatomáceas entre endêmicas (exclusivas de determinada região) e indicadoras de excelente qualidade da água.

Amparado pelo Programa de Apoio à Interiorização em Pesquisa e Inovação Tecnológica no Amazonas (Painter) o estudo intitulado ‘Diatomáceas como indicadoras ambientais: avaliação do impacto das atividades locais sobre a qualidade da água do rio Uaicurapá, Parintins, Amazonas, Brasil’ foi realizado em quatro pontos do Rio Uaicurapá, que foram delimitados para abranger um gradiente com áreas de menor uso e ocupação da terra até áreas com maior atividade humana.

Coordenado pela doutora em Biologia, Angela Maria da Silva Lehmkuhl, do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o estudo apontou a alta diversidade que o rio possui em espécies de diatomáceas, e realizou o registro de uma espécie rara e possivelmente endêmica para a região (Actinella gessneri), além da descrição de uma espécie nova (Actinella cordiformis).

A pesquisadora explica que as diatomáceas são microalgas, eucarióticas, fotossintetizantes que possuem uma parede celular impregnada por sílica, que parecem com um porta-joias de vidro ornamentado. Foram realizadas quatro coletas ao longo de um ano, levando em consideração as fases do ciclo hidrológico do rio, sendo elas: enchente, cheia, vazante e seca.

Foto: Angela Maria da Silva Lehmkuhl/Acervo pessoal

“A comunidade de diatomáceas variou em espécies e quantidades ao longo das fases do ciclo hidrológico e ao longo dos pontos de coleta. Algumas espécies abundantes no pico da cheia, não foram abundantes e ou não estiveram presentes no período da seca”, disse Angela Maria.

Segundo ela, a alteração na estrutura da comunidade ajuda a prever alterações climáticas e períodos de seca dos rios. Algumas espécies presentes nos pontos com menor atividade humana (à montante) foram menos abundantes ou ausentes nos pontos com maior atividade antrópica (à jusante).

O estudo avalia a presença das algas diatomáceas que podem ser encontradas nos mais variados tipos de ambientes aquáticos. Devido a características como um ciclo de vida curto e rápida resposta às alterações na qualidade da água, são consideradas excelentes bioindicadores, principalmente em relação ao grau de nutrientes presentes.

As espécies de diatomáceas planctônicas, ou seja, aquelas que ficam livres na coluna d’água, foram coletadas com uma rede cônica com malha de 25 micrômetros, e as espécies perifíticas, ou seja, aquelas aderidas à um substrato, foram coletadas de partes submersas de plantas.

Outro detalhe foi a identificação das espécies por meio da análise em lâminas sob microscopia de luz e sob microscopia eletrônica de varredura das amostras coletadas.

*Com informações da Fapeam

‘Legado para a literatura amapaense’: livro explora relação transfronteiriça entre Amapá e Guianas

0

Cantora e vocalista da Banda “Negro de Nós”, Silmara Lobato. Foto: Lidiane Lima/GEA

Personalidades da cultura amapaense estiveram presente no lançamento do Livro Região das Guianas: Território, História e Cultura‘, da Editora Letra 1, assinado por Clícia Vieira Di Miceli e Gutemberg Silva, com fotografias de Gabriel Flores. A noite de autógrafos aconteceu na última sexta-feira (20), no auditório do Sebrae-AP.

Os autores levaram 7 anos e quatro expedições na Guiana Francesa, Suriname, República da Guiana, Venezuela e no Norte do Brasil, para reunir em pouco mais de 400 páginas, a construção das relações internacionais e a contribuição para o Amapá.

Para a cantora e vocalista da banda “Negro de Nós”, Silmara Lobato, de 44 anos, o livro é uma importante contribuição para a história do Amapá e traduz em palavras, a herança cultural deixada por essa proximidade.

Silmara disse ainda, que essa mistura apresentada na obra, agora condensada em palavras, é tudo que a banda “Negro de Nós” trabalha desde a criação. Ela destaca ainda que se sentiu representada por contribuir há 30 anos com a música amapaense.

“O Negro de Nós é fruto dessa mistura, é fruto dessa cooperação, dessa miscelânea da nossa fronteira. Em 1999, quando a banda surgiu, ela foi criada justamente para trazer essa riqueza da mistura através da nossa sonoridade. E isso, na época, ainda não era bem visto, fomos muitos criticados, inclusive. E hoje, vimos que estava tudo certo, porque tudo está conectado”, finalizou Silmara.

A assistente social e professora Eli Moura, de 59 anos, fez questão de conferir o lançamento do livro e garantir uma dedicatória dos autores. Apaixonada pela literatura amapaense, ela ressaltou a importância de ter, cada vez, obras que contam a história do Amapá sob vários aspectos, inclusive, sobre as relações de fronteira.

A obra conta com a apresentação escrita pelo governador Clécio Luís e o prefácio assinado pela cônsul-geral do Brasil na Guiana Francesa no período de 2008 a 2013, a embaixadora Ana Lélia Benincá Beltrame, diz que o livro presta um notável serviço para os estados e à cultura Amazônica.

Os leitores podem acessar o livro de forma digital e também conhecer as ilustrações que foram feitas pelo geógrafo, professor e ilustrador Carliendell Magalhães

“Esse livro é um documento potente e grandioso pelas informações técnicas, fotos, pelo conjunto de cartografia e pelas ilustrações que tive a honra de fazer, além de ser um livro moderno e vivo que vai contribuir muito com o conhecimento dos amapaenses, só tenho que agradecer pela oportunidade”, frisou Magalhães.

*Com informações do Governo do Amapá

Oficina de cinema em Manaus promove integração cultural e dá voz a jovens migrantes e amazonenses

0

Foto: Divulgação

Manaus (AM) recebeu a primeira mostra de cinema ‘Cine Hermano’ no dia 13 de dezembro, resultado de uma oficina de produção audiovisual com celulares que envolveu jovens migrantes e refugiados, além de manauaras. O evento foi uma celebração da diversidade cultural, com a exibição de 12 curtas-metragens produzidos pelos participantes, entre eles, jovens haitianos, venezuelanos e amazonenses.

A oficina foi uma iniciativa da Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (PADF), organização sem fins lucrativos que atua na América Latina e no Caribe. O projeto contou com 44 alunos, que aprenderam desde a concepção de ideias e roteiros até a produção, captação e edição de vídeos, utilizando apenas celulares.

“Participar de um projeto como esse foi uma grande experiência. Trabalhar com um grupo de alunos dedicados e criativos foi inspirador, e o resultado final superou todas as expectativas”, destacou Anderson Mendes, oficineiro.

Foto: Divulgação

Ao longo de duas semanas intensivas de aulas, os participantes puderam se aprofundar nas técnicas do audiovisual, ao mesmo tempo em que tiveram a oportunidade de expressar suas culturas e vivências por meio do cinema.

“Durante essas duas semanas, nossos alunos aprenderam as técnicas do audiovisual para desenvolver suas histórias e mostrar suas culturas através do cinema. Foi uma experiência enriquecedora tanto para os participantes quanto para os oficineiros”, Ana Paula Angiole, coordenadora da PADF em Manaus.

O Cine Hermano se consolidou como um projeto pioneiro, que uniu cinema e integração cultural, proporcionando aos jovens migrantes e amazonenses a oportunidade de se expressarem e serem ouvidos.

Garimpos ilegais de ouro podem emitir 3,5 toneladas de carbono por hectare e concentrar mercúrio no solo

0

Foto: Leo Otero/MPI

Garimpos ilegais de ouro reduzem em até 50% os estoques de carbono de áreas mineradas, especialmente durante estações secas. Como consequência dessa emissão, há aumento de até 70% na disponibilidade de mercúrio (Hg) no solo, representando riscos ambientais e de saúde pública, especialmente para comunidades que vivem próximas a esses locais.

Com base em amostras de solo de regiões de mineração ilegal em quatro biomas, pesquisadores brasileiros verificaram que a liberação de carbono para a atmosfera é, em média, de 3,5 toneladas por hectare, enquanto o acúmulo de Hg pode chegar a 39 quilos por hectare. Os resultados estão em artigo publicado na revista Science of The Total Environment.

Para analisar a dinâmica sazonal dos dois elementos químicos, os pesquisadores utilizaram técnicas avançadas, como a extração química, a espectroscopia – que avalia como a luz interage com a matéria para identificar substâncias e entender suas propriedades químicas e físicas – e a termogravimetria, que mede a variação de massa de um material conforme ele é submetido a alterações de temperatura.

Ao fazer as avaliações ao longo do tempo, os cientistas detectaram que a mudança da estação chuvosa para a seca pode elevar em até 20% a liberação de carbono para a atmosfera.

Autor correspondente do artigo, Soares recebe bolsa da FAPESP, que também financia o Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) sediado na USP e coordenado por Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, coautor do artigo. Também assina o texto Luís Reynaldo Alleoni, pesquisador vinculado ao CCARBON.

“Nossos resultados realçam que a mudança nas estações climáticas [seca e chuvosa] desempenha papel fundamental na manutenção dos estoques de carbono e na regulação da disponibilidade de Hg. A análise da solução do solo mostrou o esgotamento de carbono devido à conversão de pastagem em área de mineração e ao acúmulo de Hg, o que pode representar sérios riscos tanto para os ecossistemas quanto para a saúde humana. Além disso, a contaminação significativa de mercúrio influenciada por fatores climáticos sugere que as mudanças no clima podem exacerbar o transporte e a biodisponibilidade de Hg, levando a maiores desafios ambientais e de saúde pública”, diz Alleoni, que foi orientador de Soares no doutorado e supervisiona seu pós-doutorado, ambos com bolsa da FAPESP.

Paisagens diversas

Os pesquisadores coletaram as amostras em áreas de mineração de ouro nos territórios dos municípios de Tucumã (PA), Colider (MT), Poconé (MT) e Descoberto (MG), que abrangem os biomas Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica. Para trabalhar nessas regiões, contaram com a ajuda de professores e cientistas de universidades e instituições de pesquisa locais, que fizeram a intermediação com garimpeiros para entrar nas áreas de coleta.

Dados do MapBiomas referentes a 2022 apontam que o Brasil tem 263 mil hectares de garimpo (duas vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro) – dos quais 92% estão na Amazônia. Desse total da floresta tropical, 77% ficam a menos de 500 metros de algum tipo de corpo d’água, como rios, lagos e igarapés.

Considerando os valores médios de estoques de Hg obtidos no estudo liderado por Soares, a estimativa é que esses solos minerados possam abrigar cerca de 10.200 toneladas do metal. A pesquisa destacou que a quantidade de Hg varia significativamente entre os locais analisados, sendo a forma de mineração e a idade dos garimpos os fatores cruciais que influenciaram a dinâmica do mercúrio no solo, afetando diretamente sua concentração e mobilidade.

Os garimpos ilegais – sem registro em agências reguladoras e órgãos ambientais – geralmente usam mercúrio em excesso para viabilizar a separação do ouro dos demais sedimentos, causando uma série de impactos sanitários, ambientais, socioculturais e econômicos.

Na Amazônia, o ouro está presente no ambiente em forma de partículas muito pequenas. Para uni-las e facilitar a extração, é utilizado mercúrio metálico, que forma um amálgama. Quando liberado – após a queima do amálgama ou a lavagem nos rios –, pode sofrer um processo químico (metilação) por ação de microrganismos, tornando-se um composto altamente tóxico.

Ao longo do tempo, os peixes podem acumular o metal em seus tecidos e, quando consumidos, representam risco para a saúde humana. Estudo desenvolvido por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de instituições amazonenses, divulgado em 2023, revelou que peixes dos principais centros urbanos da Amazônia estavam contaminados pelo metal.

No organismo humano, o mercúrio provoca distúrbios renais, cardiovasculares e imunológicos, com comprometimento da visão e do sistema respiratório. Também pode afetar o sistema nervoso central, resultando em danos cerebrais e desempenho cognitivo reduzido, como os registrados em indígenas do povo Yanomami de nove aldeias assediadas pelo garimpo em Roraima, segundo estudo da Fiocruz em parceria com a USP. Além deles, os territórios mais ocupados por garimpeiros são as terras indígenas Kayapó e Munduruku.

Estima-se que cerca de 19 mil pessoas, majoritariamente indígenas e ribeirinhos, são diretamente afetadas pela contaminação decorrente da mineração de ouro somente na Amazônia, de acordo com a pesquisa. Nos outros biomas os dados sobre as populações em risco de exposição são menos abrangentes.

No trabalho, os cientistas também citam outro estudo que apontou cerca de 5,4 milhões de hectares de minas legalmente ativas no Brasil, incluindo vários tipos de minério, onde os estoques globais de dióxido de carbono equivalente no solo foram calculados em 1,68 gigatonelada.

Com base nesses resultados, há uma perda aproximada de até 0,07 gigatonelada de dióxido de carbono equivalente apenas nas camadas mais superficiais do solo, considerando exclusivamente as áreas legais, independentemente do tipo de mineração, e assumindo perdas de carbono semelhantes entre as diferentes regiões.

Alternativas

Segundo os pesquisadores, para mitigar os danos, é essencial fortalecer as políticas de fiscalização da mineração, incentivar a legalização da atividade e implementar programas de educação ambiental direcionados às comunidades locais. Além disso, é necessário utilizar técnicas capazes de reduzir os impactos causados pela disponibilidade de Hg no solo e na água, como a fitorremediação.

Os cientistas estudaram amostras de uma área de mineração abandonada há mais de 50 anos e observaram sinais de restauração da floresta nativa. Nessa área, os teores de carbono no solo são elevados e os níveis de Hg disponíveis são baixos. No entanto, isso demonstra que o processo de restauração é muito lento e, provavelmente, poderia ser acelerado por meio de pesquisas e o uso de novas estratégias de recuperação.

Para Soares, os resultados obtidos são fundamentais para desenvolver estratégias que promovam o aumento da matéria orgânica no solo visando melhorar a retenção de Hg e minimizar as possíveis emissões de CO2. Essas iniciativas contribuem para mitigar a degradação ambiental causada pela mineração, reduzindo os riscos de contaminação e os impactos negativos sobre o ecossistema.

Atualmente na Inglaterra, o pesquisador está em estágio de pesquisa no exterior com bolsa da FAPESP. O objetivo é desenvolver estratégias para reduzir a contaminação ambiental por meio da adição de nanopartículas de biocarvão e resíduos vegetais, além de compreender como as interações do carbono presente nesses materiais podem influenciar o solo e minimizar os impactos causados pela liberação de Hg.

O artigo Impact of climatic seasons on the dynamics of carbon, nitrogen and mercury in soils of Brazilian biomes affected by gold mining pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0048969724064350?via%3Dihub.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino  

Amazônia onde a violência campeia sem controle

0

Foto: Reprodução/PRF

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A violência no Brasil atinge números alarmantes, chocando a população de Norte a Sul e o mundo. O país tornou-se um país irascível, revolto. Assaltos a céu aberto e em estabelecimentos comerciais, execuções criminais, arrombamentos, guerras de facções, tráfico de drogas, mortes por balas perdidas tornaram-se rotina desde as menores comunidades, médias e grandes cidades. O crime está no ar. As estatísticas oficiais mostram terem sido registrados 46.409 homicídios em 2022, uma taxa de 21,7 por 100 mil habitantes. O Atlas da Violência 2024, divulgado nesta terça-feira, 18, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que esse número é subestimado, contaminado por falta de registros específicos ou à grande quantidade de mortes violentas por causas não identificadas.

Na Amazônia o quadro não é diferente. A violência na região cresceu 41,5% este ano, alcançando terras a capital e o interior, povos indígenas, mineração, extração ilegal de madeira e ouro, além do narcotráfico, Tornou-se rotina em micro municípios, antes tidos como bucólicos, a ocorrência de estupros de menores, não importando a idade ou o grau de parentesco, assim como a expansão incontrolável do tráfico de drogas, assassinatos cruéis, assaltos em plena luz do dia. Conflitos gerados por invasões de terras configuram hoje o principal eixo estruturante da violência na Amazônia Legal, segundo conclui o estudo Cartografia das Violências na Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Instituto Mãe Crioula (IMC), em sua terceira edição.

O levantamento de cadastro de propriedades rurais apontou que mais de 20 mil imóveis estão localizados em terras indígenas (TIs) ou áreas de proteção ambiental, parques ecológicos e reservas públicas em qualquer ponto do território nacional. Em 2023, ocorreram 8.603 mortes violentas intencionais (homicídios dolosos, latrocínios, mortes decorrentes de intervenção policial e mortes de policiais) na Amazônia Legal, uma taxa de 32,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, 41,5% maior do que a taxa brasileira, já considerada alarmante, de 22,8 mortes para cada 100 mil habitantes. Números gigantescos, majoritariamente pautados em crimes do narcotráfico e contra o patrimônio.

O estudo observa que o agravamento da situação na região , “com uma intensidade que não se observava antes, tem relação com a proximidade da fronteira com Colômbia, Peru e Bolívia, países que respondem por 99% da produção de cocaína consumida no mundo. O fenômeno, que vem se intensificando nos últimos 20 anos, indica que a região encontra-se abandonada pelo governo. A política de “desmatamento zero” do Ministério do Meio Ambiente (MMA) é uma farsa. Tem apenas servido para a ministra Marina da Silva, em convescotes turísticos, exibir-se mundo afora na companhia das ONGs internacionais avalizadoras da política governamental vigente. Afinal, prender boi ou destruir dragas de garimpagem, sem uma efetiva política de regularização fundiária, tem apenas efeito midiático. Não resolve o problema.

O problema Amazônia, efetivamente, estende-se muito além da questão das queimadas e ocupações ilegais de terras não destinadas ou de reservas que resultam em comoção mundial e no desencadeamento de crises entre sociedade, governos e ambientalistas. Conflitos, na verdade, do próprio ente público e seus agentes – MMA, Ibama, ICMBio, Ana, Funai, AGU, PGR -, ao vacilarem diante de situações cruciais conflitantes entre o interesse da nação e pressões de organizações internacionais contrárias ao desenvolvimento do país. Na verdade, o que está em jogo (ou deveria estar) é a necessidade de adoção de políticas públicas de Estado objetivando a formatação de bases sólidas de longo prazo voltadas à sedimentar o crescimento econômico, único meio de promover a definitiva e irreversível ocupação e preservação ambiental do bioma amazônico.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista