Trechos do Rio Solimões apresentam recuo no nível das águas em diferentes municípios do interior do Amazonas. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM
Mesmo em pleno período de cheia na Amazônia, trechos do Rio Solimões apresentam recuo no nível das águas em diferentes municípios do interior do Amazonas.
Os dados são da Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia (Proa Manaus) e foram monitorados no dia 30 de dezembro, mostrando um comportamento atípico dos rios da região.
O período de cheia dos rios no Amazonas ocorre geralmente entre dezembro e junho, durante o inverno amazônico, quando o aumento das chuvas eleva gradualmente o nível das águas, com pico previsto entre maio e junho.
No entanto, após duas secas históricas em 2023 e 2024, o cenário no interior do estado segue diferente. Enquanto em Manaus o Rio Negro sobe normalmente, trechos do Solimões registram queda nos níveis.
Em Tabatinga, no Alto Solimões, o rio caiu de 8,44 metros em 21 de dezembro para 7,40 metros nesta terça.
Em Coari, no Médio Solimões, a redução foi de 13,38 metros para 13,25 metros.
Em Santo Antônio do Içá, o nível recuou de 10,44 metros para 9,08 metros, confirmando o padrão de baixa em diferentes pontos da calha do Solimões.
Comportamento do rio Solimões é atípico
Rio Solimões na seca em 2024. Foto: Reprodução/Greenpeace
O comportamento atípico do rio Solimões está ligado a eventos extremos nos últimos anos. As secas consecutivas afetaram a recarga natural dos sistemas hídricos, e mesmo durante o período de cheia, os níveis ainda apresentam resposta irregular.
Entre os fatores que influenciam o fenômeno estão:
O inverno amazônico, com aumento do volume de chuvas;
Em condições normais, as chuvas elevam gradualmente os rios;
A atuação do fenômeno La Niña, que altera os padrões de precipitação na região;
Essa combinação provoca comportamentos distintos entre as diferentes bacias hidrográficas.
Em Manaus, o Rio Negro segue em alta, passando de 21,66 metros em 21 de dezembro para 21,98 metros no dia 30 de dezembro, evidenciando comportamento mais alinhado ao período chuvoso.
Aprovado pelo CNPq, o projeto busca avaliar as estratégias de comunicação em crises sanitárias nos dois países. Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará
A Universidade Federal de Rondônia (UNIR) teve um projeto de pesquisa aprovado na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 03/2025 – Pró-Amazônia, com foco no fortalecimento da saúde indígena a partir da comunicação de risco em crises sanitárias no Brasil e na Bolívia. A iniciativa busca contribuir para o aprimoramento das políticas públicas interculturais na Região Amazônica, considerando as especificidades socioculturais dois países envolvidos.
Intitulada ‘Comunicação de risco em saúde indígena: experiências e aprendizados em crises sanitárias no Brasil e na Bolívia’, a pesquisa é coordenada pelo professor Allysson Martins, coordenador do MíDI – Laboratório de Mídias Digitais e Internet e docente dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCom) e em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (PGDRA) da UNIR.
A equipe é formada por mais de dez pesquisadores de diferentes instituições de ensino superior, sendo seis brasileiros e três internacionais, reforçando o caráter cooperativo do estudo.
A proposta surge para preencher uma lacuna crítica na ciência e nas políticas públicas: a escassez de estudos sobre a efetividade da comunicação voltada aos povos tradicionais. Assim, a pesquisa articula as áreas de Comunicação e Saúde Coletiva para investigar como governos e comunidades reagiram à circulação de informações durante surtos da covid-19, dengue e zika.
O estudo, que será executado de dezembro de 2025 até novembro de 2027, concentra-se na Amazônia Legal, região que abriga mais de 51% dos indígenas do Brasil, com o objetivo de entender como a adaptação cultural das mensagens institucionais sobre saúde pode impactar diretamente essa população, protegendo vidas.
“As barreiras linguísticas, culturais, territoriais e institucionais precisam ser consideradas nos processos estabelecidos nos dois países”, afirma Martins.
Desafio da comunicação em contextos interculturais
A comunicação de risco é uma ferramenta estratégica fundamental para mitigar danos em emergências sanitárias, sobretudo quando adequada às realidades dos envolvidos.
“A nossa hipótese é a de que abordagens que incorporaram saberes tradicionais, o uso de línguas nativas e a mediação com lideranças locais apresentam maior eficácia e adesão às medidas de prevenção”, explica o coordenador e pesquisador Allysson Martins.
Segundo Martins, durante a pandemia de covid-19, a ausência de campanhas culturalmente adaptadas resultou em taxas de infecção e mortalidade desproporcionalmente altas entre os povos indígenas. No Brasil, embora existam os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), eles ainda enfrentam desafios como o subfinanciamento e a dificuldade de integrar práticas tradicionais à medicina biomédica.
A pesquisa adotará um método de estudo de caso múltiplo, comparando a realidade brasileira com o modelo da Bolívia. Na Bolívia, o Modelo Intercultural Comunitário de Saúde (SAFCI) já institucionaliza a integração entre a medicina tradicional e o sistema estatal, promovendo campanhas em idiomas nativos e o uso de ervas medicinais.
“É possível que medidas como essa apresentem efeitos positivos que possam inspirar melhorias nas políticas públicas brasileiras”, disse o pesquisador.
A investigação prevê viagens de campo no Brasil e na Bolívia. Em âmbito nacional, as visitas devem ocorrer no DSEI Alto Rio Solimões, no Amazonas, e na SESAI – Secretaria de Saúde Indígena, vinculada ao Ministério da Saúde, em Brasília. Na porção internacional da Amazônia, a pesquisa deve se centrar na região de Beni, onde o diálogo intercultural foi priorizado durante a crise da covid-19.
Resultados para a sociedade e ciência
Além de publicações científicas em periódicos de alto impacto, o projeto prevê a entrega de diretrizes práticas para gestores públicos. A pesquisa propõe produzir materiais de devolutiva para as comunidades indígenas envolvidas, como vídeos, infográficos e cartilhas bilíngues.
O objetivo é subsidiar a formulação de políticas mais inclusivas e sensíveis às realidades locais, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente na redução das desigualdades e na promoção da saúde.
Estudo possibilitou resgatar a história da Educação Musical na capital a partir do contexto histórico, artístico e socioeconômico. Foto: Lucyanne de Melo Afonso/Acervo pessoal
Divulgar a história do ensino de Música em Manaus durante o século XX foi o objetivo de um projeto que resultou na publicação de um livro, de um site do Laboratório de Educação Musical da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e na realização do Seminário de Educação Musical.
O projeto intitulado ‘Uma historiografia do ensino de música em Manaus no século XX: interfaces e conexões musicais, socioculturais e políticas’ foi coordenado pela pesquisadora Lucyanne de Melo Afonso, professora do curso de música da Ufam e doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia.
Apoiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o projeto é amparado no âmbito do Programa de Apoio à Popularização e Divulgação para CT&I – PAPD/Fapeam, edital nº 014/2022.
Segundo a coordenadora, o estudo possibilitou resgatar a história da Educação Musical na capital a partir do contexto histórico, artístico e socioeconômico da cidade em diferentes períodos. Ao longo do processo de construção da pesquisa, foram catalogadas informações de diversas fontes.
“Foram muitas informações nos jornais durante o século XX sobre professores de música, instituições de ensino da rede pública e privada, um levantamento de dados minucioso”, explicou Lucyanne de Melo.
Em Manaus, a disseminação da música ocorreu em diversas instituições, tanto públicas quanto privadas, por meio do ensino coletivo e individual em escolas especializadas. Lucyanne de Melo explica que a preservação da memória cultural é importante, pois pesquisar essas informações pode ajudar na construção do conhecimento na atualidade.
“A criação de uma nova cultura de pesquisa, de difusão e o desenvolvimento de novas produções tecnológicas têm um significado particular no contexto da Educação Musical em Manaus, pois o ensino não se restringe a uma prática instrumental, mas a toda uma inter-relação de saberes e de produção pedagógica, tecnológica, artística e científica”, ressaltou a professora.
Estudo também resultou em livro. Foto: Lucyanne de Melo Afonso/Acervo pessoal
De acordo com o projeto, o ensino de Música entre 1900 a 1999, foi influenciado por questões como o ciclo da borracha, a segunda guerra mundial, a migração de nordestinos para os seringais da amazônia, a “política da boa vizinhança” entre Estados Unidos e América Latina, e a ditadura militar no Brasil.
O estudo trouxe, ainda, detalhes a respeito das intervenções na arte e no ensino de música. O projeto também relatou as leis da Educação que alteraram as práticas pedagógicas, a institucionalização do canto orfeônico nas escolas do Brasil, e a importância de instituições como o Instituto Afonso Penna e o Conservatório de Música Joaquim Franco. Além disso, abordou a criação da Faculdade de Artes da Ufam, e da Orquestra Amazonas Filarmônica.
Quadro de Nossa Senhora da Seringueira. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira
A devoção a Nossa Senhora da Seringueira, padroeira do Acre, é marcada por fé, memória popular e está ligada a formação histórica do estado. Também conhecida como Nossa Senhora do Acre, uma imagem da santa é marcada por conflitos territoriais, ciclos econômicos e religiosidade popular.
A imagem está atualmente na Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, na capital Rio Branco. Situada às margens do rio Acre, a catedral se tornou referência arquitetônica e espiritual para os fiéis locais.
De acordo com as informações da Academia Marial de Aparecida, a Catedral de Nossa Senhora de Nazaré começou a ser construída em 1948, quando Dom Júlio Mattioli, primeiro bispo do Acre, colocou sua pedra fundamental. As obras principais foram concluídas em 1958, e o projeto teve como inspiração a arquitetura italiana e o estilo romano-basilical, retratando inclusive cenas da Via-Sacra.
Além disso, no interior da catedral, encontra-se um mausoléu onde repousam os restos mortais de Dom Júlio Mattioli e Dom Giocondo Maria Grotti. É nesse espaço que está preservado o quadro popularmente conhecido como Nossa Senhora da Seringueira, retratando a imagem da Virgem Maria com o menino Jesus em um dos braços e, na outra mão, um ramo de seringueira, árvore símbolo do Acre e elemento central do ciclo da borracha.
Origem da imagem
A origem do quadro é misteriosa, mas segundo a tradição oral mais conhecida entre os religiosos e historiadores locais, o quadro teria sido pintado por um indígena boliviano, que afirmava ter tido uma visão da Virgem Maria segurando um ramo da seringueira. O autor da pintura nunca foi identificado formalmente e teria deixado apenas as iniciais ‘L.P.’.
Uma das narrativas mais conhecidas sobre a imagem remonta à Revolução Acreana. Relatos preservados na memória popular contam que tropas bolivianas teriam utilizado o quadro em uma falsa procissão religiosa como estratégia de guerra, escondendo atiradores por trás da tela. A intenção seria surpreender os combatentes brasileiros.
No entanto, o líder acreano Plácido de Castro, desconfiado da encenação, teria pedido perdão à Mãe de Jesus antes de ordenar o ataque. Os disparos atingiram a tela, marcas que, segundo os fiéis, ainda podem ser vistas na pintura.
Quadro de Nossa Senhora da Seringueira. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira
Apesar desse conhecimento entre os religiosos, não existem documentos históricos que comprovem oficialmente nenhuma das versões sobre a origem do quadro ou seu uso durante o conflito.
Peregrinação da imagem
Ao longo do século XX, a imagem peregrinou por diferentes locais, e após um período desaparecida teria permanecido anos no Rio de Janeiro, só retornando ao Acre em 1954. A imagem foi recebida com celebrações fluviais próximas à Gameleira, ficando posteriormente sob a guarda do Instituto Imaculada Conceição, e mais tarde, levada ao Parque Capitão Ciríaco, antes de ser finalmente devolvida à igreja.
Catedral de Nossa Senhora de Nazaré. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira
Após um processo de restauração, a imagem foi oficialmente colocada em um lugar de destaque na Catedral Nossa Senhora de Nazaré no dia 1º de maio de 2016, com uma cerimônia presidida pelo bispo Dom Joaquín Pertiñez.
Nossa Senhora da Seringueira foi proclamada padroeira da Terceira República do Acre, e sua devoção é celebrada duas vezes ao ano, no dia 27 de janeiro, data que marca a Independência da Terceira República do Acre, e em 17 de novembro, quando se comemora a assinatura do Tratado de Petrópolis, que selou a incorporação definitiva do território ao Brasil
*Com informações do Santuário Nacional de Aparecida, da Academia Marial de Aparecida e da Rede Amazônica AC
Você sabia que os camarões, além de deliciosos, são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos? No estado do Pará, coração da Amazônia Oriental, um estudo revela uma incrível diversidade desses crustáceos.
A pesquisa de Miani Corrêa Quaresma e Jussara Moretto Martinelli Lemos reúne informações sobre a diversidade de camarões que habitam ambientes marinhos, estuarinos e de água doce nessa região, em que foram identificados 81 espécies de camarões, distribuídas em 17 famílias.
As pesquisadoras publicaram um relato no site Conexões Amazônicas, parceiro do Portal Amazônia. Confira o texto completo:
Camarões das famílias Palaemonidae (representado pela espécie Macrobrachium acanthurus) e Penaeidae (representado pela espécie Xiphopenaeus kroyeri). Fonte: Lianos e colaboradores (2018) e Pereira (2023).
No Pará, as famílias Palaemonidae (com 27 espécies) e Penaeidae (com 12 espécies) se destacam, sendo amplamente estudadas dada sua importância ecológica e econômica. Essa importância é advinda tanto nos processos tróficos, como predadores que regulam a estrutura de comunidades aquáticas; como na economia, devido ao seu elevado valor comercial.
Como resultado, concluímos que a maioria dos camarões que habitam a Amazônia paraense possui um ciclo de vida ligado ao mar, visto que esses camarões migram para ambientes aquáticos com salinidade elevada, como estuários, manguezais e zona costeira, o que torna relevante a preservação desses ecossistemas.
Essa relação dos camarões com a água salobra decorre do fato de muitas espécies viverem e se reproduzirem nesse tipo de ambiente, tornando esses ecossistemas aquáticos essenciais para a alimentação, o crescimento e a proteção contra predadores, pois oferecem esconderijos naturais e abrigo para os camarões jovens, reduzindo a predação por peixes e outras espécies.
Pesca de camarão no estado do Pará. Foto: Miani Quaresma.
Os camarões mais abundantes, com destaque para Palaemonidae e Penaeidae, estão listados no “Livro Vermelho dos Crustáceos do Brasil: Avaliação 2010-2014”, publicação que atribui a cada espécie uma categoria de risco de extinção. A inclusão dessas espécies no Livro Vermelho auxilia estudos e políticas públicas voltadas ao manejo adequado desses crustáceos que são utilizados para fins econômicos e que habitam as águas amazônicas.
Destacamos, ainda, que a singularidade de espécies de crustáceos que habitam a Amazônia paraense é acentuada quando analisada junto à biodiversidade brasileira. No Brasil há 2,5 mil espécies de crustáceos registradas, de uma biodiversidade total aproximada de 68 mil. Dessa forma, ao se olhar somente a biodiversidade de táxons (que englobam diferentes espécies) de camarões que a Amazônia paraense abriga representa aproximadamente 3,2% da diversidade em relação a biodiversidade total de crustáceos, que habitam a extensa costa e bacias brasileiras.
Essa singularidade é advinda da fauna paraense e sua diversidade de habitats – desde as águas salobras dos estuários até os vastos rios amazônicos a qual criam ambientes únicos para uma rica variedade de camarões. Espécies como o camarão-da-Amazônia (Macrobrachium amazonicum), um dos crustáceos de água doce mais conhecidos, têm importância tanto ecológica quanto comercial, sustentando comunidades tradicionais que dependem da pesca artesanal.
Ecossistemas costeiros, estado do Pará. Foto: Jussara Moretto Martinelli Lemos
Destacamos que as pesquisas sobre a história de vida das espécies presentes no estado do Pará são ainda insuficientes para compreender como esses crustáceos habitam a Amazônia e os ecossistemas tropicais. A maior parte dos estudos concentra-se em espécies de maior porte e com valor comercial, como o camarão-da-Amazônia.
Há uma carência de pesquisas voltadas para as fases iniciais do ciclo de vida dos camarões em ambientes naturais, bem como para aqueles que completam seu ciclo na zona pelágica (região oceânica habitada por organismos que não dependem do fundo do mar). Essa lacuna limita o entendimento da ecologia desses corpos d’água, entre outros aspectos.
Por que estudar os Camarões?
Além de sua relevância ecológica, os camarões são bioindicadores – espécies que ajudam a medir a saúde dos ecossistemas. Alterações na composição de suas populações podem indicar problemas ambientais, como poluição ou mudanças climáticas.
Embora nosso estudo tenha evidenciado a rica biodiversidade de camarões na Amazônia paraense, é fundamental reforçar a importância da conservação. A exploração predatória e a degradação dos habitats (como o desmatamento, assoreamento, poluição dos rios, mudanças no regime hidrológico, pesca predatória e alterações climáticas que alteram tanto o aumento da temperatura da água como as mudanças nos padrões de chuva), que colocam diversas espécies em risco, precisam ser cuidadosamente avaliadas.
Isso permitirá a implementação de políticas públicas e iniciativas de manejo sustentável, essenciais para proteger essa biodiversidade singular. Além disso, preencher as lacunas de conhecimento sobre os camarões amazônicos é fundamental para garantir a segurança alimentar das populações humanas que habitam as áreas costeiras da região. Esses crustáceos representam uma importante fonte de proteína para comunidades tradicionais, que dependem da pesca artesanal para sua subsistência e estão ameaçados pela introdução de espécies exóticas e invasoras.
Nosso estudo é um convite para conhecermos mais sobre os “pequenos gigantes habitantes” dos ecossistemas amazônicos e refletirmos sobre como podemos proteger a biodiversidade que sustenta o planeta.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Conexões Amazônicas, escrito por Miani Corrêa Quaresma e Jussara Moretto Martinelli Lemos
O drone VTOLWingtraOneé uma tecnologia de ponta de longo alcance, recentemente utilizada para monitorar uma concessão florestal em Madre de Dios. Foto: Divulgação/Osinfor
Com o drone VTOLWingtraOne — tecnologia de ponta e longo alcance —, a Agência Supervisora de Recursos Florestais e Vida Selvagem (Osinfor), no Peru, elevou o monitoramento florestal a uma nova escala, conseguindo monitorar até 1.000 hectares em três horas e transformar imagens aéreas em evidências técnicas para a proteção florestal.
Recentemente, ela foi contratada para supervisionar 4.778,026 hectares em uma concessão florestal localizada no distrito de Iñapari, província de Tahuamanu, no departamento de Madre de Dios, uma área que apresenta desafios logísticos para o controle e monitoramento do uso da floresta.
Equipado com sensores de alta precisão, o drone captura imagens aéreas com maior detalhe (ortomásicas), com resolução de até 0,7 centímetros por pixel, o que permite a identificação de áreas de desmatamento (clareiras) e amplia o campo de visão sobre estradas florestais, centros de coleta e outras infraestruturas associadas à implementação de planos de manejo, que nem sempre são visíveis em rotas tradicionais.
Foto: Divulgação/Osinfor
Esta informação é fundamental para verificar se a utilização dos recursos florestais está a ser efetuada em conformidade com os planos de gestão aprovados, reforçando a base técnica das fiscalizações realizadas pela Osinfor nas áreas com títulos de propriedade.
Supervisão florestal
O impacto do drone VTOLWingtraOne reside não apenas no que ele vê, mas também na velocidade com que o faz. Enquanto outros drones precisam de cerca de 10 horas para cobrir 1.000 hectares, esta plataforma aérea consegue monitorar a mesma área em apenas três horas, atingindo uma taxa de cobertura de aproximadamente 330 hectares por hora.
“Graças a essa capacidade, uma supervisão que, com métodos convencionais, exigiria cerca de um mês de trabalho, pôde ser realizada em apenas seis dias, cinco dias de trabalho de campo e um dia de operação aérea, otimizando significativamente o uso do tempo e dos recursos institucionais ”, disse Maikol Justino Pinedo, supervisor florestal da Osinfor e piloto do drone VTOL.
As imagens capturadas durante o sobrevoo são processadas utilizando software especializado de fotogrametria para gerar ortomosaicos. Essas informações são então analisadas em sistemas de informação geográfica e integradas ao relatório de monitoramento florestal como evidência técnica.
O drone possui características que o tornam ideal para operar em grandes áreas de difícil acesso, como as predominantes na Amazônia peruana, permitindo uma cobertura de monitoramento ampliada sem depender de infraestrutura terrestre. Sua incorporação em julho de 2025 faz parte do processo de modernização da Osinfor, que utiliza drones no monitoramento florestal desde 2015.
A utilização desta tecnologia permite a otimização do tempo e dos recursos, facilita o acesso a áreas remotas e reforça a detecção de possíveis atividades ilegais, bem como o acompanhamento das alterações na floresta resultantes de intervenções de gestão florestal, tais como a abertura de clareiras em florestas primárias e a formação de florestas secundárias em diferentes estágios.
Com o VTOLWingtraOne, a Osinfor consolida um monitoramento florestal mais rápido, preciso e baseado em evidências, onde a floresta não é mais apenas inspecionada a pé, mas também analisada e protegida do ar, em prol do uso sustentável dos recursos florestais.
Dona Úrsula e a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora: religiosidade, pertencimento e amor à educação. Foto: Acervo pessoal
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Neste dia 1º de janeiro, Rondônia ficou mais pobre. Morreu, com problemas respiratórios, a professora Úrsula Depeiza Maloney, a “Tia Sula” de tantos alunos, personagem emblemática da educação rondoniense. Ela havia completado 89 anos de idade duas semanas antes. Corpo será sepultado nesta sexta, 2, no tradicional Cemitério dos Inocentes.
Filha de imigrantes barbadianos que ajudaram a fundar a cidade, Úrsula nasceu em 1936, quando Porto Velho ainda era uma promessa de futuro e tinha apenas 22 anos como cidade constituída. Seu pai, Oscar Depeiza Maloney, chegou às barrancas do rio Madeira em 1908 para ajudar na construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré e foi o primeiro bombeiro hidráulico da capital, responsável pelo abastecimento das lendárias Três Caixas D’Água — monumento que até hoje simboliza a identidade urbana da cidade. Da herança paterna, herdou o senso de missão: servir à coletividade.
Com apenas 23 anos, em fevereiro de 1960, iniciou sua carreira no magistério. Formada em Comunicação e Expressão, foi pioneira ao cursar Letras na primeira faculdade instalada em Porto Velho, ainda como extensão da Universidade do Rio Grande do Sul. Desde então, sua vida se confundiu com a própria história da educação rondoniense.
Supervisora e coordenadora na transição de território para estado, esteve ao lado de nomes como a professora Marise Castiel, de quem foi chefe de gabinete, à época em que esta foi secretária de Educação. Percorreu escolas às margens do Rio Madeira e ao longo da BR-364, levando a língua portuguesa como ferramenta de emancipação e contribuindo na formação de dezenas de educadores. Lecionou em instituições que hoje são marcos da memória coletiva — Duque de Caxias, Castelo Branco, Barão do Solimões, John Kennedy, Getúlio Vargas — e dirigiu a Escola Municipal Antônio Ferreira da Silva.
Úrsula também foi presença ativa nas comissões que regulamentaram o ensino particular, planejaram materiais e obras, e estruturaram o sistema educacional nascente. Sua atuação ajudou a dar forma ao que hoje é a rede de ensino de Rondônia.
Aposentou-se do serviço público em 1994, mas não abandonou a vocação. Continuou no SESI e no Colégio Dom Bosco, sempre como professora e supervisora, sempre como referência. Recebeu homenagens que traduzem o reconhecimento coletivo: a Medalha do Mérito Marechal Rondon, insígnias da Assembleia Legislativa, da Câmara de Vereadores e da Prefeitura. Em 2016, foi escolhida para conduzir a tocha olímpica – que percorreu o mundo – em Porto Velho, gesto simbólico que iluminou sua trajetória como chama viva da educação.
Religiosa, discípula de Nossa Senhora Auxiliadora, de sorriso cativante e modos gentis, dona Úrsula é uma cidadão reconhecida e amada. Sua vida é testemunho de que a educação não se faz apenas com livros e salas de aula, mas com coragem, dedicação e amor à comunidade. Porto Velho, Rondônia e todos que passaram por suas lições sabem: a professora Úrsula é uma heroína da educação.
Pai herói
Desde os primeiros anos, as caixas eram cuidadas por um legítimo barbadiano, Osmar Depeize Maloney. Barbados era então um domínio inglês. Osmar foi o primeiro profissional hidráulico a trabalhar nas Três Caixas d’Água, chegando ao Brasil em 1908, aos 18 anos de idade, e constituindo família com uma brasileira, Cleta Francisca, de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). Tiveram sete filhos, entre eles a conhecida professora Úrsula Maloney, que acaba de nos deixar.
Desde os primeiros anos, as caixas eram cuidadas por um legítimo barbadiano, Osmar Depeize Maloney. Barbados era então um domínio inglês. Oscar foi o primeiro profissional hidráulico a trabalhar nas Três Caixas d’Água, chegando ao Brasil em 1908, aos 18 anos de idade, e constituindo família com uma brasileira, Cleta Francisca, de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). Tiveram sete filhos, entre eles a conhecida professora Úrsula Maloney, nascida em Porto Velho em 1936, e muito respeitada como uma personalidade marcante pela sua memória carregada de histórias ascendentes e por suas vivências e contribuições como educadora.
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
A ampliação de créditos é resultado de uma articulação iniciada em julho. Foto: Divulgação/CGPT
Fechando o ano com motivos de comemoração às famílias residentes em Unidades de Conservação (UCs) Federais do Pará, Amazonas, Acre e Bahia, foi ampliado o acesso aos créditos do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) para mais de 2,7 mil famílias, totalizando um investimento acima de R$ 25 milhões. A ampliação é fruto de parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) chegou a resultar em avanços concretos.
Os recursos estão distribuídos entre as modalidades de Apoio Inicial, Fomento Mulher, Fomento Jovem, Habitação, Recuperação Ambiental e Fomento, incentivando práticas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e fortalecendo a estrutura produtiva das famílias, consequentemente, melhorando as condições de vida destes milhares de brasileiros e brasileiras residentes em UCs.
Como etapa final das ações em 2025, nos dias 18 e 19 de dezembro, foram assinados novos contratos com 385 famílias nas Reservas Extrativistas Verde para Sempre e Maracanã, ambas no Pará, que receberão os Créditos de Apoio Inicial a partir de mais um investimento de R$ 3 milhões do Incra.
Foto: Rodolfo Pongelupe
Segundo a coordenadora-geral de Articulação de Políticas Públicas e Economias da Sociobiodiversidade (CGPT/DISAT), Tatiana Rehder, a parceria representa um marco na atuação conjunta dos órgãos.
“Embora as populações tradicionais das UCs já sejam reconhecidas como público beneficiário da reforma agrária desde 2008, foi nesta gestão que conseguimos um avanço histórico em um curto espaço de tempo”, coloca. Tatiana ainda reforçou a essencialidade do comprometimento dos servidores das Unidades para o fazer acontecer da iniciativa.
A iniciativa é resultado de uma articulação iniciada em julho, que passou a integrar, de forma estruturada, as Unidades de Conservação às ações do Programa Nacional de Reforma Agrária, reconhecendo, na prática, seus beneficiários como público atendido pela política de reforma agrária. Essa integração ampliou o alcance da política pública e consolida um ótimo exemplo de atuação conjunta entre autarquias de ministérios distintos.
Diante dos resultados alcançados, ICMBio e Incra reafirmam a continuidade da parceria em 2026, com a perspectiva de ampliação do atendimento e de inclusão de novas Unidades de Conservação no Programa.
Franceses impulsionam a economia, a hotelaria e a visibilidade internacional durante a virada do ano e evento promovido pelo Governo do Estado. Foto: Arthur Alves
Com ações voltadas à promoção do destino e à integração internacional, o Governo do Amapá registra crescimento no turismo estrangeiro durante o Maior Réveillon da Amazônia. Até o dia 28 de dezembro, cerca de 12.379 pessoas cruzaram a fronteira da Ponte Binacional, em Oiapoque, com destino à Macapá.
Mesmo antes do encerramento oficial do mês, os números já superavam todo o fluxo de visitantes de 2024, confirmando um crescimento expressivo no turismo internacional e o fortalecimento do Amapá como destino para estrangeiros ao longo dos anos.
A Secretária Especial de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Patrícia Ferraz, destacou que o governador do Amapá, Clécio Luís, é o responsável direto pela chegada dos turistas que foram convidados pelo chefe do executivo e eles estão entre nós.
“O Amapá está recebendo um grande número de turistas, impulsionado por investimentos da gestão em cultura, eventos e infraestrutura. O número de carros e turistas já está próximo de ultrapassar os números do ano passado, gerando impacto positivo na economia local, com aumento do consumo em hotéis, restaurantes, comércio e serviços“, comemorou Patrícia Ferraz.
A guianense Maya Joigny, de 32 anos, disse que veio para viver o Maior Réveillon da Amazônia e ficou simplesmente encantada com a programação e a segurança apresentada pelas autoridades policiais.
“É a primeira vez em Macapá e, sério, a cidade superou tudo que eu imaginava. O evento é incrível, mas o que mais chama atenção é o calor humano. O povo é acolhedor demais, a energia é lá em cima. Estou muito feliz de estar aqui”, disse Maya.
Scott Palcy, de 34 anos, é natural da Guiana Francesa. Ele disse que mesmo com a viagem longa, valeu à pena estar acompanhando o Maior Réveillon da Amazônia.
“O Maior Réveillon da Amazônia tem uma energia única, a cidade abraça a gente, o povo é caloroso, acolhedor. Macapá surpreende, emociona, faz a gente querer ficar mais. É uma experiência que eu vou levar para vida”, comemorou Scott.
Entre os franceses visitantes, estava Maya Joigny. Foto: Divulgação
Muito além da presença dos franceses no Amapá
O Réveillon 2026 carrega o conceito “O Amapá Virou. E você faz parte disso”, que representa não só a mudança de ano, mas a virada de página vivida pelo estado, reforçada pela aprovação de 70% da população na última pesquisa pós-Expofeira. A celebração é realizada pelo Governo do Estado e o Instituto Artístico Cultural e Social Cena Livre, com patrocínio da iniciativa privada e articulação do presidente do Senado Federal e senador pelo Amapá, Davi Alcolumbre.
Mais do que festa, o evento se consolida como um motor econômico. Durante cinco noites, de 27 a 31 de dezembro, o Réveillon do Amapá integrou turismo, cultura e oportunidades, com mais de 50 atrações locais na Noite Amapaense, os shows da virada com Nattanzinho Lima; Nattan; e a Estação Primeira de Mangueira; e demais noites com o Grupo Revelação, Anitta, Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo e Luciano no Encontro dos Amigos em Macapá; Noite das Aparelhagens com Crocolive, Tranzamérica, Som Tropical, Mega Gibson, Trepidante, Hippersom, Amazônia Fusion+, Matrix e Mega Pressão 360.
O Amapá agora quer transformar o Réveillon em uma vitrine global, reforçando a imagem de um estado sustentável, moderno e capaz de atrair investimentos.
Moradores da Baixada da Sobral convivem com sujeira e entulhos durante a enchente. Foto: Amanda Oliveira/Rede Amazônica Acre
Rio Branco viveu, em pleno mês de dezembro, um cenário que não se repetia há 50 anos para a época: alagações provocadas por fortes chuvas registradas na última semana que fizeram igarapés urbanos e o Rio Acre transbordarem no sábado (27). A situação atípica envolvendo o principal manancial do estado já atinge mais de 20 mil pessoas.
Alagação é um termo usado no estado acreano para se referir ao transbordamento de rios que, consequentemente, atingem residências e inundam vias urbanas, bem como comunidades rurais.
Em entrevista ao Grupo Rede Amazônica, o doutor em Meteorologia e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Rafael Coll Delgado, explicou que o episódio é considerado atípico do ponto de vista climático, mas explicável do ponto de vista meteorológico, já que foi causado pela atuação de um sistema atmosférico raro na região.
O principal fator por trás das chuvas extremas foi a atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), um sistema atmosférico mais comum no Nordeste, mas que se deslocou de forma incomum para o oeste do país.
“Nesse caso de Rio Branco, ele se posicionou como uma alta pressão em torno de 10 quilômetros de altitude e começou a se deslocar para o interior do continente, atingindo a região oeste do Brasil”, detalhou.
De acordo com o especialista, os alertas de tempestade já vinham sendo emitidos para a Região Norte. Inclusive, os modelos meteorológicos já indicavam, entre os dias 24 e 25 de dezembro, o deslocamento desse sistema em direção ao Acre.
O VCAN, que tem grandes dimensões, favoreceu a formação de tempestades severas na região.
“Não é um vórtice pequeno. A dimensão dele é realmente muito grande, atingiu a Bolívia, a faixa de Goiás e, na sequência, avançou em direção ao estado do Acre. Isso já vinha sendo observado nos modelos meteorológicos”, afirmou.
Instabilidades intensas e chuvas concentradas
O meteorologista explicou que, embora o núcleo do VCAN seja associado à estabilidade atmosférica, suas bordas, chamadas de vanguarda, favorecem a formação de nuvens profundas e tempestades severas, como as que atingiram Rio Branco e municípios do interior.
“No núcleo do vórtice, há ausência de formação de nuvens. Mas, na vanguarda do sistema, ou seja, nas áreas frontais do vórtice, há uma instabilidade atmosférica muito intensa que favorece a formação de células convectivas profundas, tempestades e volumes elevados de precipitação”, complementou.
Imagens de satélite analisadas durante o evento mostraram nuvens com desenvolvimento vertical extremo, indicando alto potencial de chuva.
“Quando a gente observa imagens de satélite com topos de nuvens atingindo temperaturas inferiores a -100ºC, isso significa que essas nuvens ultrapassaram a troposfera e alcançaram a tropopausa. Isso é um indicativo claro de atividade convectiva muito intensa e, consequentemente, de chuvas volumosas, afirmou.
Enchente já atinge mais de 20 mil pessoas em Rio Branco. Foto: Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre
Volume de chuva extremo e fora da normalidade
O meteorologista destacou que, além da atuação do sistema atmosférico, o volume de chuva registrado foi excepcional. Em apenas uma hora de chuva na sexta (26), por exemplo, foram medidos 38 milímetros, o que equivale a 38 litros de água por metro quadrado.
Em menos de um mês, o acumulado ultrapassou os 500 milímetros, o dobro do valor normal climatológico.
Ele explicou que a intensidade e a distribuição espacial da chuva são difíceis de serem estimadas com precisão pelos modelos globais de meteorologia, especialmente no Acre onde há condições específicas como florestas, rios, áreas urbanas e uso do solo.
“Porém, esse fenômeno era previsível. Então, não houve uma surpresa do ponto de vista meteorológico, mas na quantidade de chuva”, pontuou.
Falta de estações e radares agrava impactos
Rafael chamou a atenção para a necessidade urgente de investimentos em estações meteorológicas, radares e recursos humanos especializados no Acre. Segundo ele, a ausência desses equipamentos limita a capacidade de previsão mais precisa e de emissão de alertas com antecedência adequada.
“Essas informações precisam ser especializadas. A gente precisa saber onde a chuva está se concentrando. E isso só é possível com mais estações meteorológicas e, principalmente, com radares meteorológicos, que são capazes de antecipar eventos de microescala como esse que ocorreu”, disse.
O professor reforçou que radares meteorológicos são capazes de antecipar eventos extremos de microescala, como tempestades intensas e concentradas, algo que os modelos globais não conseguem captar com precisão na realidade local.
“Os modelos globais não têm um refinamento da grade do estado do Acre, das condições de superfície, da floresta, dos rios, da área urbana”, explicou.
Alerta
O especialista também relacionou o episódio a mudanças na frequência e intensidade dos fenômenos extremos, associadas às mudanças climáticas, ao aumento das temperaturas e às alterações no uso do solo.
Ao destacar que uma enchente em dezembro havia sido registrada pela última vez somente em 1975, ressaltou que os eventos extremos estão ocorrendo com intervalos cada vez menores na atualidade.
Apesar de a situação ser frequentemente relacionada a fenômenos como El Niño e La Niña, o meteorologista afirmou que o cenário atual vai além disso.
“Isso vai muito além de El Niño e La Niña. O aquecimento anômalo dos oceanos e a mudança na circulação geral da atmosfera estão alterando completamente a dinâmica dos sistemas meteorológicos”, concluiu.