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Áreas de pecuária na Amazônia apresentam maior incidência de leishmaniose cutânea, mostra estudo

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A leishmaniose cutânea causa úlceras na pele que costumam ser arredondadas e têm as bordas elevadas e avermelhadas, podendo deixar cicatrizes nos pacientes. Foto: Organização Pan-Americana de Saúde.

Quem já se aventurou por qualquer floresta tropical, mesmo que apenas por algumas horas, e esqueceu de se proteger com quantidades suficientes de repelente, certamente sentiu na pele as dificuldades de conviver com alguns de seus mais vorazes habitantes: os mosquitos. A picada causa desconforto por si mesma, mas também pode redundar em complicações mais severas devido à possibilidade de transmissão de vírus causadores de doenças como a dengue, a malária e a leishmaniose cutânea. Esta última enfermidade, aliás, integra a lista das dez principais doenças tropicais negligenciadas, produzida pela Organização Pan-Americana de Saúde, e estima-se que gere anualmente mais de 50 mil novos casos no mundo.

A leishmaniose cutânea, ou tegumentar, como também é chamada, é uma doença não contagiosa que provoca úlceras na pele e nas mucosas. As lesões podem levar anos para cicatrizar, deixando a pele do paciente marcada para o resto da vida. Outro fator que torna essa patologia particularmente preocupante é a falta de avanços em prevenção e tratamento. Enquanto a vacinação contra a dengue já é uma realidade, a terapêutica para a leishmaniose evoluiu muito pouco desde que foi descrita, 120 anos atrás. De maneira geral, nos últimos 70 anos, o tratamento mais adotado envolve a aplicação de dolorosas injeções no músculo ou na área infectada.

No Brasil, ela ocorre com maior frequência nos estados da floresta amazônica. A região é classificada como de alto risco para eclosão de epidemias, devido à grande variedade de vetores que podem ser envolvidos no processo de transmissão, como moscas, mosquitos e mamíferos, e, também, às altas taxas de desmatamento. Para além da relação entre a destruição de florestas e o surgimento de casos de doenças tropicais, um grupo de pesquisadores liderados por Tatiana Pineda Portella, da USP, e que envolveu docentes da Unesp, da UFABC e da Universidade de Lausanne, na Suíça, identificou quais as formas de uso da terra que apresentam potencial maior para resultar no aumento do risco de casos de leishmaniose cutânea.

Os resultados foram divulgados no artigo ‘Bayesian spatio-temporal modeling to assess the effect of land-use changes on the incidence of Cutaneous Leishmaniasis in the Brazilian Amazon‘, publicado na revista científica Science of the Total Environment. O trabalho teve como objetivo analisar de que maneira a conversão do uso de terra na floresta amazônica, especialmente devido ao avanço das atividades humanas, pode se relacionar com a incidência de casos de leishmaniose cutânea na região. A partir de análises que cobriram dados socioeconômicos, de vegetação e de clima, referentes ao período entre 2001 e 2017, o grupo de pesquisadores constatou que o avanço da pecuária é a principal ameaça para o crescimento da incidência de leishmaniose cutânea em cidades amazônicas.

Presença de gado impacta no número de casos

A ideia do estudo surgiu depois que análises prévias apontaram as cidades amazônicas como principal foco da leishmaniose cutânea, em especial aquelas situadas no chamado arco do desmatamento.

O grupo empregou metodologias estatísticas para combinar séries diferentes de dados relativos ao uso de terra, à população das cidades e à situação socioeconômica dos municípios, e também registros do clima e da temperatura. No total, foram analisados dados de 503 cidades da Amazônia Legal, região que compreende os estados de Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Foram utilizados dados relativos ao período entre 2001 e 2017, e o largo intervalo de tempo analisado trouxe mais segurança aos pesquisadores para apontar os principais fatores associados ao crescimento dos casos de leishmaniose cutânea.

Além da escala temporal, outro diferencial da pesquisa está em considerar os diferentes usos de terra e coberturas vegetais que existem na região. Foram criadas cinco categorias pra abarcar as regiões existentes na Amazônia e que poderiam influenciar nos casos de leishmaniose cutânea: a cobertura florestal, que é o principal habitat dos vetores; as plantações permanentes, que também podem atuar como habitat e fonte de alimento para os vetores; áreas desflorestadas, nas quais as interações entre pessoas e mosquitos podem se intensificar; áreas de extrativismo, outro ambiente de contato intenso entre humanos e os vetores da doença; e, por fim, áreas de pecuária, nas quais existe, em grande quantidade, alimento para mosquitos transmissores de leishmaniose cutânea.

Esta classificação permitiu aos pesquisadores estabelecer de maneira mais direta e específica relações entre o tipo de uso da terra e a incidência de casos da doença. Para surpresa do grupo, o principal achado do estudo mostrou que os casos de leishmaniose cutânea têm relação com a interação entre áreas de cobertura florestal e de criação de gado. “Observamos que a presença de gado próximo de áreas de cobertura vegetal eleva os casos de leishmaniose cutânea”, diz Kraenkel. A ocorrência de desmatamento no terreno se mostrou como o segundo fator com maior associação aos casos.

Os pesquisadores não esperavam que a presença de florestas pudesse se revelar como um fator significante, e consideraram o resultado “contraintuitivo”, mas logo conceberam uma explicação. O habitat natural do mosquito são as florestas, portanto, áreas com maior cobertura vegetal implicam naturalmente a ocorrência de mais mosquitos. Isso aumenta as chances de que ocorra a transmissão do vírus da doença. Entretanto, em matas fechadas ou no coração da Amazônia a presença de humanos é extremamente reduzida. Logo, apesar da alta população de transmissores, não há pessoas que possam ser infectadas, o que dificulta que ocorram casos em número significativo.

Essa realidade muda quando o desmatamento ocorre para a criação de gado, ensejando um aumento da população nas regiões próximas das florestas. “A transmissão ocorre nas áreas fronteiriças, nas quais de um lado acontece a criação de gado e do outro está a área com cobertura vegetal”, diz Kraenkel.

A partir dos resultados, os pesquisadores acreditam que a proximidade entre o gado e a floresta proporciona ao mosquito maior oferta de alimento, na forma das cabeças de gado e, ao mesmo tempo, aumenta a interação entre mosquitos e humanos, o que leva ao maior número de casos da doença.

Motivos ainda são incertos

Kraenkel ressalta que, ainda que tenha elaborado essa hipótese a partir da interpretação dos dados, investigá-la mais a fundo vai exigir um tipo diferente de pesquisa. “O controle e o estudo dessa doença são muito complicados, porque se trata de uma zoonose, ou seja, é transmitida por meio de animais silvestres e insetos, e é impossível obter um levantamento de quantos insetos estão contaminados e são potenciais vetores”, conta. “Então temos que fazer o exercício de pensar: o que pode levar à existência de mais ou menos mosquitos na área?” indaga.

Os autores do artigo especulam que a presença do gado próximo às regiões de floresta represente maior disponibilidade de alimento para os insetos. Esse quadro não se verificaria, por exemplo, em lavouras, uma vez que os vetores não obtêm alimento das plantações.

Ainda que o estudo traga tantas perguntas quanto respostas, Kraenkel diz que os resultados são importantes para pensar em políticas públicas na região e refletir sobre o próprio modo de ocupação das terras. “O mais óbvio de apontar é que, se existem áreas de fronteira entre floresta e gado, é preciso ter um cuidado aumentado. Nesses municípios deveriam ser feitas campanhas de conscientização sobre esse risco. Isso é uma política de saúde pública que pode ser adotada de forma imediata”, diz.

O trabalho também acrescenta uma peça no quebra-cabeça da relação entre desmatamento e a eclosão de epidemias, evidenciando neste caso o impacto que a pecuária pode exercer sobre a saúde das populações de cidades amazônicas. Ao pensar em medidas para favorecer a saúde pública a longo prazo, os autores recomendam, inclusive, que a atividade econômica predominante nessas áreas seja repensada. “Nossa recomendação é que tomadores de decisão priorizem investimentos em alternativas mais sustentáveis de desenvolvimento econômico na Amazônia, com o objetivo de criar um ecossistema mais saudável, tanto para o meio ambiente como para os seres humanos”, concluem no texto do artigo.

A leishmaniose cutânea causa úlceras na pele que costumam ser arredondadas e têm as bordas elevadas e avermelhadas, podendo deixar cicatrizes nos pacientes. Crédito: Organização Pan-Americana de Saúde.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Malena Stariolo

Canaranas: ‘mar verde’ na orla de Manaus é consequência da seca e ameaça ecossistema

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‘Ilhas de vegetação’ surgem na praia da Ponta Negra e podem impactar ecossistema. Foto: Wiliam Duarte/Rede Amazônica AM

Apesar da subida do Rio Negro, os impactos da seca ainda são visíveis em Manaus (AM). O fim da vazante resultou em um “mar” de capim que tomou conta da orla da cidade. À primeira vista, pode parecer apenas vegetação comum, mas, segundo especialista ouvido pelo Grupo Rede Amazônica, o que parece inofensivo representa uma ameaça ao ecossistema local.

Em outubro, o cenário da Praia da Ponta Negra, principal balneário de Manaus, era de um rio extremamente baixo e uma vasta faixa de areia. No entanto, agora, com o aumento das águas, chegam quilômetros das temidas “canaranas” ou “capim marreco”, cobrindo a região.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é capim-marreca?

Um vídeo divulgado nas redes sociais pelo videomaker Alcides Neto mostra a invasão das canaranas na orla de Manaus, chamando a atenção tanto dos moradores quanto dos visitantes da cidade.

O biólogo André Menezes alerta que, embora as canaranas pareçam, à primeira vista, um capim comum, elas representam uma ameaça para o equilíbrio ambiental de Manaus e podem causar sérios impactos:

  • Risco para animais: Cobras e jacarés podem se esconder no capim, representando perigo para quem frequenta a área.
  • Água imprópria para banho: O capim em decomposição torna a água contaminada e insegura para atividades aquáticas.
  • Impacto na vida aquática: A vegetação reduz a oxigenação da água, prejudicando peixes e outros seres vivos do rio.

Mas, afinal de contas, de onde surgiu esse capim?

Segundo André, tudo está relacionado com a oscilação das águas. “Durante a cheia do rio, os sedimentos acumulam muitos nutrientes no fundo. Assim, quando ocorre a seca, o solo fica fértil e propício para o crescimento de vegetação. Se ninguém planta, o capim se aproveita e cresce”, explicou o biólogo.

Com a subida do rio, o capim formado se solta da terra, criando um “tapete verde”. Isso foi registrado no último trimestre do ano passado, quando um vasto campo de grama surgiu às margens do Rio Negro, chamando a atenção da população e viralizando nas redes sociais.

“Quando se solta do solo, a vegetação se torna morta, cheia de microrganismos e bactérias, que podem representar riscos à saúde humana, além de prejudicar os peixes. É uma vegetação densa e fibrosa, que não desaparece facilmente. Por isso, é necessária a ação do poder público para remover”, alertou o biólogo.

O que poderia ser uma solução econômica para o bolso do contribuinte acaba se tornando mais caro à medida em que as autoridades demoram para remover o capim.

“Eu vinha alertando sobre isso: é preciso tirar esse capim antes da subida das águas, e não quando já está tudo tomado. Nesse momento os custos aumentam, pois é necessário mobilizar toda uma estrutura, o que não sai barato”, alertou.

O capim vai desaparecer ou será levado pelo rio?

Segundo o especialista, é crucial agir rapidamente para remover as “canaranas”, pois o capim não desaparecerá ou descerá facilmente pelo rio.

“Essas ilhas, após a subida das águas, se espalham de forma aleatória, o que dificulta ainda mais a remoção. Como é uma vegetação fibrosa, ela não se desloca facilmente. Pode até descer o rio, mas isso só transfere o problema de lugar. Para os ribeirinhos, que dependem diretamente do rio, isso é extremamente prejudicial”, explicou.

Para quem é dono de embarcação, o capim também representa um grande problema, como explicou André. “Esse capim pode enroscar na hélice e travar o motor da embarcação. É algo bem complicado, e fora o cheiro. Quando você chega perto, sente o odor de decomposição, já que ele está em processo de apodrecimento”.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Prefeitura inicia retirada das canaranas na Ponta Negra

Na última semana, a Prefeitura de Manaus começou a remoção do vasto campo de capim formado na Praia da Ponta Negra, na Zona Oeste.

De acordo com o secretário municipal de limpeza urbana, Sabá Reis, as canaranas não apenas afetam a paisagem, mas também comprometem a navegabilidade do Rio Negro, dificultando a passagem de embarcações.

Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Acre está entre 10 estados com maior percentual de mulheres em cargos de liderança

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Vice-governadora Mailza Assis é uma das mulheres de destaque do governo, respondendo também pelo cargo de secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos. Foto: José Henrique/Sefaz AC

Um levantamento feito por um comitê gestor formado pelos institutos Aleias, Alziras, Foz e Travessia Políticas Públicas, com dados coletados entre dezembro de 2023 e março de 2024, coloca o Acre em nono lugar no ranking de mulheres em cargos de liderança. O ranking com a porcentagem de cada estado foi divulgado na página oficial do Centro de Liderança Pública (CLP), no dia 2 de janeiro.

Foram contabilizadas secretarias, procuradorias, controladorias e casas militares – órgãos que na maioria dos territórios analisados constam como respondentes diretos do chefe do Executivo.

Mapa mostra cada estado com a porcentagem de mulheres ocupando espaços de liderança. Imagem: Reprodução/CLP

Os dados apontam que as mulheres à frente desses órgãos são altamente qualificadas e possuem sólida experiência profissional no setor público, com maior presença nas pastas do setor social.

O estado com maior participação feminina na gestão é Alagoas, com 54%. Nesta lista, o Acre configurou o nono lugar, com 27% de mulheres nesses setores. Quando analisada apenas a região Norte, o Acre fica atrás apenas do Amapá, que tem 41% de gestoras.

No entanto, o último levantamento feito pela Secretaria de Administração do Estado (Sead) mostra que das 49 secretarias e autarquias em todo o estado, 17 são comandadas por mulheres, ocupando 33,33% da gestão estadual.

A diferença se dá devido à metodologia da pesquisa, que excluiu alguns órgãos da contagem, como ouvidorias, defensorias, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e guardas. O fato de dar destaque ao público feminino também tem como pilar fortalecer a representatividade de um estado com população formada por 50% de mulheres. Dos 830.018 habitantes do Acre, 414.686 são do sexo feminino.

Mulheres tem ganhado espaço e são reconhecidas em suas áreas. Foto: Reprodução

Essa expressão também reflete no número de servidores públicos. Dos 37.600 servidores ativos no Estado, 21.370 são mulheres, ou seja, 56,84%. Os outros 16.230 são homens.

Nesse quesito, o governador Gladson Cameli tem marcado seu nome na história ao retomar a Secretaria Estadual da Mulher, colocar à frente da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas a primeira mulher a assumir o cargo e também ser o primeiro chefe de Estado a empossar uma mulher para o Comando-Geral da Polícia Militar.

O governador destaca que o espaço ocupado pelas mulheres não se trata apenas de uma política de igualdade de gênero, mas de reconhecimento a profissionais que têm uma trajetória marcada pela capacidade de liderar e se destacar nas áreas que atuam.

Sobre o ranking que dá um destaque positivo ao Acre, Cameli enfatiza que isso reflete a mensagem que seu governo pretende passar à população. “Sou um democrata. Quando vejo esses números, esses índices, me faz crer que a população vai se sentir motivada, as mulheres vão poder ver e acreditar que não há limite para os cargos que estejam aptas a ocupar”.

*Com informações de Agência Acre

“Afogados” no rio Tarumã Açu

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Foto: Dudu Monteiro de Paula/Acervo pessoal

Por Dudu Monteiro de Paula

Em dezembro de 2018 tive a ideia de, durante o Réveillon, filmar a tradicional queima de fogos da passagem do ano de dentro de uma voadeira em noventa graus, ou seja, deitado na canoa filmando os fogos de artifícios.

Convidei a minha querida e amada Sylwia Zrubik e a amiga Suzan para que, juntos, vivêssemos estes belos momentos. Saímos de casa cedo e fomos direto ao Tarumã, na praia Dourada, em Manaus (AM). Embarcamos em uma lancha que faz o transporte das pessoas até o flutuante desejado, no caso era o flutuante da Suliene. Detalhe: já deixamos acertado o horário que nos buscariam para voltarmos a praia Dourada. Isto foi fundamental no início do ano de 2019.

Um belo flutuante com toda infraestrutura, quartos, cozinha, banheiros, ou seja, completo para o atendimento confortável. Como chegamos relativamente cedo, logo começamos a comer e beber na espera da hora oportuna para nos deslocarmos para a Ponta Negra no Rio Negro.

Quando faltavam quinze minutos resolvemos que era a hora para o deslocamento, porém antes de embarcar, aconselhei que todos usássemos colete salva-vidas, algo plenamente aceito, menos pelo piloto. Paciência.

Era uma boa lancha, mas com pouca iluminação. Durante o trajeto estávamos juntos com centenas de embarcações dos tamanhos mais variados e todos em direção da Ponta Negra. Ao lá chegar, nos posicionamos no ponto que eu desejava e as imagens ficaram maravilhosas e, lógico, dentro barco muita festa até pela proximidade de dezenas outras embarcações, muitas com o som bastante alto.

Feitas as imagens e a com a parada definitiva dos fogos, já eram os primeiros minutos de 2019. Hora de voltar. Nossa lancha com pouca iluminação, dezenas de barcos voltando na direção do Tarumã Açu: o banzeiro era bastante intenso e, em um determinado momento, a nossa embarcação acabou entrando em uma galhada (galhos de árvores grandes com folha e tudo).

Quando o piloto percebeu que estava dentro de uma galhada, imediatamente engatou uma ré. Pronto. Aí surgiram os problemas!

Com a parte dianteira engatada nos galhos e com a ré ligada fomos imediatamente para o fundo do rio. Eu diria que foi tão rápido que nem deu tempo de sair da canoa e sim que “ela saiu de nós”. Nos segundos iniciais que pareceram horas intermináveis cada um cuidou de se assegurar que estava boiando, pouco a pouco fomos tomando consciência da situação. Alguns mais agitados, mas a maioria com relativa tranquilidade.

Estava muito escuro, com alguns barcos passando em velocidade sem nos enxergar. Começamos a pensar como sair daquela situação. Estávamos todos com os celulares ou molhados ou no fundo do rio (que foi meu caso). Já havia passado longos minutos quando subitamente ouvimos um celular tocar no bolso de uma das pessoas mais agitadas, que ao atender ficou repetindo várias vezes: “SOCORRO! ME AJUDA!”

Alguém do grupo pegou o celular e explicou a quem chamava o ocorrido. Era o dono da voadeira que tinha se comprometido em buscar-nos para voltar a praia Dourada. Ufa! Mesmo assim ficamos na espera a deriva no rio por mais ou menos 40 minutos.

Bom! As imagens do réveillon seguramente algum peixe deve estar assistindo até hoje. Pelo menos acho. Acredito que poucos casais na vida viveram uma aventura como essa e estão aí para contar. Sylwia e eu vivemos o que só aumentou o amor que temos um com o outro.

Por hoje é só! FUUUUUUUUIIIIIIIIIIII!!!

Sobre o autor

Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Puno busca reconhecimento da ‘Rosqueada’ como Patrimônio Cultural do Peru

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Foto: Reprodução/Agência Andina

Todo dia 1º de janeiro, o distrito de Pomata, na província de Chucuito, na região de Puno, no Peru, se transforma em um cenário de celebração cultural e tradição com a ‘Rosqueada‘, também conhecida como ‘Festa do Pão‘. Este ritual, marcado por simbolismo e identidade ancestral, está em processo de reconhecimento como Patrimônio Cultural da Nação pelo Ministério da Cultura do Peru.

A ‘Rosqueada’ é promovida pelos vice-governadores cessantes de Pomata e celebra a transição de autoridades locais em um clima festivo. Durante o evento, as autoridades que deixam seus cargos desfilam pela praça principal, vestindo ponchos e chapéus decorados com pães especiais em formato de rosquinha, enfeitados com peras moldadas. Estes pães, que simbolizam uma colheita abundante para o novo ano, tornam-se o centro das atenções da festa.

Além do desfile, a celebração inclui uma missa e um ato de ação de graças, reforçando a espiritualidade e o caráter comunitário da tradição. No final do evento, os pães decorativos, bengalas e chapéus feitos de pão são distribuídos aos participantes, tornando a festividade ainda mais inclusiva.

Preservação e reconhecimento cultural

Richard Butron Arcaya, responsável técnico pela iniciativa de reconhecimento, destacou que os esforços para obter o título de Patrimônio Cultural da Nação começaram em abril de 2024. O processo, que envolve a coleta de documentos e provas, está em estágio avançado, e o arquivo final deve ser submetido ao Ministério da Cultura em março deste ano.

O trabalho de Butron conta com o apoio do prefeito de Pomata, Mario Torres Vásquez, e das autoridades distritais. Segundo ele, além de revalorizar os costumes ancestrais, o reconhecimento busca assegurar que Pomata seja identificada como o berço original da ‘Rosqueada’, evitando apropriações culturais por outros distritos ou províncias.

Um símbolo de identidade

Para os habitantes de Pomata, a ‘Rosqueada’ vai além de uma festa tradicional; é uma expressão viva de sua cultura, história e conexão com a terra. A cada ano, a celebração une gerações, promovendo um senso de comunidade e continuidade cultural.

Os promotores da iniciativa esperam que 2025 seja o ano em que a ‘Rosqueada’ receba o título de Patrimônio Cultural da Nação, consolidando ainda mais o valor desta tradição única no panorama cultural do Peru.

Enquanto aguardam a decisão oficial, os moradores de Pomata seguem mantendo viva essa herança, celebrando com entusiasmo e preservando os costumes que moldam sua identidade.

*Com informações da Agência Andina

Acre anuncia mais de R$ 5 milhões para investimentos em gestão ambiental em terras indígenas

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Programa de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAS) possibilita o desenvolvimento de estratégias para proteção, conservação e uso sustentável dos territórios. Foto: Divulgação/Acervo/Secom AC

No Acre, cerca de R$ 5 milhões de investimento estão previstos para implementação de políticas públicas voltadas para o fortalecimento da gestão territorial e ambiental e ações de enfrentamento, adaptação e redução de impactos climáticos em 27 territórios indígenas, por meio da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi). 

O chefe do Executivo reforça o compromisso e respeito aos direitos dos povos indígenas, que tanto tem sofrido com os impactos das mudanças climáticas.

Plano de ação prevê eixos prioritários em terras indígenas do Acre

Os recursos serão aplicados em três frentes principais: saneamento básico para a construção e manutenção de poços e reservatórios de água; apoio financeiro para pagamento de bolsas aos Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs) e implementação dos Programas de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAS). As ações contam com apoio financeiro do Programa REM Fase II. 

Adaptação às mudanças climáticas: investimentos de R$ 2 milhões em 27 aldeias

No ano passado, a Secretaria de Povos Indígenas do Acre saiu na frente ao elaborar o plano de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas. Com base nas principais demandas e dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas foram alocados R$ 2 milhões para construção de poços artesianos, cacimbas e reservatórios de água como resposta para minimizar os impactos dos eventos extremos, a exemplo das secas severas. 

Agentes Agroflorestais Indígenas recebem capacitação e bolsa para atuarem em seus territórios. Foto: José Caminha/Secom AC

Serão contempladas 27 aldeias situadas em seis Terras Indígenas do Alto Rio Juruá, beneficiando diretamente 4.249 pessoas e outras oito aldeias situadas na Terra Indígena ao longo do Alto Rio Purus, alcançando outras 452 pessoas, totalizando 4.701 beneficiários. A iniciativa representa um impacto significativo na melhoria e qualidade de vida, contribuindo para redução da vulnerabilidade da população indígena.

Francisca Arara, gestora da pasta, ressalta que a meta é contemplar as 36 terras indígenas do Acre até 2026 ampliando as políticas públicas de preservação ambiental, valorização dos conhecimentos tradicionais, desenvolvimento e adaptação aos impactos das mudanças climáticas.

Pagamento de R$ 2,2 milhões aos Agentes Agroflorestais Indígenas até 2026

Para garantir o fortalecimento da gestão territorial e ambiental e contribuir para a segurança alimentar, o governo do Acre tem dado continuidade ao pagamento de bolsa aos Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs). São 148 agentes atuando em 30 Terras Indígenas. 

Agentes agroflorestais indígenas desempenhando um papel estratégico na preservação ambiental em suas aldeias. Foto: Acervo/Secom AC

Em 2024, a Sepi encerrou o ano com o pagamento de R$ 452 mil e até 2026 está previsto o pagamento de R$ 2,2 milhões em bolsa incentivo aos agentes indígenas. Eles recebem também formação continuada para atuarem em seus territórios. Para saber mais, acesse aqui.

Mais de R$ 1 milhão é destinado para apoio à Gestão Territorial e Ambiental

Os investimentos não param e foram destinados mais de R$ 1,1 milhão para execução de 12 projetos voltados para o fortalecimento dos Programas de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PGTAs). Cada projeto receberá recursos aproximados de R$ 100 mil.

O objetivo principal dos PGTAs é contribuir para o uso e a conservação da floresta, reduzir as taxas de desmatamento e manter o estoque de carbono nas florestas em terras indígenas beneficiadas.

Para saber mais sobre essas e outras iniciativas, em execução pelo governo do Acre, que beneficiam os territórios indígenas acesse aqui a página oficial do Programa REM Acre.

*Com informações da Agência Acre

Funai divulga imagens de indígenas isolados nas TIs Massaco e Kawahiva, na Amazônia Legal

Indígena Kawahiva do Rio Pardo, identificado por uma armadilha fotográfica em novembro de 2020. Foto: CGIIRC/Funai

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) capturou imagens inéditas de povos isolados na Terra Indígena (TI) Massaco, em Rondônia. As imagens foram feitas durante expedições de monitoramento no início de 2024. A divulgação das imagens busca reafirmar a presença indígena nos territórios e reforçar a necessidade de proteção territorial contra ameaças à sua sobrevivência. As atividades de monitoramento também confirmaram a presença de isolados na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em Mato Grosso, em julho, por meio de diversos vestígios.

O trabalho foi executado pela Diretoria de Proteção Territorial (DPT) da Funai, por meio das Coordenações das Frentes de Proteção Etnoambiental (CFPEs) Madeirinha-Juruena e Guaporé. As Frentes de Proteção Etnoambiental são unidades descentralizadas da Funai especializadas na proteção de indígenas isolados e de recente contato distribuídas especialmente pela Amazônia Legal, onde predominam esses povos.

O monitoramento é feito a partir de expedições, sobrevoos e de presença permanente, em parceria com outros órgãos ambientais e de segurança pública, por via terrestre e aérea, por meio das Bases de Proteção Etnoambiental (Bapes). As Bapes são estruturas físicas permanentes, localizadas em pontos estratégicos do territórios, visando a proteção ambiental, física e social dos povos indígenas isolados e de recente contato, nas quais as equipes volantes da Funai se revezam tanto para ações de monitoramento quanto para o atendimento das comunidades indígenas.

Atualmente, são 11 FPEs que atuam sob orientação da Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC), vinculada à DPT. É com a ação executada pelas Frentes de Proteção Etnoambiental que a Funai atua para garantir a autodeterminação e autonomia dos povos isolados sem a necessidade de promover contato e sem nenhuma interferência nos seus modos de vida.

A CFPE Madeirinha-Juruena executa a proteção e o monitoramento dos povos indígenas isolados na TI Kawahiva do Rio Pardo, em Mato Grosso; e a CFPE Guaporé, a TI Massaco, em Rondônia.

Foto: CGIIRC/Funai

Terra Indígena Massaco

A Terra Indígena Massaco se encontra demarcada e regularizada pelo Decreto de 11 de dezembro de 1998, com área de 421.895 hectares, localizada nos municípios de Alta Floresta do Oeste 3 e São Francisco do Guaporé, no estado de Rondônia. A ocupação deste território é exclusiva de povo indígena isolado de etnia ainda desconhecida. Aproximadamente 97,5% da área da TI Massaco estão sobrepostas a Reserva Biológica do Guaporé (REBIO Guaporé).

A CFPE Guaporé realiza permanentemente atividades de proteção do território, monitorando acessos à terra indígena para prevenir práticas ilícitas, como extração de madeira e invasões. Também são realizadas ações de conscientização da população vizinha e manutenção das instalações da Base de Proteção Etnoambiental Massaco.

Dentre as atividades de vigilância e monitoramento, a equipe percorre os limites da Terra Indígena e inspeciona áreas vulneráveis, de forma a coibir e mapear invasões de terceiros no território indígena. Também realiza limpeza e restauração das placas de identificação ao longo dos limites para reforçar a proteção territorial.

Entre janeiro e abril de 2024, uma equipe da Base Massaco, formada por oito profissionais especializados na proteção de indígenas isolados e de recente contato, realizou expedições para registrar vestígios e atividades desses grupos. A equipe da Funai percorreu cerca de 65 km em cinco dias para mapear os vestígios deixados pelos isolados e planejar as próximas ações de monitoramento.

Com cerca de 30 anos de atuação com monitoramento de indígenas isolados, o sertanista da Funai Altair Algayer foi quem liderou a expedição. Ele é o coordenador da FPE Guaporé. Segundo ele, foi detectada a presença dos isolados em diversas ocasiões por meio de vestígios, como estrepes (armadilhas pontiagudas) colocados em trilhas e estradas nos limites da TI, além de abrigos temporários, pontos de coleta de mel e outros alimentos e atividades de caça.

Chamou a atenção da equipe a aproximação dos indígenas, cada vez mais frequente, nos extremos dos limites da Terra Indígena, o que os expõe ao contato direto e indireto com não indígenas. Pelo que os agentes observaram, essa aproximação, muitas vezes, é pela necessidade de expandirem sua área de ocupação em busca de recursos para sua sobrevivência que, aparentemente, tem apresentado crescimento demográfico.

E, também, para obterem ferramentas que costumam ser deixadas pela equipe da Funai para facilitar as atividades de caça e coleta de alimentos. “Outro alerta visto com preocupação é a mudança climática, que altera significativamente o ciclo dos recursos naturais, dos quais este povo depende para sobreviver. Garantir a proteção integral dos recursos naturais deste território é fundamental para a sobrevivência deste povo”, destacou Altair Algayer.

Em fevereiro, uma câmera instalada em uma das trilhas capturou imagens de um grupo de nove indígenas, todos do sexo masculino, com idades estimadas entre 20 e 40 anos. Apesar das condições climáticas que comprometeram a nitidez das imagens, o registro foi fundamental para documentar as características físicas, comportamento, postura, dentre outros aspectos.

A captura das imagens foi feita no momento em que os isolados retiravam ferramentas (facões e machados) deixadas pela equipe da Funai em janeiro de 2021. O que também chamou a atenção dos servidores é que o equipamento fotográfico estava visível e, mesmo assim, ficou intacto, significando que os indígenas não se aproximaram dele nem por curiosidade. O que não foi surpresa foram as armadilhas pontiagudas deixadas pelos isolados nas imediações antes de deixarem o local.

O monitoramento do povo isolado da TI Massaco é feito pela Funai há mais de 35 anos. As expedições ocorrem anualmente, as quais resultaram em um levantamento minucioso de diversas informações sobre esta população, por meio da leitura dos vestígios que os isolados deixam.

De acordo com o coordenador da FPE Guaporé, essas informações não só confirmam a presença dos isolados, como também trazem dados da forma como vivem e se desenvolvem, como priorizam seus movimentos – considerando os ciclos climáticos e entre os diferentes biomas da vegetação –, a forma de manejo na ocupação do território, a prática do nomadismo e sua aptidão pela caça e coleta, aspectos da cultura material, dados demográficos, estilo arquitetônico das suas habitações, seus hábitos alimentares, entre outros.

Esses dados coletados reafirmam a necessidade de proteger os isolados e o território onde vivem, reforçando a vigilância contra possíveis invasões e a importância de ações que garantam a sua integridade cultural e física, sempre respeitando a política de não contato.

Com a experiência de quem monitorou por cerca de 20 anos o isolado que ficou conhecido como “índio do buraco” na Terra Indígena Tanaru, Altair Algayer ressalta que é fundamental para o êxito de uma atividade de monitoramento, como essa expedição na TI Massaco, ter uma equipe que disponha de conhecimento sobre o ambiente da floresta e dos seres que a habitam; pessoas com aptidão e de boa condição física para lidar com as dificuldades impostas pelo ambiente da natureza, pois em muitos momentos a atividade é árdua e exaustiva, com limitações de alimentação e até racionamento de água; e pessoas com noções de orientação e capacidade de se movimentar em meio a floresta sem auxílio de um equipamento, utilizando-se do conhecimento da hidrografia e do sol.

“Uma equipe que tenha conhecimento mínimo e básico sobre o comportamento e dos hábitos do povo isolado, que vão auxiliar na leitura dos vestígios deixados, facilitando a identificação e interpretação dos significados, artefatos, habitações e demais sinais deixados pelos isolados. Uma leitura com boa interpretação leva a equipe a tomar a decisão mais coerente durante a atividade, principalmente, no momento certo de recuar e não continuar e/ou quando se deve avançar, sempre pautado pela premissa de não surpreender e evitar que sua presença represente uma ameaça aos indígenas isolados”, orienta o experiente sertanista.

Ele complementa que se deve evitar o contato visual ou direto com os isolados e que a equipe deve estar preparada com equipamentos mínimos e essenciais de orientação/registro de localização e registro de imagens dos vestígios.

Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo

Agentes da Funai em expedição para monitoramento de isolados na Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, em julho de 2024. Foto: CGIIRC/Funai

Com uma área de 411.844 hectares, a Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo localiza-se no município de Colniza, no estado do Mato Grosso. Ela já teve os limites territoriais declarados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a partir dos estudos de identificação e delimitação feitos pela Funai. No momento, o processo de demarcação encontra-se judicializado. Enquanto isso, a autarquia indigenista prossegue com ações de vigilância e proteção dos povos isolados que lá vivem.

Como parte da metodologia da Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato de proteção a esses povos, a CFPE Madeirinha-Juruena realiza periodicamente expedições de monitoramento de forma a acompanhar e compreender a situação do povo indígena isolado ao longo do tempo. Uma dessas expedições ocorreu em julho de 2024 com o objetivo de garantir a segurança do grupo, coletar informações sobre seu modo de vida e reforçar a proteção territorial.

De acordo com o coordenador da FPE Madeirinha-Juruena, Jair Candor, a última expedição ocorreu em 2022. O sertanista da Funai atua no monitoramento de indígenas isolados há 36 anos. “Em 2023, optamos por deixá-los ainda mais à vontade”, afirma o coordenador, referindo-se à política de não contato adotada pelo Estado brasileiro com povos que optam pelo isolamento voluntário.

Segundo Jair Candor, as atividades incluíram o monitoramento das áreas de ocupação dos indígenas isolados, a fim de verificar as boas condições do grupo, mas sem se aproximar demais ou forçar o contato, respeitando a sua autonomia.

Com oito dias de atividades, a equipe confirmou a ocupação dos isolados na região e os deslocamentos que realizaram. “Também encontramos sinais de invasão e uma pressão muito forte no entorno do território, evidenciando que a demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo é mais do que uma urgência”, evidenciou o coordenador da FPE Madeirinha-Juruena sobre a próxima etapa do processo de demarcação da TI e a preocupação com o desmatamento e queimada registrados na divisa com o território indígena.

Essa constatação se deu logo nos dois primeiros dias de expedição, momento em que os agentes localizaram um ponto de acampamento não indígena – possivelmente de garimpeiros ou copaibeiros – para duas pessoas. Segundo os agentes da Funai, o acampamento foi encontrado em uma área onde a equipe havia registrado forte ocupação de isolados em expedições anteriores, reforçando a suspeita de que os indígenas se mudaram para outra área da TI.

Durante a missão, foram encontrados sinais claros de presença indígena, como pegadas, vestígios de coleta de mel e utensílios. A equipe também confirmou a presença de crianças e que o grupo indígena segue em boas condições, com evidências de reprodução e formação de novos núcleos familiares, indicando crescimento demográfico. Também houve registro de tapiris (cabanas) abandonados e a movimentação dos indígenas para áreas mais isoladas do território.

Os agentes da Funai permaneceram em silêncio por alguns minutos até que se retiraram para o acampamento sem serem percebidos. No dia seguinte, ao inspecionarem o local onde ouviram os isolados conversando, os servidores avistaram uma árvore caída no chão e deduziram que as batidas ouvidas no dia anterior se tratavam da retirada de mel daquele tronco.

Mais adiante, enquanto seguiam explorando a área, encontraram pegadas no igarapé, incluindo de crianças. A suspeita é que seja de um bebê que a equipe ouviu chorando durante a expedição anterior realizada em 2022. Em seguida, também encontraram uma cumbuca produzida a partir da capemba (folha) da paxiúba, abandonada às margens do igarapé.

Antes de encerrar a expedição, os agentes da Funai deixaram ferramentas, como machados e facões, em pontos estratégicos e instalaram câmeras com sensores de movimento para monitorar os indígenas sem interferir em sua rotina. Segundo o coordenador da FPE Madeirinha-Juruena, como os isolados que vivem na TI estão em uma área de muita pressão grileira e madeireira, eles já tiveram contato com esse tipo de ferramenta no passado, o que facilita nas suas atividades cotidianas.

Nesse sentido, conforme explicou, com o desgaste das ferramentas que possuem, há o risco de que eles tentem buscar outros utensílios nas fazendas do entorno, como já aconteceu em outros lugares. Essa tentativa, no entanto, os coloca em grave risco, seja por violência em possível contato com os “brancos” ou pelo contágio de doenças. “Sendo assim, colocamos essas ferramentas, de anos em anos, no interior da floresta, a fim de evitar que eles as procurem nas fazendas. Ou seja, é uma atitude preventiva, justamente para evitar um contato indesejado”, afirma Jair Candor.

As câmeras, por outro lado, segundo o coordenador, podem ajudar a recolher informações mais qualificadas sobre o grupo, o que auxilia no monitoramento e na elaboração de políticas públicas de proteção mais adequadas, com o mínimo de invasividade possível, sem fazer o contato ou se aproximar demais.

O experiente sertanista da Funai enfatiza que, apesar de complexo, esse trabalho é necessário para coletar informações a fim de qualificar o monitoramento e garantir a segurança dos indígenas isolados. “A divulgação desse trabalho se constitui como importante ferramenta de fortalecimento da política pública de proteção aos indígenas isolados, para que cada vez mais a sociedade se aproprie da importância de garantir os direitos dessas populações”, destaca Jair Candor.

O coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Madeirinha-Juruena destaca ainda que a experiência e a competência dos integrantes da equipe, formada por profissionais qualificados e comprometidos com a proteção dessa população, foram cruciais para o êxito da expedição. “A nossa unidade de ação, conjugada com a sensibilidade de saber quando avançar e recuar, a fim de não pressionar os indígenas, possibilitou que pudéssemos recolher informações importantes com segurança para a nossa equipe e para os isolados”, enfatizou.

*Com informações da Funai

Forno popular para fabricação de biocarvão visa diminuir impacto ambiental da cadeia produtiva do açaí na Amazônia

Foto: Moisés Mendonça

Iguaria muito valorizada na Amazônia desde antes da chegada dos colonizadores, o açaí tornou-se hoje um alimento planetário, com entusiasmados consumidores dos Estados Unidos até a Ásia. Sua polpa, misturada ao extrato de guaraná, frutas, granola e servida em baixas temperaturas, caiu no gosto dos esportistas, tornando-se item obrigatório no cardápio de quiosques à beira-mar pelo seu sabor adocicado e refrescante.

Porém, é preciso distinguir o açaí que fascina os habitantes da Amazônia (em geral servido com farinha de mandioca ou de tapioca e peixe ou camarão frito) da polpa açucarada, acompanhada de guaraná, que efetivamente globalizou o consumo da fruta e fez sua produção disparar. Dados da Pesquisa Industrial Anual divulgados em 2023 pelo IBGE apontam que, em 2014, o Brasil produzia apenas 6,7 milhões de toneladas de polpa. Em 2021, esse total já havia superado os 100 milhões de toneladas.

O estado do Pará, que tem no açaí sua segunda principal cultura, depois da soja, responde por 90% da produção nacional. Essa liderança gera renda para os produtores, em sua maioria estabelecidos em pequenas e médias propriedades que operam em regime de organização familiar. Por outro lado, a crescente produção vem criando problemas de ordem ambiental, em virtude da quantidade de resíduos gerados, principalmente pelo descarte inadequado do caroço da fruta.

Para produzir a polpa, o açaí deve ser colhido e batido em equipamentos específicos para ser despolpado. O que sobra, além do líquido espesso de cor roxa, são grandes volumes de sementes, que representam a maior parte do volume da fruta, e muitas vezes são descartados em vias públicas ou em lixões, podendo causar o assoreamento e a contaminação de igarapés, riachos e outros corpos d’água.

Chorume escorrendo pela linha d’água. Substância pode contaminar igarapé, que costuma ser fonte de alimentação humana e animal, além de recurso para irrigação e psicultura. Foto: Moisés Mendonça

Durante o projeto de mestrado apresentado no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, câmpus de Jaboticabal, o engenheiro agrônomo Moisés Mendonça desenvolveu um protótipo de forno de baixo custo para transformar o caroço do açaí em biochar. O produto, também conhecido como biocarvão, é obtido a partir da queima de uma biomassa (o caroço) a altas temperaturas e baixa oferta de oxigênio, em um processo chamado pirólise. O biochar não é um produto novo na literatura científica, mas suas aplicações têm sido objeto de diversos estudos nos últimos anos em virtude dos efeitos benéficos que pode promover para o solo.

O mestrado de Mendonça na Unesp foi viabilizado pelo programa Minter/Dinter, da Capes, que apoia a realização de cursos de pós-graduação stricto sensu interinstitucionais para a rede federal de educação profissional e tecnológica. Na hora de escolher um tema para a sua dissertação, o pesquisador procurou algo que se conectasse com a realidade amazônica. Ao pesquisar na literatura científica, conheceu o biochar e associou suas propriedades à problemática dos resíduos sólidos oriundos da produção do açaí.

Melhora para a qualidade do solo

Orientador do projeto de mestrado de Mendonça em Jaboticabal, o engenheiro agrônomo Wanderley de Melo explica que o biochar, por não sofrer uma queima total, como se dá durante a fabricação do carvão convencional, acaba preservando uma série de elementos importantes, como o enxofre, fósforo e outros nutrientes que melhoram a fertilidade do solo.

Atualmente, ele supervisiona outro projeto na área, no qual a produção de biochar ocorre a partir de restos da produção do cacau.

Caroço de açaí secando ao sol para a produção de biochar. Foto: Moisés Mendonça

Outra vantagem da produção do biochar é que a queima parcial pela pirólise também imobiliza moléculas de carbono que, caso ocorresse a queima total, seriam liberadas na atmosfera. Uma vez que o carbono esteja retido no solo, sua liberação se dará por meio do processo natural de decomposição do biochar, que é lento. Esse aprisionamento do carbono no solo contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

Mendonça destaca também como benéfica a capacidade do biochar de reter a umidade do solo. “Isso é importante na Amazônia, onde temos seis meses de chuva e seis meses secos. Além disso, o solo é arenoso, o que reduz sua capacidade de reter a água. O biochar, por ser um material poroso, ajuda a reter essa água nas raízes da planta durante o período mais seco do ano”, diz ele, que além de doutorando é professor no IFPA.

Forno usa material acessível

O projeto que Mendonça desenvolveu em seu mestrado na Unesp envolveu o desenvolvimento de um forno rústico, de estrutura simples e barata, que se baseia no reúso de materiais facilmente encontrados na região. Isso permite que a tecnologia seja apropriada pelos agricultores locais, capacitando-os a produzirem seu próprio biochar. O trabalho também avaliou a aplicação deste biocarvão produzido rusticamente como condicionador de solo para a produção de mudas de pimenta-do-reino, outra cultura de importância econômica da região. A pesquisa foi publicada em setembro no Journal of Environmental Management.

O forno foi construído a partir de um tambor grande de 200 litros. Dentro dele foi colocado um tambor menor, de 100 litros, totalmente carregado com os caroços do açaí. A diferença de volume entre os dois tambores foi preenchida com material combustível, no caso resíduos de podas da própria fazenda-escola do câmpus do IFPA, em Castanhal.

Além da construção do forno rústico, o experimento também analisou os efeitos da aplicação de quatro taxas diferentes (4, 8 16 e 32 g) de biochar à terra, cada uma com quatro granulometrias (3, 5, 7 e 12 mm de diâmetro), além de um grupo de mudas controle que não continha o biocarvão.

Os resultados apontaram que a combinação de 32 g (equivalente a uma aplicação de 32 t/ha) com partículas de 5 mm foi a que apresentou os melhores resultados para o crescimento das raízes das mudas. O trabalho também encontrou efeitos positivos na altura das mudas em aplicações de 16 t/ha com partículas de 5 mm. O uso do biochar mostrou ainda capacidade de aumentar a retenção de água, afetando positivamente a umidade do solo.

A comprovação de que o biochar, mesmo que produzido de forma rústica e acessível, apresenta impactos positivos nas propriedades e fertilidade do solo, estimulou Mendonça a aperfeiçoar o produto durante o doutorado. Seu orientador nesta etapa é o engenheiro agrônomo Romier da Paixão Souza. Souza explica que a apropriação da tecnologia por parte dos produtores locais é sempre um desafio para a aplicação de uma tecnologia social. Professor no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural e Sistemas Agroalimentares do IFPA, ele tem centrado boa parte de sua atuação acadêmica nos últimos anos na educação no campo e no desenvolvimento de tecnologias sociais aplicáveis à agroecologia.

Para enfrentar o primeiro desafio, Souza aposta na educação ambiental junto aos agricultores, suas famílias e no entorno das comunidades. Já a elaboração de equipamentos que sirvam aos agricultores passa, em parte, pelo trabalho que vem sendo realizado no Laboratório de Bioinsumos da Amazônia.

A proposta da estrutura, explica o professor, é abrigar projetos inovadores de tecnologia social, mas também estimular o uso por parte dos produtores da compostagem, vermicompostagem e de biofertilizantes para reduzir o uso da adubação química, em geral mais cara e agressiva ao meio ambiente.

Fumaça gerada pelo início da queima dos resíduos para produção do biochar. Foto: Moisés Mendonça

Outro projeto do laboratório desenvolveu uma colheitadeira manual de mandioca que facilita o arranque do tubérculo do solo, diminuindo consideravelmente o esforço do produtor. “Essas tecnologias são registradas na forma de patentes com conhecimento aberto. A ideia não é gerar uma patente para ganhar dinheiro, mas para que as pessoas possam se apropriar da tecnologia”, diz Souza.

Após uma primeira versão concebida durante o mestrado na Unesp, Mendonça tem trabalhado no aprimoramento do forno junto a um assentamento da cidade de Castanhal, onde produtores locais testam, avaliam e colaboram com sugestões de melhorias no projeto. Entre os incrementos da nova versão, por exemplo, está o controle da temperatura do forno, permitindo que o biochar fique pronto após um período de 6 a 8 horas, enquanto a versão anterior necessitava de 12 horas de queima.

“A proposta é que o forno para a produção de biochar a partir do caroço do açaí reúna aspectos sociais, ambientais e econômicos. Isso porque o produtor poderá deixar de depender da aquisição de fertilizantes químicos para produzir seu próprio adubo orgânico, e possam inclusive comercializar esse material como um produto”, diz Mendonça.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Marcos do Amaral Jorge

Observatório da Amazônia Oriental: ecótono Amazônia-Cerrado é criado no Maranhão

Foto: Reprodução/Ideflor-Bio

A Amazônia Oriental é composta pelos Estados do Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso. A parte oriental da Amazônia abriga 20% do bioma Cerrado e parte do Pantanal mato-grossense. O ‘Observatório da Amazônia Oriental: ecótono Amazônia-Cerrado’ (OAO), criado pela Resolução nº 331/2024 – CONSUN-UEMASUL é um núcleo de pesquisa formado por professores da UEMASUL e instituições parceiras.

Leia também: Portal Amazônia responde: quais Estados fazem parte da Amazônia Oriental e Ocidental?

O núcleo se estabelece como uma referência para compreender a estrutura e o funcionamento dos processos socioambientais e econômicos, além de incentivar a participação popular na melhoria da qualidade da informação na região da Amazônia Oriental, em busca das metas propostas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“O observatório surgiu com a parceria UEMASUL e UNIVALI, buscando agregar pesquisadores em um núcleo de pesquisa sobre as diversas temáticas da Amazônia Oriental e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), na qual o Maranhão está inserido. A UEMASUL, neste sentido, ganha destaque como o centro de pesquisa sobre essa temática. Atualmente, o OAO conta com 35 pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e de diferentes instituições”, explicou a professora Aichely Rodrigues da Silva, uma das coordenadoras.

Compete ao Observatório da Amazônia Oriental:

  • criar e difundir informações de pesquisas realizadas;
  • contribuir para a ampliação do conhecimento sobre os assuntos socioambientais, econômicos e de governança da região;
  • fomentar a integração interinstitucional nas questões relacionadas aos biomas Amazônico e Cerrado;
  • reunir e executar pesquisas, estudos, levantamentos e estimular a publicação de estudos, pesquisas e análises relacionadas às temáticas do Observatório;
  • favorecer a integração contínua das atividades de ensino, pesquisa, inovação e extensão nas universidades parceiras,
  • dentre outras.

O núcleo tem as parcerias da Universidade Vale do Itajaí (UNIVALI); Universidade do Minho (Portugal); Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Centro Universitário do Pará (CESUPA); Reserva Biológica do Gurupi, 50º Batalhão de Infantaria de Selva e do Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz.

São sete grupos de trabalho atuantes formados por professores e estudantes: Conservação e gestão de bacias hidrográficas na Amazônia Oriental, Impactos socioambientais e econômicos na Amazônia Oriental, Mudanças climáticas de desmatamento na Amazônia Oriental, Patrimônio e representações culturais na Amazônia Oriental, Saúde pública na Amazônia Oriental, Uso e ocupação do solo na Amazônia Oriental e Educação e ODS na Amazônia Oriental.

São 17 objetivos que abordam os principais desafios de desenvolvimento enfrentados pelas pessoas em todo o mundo. Além dos objetivos, também são propostas 169 metas que devem ser atingidas no período de 2016 a 2030.

*Com informações da UEMASUL

Laboratório da UEA vence prêmio internacional de melhor imagem em microscopia

Grand Prize SEM Winner: ‘Infectious look; SUBJECT: Details from eyes and front structure of mosquito Aedes aegypti, vector of dengue fever and Zika virus.; CREDIT: Jander Matos, Joaquim Nascimento -, UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS; METHOD/INSTRUMENT: JSM IT500 HR’

O Centro Multiusuário para Análise de Fenômenos Biomédicos da Universidade do Estado do Amazonas (CMABio/UEA) conquistou o prêmio de melhor imagem em microscopia. O concurso realizado, internacionalmente, em 2024 pela empresa Jeol – desenvolvedora de microscópios de super resolução -, premiou a foto na categoria ‘Scanning Electron Microscopes (SEM)‘ – ‘Microscópios Eletrônicos de Varredura (MEV)’ traduzido para o português -, que possibilita mais liberdade na coloração utilizando softwares e técnicas de pós-processamento.

Com o título ‘Infectious Look’ (“Aparência infecciosa”, traduzido para português), a imagem produzida pelo tecnólogo em microscopia e bolsista do Fundo de Reserva Específico de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (FEPD&I) da UEA, Jander Matos, e por Joaquim Nascimento, doutorando em Biologia Evolutiva & Conservação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), apresenta detalhes dos olhos e da estrutura frontal do mosquito Aedes aegypti, espécie que transmite dengue, chikungunya, zika e a febre amarela urbana.

De acordo com Jander, o laboratório possui um acervo de fotos que detalham todos os momentos do ciclo de vida do mosquito. A maioria vem de protocolos otimizados para investigar estágios da larva ainda dentro dos ovos.

Pioneirismo em bioimagem

A conquista demonstra o investimento da universidade em pesquisa científica e ferramentas que possam proporcionar um estudo de melhor qualidade à comunidade acadêmica.

“⁠São passos importantes na visibilidade da UEA como pioneira em bioimagem na região Norte, pois conhecer a biodiversidade é um recurso chave para o desenvolvimento sustentável. Hoje, ela mantém uma estrutura de ponta que impulsiona tanto meu crescimento profissional quanto o crescimento do estado do Amazonas. Graduei na instituição e agradeço por ter proporcionado minha formação como especialista em microscopia e bioimagem. Estou entusiasmado por continuar desenvolvendo a área na região”, finalizou o tecnólogo.

Desde 2019, a universidade coleciona quatro prêmios em competições com fotos do Aedes aegypti, sendo dois deles no concurso da Jeol, um na Sociedade Brasileira de Microscopia e Microanálise (SBMM) e o último no Prêmio de Fotografia – Ciência&Arte, organizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela UEA