A Escola Municipal Palmira de Castro Machado inaugurou um espaço especial para estimular os cinco sentidos das crianças. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
A Escola Municipal Palmira de Castro Machado conta agora com um novo espaço pedagógico: Jardim Neurossensorial, pensado para estimular os cinco sentidos das crianças, promover a inclusão social e apoiar o desenvolvimento integral dos estudantes.
Composto por diferentes texturas, cores, aromas e elementos interativos, o ambiente foi projetado para ser uma extensão da sala de aula, proporcionando novas formas de aprender e de se conectar com a natureza.
O espaço contribui para o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional, além de favorecer a regulação em momentos de crise, especialmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outras necessidades específicas.
O novo espaço estimula o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional das crianças. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
Contribuições significativas aos alunos atípicos
A professora da Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) da unidade, Mayane Oliveira, destacou as contribuições do Jardim Neurossensorial para os alunos. “É um ambiente acolhedor, extensão da SRM, que promove o desenvolvimento sensorial, atenção, concentração, memória e linguagem. É um espaço valioso que beneficia todos os alunos e serve como suporte pedagógico para professores e cuidadores”, explicou.
O gestor da escola destacou que a implantação do Jardim Neurossensorial foi possível graças ao recurso conquistado pelo Prêmio Gestão Escolar 2024, quando a unidade alcançou o 2° lugar na categoria Grande Porte.
É mais uma conquista para nossa comunidade. Esse espaço vai contribuir de forma significativa, porque é um ambiente pedagógico diferenciado, onde professores e cuidadores poderão propor atividades educativas, de forma acolhedora e didática”, disse.
O ambiente amplia a sala de aula, oferecendo novas formas de aprendizado e contato com a natureza. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
Pais e alunos celebram novo espaço
Para as famílias, o espaço representa mais do que um recurso pedagógico: é uma forma de garantir acolhimento e cuidado no processo de aprendizagem. Eline Gomes, mãe do estudante David, de 9 anos, que tem autismo e TDAH, destacou a relevância da iniciativa para o desenvolvimento do filho.
“Achei maravilhoso, porque ajuda muito na regulação dele, com as texturas, cores e estímulos. É um espaço bem colorido e criativo, que vai agregar ainda mais ao ensino e ao autocontrole de todas crianças que precisam de apoio, não só as atípicas. Desde que chegou à escola, meu filho teve avanços importantes. Logo aprendeu a ler e vem desenvolvendo cada vez mais tanto na sala regular quanto na sala de recursos”, relatou.
Eline Gomes, mãe do estudante David, elogiou a iniciativa e destacou a importância do novo espaço colorido e criativo. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
O próprio David também aprovou o novo espaço. “O lugar que eu mais gostei foi o dos canos das bolinhas” contou o estudante.
Davi Matheus, de 10 anos, estudante do 5° ano, tem autismo e também gostou muito do espaço. Ele destacou a importância do local para o seu desenvolvimento. “Achei muito legal. Gostei de sentir a textura das coisas e de brincar aqui. Vai ser mais uma opção para a sala de Recursos Multifuncionais”, falou.
O Brasil iniciou em 2025, de forma inédita, o seu primeiro Estudo Nacional de Saúde Mental nas Universidades (Enasam-U). Neste mês, a pesquisa acontece na região Norte do país, na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O estudo abrange estudantes eservidores de 50 universidades públicas de todo o Brasil, com idades entre 18 e 75 anos, e tem como lema “Por uma comunidade acadêmica saudável”.
A pesquisa busca compreender os efeitos e os desafios de saúde mental enfrentados nas universidades para direcionar esforços na construção de uma universidade mais acolhedora, inclusiva e produtiva. Para isso, os pesquisadores irão coletar informações detalhadas em dois momentos:
primeiro com o envio de um questionário on-line para estudantes e servidores selecionados por sorteio aleatório;
segundo momento de entrevistas diagnósticas por telessaúde para avaliação da saúde mental.
A investigação tem na coordenação nacional o pró-reitor de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Flávio Kapczinski, que enfatiza a importância de compreender a realidade da saúde mental nas universidades.
“Conhecer esse cenário nos permitirá ter um panorama representativo da realidade brasileira, o que certamente apoiará no redirecionamento de políticas públicas no campo da Saúde Mental, em âmbito regional e nacional”, explica ele.
A pesquisa conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e é coordenada por pesquisadores da UFRGS e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Na região norte, foram sorteadas sete universidades públicas, que representarão toda a comunidade universitária. São elas:
Ao todo, serão coletados dados em 50 universidades públicas em todo território nacional, sendo esperado a participação de 15 mil voluntários. O estudo segue todos os critérios éticos e assegura privacidade e confidencialidade dos participantes, e se iniciará, em cada localidade, após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.
Para viabilizar o rastreamento em todo território brasileiro, foi consolidada a Rede Nacional de Saúde Mental (Renasam), que tem um importante papel de articular grupos de pesquisa para o desenvolvimento e inovação em Saúde Mental. Além disso, a Rede visa conduzir estudos inovadores e disseminar informações atualizadas para aumentar a conscientização sobre o tema e romper o estigma associado a tais problemas.
Rede Nacional de Saúde Mental (Renasam)
A Renasam é uma rede de pesquisa, que tem como objetivo desenvolver, articular, multiplicar e disseminar conhecimento científico e tecnológico em Saúde Mental. Lançada em maio de 2024, a Rede conta com 50 pesquisadores de todas as macrorregiões brasileiras. Nos próximos dois anos serão realizados dois grandes projetos: o Enasam-U e o Enasam.
O segundo estudo será o primeiro a avaliar a frequência de diagnósticos de saúde mental em todo o território nacional. Serão realizadas oito mil entrevistas de triagem presencial conduzidas em domicílios selecionados aleatoriamente. Em seguida, será realizada uma entrevista on-line síncrona conduzida em uma sub-amostra aleatória de indivíduos que responderam à triagem.
Um grupo de 28 pesquisadores de todos os estados da região da Amazônia Legal elaborou um protocolo inédito para o inventário de insetos aquáticos no sistema Rapeld (Inventários Rápidos em Projetos Ecológicos de Longa Duração), a fim de solucionar a falta de padronização nos métodos de coleta – um dos principais desafios para o monitoramento da biodiversidade.
O foco da proposta são os grupos Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera, Odonata e Heteroptera (EPTOH), reconhecidos como bioindicadores da qualidade ambiental de ecossistemas de água doce.
A proposta reúne procedimentos replicáveis que permitem gerar séries temporais e espaciais robustas, fundamentais para a compreensão dos efeitos das mudanças climáticas e das atividades humanas sobre os ecossistemas aquáticos e que são essenciais para orientar estratégias de conservação eficazes, como a descrição detalhada de equipamentos, métodos de coleta, delineamento amostral e métricas ambientais.
O protocolo também apresenta recomendações práticas para pesquisadores em início de carreira, gestores ambientais e tomadores de decisão.
“A padronização é um passo essencial para avançarmos na compreensão da biodiversidade aquática e subsidiarmos políticas públicas de conservação”, explica o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Síntese da Biodiversidade Amazônica (INCT SinBiAm), professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA) e bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq Leandro Juen.
Ele que liderou o estudo ao lado da professora da Faculdade de Ciências Biológicas da UFPA e bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq Karina Dias Silva.
(A) Coleta de Heteroptera; (B) coleta de Odonata; (C) coleta de imaturos de EPT; (D) acondicionamento das amostras de EPT juntamente com o substrato em saco plástico, para triagem posterior. Fotos: Leandro Juen/LABECOUFPA
Segundo os pesquisadores, esforços amostrais diferentes dificultam a integração de dados e a realização de análises em grande escala. Eles explicam que a adoção de metodologias unificadas tornará possível a geração de séries históricas confiáveis e que sua implementação em toda a região amazônica possibilitará a realização de estudos em grande escala, promovendo uma visão integrada da estrutura e do funcionamento das comunidades de insetos aquáticos em diferentes ecossistemas.
A padronização do protocolo também permitirá comparações entre diferentes áreas da Amazônia, com estudos que podem auxiliar a formulação de políticas públicas e estratégias para a mitigação de impactos ambientais.
Apesar de haver sido elaborado para a região da Amazônia, o protocolo pode ser aplicado a outras áreas geográficas do Brasil e até mesmo a diferentes países. Para os autores do protocolo, seu uso também fortalece programas de monitoramento nacionais que possibilitam estudos de larga escala e contribuem para a formação de novos profissionais em biodiversidade, como o INCT SinBiAm, o Programa Monitora Aquático do ICMBio, além de redes de pesquisa consolidadas que contam com financiamento do CNPq, como o Peld (Programa Ecológico de Longa Duração), o PPBio (Programa de Pesquisa em Biodiversidade).
“Esperamos que este protocolo seja adotado por pesquisadores, por órgãos ambientais como SEMAs, Ibama e ICMBio. A padronização permitirá comparações mais confiáveis entre regiões e ao longo do tempo, ampliando nossa capacidade de conservar e restaurar ambientes aquáticos”, observa a professora Karina.
Os pesquisadores acreditam que, além dos benefícios científicos, a adoção de protocolos padronizados contribuirá, do mesmo modo, para o fortalecimento da capacitação profissional e para a criação de redes colaborativas entre pesquisadores, gestores ambientais e comunidades locais, facilitando a implementação de programas de monitoramento de longo prazo. Ao refletir sobre o processo, o professor Leandro Juen observa que a ciência é construída em parcerias e colaborações.
“Este estudo mostra a importância de unir esforços, pois a Amazônia, com sua complexidade e diversidade, exige pesquisas colaborativas. As grandes variações ambientais tornam essencial ouvir as diferentes vozes e experiências de cada região. Só assim o protocolo garante comparações em larga escala e ao mesmo tempo contempla as especificidades locais de forma adequada”, afirma.
Escrito em português e com linguagem acessível, para permitir ampla acessibilidade, o protocolo foi publicado no número especial, de julho a dezembro de 2025, da Revista EDUCAmazônia.
De acordo com a introdução do protocolo publicado no periódico EDUCAmazônia, o delineamento amostral adequado para o uso dos insetos aquáticos como indicadores deve considerar o número de amostras, os habitats a serem investigados e a sazonalidade climática. Insetos aquáticos são influenciados por variáveis ambientais, que incluem características estruturais como o tipo de substrato e a quantidade de amostras necessárias para uma representação precisa da fauna local.
Ao todo, o protocolo trata de dez pontos referentes a materiais e métodos usados em pesquisa envolvendo insetos aquáticos, partindo de equipamentos utilizados em sua coleta, delineamento amostral e coleta de dados. A seguir, o documento aborda coletas específicas, como as de ordens Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera, conhecidos como EPT, e de coletas de Odonata larva e de Heteroptera (Nepomorpha), Heteroptera (Gerromorpha) e coleta de adultos de Odonata.
O protocolo apresenta também procedimentos de laboratório, indicando que a identificação taxonômica dos insetos aquáticos coletados deve ser realizada em laboratório, com a utilização de chaves dicotômicas especializadas para cada ordem ou família, literatura específica e, se necessário, por meio de consulta a especialistas.
Métricas ambientais, que permitem avaliar mudanças nas características dos ecossistemas aquáticos e compreender como elas afetam as comunidades biológicas, também são assunto do documento. Nessa fase, ocorre o levantamento de dados físicos, físico-químicos e de integridade ambiental. O Índice de Integridade do Habitat (IIH) é uma métrica fundamental para a avaliação da integridade física do habitat. Baseado em uma avaliação visual de 12 parâmetros estruturais, a avaliação por esse índice inclui o padrão de uso do solo adjacente à vegetação ripária, a largura e o estado de conservação da vegetação ribeirinha, o estado da floresta ripária em uma margem de 10 metros e a estrutura e degradação das margens, entre outros.
Além de métricas de resposta biológica, o protocolo especifica no subtítulo materiais e métodos como o Índice de Proporção Zygoptera/Anisoptera, direcionado para a avaliação da integridade ambiental de igarapés amazônicos. Esse índice, que tem sido adotado pelo ICMBio para o monitoramento de Unidades de Conservação Amazônica, também tem se mostrado eficiente para a avaliação de riachos e de outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica.
Foto: Reprodução/’Insetos Aquáticos na Amazônia brasileira: taxonomia, biologia e ecologia’ (Inpa, 2019)
Importância dos insetos aquáticos
Os insetos aquáticos são organismos-chave para a análise e o monitoramento dos ecossistemas aquáticos de água doce naturais que se encontram sob diferentes intensidades de influências antrópicas, ou seja, atividades humanas que impactam o meio ambiente.
Além de realizar funções ecológicas, como a decomposição de matéria orgânica e o controle populacional de outros organismos, e de ser o elo de interações do meio aquático com o terrestre – o ciclo de vida desses insetos apresenta ao menos uma fase aquática, enquanto, quando adultos, eles são predominantemente terrestres e alados – eles atuam como bioindicadores da qualidade da água e do habitat, devido à sua sensibilidade ou tolerância às alterações ambientais. Sua diversidade pode diminuir, aumentar ou se modificar em relação à condição ambiental do ambiente.
O estudo dos insetos aquáticos é relevante para o diagnóstico da condição de um ecossistema em razão de esses organismos apresentarem particularidades como suficiência taxonômica e comunidades substitutivas, o que se refere à possibilidade de utilização de subconjuntos para representar a resposta de toda a comunidade. Algumas modificações antrópicas podem ser mascaradas pela sazonalidade climática, que altera as variáveis abióticas relacionadas à fauna, como o oxigênio dissolvido na água.
Desse modo, há necessidade de amostragens ao longo do tempo. Sistemas mais dinâmicos exigem maior esforço amostral para garantir a representatividade dos organismos, e a escolha da técnica a ser empregada para a coleta dos insetos aquáticos depende do tipo de ambiente – aquático ou terrestre – , das características dos insetos alvo e dos objetivos do estudo.
*Com informações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
A terceira edição do Amazon Poranga Fashion (APF) transformará o Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus (AM), em uma passarela ao ar livre. O evento gratuito acontece nos dias 3 e 4 de outubro, a partir das 17h.
A programação conta com desfile nos dois dias de evento, além da apresentação da Orquestra Sinfônica da Amazônia, exposição ‘Tecendo Imagens’ de Pedro Furtado e estandes de vendas das marcas participantes e parceiros.
Com curadoria coletiva que inclui o estilista indígena Sioduhi, eleito pela Vogue Business como um dos 100 nomes inovadores na categoria ‘Líderes de pensamento sobre sustentabilidade’, o desfile contará com mais de 20 marcas autorais da Amazônia, afirmando o protagonismo criativo da região no cenário da moda.
“Quando penso na moda autoral amazonense, penso na diversidade das linguagens, do design e técnicas. Durante o desfile, podemos esperar a presença indígena, quilombola, artesanias, alfaiataria, upcycling, street wear, avant-guard, moda circular e outras experimentações. Estou muito feliz em poder contribuir com a curadoria, principalmente nesta edição que acontece no Centro Histórico de Manaus”, afirma Sioduhi.
Foto: Divulgação
Amazon Poranga Fashion investe na economia criativa
A grande aposta do APF nesta edição é valorizar a diversidade da economia criativa do estado. De Manaus, marcas como Sioduhi Studio, Arévola Gallery e Dezenove Setenta, entre outros, apresentam propostas distintas: reflexões sobre as transformações do mundo, inovação artística e a força da moda urbana, respectivamente.
Além de estilistas da capital, o evento reúne criadores de Parintins e Barreirinha, dois importantes pólos do artesanato regional. O Grupo Watyamã e o Quilombo do Rio Andirá apresentam peças autênticas produzidas em Barreirinha por indígenas e quilombolas, enquanto a marca Sakofa, do estilista Erlesson Souza, leva ao desfile a moda autoral de Parintins, reforçando a ancestralidade da Amazônia negra com o afro-futurismo.
Para a idealizadora do evento, Jessilda Furtado, o desfile é um momento para reunir os tipos mais autênticos de moda existentes na Amazônia.
“Por trás das marcas autorais, existem pessoas extremamente criativas da região Norte. Com o Poranga, queremos trazer à tona várias formas de representar a Amazônia e a economia criativa através da moda autoral, por pessoas que vivem diariamente os desafios de ser nortista”, explica.
Desde 2023, o Amazon Poranga Fashion tem ampliado sua presença e relevância a cada edição. Enquanto as duas primeiras foram voltadas a um público restrito a 600 convidados, a terceira edição se abre à população em geral, com expectativa de público de mais de 3 mil pessoas durante os dois dias de evento.
Para a edição de outubro, o Amazon Poranga Fashion ocupará o Largo de São Sebastião, um dos cenários mais emblemáticos de Manaus, situado em frente ao Teatro Amazonas. Marco da Belle Époque, período importante da economia amazonense, o espaço é símbolo de inovação e abertura para o futuro. Com o Monumento à Abertura dos Portos como referência central, o local foi escolhido para traduzir a união das diversas expressões da economia criativa que ganharão destaque durante o desfile.
Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus. Foto: Divulgação
“O público pode vivenciar a força criativa desse ecossistema que vem se fortalecendo e sentir como a moda pode ser um agente de transformação cultural e econômica no Amazonas e na região Norte como um todo. Esse é o direcionamento que o Poranga tem tomado e, cada vez mais, a gente vai lutar pela estruturação da cadeia de moda e economia criativa”, explica Felipe Taveira, coordenador administrativo do Amazon Poranga.
Line-up do APF 2025
O APF apresentará uma programação dividida em blocos de desfiles no Largo de São Sebastião. Os detalhes completos podem ser encontrados na página oficial do Amazon Poranga Fashion no Instagram, @amazonporanga. Confira os horários dos desfiles:
03/10
Bloco 1 (18h)
Grupo Watyamã Brechó 3.30 veste Centro de Convivência do Idoso Semsimpa7ia Kelly Maia Renata Sampaio Sankofa Quilombo do Rio Andirá (Barreirinha)
Bloco 2 (20h) We’e’ena tikuna Glitch Atnia 1970 Wan Wan
04/10
Bloco 1 (18h)
Arévola Gallery Sapopema Dm Cyanotype Jambú por Lívian Muniz Ateliê Maria Lima
Bloco 2 (20h) Atelie Yra Tikuna Rita Prossi + Sandra Lasmar + Bem Ditas Jerusa Flores Cepeco Líbia & Nabila Ateliê Sioduhi Studio
Uma nova ferramenta foi desenvolvida pelo Governo Federal para acompanhar o bioma amazônico em tempo quase real. O objetivo é reforçar a proteção ambiental e garantir mais transparência nas ações de combate ao desmatamento.
O sistema amplia o escopo do Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que já monitorava áreas de floresta nativa. Agora, também passam a ser observadas regiões não florestais, como campos naturais e savanas, que representam cerca de 20% da Amazônia.
“A gente não fazia isso naquela área que não tem cobertura florestal. Várias áreas e outras formações que não são do tipo florestal não estavam cobertas por esse monitoramento diário, então a gente passou a fazer isso para todo o bioma amazônico. Agora está completo”, explicou Cláudio Almeida, coordenador do programa Biomas BR, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Dedmatamento na Amazônia é um dos pontos de monitoramento. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace
IA para ajudar a Amazônia
Com o uso de inteligência artificial e imagens de satélite, o sistema vai emitir alertas diários sobre desmatamento, mineração ilegal e queimadas na Amazônia.
“A gente está desenvolvendo ferramentas com base principalmente no uso de aprendizado profundo. O pessoal conhece bastante como inteligência artificial. São algoritmos que, a partir de um conjunto de amostras significativas, passam a entender e reconhecer padrões. Quanto mais amostras o sistema analisa, mais ele consegue detectar esses padrões”, detalhou Almeida.
Atualmente, os alertas do Deter já cobrem mais de 75% do território nacional. A meta do governo é expandir o monitoramento para outros biomas que ainda não contam com vigilância constante, como a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pampa.
“A gente entende que é um avanço. É mais um tijolinho que estamos colocando para construir uma base sólida. Produzimos dados que vão apoiar políticas públicas”, concluiu o coordenador.
O documentário roraimense ‘A pele do ouro’ recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia na Mostra Competitiva de Curtas no 58° Festival de Cinema de Brasília, considerado o maior festival de cinema do país.
A obra é inspirada em uma história real vivida por uma mulher no garimpo. No filme, ela mesma interpreta a personagem principal. Chamada apenas de Patri, para preservar a verdadeira identidade, a protagonista assume o papel central na narrativa construída a partir das memórias registradas em diários íntimos ao longos anos.
O roteiro vencedor do Troféu Candango é fruto de uma parceria entre Patri, Marcela Ulhoa, Yare Perdomo e Daniel Tancredi.
“Foi uma felicidade muito grande receber esses dois prêmios no festival de cinema de Brasília. Já tinha sido uma alegria imensa ter sido selecionado entre quase 1400 curtas. E ainda sair com essa dupla: roteiro e direção de fotografia. Fechou de uma forma incrível a nossa participação no festival”, disse a diretora do filme, Marcela.
A narrativa apresenta um recorte sensível sobre a vida da mulher no garimpo. O curta tem duração de 15 minutos. Yare Perdomo ressalta que o cinema roraimense está ocupando espaços importantes.
“Quando fomos chamados no palco, a pessoa que chamou, chamou a premiação primeiro para Patri, ela assina o roteiro junto. A gente acha que o roteiro é a vida dela. Trabalhamos essa história com ela, então, a gente achou que o festival entendeu a nossa mensagem”, explicou a cineasta Yare.
O documentário roraimense “A pele do ouro” recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia. Foto: Reprodução
Já a direção de fotografia do documentário é responsabilidade de Daniel. Como a ideia era preservar a identidade da Patri, ele precisou demonstrar a sensibilidade da história nas telonas, sem revelar o rosto da personagem principal.
“Desafio grande da fotografia de fazer um filme sem mostrar o rosto. O rosto no cinema que traz as emoções. Esse é um filme de fronteira, com uma equipe mista de brasileiros e a maioria são venezuelanos, mulheres venezuelanas. É um prêmio que traz esses frutos quando a gente abraça a imigração, podem ser muito bonitos”, disse o diretor.
“A pele do ouro” estreou oficialmente no Festival, dia 17 de agosto. O filme foi feito em parceria com a Platô Filmes, produtora roraimense que recebeu o Troféu Candango de Melhor Filme do Festival em Brasília, com o documentário “Por onde anda Makunaíma?”, em 2020.t
O Festival de Cinema de Brasília é realizado há 60 anos, sendo considerado o mais antigo e tradicional do país. Este ano foram exibidos 80 títulos, um recorde na história do festival.
Um dos pontos mais altos conhecidos no Brasil é o Monte Roraima, mas ele não é o maior. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
A Amazônia Internacional é a maior floresta tropical do mundo, se estendendo por nove países da América do Sul: Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Embora a região seja conhecida principalmente pela vastidão de seus rios e pela biodiversidade, cada um desses países guarda montanhas e picos que alcançam altitudes impressionantes, alguns figurando entre os mais altos do continente.
Confira os pontos mais altos de cada país amazônico:
Peru: Huascarán (6.768 m)
O Nevado Huascarán, na Cordilheira Branca, é o gigante do Peru e o sexto mais alto da América do Sul. Com 6.768 metros, o Huascarán Sur não é apenas símbolo natural, mas também patrimônio cultural e turístico, atraindo alpinistas de todo o mundo.
Nevado Huascarán. Foto: Reprodução/Unesco
Bolívia: Nevado Sajama (6.550 m)
O Sajama é um estratovulcão extinto e o pico mais elevado da Bolívia. Medindo 6.550 metros, ergue-se de forma isolada na Cordilheira dos Andes, formando um cone imponente que domina a paisagem do altiplano.
Foto: Reprodução/Alan Picu
Equador: Vulcão Chimborazo (6.263 m)
Mais do que o ponto mais alto do Equador, o Chimborazo é famoso por ser o lugar mais distante do centro da Terra, graças ao formato “achatado” do planeta. Com 6.263 metros de altitude, seu cume nevado é um marco geográfico e turístico.
Foto: Reproduçãop/Civitatis
Colômbia: Pico Cristóbal Colón (5.508 m)
Localizado em Magdalena, o Pico Cristóbal Colón é o ponto culminante da Colômbia. Com mais de 5,5 mil metros, é considerado sagrado pela cultura ancestral Tayrona. Seus descendentes, os povos indígenas da região, são os guardiões da montanha e de seu equilíbrio ambiental.
Foto: Reprodução/Facebook-A si és Colômbia
Venezuela: Pico Bolívar (4.981 m)
Na Cordilheira de Mérida, o Pico Bolívar ergue-se a 4.981 metros de altitude. Nomeado em homenagem ao libertador Simón Bolívar, é a montanha mais alta da Venezuela e símbolo nacional de imponência e identidade.
Brasil: Pico da Neblina (2.995 m)
Situado no norte do Amazonas, na Serra do Imeri, o Pico da Neblina é o ponto mais alto do Brasil. Com quase 3 mil metros de altitude, foi medido oficialmente pelo IBGE em 2015. Além da imponência natural, está inserido em área indígena Yanomami, o que reforça seu valor ambiental e cultural.
Pico da Neblina. Foto: Marcos Amend/ICMBio
Suriname: Julianatop (1.286 m)
No sul do país, em meio às florestas do distrito de Sipaliwini, se ergue- o Julianatop. Com 1.286 metros de altitude, é o ponto culminante do Suriname, em uma região de transição entre floresta e savana, próxima à fronteira com o Brasil.
Foto: Reprodução/All Suriname Tours
Guiana: Monte Roraima (1.200 m)
O Monte Roraima é uma montanha de topo plano, típica do Escudo das Guianas. Apesar da altitude relativamente modesta de cerca de 1.200 metros, sua geologia única e os paredões verticais tornam-no um dos destinos mais emblemáticos da região amazônica.
Foto: Reprodução/Bora de Trip
Guiana Francesa: Bellevue de l’Inini (851 m)
Localizado na comuna de Maripasoula, o Bellevue de l’Inini é o ponto mais alto da Guiana Francesa, com 851 metros. Embora não seja uma montanha elevada em comparação com os demais países, é símbolo natural da região.
Unidade de conservação Anavilhanas. Foto: Divulgação
A proteção do bioma amazônico, com sua vasta extensão e desafios logísticos, exige mais do que esforço local: requer parcerias estratégicas capazes de conectar diferentes territórios. Do sul do Amazonas à região do Baixo Rio Negro e até a fronteira de Rondônia, unidades de conservação federais mostram como o apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) tem sido decisivo para fortalecer a presença do Estado, ampliar a pesquisa científica, estimular o monitoramento ambiental e ferramentas de gestão.
Nos parques e reservas, gestores apontam que essa rede de apoio garante desde a manutenção das estruturas básicas até operações complexas de fiscalização, revelando um mosaico de proteção que atravessa toda a Amazônia.
No sul do Amazonas, o Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Humaitá é responsável por três unidades de conservação (UCs) federais — o Parque Nacional dos Campos Amazônicos, a Reserva Biológica do Manicoré e o Parque Nacional do Acari. Juntas, elas somam mais de 2,2 milhões de hectares de florestas e cerrado, território equivalente a quase duas vezes o estado de Sergipe.
As principais pressões vêm da grilagem de terras, do garimpo ilegal de ouro e cassiterita, da extração seletiva de madeira nobre e do avanço da fronteira agropecuária, que impulsiona o desmatamento no entorno e busca invadir os limites das áreas protegidas.
“Se não fosse o projeto ARPA, dificilmente teríamos unidades tão implementadas e protegidas na Amazônia”, afirma o analista ambiental Caio Vinicius Almeida, do NGI Humaitá. “O programa viabiliza a presença constante do órgão gestor no território, custeando desde o combustível para as expedições até a realização de reuniões com conselhos e comunidades em múltiplos municípios. Fica difícil imaginar como seria a gestão desse território no bioma amazônico sem o programa ARPA”, aponta o analista ambiental.
Almeida reforça ainda como os instrumentos de gestão apoiados pelo ARPA fazem diferença na prática. “O suporte se materializa em ferramentas essenciais, como o Cartão Pequenos Gastos e o Cartão Alimentação, que garantem que em operações de fiscalização — muitas vezes realizadas em acampamentos remotos com forças policiais — a equipe tenha toda a segurança e estrutura necessárias”, afirma.
Floresta Amazônica. Foto: Agência Pará
O impacto também é visível em atividades de monitoramento. “No Parque Nacional dos Campos Amazônicos, o apoio do ARPA permitiu a execução de todas as campanhas de biodiversidade. Isso garante a sistematização do conhecimento para um melhor planejamento da gestão e o envolvimento da população local”, detalha Almeida.
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos abriga um raro enclave de cerrado em meio à floresta amazônica, o que o torna singular. Entre as espécies de fauna mais emblemáticas estão o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), considerado quase ameaçado, e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), listado como vulnerável. Também está presente a onça-pintada (Panthera onca), classificada como quase ameaçada, símbolo da biodiversidade amazônica.
Na Reserva Biológica do Manicoré e no Parque Nacional do Acari, predominam florestas densas que abrigam espécies ameaçadas como o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek), vulnerável, e a ariranha (Pteronura brasiliensis), classificada como em perigo. A flora também é marcada por árvores de alto valor ecológico e econômico, como a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa), e o mogno (Swietenia macrophylla), espécie ameaçada pela exploração ilegal.
No baixo Rio Negro, no estado do Amazonas, a experiência do Parque Nacional de Anavilhanas reforça a abrangência dessa rede de proteção. O chefe substituto da unidade, Gilberto de Freitas Moreira, explica:
“A atuação do Parque Nacional de Anavilhanas, em parceria com o Projeto ARPA, tem sido essencial para fortalecer a proteção da riqueza de biodiversidade que compõem a unidade. Com o apoio financeiro na manutenção das estruturas físicas e nos equipamentos, o parque mantém sua presença institucional ativa na região, garantindo fiscalização, monitoramento e ações de conservação mais eficientes”, destaca.
Foto: Eufran Amaral
Ele ressalta que os benefícios vão além dos limites do parque: “Esse trabalho impacta positivamente todo o Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro, contribuindo para a proteção em rede de uma das regiões mais importantes da Amazônia”, diz Gilberto.
O gestor também chama atenção para o papel crescente do turismo ecológico e da educação ambiental em Anavilhanas. “Demonstrar para a sociedade que a floresta em pé é mais valiosa que a exploração sem controle é o grande desafio. Nesse sentido, é fundamental investir em iniciativas de educação e interpretação ambiental, que aproximem a população das áreas protegidas e fortaleçam o sentimento de pertencimento. Valorizar esse contato é essencial para que as pessoas compreendam o privilégio que o Brasil tem ao abrigar um bioma tão vital para o equilíbrio climático e ecológico do planeta.
Composto por mais de 350 mil hectares de ilhas fluviais e canais, o Parque Nacional de Anavilhanas é um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. Sua biodiversidade inclui mamíferos aquáticos icônicos, como o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), espécie classificada como em perigo, e o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), também listado como vulnerável.
As florestas alagadas e várzeas abrigam ainda aves de grande importância, como a ararajuba (Guaruba guarouba), vulnerável, e o gavião-real (Harpia harpyja), quase ameaçado. A flora é composta por espécies adaptadas às cheias sazonais, incluindo árvores de igapó e várzea, além de palmeiras como o açaí-do-amazonas (Euterpe precatoria), de grande importância econômica e ecológica.
Foto: Divulgação
No extremo oeste, na Reserva Extrativista (Resex) Rio Cautário, localizada no corredor Madeira–Mamoré–Guaporé, em Rondônia, o apoio do programa ARPA também faz diferença. Inserida em um mosaico ambiental que conecta diversas UCs e Terras Indígenas, a unidade é estratégica para a proteção do corredor Madeira–Mamoré–Guaporé. Seu gestor, Lauro de Oliveira Góes, destaca:
“Se considerarmos que a UC Resex Rio Cautário está inserida num mosaico ambiental que congrega outras UCs e Terras Indígenas, o Programa ARPA tem uma importante contribuição para proteção dessas áreas florestadas”.
A Resex abriga uma grande diversidade de ambientes — que vai de florestas densas a áreas de várzea — e sustenta populações de grandes predadores e espécies ameaçadas. Entre elas, a onça-pintada (Panthera onca), o tatu-canastra (Priodontes maximus), considerado vulnerável, e aves raras como o mutum-de-penacho (Crax globulosa), em perigo.
Entre os resultados mais recentes, Góes aponta a gestão de um recurso natural emblemático. “Na UC Resex Rio Cautário, o Programa ARPA está apoiando o projeto de manejo do pirarucu invasor, gerando renda para as comunidades envolvidas”, relata. Para ele, o futuro da conservação passa pelo fortalecimento de alternativas sustentáveis: “É fundamental apoiar projetos de geração de renda para comunidades tradicionais, unindo conservação e desenvolvimento sustentável”, afirma o gestor.
Unidades de Conservação como Anavilhanas e Rio Cautário revelam que o Programa ARPA não é apenas uma fonte de recursos, mas um pilar que sustenta a gestão estratégica, a produção científica, a valorização cultural e o fortalecimento comunitário. Em uma Amazônia sob constante pressão, o fortalecimento dessa rede é vital para garantir que as unidades de conservação permaneçam vivas, com floresta em pé, biodiversidade preservada e comunidades cada vez mais engajadas em seu futuro sustentável.
Sobre o ARPA
O ARPA – Áreas Protegidas da Amazônia é um projeto do Governo do Brasil, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e tem o FUNBIO como gestor e executor financeiro. É financiado com recursos de doadores internacionais e nacionais, entre eles o governo da Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW), o Global Environment Facility (GEF) por meio do Banco Mundial, a Fundação Gordon and Betty Moore, a AngloAmerican e o WWF.
Aeronave ‘Twin Otter’ antes do primeiro voo no hangar, em Santarém. Foto: Lenne Santos/Ufopa
Uma aeronave ‘Twin Otter‘ do British Antarctic Survey (BAS) iniciou seus primeiros voos na Amazônia, em uma missão que busca coletar dados cruciais sobre o clima do planeta. O primeiro voo decolou no dia 26 de setembro, de um hangar particular localizado no aeroporto Internacional Wilson Fonseca, em Santarém (PA). A iniciativa faz parte do Projeto CarbonARA-Brazil, uma pesquisa internacional que foca no monitoramento do ciclo do carbono na região do Baixo Tapajós.
De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador da parte aérea do Carbon-ARA, Dirceu Luiz Herdies, a aeronave irá efetuar cerca de 55 horas de voo, dividias em 15 etapas de 4 horas. Os voos ocorrerão entre setembro e outubro de 2025, sobrevoando a Floresta Nacional do Tapajós e a Fazenda Experimental da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
O avião, ideal para missões remotas, é equipado com instrumentos que medem concentrações de gases de efeito estufa, como CO² e metano, e aerossóis, como fuligem, poeira e fumaça oriundas de incêndios.
“Queremos entender melhor como funciona a Amazônia, a interação que ela tem com o globo como um todo”. Ele afirmou ainda que os dados coletados nessa campanha devem ser apresentados na COP 30 que será realizada em Belém, em novembro.
Representantes do projeto destacam a importância dessas medições. Ao sobrevoar áreas de interesse, a aeronave coleta dados atmosféricos em tempo real, que serão comparados com as informações dos satélites da Agência Espacial Europeia (ESA). A comparação permite verificar a precisão das medições orbitais e aprimorar os modelos climáticos, informou o controlador de operações da aeronave Daniel Beedon.
A Ufopa é a única instituição amazônica no consórcio do projeto, que é coordenado pelo King’s College London. A universidade é responsável por coordenar as atividades locais, reforçando a relevância da pesquisa científica conduzida na região. O projeto, que também utiliza torres, sensores e drones, integra esforços para entender o papel da Amazônia no balanço climático global, especialmente no que se refere aos impactos das queimadas. O projeto é localmente coordenado pelo pesquisador Júlio Tota, professor do curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa.
Sobre o BAS
O British Antarctic Survey (BAS) é o centro nacional de pesquisa polar do Reino Unido, responsável por conduzir a ciência em regiões polares e manter a presença ativa do país na Antártica. Parte do Natural Environment Research Council (NERC), o BAS opera cinco estações de pesquisa, navios e aeronaves, realizando pesquisas sobre o clima, a camada de ozônio e a vida selvagem polar para gerar conhecimento global sobre o planeta.
Após a campanha em Santarém, a aeronave seguirá para a Antártida, sua base de operações para pesquisas polares.
Por que esse projeto é importante para a Ufopa?
A participação da Ufopa nesse projeto reforça seu papel como um centro de excelência em pesquisa na Amazônia. A universidade contribui com conhecimento local para uma iniciativa de alcance global, utilizando equipamentos e tecnologias de ponta. Essa colaboração não só aprimora nosso entendimento sobre o ecossistema amazônico, mas também fortalece a posição da Ufopa no cenário da pesquisa climática mundial.
Estudantes do Amapá desenvolvem tubete orgânico com resíduos de caroço de açaí e argila. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica AP
Estudantes da Escola Estadual Mário Quirino da Silva, na Zona Sul de Macapá (AP), criaram um tubete orgânico feito com caroço de açaí e argila para substituir os modelos de plástico usados na agricultura. A proposta surgiu durante aulas de biologia como alternativa mais barata e ecológica para o cultivo de mudas.
O projeto foi orientado pela professora Rose Trindade, que levou a ideia para os alunos após discutir os impactos do plástico no meio ambiente. O tubete orgânico pode ir direto para o solo com a muda, sem gerar resíduos.
“Propus que pensassem em uma estrutura orgânica para substituir os tubetes convencionais. O caroço de açaí é abundante no estado e seria uma boa base para reaproveitamento”, explicou.
Gustavo é um dos criadores do projeto. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica APRose é a professora orientadora do projeto. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica AP
Inicialmente, os testes usaram cacto palma como elemento colante, mas a planta viva dificultava o processo. A argila natural foi adotada no lugar e se mostrou mais eficiente.
Segundo Gustavo de Sousa, de 17 anos, um dos autores do projeto, o uso do açaí foi escolhido por ser comum na região.
“A gente vê caroço jogado no chão. Decidimos aproveitar esse resíduo para criar algo útil e que não polua”, contou.
Coleta dos caroços de açaí: Os estudantes recolhem os caroços descartados em batedeiras da cidade, onde o resíduo costuma ser jogado no chão ou acumulado sem reaproveitamento;
Torra dos caroços: Os caroços são levados para a escola e torrados em frigideiras comuns, até ficarem secos e prontos para trituração;
Trituração manual: Após a torra, os caroços são triturados com martelo, quebrando a estrutura rígida para facilitar o processamento;
Peneiramento do material: O pó resultante da trituração é peneirado para separar os grãos mais finos, que serão usados na mistura com a argila;
Mistura com argila natural: A argila é coletada de forma local e misturada ao pó de açaí até formar uma massa homogênea, com textura ideal para moldagem;
Moldagem dos tubetes: A massa é moldada manualmente em formato cilíndrico, semelhante aos tubetes de plástico usados na agricultura;
Secagem ao sol: Os tubetes são deixados para secar naturalmente ao sol. Em dias chuvosos, os alunos usam uma estufa improvisada com lâmpada amarela para manter a eficiência do processo;
Testes de germinação: As mudas são plantadas diretamente nos tubetes orgânicos e colocadas em vasos. Os estudantes observam o desenvolvimento da planta e a incorporação do tubete ao solo.
Tubete orgânico foi criado por estudantes do Amapá. Foto: DivulgaçãoEtapas de criação do tubete. Foto: Divulgação
Além dos benefícios ambientais, o projeto também apresenta vantagens econômicas. Um tubete de plástico pode custar até R$ 1,50 e não é reutilizável. Já o orgânico sai por cerca de R$ 0,30.
Nos testes realizados, os estudantes observaram que as mudas se desenvolveram melhor com o tubete orgânico.
“A germinação foi mais rápida. Enquanto o plástico demorou mais de uma semana, o nosso tubete levou de 7 a 9 dias”, explicou Gustavo.
A professora explicou ainda que o projeto está em fase de testes, mas os resultados apresentados já são positivos. A equipe pretende apresentar a proposta para agricultores da região.
“A ideia é levar esse produto para os pequenos produtores, mostrar que ele funciona e pode ser incorporado ao solo, nutrindo a planta”, concluiu Rose.