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Quem foi Eduardo Ribeiro e qual sua influência para o Amazonas

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Eduardo Ribeiro. Imagem: Divulgação

Uma das Avenidas mais famosas do Centro de Manaus é a Avenida Eduardo Ribeiro. Mas você sabe quem foi Eduardo Ribeiro e porque uma das principais vias da capital amazonense foi batizada com seu nome?

Eduardo Gonçalves Ribeiro foi jornalista e militar. Nasceu no dia 18 de setembro de 1862 em São Luís, no Maranhão. Foi apelidado de ‘Pensador’, em decorrência de sua ativa participação nos movimentos republicanos e por ter editado o jornal maranhense ‘O Pensador’.

Em 1887 chegou a Manaus, no Amazonas, onde serviu como tenente do Exército. Já na República, em 1890, foi convidado por Augusto Ximeno de Villeroy, que em 4 de janeiro tomou posse como governador do Amazonas, para compor a alta administração do estado como chefe de seu gabinete. 

Quando Villeroy deixou o cargo e se transferiu para o Rio de Janeiro, substituiu-o no governo. Eduardo Ribeiro tomou posse no dia 2 de novembro de 1890 e foi afastado do cargo em 4 de abril do ano seguinte. No entanto, retornou 12 dias depois após o apoio e mobilização popular.

Ao encerrar o mandato, foi promovido a capitão de 1ª classe e foi transferido para o Rio de Janeiro, onde também assumiu o posto de professor da Escola de Guerra. Voltou ao Amazonas em 1892 e propês a criação da primeira constituição estadual, com ideais republicanos e positivistas.

Em seu governo, Manaus passou por inúmeras transformações, especialmente porque a capital vivia em um momento financeiro positivo com a exportação da borracha e precisava atrair mão de obra e capital estrangeiro. Esse e outros fatores motivaram Eduardo Ribeiro a modernizar a cidade.

Assim, como governador do estado, ele foi responsável por agilizar e terminar a construção do Teatro Amazonas e muitas das outras obras de urbanização da cidade, entre elas o Reservatório do Mocó e o Palácio da Justiça, por exemplo.

Foram várias obras feitas e vale ressaltar que, no período de seu governo, o estado estava vivendo a Belle Époque, por isso, uma política de embelezamento, saneamento e desenvolvimento, tendo como norte a cidade de Paris (França), transformando Manaus na conhecida “Paris dos Trópicos”.

Ele morreu em Manaus, em circunstâncias não esclarecidas. Foi encontrado em 14 de novembro de 1900, sentado no chão da sua casa, de pijamas, enforcado. Na residência encontravam-se apenas policiais designados para sua tropa particular, afinal, o maranhense era deputado e presidente da Assembleia. O inquérito foi encerrado e a polícia classificou a morte como suicídio, mas acredita-se que o ex-governador possa ter sido envenenado. 

Estudo destaca aprendizados sobre sistemas de concessões florestais entre Brasil, Indonésia e Congo

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Trabalhadores em área de manejo florestal na Amazônia. Foto: Israel Palestina

O boletim “Concessões em Florestas Públicas Tropicais: um olhar para a cooperação baseada nos desafios em comum entre os países da Aliança BIC”, produzido pela iniciativa de Legalidade Florestal sob a coordenação do Imaflora, analisa como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo (RDC) podem trocar experiências e fortalecer as concessões florestais como uma ferramenta de manejo sustentável e geração de renda. 

Com apoio da Good Energies Foundation, o estudo contextualiza os desafios compartilhados por essas nações, que juntas abrigam 540 milhões de hectares de florestas tropicais, mas enfrentam taxas alarmantes de desmatamento. Em 2021, essas bacias florestais perderam 2,3 milhões de hectares de florestas primárias, o equivalente a ¼ do desmatamento de florestas tropicais do planeta entre 2002 e 2022.e a equivale a ¼ do desmatamento de florestas tropicais do planeta entre 2002 e 2022. 

Contexto e objetivos do estudo 

A Aliança das Florestas, firmada em 2022 durante o encontro do G20 em Bali, formalizou a cooperação sul-sul entre Brasil, Indonésia e RDC. O estudo teve como foco as concessões florestais, um modelo que permite que empresas, cooperativas e associações de comunidades locais explorem, de forma sustentável, as florestas públicas por meio do manejo florestal. Essa abordagem promove tanto a conservação quanto a geração de benefícios socioeconômicos. “Nosso objetivo foi identificar desafios e oportunidades para fortalecer os sistemas de concessão, integrando experiências que contribuam para práticas mais inclusivas e eficazes”, explica Marco W. Lentini, um dos autores.

Além disso, a publicação destaca que o fortalecimento de concessões florestais não é apenas uma estratégia ambiental, mas também econômica.  

Metodologia: um olhar multidisciplinar 

O estudo foi desenvolvido com base em uma análise documental abrangente, entrevistas com 17 especialistas do setor florestal e um levantamento bibliográfico detalhado. Essas fontes permitiram traçar um panorama comparativo entre os sistemas de concessões florestais no Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, destacando os desafios compartilhados e as particularidades de cada país. A metodologia adotou uma abordagem multidisciplinar, integrando perspectivas econômicas, sociais e ambientais para avaliar o impacto das concessões nas florestas tropicais e nas comunidades locais. 

Além disso, o boletim incorporou uma análise crítica das políticas públicas e dos instrumentos de gestão florestal vigentes nos países BIC. O objetivo foi identificar lacunas institucionais e propor caminhos para aprimorar a governança, a inclusão comunitária e a eficiência das concessões. “Esse olhar amplo foi essencial para criar recomendações que sejam tanto realistas quanto transformadoras”, explica Luísa Falcão, analista de políticas públicas do Imaflora e coautora do boletim. 

Achados revelam barreiras comuns 

O boletim destaca que, embora as concessões florestais tenham se consolidado como uma das estratégias mais eficazes para promover o manejo sustentável e combater a exploração ilegal, os sistemas vigentes no Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo enfrentam desafios estruturais que limitam seu impacto. Uma das principais conclusões é que esses países compartilham barreiras comuns, como a falta de governança robusta, conflitos fundiários e a ausência de políticas públicas que priorizem a inclusão de comunidades locais. 

No caso do Brasil, apenas 1,3 milhão de hectares estão atualmente sob concessões florestais, muito abaixo da meta do Serviço Florestal Brasileiro, por exemplo, de chegar a 5 milhões de hectares no Brasil para esse modelo de manejo. Desde 2011, a produção total de madeira em tora dessas concessões foi de 2,4 milhões de m³, uma quantidade insuficiente frente à demanda nacional de 10 a 12 milhões de m³ anuais.  

Na Indonésia, 70% das florestas públicas estão sob concessões, mas a maioria é dominada por grandes empresas. “Apesar de avanços no mercado de carbono e na exportação de madeira legalizada para a União Europeia, o país enfrenta uma forte pressão do agronegócio, especialmente do cultivo de palma, que ameaça as áreas manejadas. Conflitos sociais e a falta de reconhecimento de direitos consuetudinários também são barreiras significativas”, conta Liviam Cordeiro-Beduschi. 

A RDC, por sua vez, apresenta um cenário mais crítico. Cerca de 90% da madeira explorada no país circula em mercados informais, sem qualquer tipo de regulamentação ou controle. Grandes companhias estrangeiras dominam as concessões, enquanto comunidades locais raramente são incluídas nas cadeias produtivas formais. “A governança na RDC é um desafio central. Sem mecanismos que garantam a rastreabilidade e a inclusão social, o modelo de concessões florestais enfrenta sérias limitações”, aponta Marco W. Lentini, um dos autores. 

O estudo também revelou que as três nações enfrentam dificuldades em diversificar o uso das florestas além da madeira. Produtos não madeireiros, como óleos, sementes e resinas, têm um grande potencial econômico, mas permanecem subexplorados devido à falta de infraestrutura e apoio técnico. Outro ponto comum é a necessidade de integrar as concessões a mecanismos globais, como o REDD+, para atrair financiamento e incentivar a conservação das florestas. 

Apesar das barreiras, o boletim destaca que há um espaço para melhorias, especialmente por meio da troca de experiências entre os países. A adoção de tecnologias de monitoramento, como satélites e sistemas de rastreabilidade digital, é apontada como uma solução compartilhada que pode fortalecer a transparência e combater a ilegalidade em larga escala. “Se conseguirmos alinhar as lições aprendidas nos três países, criaremos um modelo replicável de concessões florestais tropicais, com benefícios ambientais e sociais duradouros”, conclui Lentini. 

Propostas: uma agenda para a transformação 

As propostas são construídas a partir das melhores práticas observadas nos três países e buscam superar os desafios institucionais, sociais e econômicos que limitam o alcance das concessões. 

Um dos pilares das recomendações é o fortalecimento da governança florestal. O estudo sugere a criação de políticas públicas que integrem as comunidades locais nas cadeias produtivas de forma efetiva, reconhecendo seus direitos territoriais e garantindo acesso aos benefícios gerados pelas concessões. “É essencial que as concessões sejam mais inclusivas, transformando as comunidades em protagonistas da conservação e do manejo sustentável. Isso fortalece a floresta e melhora a qualidade de vida das pessoas que dependem dela”, destaca Maryane Andrade, coautora do boletim. 

A adoção de tecnologias de ponta é outra prioridade. Ferramentas como monitoramento por satélite, sistemas de rastreabilidade digital e drones são apontadas como soluções para aumentar a eficiência na fiscalização e garantir que a madeira comercializada seja de origem legal. No Brasil, por exemplo, plataformas como a Timberflow já demonstraram impacto positivo na rastreabilidade, mas ainda precisam ser ampliadas e integradas em escala nacional. 

O boletim também propõe ampliar a escala das concessões florestais, especialmente em áreas públicas subutilizadas. No Brasil, isso significa acelerar a liberação de editais para concessões de cerca de 5 milhões de hectares e criar modelos de concessão não onerosa que favoreçam comunidades locais. Na Indonésia e na RDC, é essencial que os governos priorizem a regularização fundiária e promovam mecanismos que evitem a concentração de terras em grandes empresas. 

Outro eixo importante é o financiamento de iniciativas sustentáveis, incluindo a integração das concessões florestais a mecanismos globais de pagamento por serviços ambientais, como o REDD+. Esse tipo de programa pode atrair investimentos internacionais, incentivando práticas de conservação e manejo responsável. “O futuro das concessões depende de sua capacidade de se conectar a mercados globais que valorizam a sustentabilidade e recompensam a conservação”, afirma Marco Lentini, autor do estudo. 

A diversificação de produtos florestais também é uma recomendação central. Além da madeira, produtos não madeireiros, como resinas, sementes e óleos essenciais, têm potencial para ampliar a geração de renda e reduzir a dependência econômica do setor madeireiro. Para isso, é necessário investir em infraestrutura, capacitação técnica e fomento ao empreendedorismo comunitário. 

Por fim, o boletim destaca a necessidade de fomentar a cooperação internacional. A troca de experiências entre Brasil, Indonésia e RDC pode acelerar a implementação de boas práticas, além de fortalecer o diálogo político em fóruns globais. “Esses países compartilham desafios semelhantes e têm muito a aprender uns com os outros. O alinhamento estratégico é uma oportunidade para criar um modelo global de concessões florestais tropicais”, conclui Lentini. 

De acordo com os autores, as recomendações apontam um caminho para transformar as concessões florestais em uma ferramenta efetiva de conservação e desenvolvimento sustentável, capaz de promover benefícios duradouros para as florestas e para as populações que delas dependem. 

*Com informações da Imaflora

Audiência pública em Santarém debate concessão florestal na região Mamuru-Arapiuns

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Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) anunciou a realização da audiência pública no município de Santarém, no oeste paraense, para debater o pré-edital de licitação pública que visa a concessão florestal na região do Mamuru-Arapiuns. O evento acontecerá no próximo dia 22 de janeiro, das 8h30 às 12h, no Auditório da Secretaria Regional de Governo do Baixo Amazonas.

A concessão florestal integra uma das principais estratégias do Governo do Pará para o manejo sustentável e a conservação ambiental, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 11.284/2006 e pela Lei Estadual nº 6.963/2007. O objetivo é garantir a exploração racional dos recursos florestais, promovendo desenvolvimento econômico e preservação ambiental na Região de Integração do Tapajós e Baixo Amazonas.

De acordo com o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, a audiência pública será uma oportunidade essencial para assegurar a transparência e a participação popular no processo.

Detalhes

Durante o evento, serão apresentados detalhes do pré-edital, incluindo as Unidades de Manejo Florestal (UMFs), critérios técnicos de avaliação, indicadores de sustentabilidade e as espécies que poderão ser exploradas.

“Nosso foco é garantir que esse processo seja conduzido de forma técnica e responsável, respeitando a biodiversidade e promovendo o desenvolvimento local”, destacou a diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Claudia Simoneti.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

A audiência pública atende aos preceitos legais previstos no artigo 21 da Lei Federal nº 14.133/2021 e no artigo 8º da Lei Federal nº 11.284/2006, que determinam a realização de consultas públicas em processos de concessão florestal. O objetivo é fomentar o debate sobre os aspectos técnicos, sociais e ambientais do projeto, garantindo a ampla divulgação das informações e a participação de diferentes segmentos da sociedade.

Consulta

O pré-edital e seus anexos estão disponíveis no site oficial do Ideflor-Bio, permitindo que interessados tenham acesso prévio ao conteúdo e apresentem sugestões ou questionamentos durante o evento. A expectativa é que a audiência reúna representantes de comunidades locais, organizações ambientais, empresas do setor florestal e gestores públicos.

A concessão na região do Mamuru-Arapiuns reflete o compromisso do governo estadual com a implementação de políticas públicas voltadas para o uso sustentável da floresta, em uma área estratégica para a preservação da Amazônia. O modelo de concessão é visto como uma alternativa para combater o desmatamento ilegal, promovendo uma gestão equilibrada dos recursos naturais.

“Nosso compromisso é com a construção de soluções que atendam às necessidades econômicas e sociais das comunidades, sem comprometer a integridade ambiental. A audiência pública é o espaço para ouvirmos todos os envolvidos e ajustarmos o projeto às expectativas da sociedade”, ressaltou Nilson Pinto.

*Com informações do Ideflor-Bio

Fórum Estadual de Turismo é reativado no Amazonas para impulsionar o setor

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Foto: Lucas Silva/Amazonastur

O Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), anuncia a retomada  do Fórum Estadual de Turismo do Amazonas (Forestur), que tem como objetivo fortalecer políticas públicas e promover o desenvolvimento sustentável do turismo.

A reativação foi oficializada pelo Decreto nº 50.824, de 5 de dezembro de 2024, assinado pelo governador Wilson Lima. Sob coordenação da Amazonastur, o Fórum retorna como um espaço estratégico para contribuir com a Política de Desenvolvimento Turístico do Estado, além de apoiar o planejamento e a execução de ações que integrem os princípios ambientais, sociais e econômicos. 

A diretora de Turismo da Amazonastur, Emmanuelle Pampolha, destacou que a reativação é uma conquista para o turismo amazonense, promovendo um diálogo construtivo para a implementação de um plano de ação integrado.

O presidente do Amazonas Cluster de Turismo (ACT), Kleber Bechara, enfatizou a importância do Forestur como um espaço estratégico para fortalecer o turismo em todo o estado e promover o diálogo entre os diferentes agentes do setor.

“A reativação do Florestur é um marco para o turismo do Amazonas. Este fórum é fundamental para promover debates construtivos e definir ações práticas que beneficiem tanto o trade turístico quanto as comunidades locais. Esperamos que este espaço seja utilizado para validar propostas estratégicas e fortalecer o papel do turismo como uma matriz econômica sustentável no estado,” afirmou Bechara.

Foto: Marcio James/Secom AM

Com 31 instituições participantes, o Fórum terá reuniões ordinárias trimestrais, com uma reunião extraordinária adicional já marcada para fevereiro, tendo como pauta principal o remapeamento das regiões turísticas do Amazonas para atualização do Mapa do Turismo Brasileiro, programa instituído pelo Ministério do Turismo (Mtur).

Criado em 2004, o FET tinha como objetivo principal impulsionar a gestão integrada, cooperativa, compartilhada, democrática e descentralizada da Política Estadual de Turismo. Paralisado desde 2017, o Fórum passou por uma reestruturação com o decreto e agora conta com 31 instituições, tanto do setor público quanto privado, além da sociedade civil.

*Com informações da Agência Amazonas

Defensivos alternativos: uma maneira de afastar pragas sem agredir o meio ambiente

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Foto: Divulgação/Ideflor-Bio

Calda bordaleza, calda de fumo, plantas repelentes. Esses são alguns tipos de defensivos alternativos ou naturais que podem ser usados em plantações, sem causar danos ao meio ambiente. O uso desses produtos foi reforçado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), no dia 11 de janeiro, data em que é celebrado o Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos. 

Os agrotóxicos são utilizados em áreas de cultivo para combater pragas, fungos e outros tipos de agentes que destroem ou diminuem a produtividade da lavoura. Eles são divididos em cinco categorias, cada produto tem uma função específica. O manejo irregular desses produtos pode causar danos ao meio ambiente. 

Segundo a engenheira agrônoma e diretora de Desenvolvimento da Cadeia Florestal do Ideflor-Bio em exercício, Laura Dias, esses pesticidas deixam resíduos nas plantações e nos frutos.

Náuseas, diarréias, tontura e dificuldade de respirar são alguns dos efeitos dos agroquímicos no organismo. O acúmulo desses agentes químicos no corpo também pode causar leucemia, câncer de pele, alterações neurológicas e até mesmo levar à morte.

Alternativas

Por outro lado, os defensivos naturais são produtos que trazem benefícios para o produtor rural e consumidor. “Essa estratégia traz muitos benefícios porque não vai haver contaminação do solo e da água. Além disso, vai preservar a fauna e os mananciais”, complementou Laura Dias.

O engenheiro agrônomo e gerente do Escritório Regional do Xingu do Ideflor-Bio, Israel de Oliveira, comentou que esses agentes podem ser utilizados também para afastar insetos que afetam as lavouras, assim como fungos. “O óleo de nim, que é um extrato de azadiractina, é um óleo inseticida. Você vai aplicar e não vai ter um efeito colateral para o meio ambiente. Nós podemos usar o trichodermil, que é um controle biológico de fungo”, frisou. Ele ressalta, ainda, que é preciso ter atenção ao receituário de uso de cada defensivo natural, para manter a quantidade e a eficiência da ação desses produtos.

*Com informações do Ideflor-Bio

Técnicas de irrigação na agricultura garantem renda em tempos de climas extremos no Amazonas

Foto: Divulgação/Empaer

A irrigação é um sistema que ajuda no fornecimento de água às plantas de forma controlada e eficiente, garantindo a sobrevivência da plantação e aumentando a produtividade. No Amazonas, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com o Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), ofertou para dezenas de agricultores do município de Rio Preto da Eva cursos sobre novas técnicas de irrigação.

Segundo a EMBRAPA, os quatro métodos de irrigação básica mais usadas são de superfície, aspersão, localizada e subirrigação. Para cada método, há dois ou mais sistemas de irrigação que podem ser empregados. Técnicas que ajudam o homem do campo a enfrentar adversidades climáticas como as encaradas na Amazônia.

O presidente do Senar Amazonas, Muni Lourenço, fala da importância de ofertar cursos como esses a produtores de municípios produtores do interior do estado, que lhes dão assistência no período mais pesado do verão, ou até mesmo em tempos chuvosos. 

“As mudanças climáticas e um verão intenso trazem impactos para a produção e consequentemente para a renda dos produtores rurais amazonenses. Nesse sentido o Senar, em parceria com o Sebrae, disponibiliza e amplia o conhecimento desses produtores ao domínio dessa tecnologia, que garante maior eficiência produtiva, sustentabilidade e garantia de renda”, informa.

A equipe de engenheiros agrônomos e instrutores credenciados do Senar Amazonas relata de que forma as técnicas ensinadas no curso em Rio Preto da Eva impactam na produção da região:

O suprimento adequado de água, ainda segundo a equipe, reflete em melhor qualidade dos frutos, maior produtividade, menor estresse das plantas nos períodos mais quentes do ano, além de otimizar o uso de fertilizantes.

O produtor pode optar pelo sistema que mais atende à sua demanda, de acordo com a espécie cultivada na propriedade, garantindo a produção com qualidade e viabilidade durante todo o ano agrícola.

Para os técnicos, a escolha entre as principais diferenças na aplicação de técnicas de irrigação para tempos extremos de calor, pode ocasionar impactos na produção.

Mudanças Climáticas 

“A melhor forma do agricultor evitar prejuízos causados pelos períodos de estiagem é investir em um sistema de irrigação adequado, que atenda às necessidades hídricas da sua lavoura. Por isso, eventos como o Dia de Campo, realizado pelo Senar Amazonas, são importantes para que o produtor possa conhecer na prática os sistemas disponíveis no mercado regional, assim como sua aplicabilidade em campo, para que, junto ao técnico, possam definir o tipo de irrigação mais adequado e economicamente viável para sua realidade”, esclareceu a equipe. 

Reprodução: You Tube/Amazon Sat.

ZFM/Fundos constitucionais: desafios além da reforma tributária

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Foto: Divulgação/Suframa

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Enquanto o Brasil enfrenta procelosa fase de transição política e econômica, urge repensar a Zona Franca de Manaus (ZFM), particularmente no que se refere à correção de distorções estruturais e ajustes em sua dinâmica operacional. A hipótese é a diversificação do PIM via incorporação de matrizes econômicas derivadas da exploração sustentável dos recursos da economia verde para produção de alimentos (grãos, hortifrutis, carnes e peixes), minérios e manejo florestal, bioeconomia e ecoturismo. Salvo algumas empresas intensivas em tecnologia de ponta, o Pólo, decorridos mais de meio século, e em face a limitações infraestruturais, oferece condições insuficientes para atração de novas cadeias produtivas padrão indústria 4.0. Avaliando o arcabouço institucional, a história revela que, em suas origens, a SUDAM operava como órgão catalisador da expansão econômica e social da Amazônia; enquanto a SUFRAMA cumpria funções estratégicas na promoção do crescimento industrial, tecnológico e de logística mercadológica da Amazônia Ocidental. Hoje estes órgãos tornaram-se praticamente figuras decorativas, desprovidos de funções de coordenação do desenvolvimento regional.

Por extremamente impactante sobre a ZFM, há que se considerar, adicionalmente, que a Reforma Tributária, aprovada em dezembro último, cria o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais (FCBF), objetivando suprimir a guerra fiscal no âmbito da CBS e IBS e evitar perdas na capacidade de investimento dos estados que sofrerão prejuízos com a cobrança dos impostos no destino (local de consumo). Também institui o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), que receberá aportes da União a serem distribuídos aos estados para investimentos em infraestrutura, em atividades geradoras de emprego e renda; no ensino e pesquisas com foco no desenvolvimento científico, tecnológico e inovação. Os entes terão autonomia no gasto, mas deverão priorizar projetos com ações de preservação do meio ambiente.

Os recursos alocados na composição dos fundos serão aplicados de maneira gradativa, iniciando com R$ 8 bilhões em 2029 e crescendo à razão de R$ 2 bilhões por ano, podendo chegar a R$ 60 bilhões em 2043. Os critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE), criado para equalizar a capacidade fiscal das unidades federativas, serão usados para distribuir 70% dos recursos do fundo; o restante terá por base o número de habitantes. Além desses fundos, a emenda prevê a criação do Fundo de Sustentabilidade e Diversificação Econômica do Amazonas, também com aportes federais, tendo por objetivo fomentar a diversificação de atividades econômicas no estado. Para os demais estados da Amazônia Ocidental e o Amapá, outro fundo de desenvolvimento sustentável deverá ser criado nos mesmos moldes.

Fundamental, nesse curso, investir de imediato em programas e projetos voltados a promover avanços no campo da alta tecnologia, mirando obter fatias compensadoras dos recursos disponibilizados. Dentre outros benefícios, viabilizar acesso ao mercado externo com produtos da bioeconomia amazônica. Entendo como prioridades nesse contexto: investimentos em P&D, Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), modernização da assistência técnica e extensão rural, Manejo Florestal Sustentável, modernização da logística de transporte terrestre e fluvial. Todo o conjunto voltado à promoção da efetiva interiorização dos benefícios fiscais e integração das instituições de base – Sudam, Suframa, centros de pesquisa, universidades -, hoje distanciadas umas das outras, sem conectividade e desprovidas de recursos financeiros e humanos adequados em níveis quantitativos e qualitativos.

A Sefaz, isoladamente, não reúne condições técnicas para assumir esta complexa agenda. O governo do Estado precisa se conscientizar da necessidade de dotar a SEDECTI dos meios essenciais destinados a cumprir eficazmente a função de planejamento, coordenação e promoção de C&T. Sem projetos, sem recursos. Nesta hipótese o Amazonas, inexoravelmente, perderá posições na distribuição dos fundos. É pagar pra ver.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Belém do Pará: a capital amazônica que receberá a COP30

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Belém é uma “porta de entrada” para a Amazônia, onde tradição, fé e sabores únicos se unem em um cenário de rios e natureza exuberante. Foto: Raphael Luz/Agência Pará

Belém é uma das cidades mais emblemáticas do Brasil, não apenas por sua história e localização estratégica, mas também pelo papel importante na cultura, economia e turismo da Região Norte do país. Fundada há mais de 400 anos, em 12 de janeiro de 1616, a capital paraense possui uma rica herança histórica, que reflete as origens como cidade portuária e seu desenvolvimento ao longo dos séculos, sendo atualmente uma das maiores cidades da Amazônia e “porta de entrada” para a região. Em novembro de 2025, a capital do estado do Pará vai sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), um evento de relevância global, presidido pelo Brasil, que coloca a cidade e o país em destaque no cenário internacional.

Com uma população de 1,3 milhão de habitantes, Belém se apresenta como um polo regional, com um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de R$ 20.562 bilhões, demonstrando uma economia diversificada e em crescimento. O município tem grande importância econômica para o estado e para a Região Norte, atuando como um centro comercial e logístico vital para o escoamento da produção da Amazônia para o resto do Brasil e o exterior. A localização geográfica da cidade, à beira do Rio Amazonas, faz de Belém um ponto estratégico para o comércio de produtos como açaí, guaraná, castanha-do-pará, cacau e peixe, além de ser um importante centro de indústria e serviços.

O açaí, em especial, é um dos grandes símbolos da economia local. Este fruto roxo, extraído de uma palmeira típica da Amazônia, é consumido de diversas formas no Brasil e exportado para outras partes do mundo. Na feira do Ver-o-Peso, uma das maiores da América Latina, o açaí é um dos produtos mais procurados, além de uma infinidade de iguarias típicas da culinária paraense, como o pato no tucupi, a maniçoba e o tacacá. A feira, com quase 400 anos de história, é um exemplo da vitalidade da gastronomia local e da importância cultural de Belém.

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O tacacá é um caldo típico da Amazônia, feito com tucupi, jambu, camarão e goma de tapioca. Foto: Bruna Brandão/MTUR

A cidade também se destaca por sua rica diversidade cultural. Com forte influência de comunidades indígenas, negras, da colonização portuguesa e dos imigrantes, Belém oferece uma experiência única de imersão nas tradições e costumes da Amazônia. O Círio de Nazaré, maior festa religiosa do Brasil, é uma das manifestações culturais mais significativas da cidade. Todos os anos, milhares de fiéis se reúnem para celebrar Nossa Senhora de Nazaré, a Rainha da Amazônia, em uma das maiores procissões do mundo, por terra e por água. Esta festividade, que ocorre no segundo domingo de outubro, atrai turistas de todo o país e é um dos momentos mais importantes para a população local.

Romaria fluvial do Círio de Nazaré. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Além da gastronomia e das festas religiosas, Belém é um importante centro turístico, com uma grande oferta de atrativos históricos e naturais. O bairro da Cidade Velha, onde a cidade nasceu, guarda construções coloniais, como o Forte do Presépio e a Catedral da Sé, que oferecem uma verdadeira viagem no tempo. No mesmo bairro, o governo brasileiro e a prefeitura da cidade entregaram recentemente a revitalização do Mercado de São Brás, marcando a primeira obra de infraestrutura realizada em preparação para a COP30. Com um investimento de R$150 milhões, a renovação do espaço não só moderniza o mercado, mas também simboliza um legado de infraestrutura e desenvolvimento sustentável para a população local.

Revitalização do Mercado São Brás é legado de infraestrutura para Belém, cidade sede da COP30. Foto: Amarilis Mariza

A cidade também é cercada por ilhas, como a Ilha do Marajó, famosa por suas praias e a peculiar fauna, e a Ilha do Combu. As praias do Rio Tapajós, próximas a Belém, também são muito procuradas por turistas que buscam relaxar em suas águas tranquilas e quentes.

A natureza exuberante da Amazônia se reflete ainda nas áreas verdes de Belém, como o Parque Ambiental do Utinga, que é um refúgio para quem deseja conhecer a fauna e flora da região. O clima equatorial úmido da cidade, com altas temperaturas durante todo o ano, é uma característica marcante, mas é justamente essa atmosfera tropical que atrai visitantes de todo o mundo em busca de experiências autênticas na maior floresta tropical do planeta.

No campo da infraestrutura, o Aeroporto Internacional de Belém é um ponto chave para o turismo e para o desenvolvimento econômico da cidade. Com um fluxo de 3 milhões de pessoas por ano, o aeroporto conecta Belém a destinos nacionais e internacionais, facilitando a chegada de turistas e investidores que têm na cidade uma porta de entrada para o restante da Amazônia e suas inúmeras oportunidades econômicas e naturais.

Além de sua relevância econômica e cultural, Belém tem se tornado cada vez mais um destino turístico promissor. A cidade, que atrai olhares por sua beleza histórica e natural, ganhou ainda mais destaque no cenário global com a confirmação de sua sede para a COP30. O evento trará um olhar global sobre as soluções para os desafios do clima. A realização da conferência será uma oportunidade para o Brasil se posicionar como um centro de discussões sobre o enfrentamento às mudanças climáticas.

Mercado Ver-o-Peso é uma tradicional feira ao ar livre com produtos regionais. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Belém do Pará é uma cidade que se destaca por sua história, cultura, economia e sua imersão na Amazônia. Com uma população vibrante e acolhedora, a cidade oferece aos seus habitantes e visitantes um ambiente único de convivência entre tradição e modernidade. A expectativa para a COP30 é o reflexo do potencial da cidade para se tornar um centro de referência internacional, quando se fala em ações para conter a mudança do clima.

*Com informações do Planalto

El Niño agrava impacto da seca em águas subterrâneas na Amazônia e eleva risco de incêndio, constata estudo

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Foto: Reprodução/Agência Brasil

O risco de incêndio na Amazônia é maior em regiões onde o armazenamento de água subterrânea está comprometido, principalmente se o El Niño estiver agravando a seca. Usando imagens de satélite e dados de queimadas, pesquisadores conseguiram demonstrar a relação entre o fenômeno climático e a propensão ao fogo, criando uma ferramenta que poderá, no futuro, auxiliar em ações preventivas.

Leia também: Portal Amazônia responde: como El Niño e La Niña afetam a região amazônica?

Os resultados do estudo, com base em informações de 2004 a 2016, revelam uma diminuição nas condições de umidade em três níveis – do solo superficial (sfsm), da zona das raízes das árvores (rtzsm) e das águas subterrâneas (gws), sendo este último o que apresenta maior severidade de aridez. São esses “reservatórios” que demoram mais para se recuperar quando afetados por secas consecutivas e extremas decorrentes do El Niño, um dos fenômenos climáticos de maior impacto na Terra.

Nas últimas décadas, incêndios florestais provocados pelo homem (antropogênicos) alteraram significativamente a dinâmica da vegetação na região amazônica. Essas atividades humanas são consideradas “ignições” para o fogo na floresta tropical, sendo que a escalada das queimadas está ligada às condições climáticas.

A ilustração mostra o impacto do El Niño nos níveis de água subterrânea do solo superficial (sfsm), da zona das raízes das árvores (rtzsm) e das águas subterrâneas (gws), e a relação com o risco de incêndio. Imagem: Bruno Conicelli

Somente em 2024, o total de focos de incêndio registrado de janeiro a 20 de novembro na Amazônia é o maior desde 2010 – foram 132.211 em pouco menos de 11 meses, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com uma metodologia diferente da usada pelo Inpe, o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alerta que já foram queimados cerca de 128 mil km2 do bioma neste ano, o que corresponde ao território da Inglaterra.

“Resolvemos investigar o impacto da seca meteorológica e hidrológica dos incêndios na Amazônia com atenção no papel das águas subterrâneas e eventos do El Niño dentro do projeto Sacre, que tem foco maior em áreas urbanas, mas também olha para zonas rurais e florestas. E conseguimos demonstrar a relação”, comemora o professor Bruno Conicelli, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), autor correspondente da pesquisa.

Publicado na revista Science of the Total Environment, o artigo tem como coautor o pesquisador Ricardo Hirata, coordenador do “Sacre: Soluções Integradas de Água para Cidades Resilientes”. Um dos maiores projetos de pesquisa aplicada em recursos hídricos no Brasil, o Sacre tem como tema central as águas subterrâneas e o objetivo de reduzir a vulnerabilidade de cidades e do campo em crises associadas às mudanças climáticas globais. Recebe apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático.

Base de dados

Para a caracterização da seca hidrológica, os pesquisadores utilizaram informações de satélite da missão GRACE, sigla em inglês para Gravity Recovery and Climate Experiment, que permite detectar o armazenamento de água terrestre integrando umidade do solo, água superficial e a subterrânea.

Cruzaram com dados sobre a gravidade da seca em cada local analisado. Com isso, conseguiram identificar áreas com menor concentração de umidade no nordeste da bacia amazônica, além de uma diminuição da umidade em direção ao leste.

As maiores áreas queimadas coincidiram com regiões que enfrentaram seca durante eventos extremos do El Niño, com um aumento entre 2015 e 2016. À época, o fenômeno foi considerado um dos três mais intensos já registrados (juntamente com 1982/83 e 1997/98). O de 2023/2024 está entre os cinco mais fortes, segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês).

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal da superfície do oceano Pacífico devido à diminuição da intensidade dos ventos alísios. Os padrões da circulação atmosférica sobre o Pacífico são alterados, com mudança também na distribuição de umidade e das temperaturas em várias partes do planeta. Relatórios internacionais apontam que haverá um crescimento na frequência e intensidade desse evento nas próximas décadas.

Quando a pesquisa começou, ela era aluna de graduação da Universidad Regional Amazônica Ikiam, no Equador, onde Conicelli foi professor durante quatro anos.

Em agosto, um grupo internacional publicou o primeiro relatório State of Wildfires, mostrando que os incêndios na Amazônia Ocidental – que inclui Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia – entre março de 2023 e fevereiro de 2024 foram impulsionados por secas prolongadas ligadas ao El Niño. Aliadas às condições meteorológicas, as secas explicaram 68% desses incêndios, seguida da influência de ações antrópicas, como desmatamento, agricultura e fragmentação de paisagens naturais.

Sistema de alerta

Com base no resultado do trabalho, o grupo desenvolve um índice de risco de incêndios adaptado à região amazônica, incluindo tanto indicadores meteorológicos (ligados às chuvas) quanto hidrológicos (água no solo, rios, aquíferos e outras reservas). O modelo pode ser aplicado em outros ecossistemas.

Ao demonstrar a interconexão entre as condições meteorológicas e hidrológicas e o agravamento dos incêndios florestais, os resultados podem contribuir com estratégias destinadas a mitigar o risco de queimadas e ações de prevenção. “Estudos como esses são importantes também para a conscientização do quanto a floresta fica vulnerável com eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e intensos”, completa o pesquisador.

Segundo Conicelli, a expectativa é no futuro acrescentar dados coletados em campo para que o sistema sirva como um alerta quando as águas subterrâneas ficarem em níveis baixos.

O artigo ‘Dynamics of meteorological and hydrological drought: The impact of groundwater and El Niño events on forest fires in the Amazon‘ pode ser lido em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0048969724067688.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino

Temperatura global aumenta 1,6°C e segue subindo: “É como tentar parar um caminhão em alta velocidade”

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas (C3S) acaba de divulgar relatório em que confirma que 2024 foi o ano mais quente já registrado mundialmente e o primeiro em que a temperatura média global ultrapassou a marca de 1,5 grau Celsius (°C) acima dos níveis pré-industrialização (1850 e 1900). O número era o limite de elevação determinado no Acordo de Paris para evitar desastres climáticos mais graves.

Aproximadamente 44 % da superfície do planeta foi afetada por estresse térmico forte e extremo, a temperatura da superfície do mar chegou a 20,87°C, valor acima da média dos últimos 30 anos, além da quantidade de vapor de água na atmosfera ter subido 5%.

De acordo com o documento, as mudanças induzidas pelo homem continuam a ser a principal causa das alterações climáticas, ao lado de outros fatores, como o El Niño Oscilação Sul (Enos), que contribuíram para as temperaturas incomuns observadas durante o ano, resultando no agravamento de incêndios florestais e inundações de grande porte.

“Esse relatório é muito preocupante, porque ele confirma o que já vinha acontecendo desde 2023, quando a temperatura sofreu um grande aumento; os cientistas previam aumento de 1,3°C por causa do Enos, o terceiro El Niño mais forte do registro histórico, que foi de meados de 2023 até abril de 2024, mas já em 2023 ele chegou perto de 1,5°C”, comenta para o Jornal da USP o climatologista Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP e secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O C3S é coordenado pela Comissão Europeia e pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), cujos cientistas têm monitorado os principais indicadores climáticos e reunido dados de temperatura diários, mensais e anuais sem precedentes ao longo do ano passado. De acordo com o relatório, 2024 foi o ano mais quente nos registros de temperatura global desde 1850. O conjunto de dados de reanálise global ERA5 do C35 indica que a temperatura média global foi de 15,10°C, 0,72°C acima da média entre 1991 e 2020, e 0,12°C acima de 2023, o ano mais quente registrado anteriormente ano registrado, o que equivale a 1,6°C acima da estimativa da temperatura de 1850 a 1900, designada como o nível pré-industrial.

O documento relata que os últimos dez anos, entre 2015 e 2024, foram os mais quentes já registrados. A temperatura média global mensal excedeu 1,5°C acima dos níveis pré-industriais em todos os meses desde julho de 2023, exceto em julho do ano passado. O ano de 2024 foi o mais quente para todas as regiões continentais, exceto a Antártida e a Australásia, bem como para partes consideráveis do oceano, particularmente o Oceano Atlântico Norte, o Oceano Índico e o Oceano Pacífico ocidental. Foram registradas três estações quentes recordes para a época correspondente do ano: inverno boreal (dezembro de 2023 a fevereiro de 2024), primavera boreal (março a maio) e verão boreal (junho a agosto) com 0,78°C, 0,68°C e 0,69 °C, respectivamente, acima da média de 1991 a 2020, e um novo recorde de temperatura média global diária foi alcançado em 22 de julho, com 17,16°C.

“A resposta às mudanças climáticas deve basear-se em evidências. O futuro está nas nossas mãos, uma ação rápida e decisiva ainda pode alterar a trajetória do nosso clima”, afirma Carlo Buontempo, diretor do C3S.

Estresse térmico

Em 2024, a temperatura média anual da superfície do mar (TSM) sobre o oceano, excluindo os polos, atingiu um nível recorde de 20,87°C, que está 0,51°C acima da média de 1991 a 2020. A quantidade total de vapor de água na atmosfera atingiu um valor recorde em 2024, cerca de 5% acima da média de 1991-2020, de acordo com a ERA5, mais de 1% superior ao de 2016 e 2023, os anos que registraram os valores mais altos no período, respectivamente. Os dados da temperatura do ar à superfície, da temperatura da superfície do mar e dos dados de vapor de água total da coluna são provenientes do ERA5 do ECMWF Copernicus Climate Change Service, que combina observações locais e baseadas em satélite com modelos numéricos de previsão meteorológica de última geração. Os dados do gelo marinho provêm de uma combinação de informações do ERA5 e do EUMETSAT OSI SAF Sea Ice Index v2.2., índice elaborado pela Organização Europeia para Exploração de Satélites Meteorológicos (EUMETSAT).

Temperaturas extremas e alta umidade contribuem para níveis aumentados de estresse térmico, prejudicando as condições de vida de pessoas, animais e plantas. Grande parte do Hemisfério Norte viveu mais dias do que a média com pelo menos “estresse térmico forte” durante 2024, e algumas áreas tiveram mais dias do que a média com “estresse térmico extremo”. Em 10 de julho de 2024, a área do globo afetada atingiu um novo recorde máximo anual, quando cerca de 44 % da superfície do planeta foi afetada por estresse térmico forte e extremo, 5% a mais do globo em comparação com o máximo médio anual. Os dados de estresse térmico baseiam-se no Índice Climático Térmico Universal (UTCI) do conjunto de dados ERA5-HEAT. “Estas altas temperaturas globais, juntamente com os níveis recordes globais de vapor de água na atmosfera em 2024, significaram ondas de calor sem precedentes e chuvas intensas, causando miséria a milhões de pessoas”, alerta Samantha Burgess, líder estratégica para o Clima da ECMWF.

Carlos Nobre observa que houve um grande aumento da temperatura dos oceanos, principalmente do Atlântico Norte e do Equador, mas também boa parte do Tropical ao Sul, além do Pacífico Ocidental e do Oceano Índico baterem recordes, assim como a maioria dos continentes. “Isso levou nos últimos dois anos a um aumento global de 5% da umidade do ar em relação à média registrada entre 1991 e 2020; quando o oceano fica mais quente ele evapora, entretanto o aumento da evaporação tem sido exponencial, com mais água na atmosfera você gera chuvas mais intensas, secas prolongadas, ondas de calor, toda uma condição que também gera incêndios florestais em número recorde”, ressalta.

“Em Los Angeles, nos Estados Unidos, por exemplo, os ventos chegaram a 160 quilômetros por hora, expandindo rapidamente o fogo, com o tempo seco, a vegetação estava inflamável, não se sabe a causa, descargas elétricas ou um fogo de origem humana.”

A professora Luciana Rizzo, do Instituto de Física (IF), explica ao Jornal da USP que os eventos climáticos extremos, que temos presenciado inclusive no Brasil, são causados pela combinação entre o aquecimento global e a variabilidade climática natural.

“Por exemplo, quando o El Niño, que faz parte da variação natural do clima, soma-se a um planeta mais quente, com mais vapor d’água na atmosfera, resulta em eventos climáticos mais intensos, como os que presenciamos no Brasil em 2024, entre eles a seca histórica na Amazônia, com grandes rios atingindo níveis baixos recordes, e o desastre que ocorreu no Rio Grande do Sul em abril e maio”, afirma.

“O interessante é que quando observamos esse aumento da temperatura as consequências não são lineares. Na Amazônia, tivemos em 2022 e 2023 as maiores cheias, e em 2024 a maior seca; temos secas lá no Pantanal, o Pantanal que a gente conhecia, das inundações, esse ano não aconteceu, então as consequências se acumulam”, diz.

Reduzir a vulnerabilidade

O pesquisador do IEA reforça a necessidade de impedir que a elevação de temperatura no planeta continue a subir acima da marca de 1,5°C, estabelecida no Acordo de Paris de 2015, e reforçada na COP 26 em 2021, em Glasgow, na Escócia. “É um desafio enorme, apenas reduzir as emissões em 43% até 2030, como foi decidido na COP 26, já é uma tarefa difícil, e se só zerarmos as emissões em 2050, o aumento poderá chegar a 2,5 graus; é um suicídio ecológico para o planeta se isso acontecer”, diz Carlos Nobre.

Luiz Machado afirma que o aumento do vapor de água na atmosfera significa a ocorrência de eventos extremos que causam sofrimento a milhares de pessoas, especialmente as mais vulneráveis. “Além das metas de redução de emissões, agora é preciso se adaptar, então é extremamente importante haver políticas que permitam essa adaptação, por exemplo, no caso de tempestades severas, um serviço de predição imediata que exista de fato e reduza a vulnerabilidade da população”, recomenda o professor do IF.

Luciana Rizzo reforça que a causa do aquecimento global é a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera, como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), bilhões de toneladas a cada ano, majoritariamente pela queima de combustíveis fósseis, e desde a Revolução Industrial, a humanidade tem sistematicamente transferido carbono, que estava estocado no subsolo há milhões de anos, para a atmosfera.

“Estamos mexendo nas ‘engrenagens’ do clima. Então, do ponto de vista físico, a única forma de reverter essa situação é atingir a neutralidade de carbono. Isto é, reduzir drasticamente as emissões e aumentar os sumidouros, como reflorestamento e tecnologias de sequestro”, diz. “Fisicamente, a solução é simples. Mas do ponto de vista social, econômico e político, é um enorme desafio. Implica abandonar o uso de combustíveis fósseis. Implica promover mudanças substanciais no sistema econômico vigente.

“Estamos vivendo uma nova realidade. Então precisamos de sistemas de prevenção de enchentes, cidades permeáveis. Ondas de calor serão mais frequentes em alguns locais. Secas também. Precisamos aliar previsão de clima com ações para proteger a população”, diz ela.

“Por exemplo, se uma seca intensa está prevista, é preciso agir de antemão, garantindo abastecimento de água para populações vulneráveis”, conclui a professora do IF.

O Copernicus é um componente do programa espacial da União Europeia (UE), sendo o seu principal programa de observação da Terra, que funciona através de seis serviços temáticos: Atmosfera, Alterações Climáticas, Emergência, Terra, Marinha e Segurança. Fornece dados e serviços operacionais de acesso gratuito, proporcionando aos utilizadores informações fiáveis e atualizadas relacionadas com o nosso planeta e o seu ambiente. O programa é coordenado e gerido pela Comissão Europeia e implementado em parceria com os Estados-membros, a Agência Espacial Europeia (ESA), EUMETSAT, ECMWF, Agências da UE e Mercator Ocean, entre outros.

O relatório completo pode ser acessado neste link. O ECMWF é uma organização intergovernamental independente apoiada por 35 Estados. É ao mesmo tempo um instituto de investigação e um serviço operacional 24 horas por dia, 7 dias por semana, produzindo e divulgando previsões meteorológicas numéricas aos seus Estados-membros. O ECMWF opera dois serviços do programa de observação da Terra Copernicus da UE, o Serviço Copernicus de Monitorização da Atmosfera (CAMS) e o Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas (C3S). O ECMWF também contribui para o Serviço de Gestão de Emergências Copernicus (CEMS), que é implementado pelo Centro Comum de Investigação da UE (JRC).

O ECMWF expandiu a sua localização nos seus Estados-membros para algumas atividades. Além de uma sede no Reino Unido e um centro de computação na Itália, escritórios com foco em atividades realizadas em parceria com a UE, como o Copernicus, estão em Bonn, na Alemanha. Este ano, as organizações envolvidas na monitorização do clima global ECMWF, Nasa, Noaa, UK Met Office, Berkeley Earth e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) fizeram um esforço concertado para coordenar a divulgação dos seus dados, destacando as condições excepcionais experimentadas durante 2024.

*Com informações da Comunicação do ECMWF. Conteúdo publicado pelo Jornal da USP.