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Arqueólogos identificam vestígios de oficina indígena milenar no Amapá

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Marcas nas rochas evidenciam oficinas indígenas milenares. Foto: Kleber Souza e Márcia Miranda

Arqueólogos encontraram vestígios de uma oficina indígena em uma cachoeira do rio Tartarugalzinho, no interior do Amapá. A descoberta foi feita no dia 17 de agosto, durante uma visita técnica, e, segundo os especialistas, o local era usado há cerca de dois mil anos para fabricar machados de pedra.

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“Essas áreas próximas a cachoeiras têm alto potencial arqueológico. Chamamos de sítio oficina porque eram locais onde os povos indígenas moldavam seus instrumentos”, explicou o arqueólogo da Arqueologia Amapá, Kleber Souza.

As marcas nas pedras chamaram atenção da equipe. Algumas têm formato de canoa, outras lembram bacias arredondadas.

“A lâmina do machado era esfregada na rocha até ganhar forma. Esse processo deixava uma marca no meio da pedra, resultado do desgaste”, detalhou Souza.

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arqueólogos estudam achado no amapá
Arqueólogos encontram oficina indígena milenar em Tartarugalzinho. Foto: Kleber Souza e Márcia Miranda

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Segundo o arqueólogo, os locais visitados em Tartarugalzinho são áreas de banho frequentadas pela população e podem ser incluídos na rota turística do município.

Além da cachoeira visitada, moradores do município relataram ter terrenos com formações semelhantes. Para os arqueólogos, isso indica que havia várias das oficinas ao longo dos rios Tartarugalzinho e Tartarugal Grande.

“Esses locais eram usados por grupos indígenas sedentários, horticultores e ceramistas. Com a chegada dos europeus e dos machados de ferro, eles deixaram de produzir os de pedra e passaram a usar os novos instrumentos”, explicou o arqueólogo.

A equipe também realiza escavações no centro histórico de Macapá e deve iniciar uma nova etapa na Praça Barão do Rio Branco, com foco no século 19.

A descoberta foi realizada com o apoio da Secretaria de Cultura de Tartarugalzinho. Ainda segundo o arqueólogo, o município possui poucas informações sobre a sua ocupação histórica.

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Tartarugalzinho
Arqueólogos do Amapá encontram vestígios de oficina indígena milenar no Amapá. Foto: Kleber Souza e Márcia Miranda

“Pesquisas arqueológicas permitem reconstruir a trajetória dos povos que habitaram a região há milhares de anos, ajudando a entender dinâmicas de ocupação de povos originários, ao mesmo tempo, orientam políticas públicas de preservação, geoconservação e planejamento ambiental, além de impulsionar o turismo cultural e ecológico, trazendo novas fontes de renda ao município”, completou.

Tartarugalzinho
Equipe de arqueólogos estuda história de Tartarugalzinho por meio de pesquisas de campo. Foto: Kleber Souza e Márcia Miranda

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Doce feito com caroço de cupuaçu leva startup do Amapá à final da Expo Favela Innovation

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Doce é feito com caroço de cupuaçu. Foto: Divulgação/Kupulatte

Uma inovação surgida dentro da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) está ganhando destaque nacional. A Kupulatte, startup criada por estudantes do curso de engenharia química, foi escolhida para representar o Amapá na etapa final da Expo Favela Innovation 2025, evento que reúne iniciativas de impacto social e econômico vindas de diferentes regiões do Brasil. O projeto transforma caroços de cupuaçu, geralmente descartados, em um doce semelhante ao chocolate, e foi selecionado entre 40 expositores da etapa regional.

A proposta nasceu a partir de pesquisas realizadas em sala de aula. Os testes iniciais envolveram sementes de cacau e de cupuaçu, mas foi este último fruto amazônico que chamou mais atenção das alunas. “Desde 2022 essa ideia ficou nas nossas mentes, e em 2024 apareceu um edital, que era justamente para tirar uma ideia do papel e montar um negócio”, explicou Evelyn Silveira, CEO da Kupulatte.

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Origem do doce e processo de produção

O nome da startup combina elementos do tupi e do italiano. “Kupu” significa “parecido com cacau”, enquanto “latte” remete ao leite. A concepção do produto se baseia no reaproveitamento sustentável dos caroços do cupuaçu, parte da fruta que geralmente não tem utilidade comercial.

O processo de fabricação segue etapas semelhantes às usadas na produção de chocolate tradicional. Primeiro, as sementes são separadas da polpa. Depois, passam por fermentação natural, secagem em estufa e torra em forno a temperatura controlada.

Da torra, surgem os nibs de cupuaçu, semelhantes aos nibs de cacau. Em seguida, os nibs são triturados e refinados até formarem uma pasta homogênea, que passa por temperagem e moldagem.

Leia também: Patente de processo inovador para produção de nibs de cupuaçu é registrada pela Ufac

Segundo Evelyn, o objetivo é diversificar ainda mais os produtos: “Uma das nossas ideias futuras é fazer o kupulatte ao leite, com leite de origem vegetal e animal”. Atualmente, a startup produz bombons, nibs e barras em diferentes concentrações — 50%, 70% e 100%.

Reconhecimento em eventos

A presença da Kupulatte em feiras e encontros de inovação tem reforçado a visibilidade da iniciativa. Em julho de 2025, a startup participou da Bioeconomy Amazon Summit, realizada em Manaus. O evento reuniu 150 startups que apresentaram soluções para a bioeconomia da Amazônia, funcionando como vitrine para produtos inovadores baseados em recursos da floresta.

De acordo com a equipe, a aceitação do público tem sido positiva. A utilização do cupuaçu como alternativa ao cacau desperta interesse por unir tradição amazônica, sustentabilidade e potencial de mercado.

“O que antes era descartado pelos produtores hoje pode gerar renda e oportunidades”, comentou Evelyn durante a feira em Manaus.

Expo Favela Innovation 2025

A Expo Favela Innovation é considerada uma das principais vitrines para negócios criados em comunidades e periferias do Brasil. A fase nacional do evento acontece em São Paulo e reúne empreendedores de diferentes estados. O destaque da Kupulatte entre os selecionados da região Norte reforça a presença do Amapá no cenário da inovação e da bioeconomia.

Na avaliação da organização, o potencial de reaproveitamento de resíduos é um dos pontos mais valorizados pelos jurados.

“Trata-se de um produto que alia inovação, tradição cultural e viabilidade de mercado”, destacou um dos avaliadores durante a divulgação dos resultados da etapa regional.

Perspectivas futuras

Com a final nacional da Expo Favela Innovation marcada para o segundo semestre, as estudantes e empreendedoras do Amapá buscam apoio para ampliar a produção e atender novas demandas. A equipe planeja parcerias com cooperativas de produtores de cupuaçu, o que deve garantir fornecimento contínuo das sementes e maior alcance de mercado.

A CEO da startup reforça que a proposta nasceu de uma inquietação acadêmica, mas hoje já ultrapassa os limites da universidade. “O que a gente quer é mostrar que o Amapá tem capacidade de gerar inovação a partir dos seus recursos naturais. O cupuaçu é só o começo de um projeto que pode crescer muito mais”, afirmou Evelyn.

Além da possibilidade de expansão comercial, a Kupulatte se apresenta como uma alternativa sustentável em um setor dominado pelo cacau. A utilização do cupuaçu pode contribuir para diversificar a cadeia produtiva de doces e chocolates, fortalecendo a bioeconomia amazônica e gerando oportunidades para pequenos produtores locais.

Com a presença confirmada na final da Expo Favela Innovation, a Kupulatte leva o Amapá ao centro das atenções e reforça o papel da região na criação de soluções inovadoras com base nos recursos da Amazônia.

*Por Luan Coutinho, da Rede Amazônica AP

Pará registra queda de 74% dos focos de queimadas em julho de 2025

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Foto: Fernando Sette/Agência Pará

O mês de julho de 2025 marcou uma importante conquista no combate às queimadas no Pará. Dados do Núcleo de Monitoramento Hidrometeorológico (NMH), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), apontam uma redução de 74,3% no número de focos de calor em relação ao mesmo mês em 2024, segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Em julho do ano passado, o estado, dentro de um contexto de enfrentamento aos fenômenos climáticas globais, enfrentou um cenário desafiador. O período foi marcado por eventos climáticos extremos, como o El Niño e o Dipolo do Atlântico, que provocaram forte estiagem e favoreceram os incêndios florestais.

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Já em 2025, o mês de julho deste ano registrou apenas 837 focos de calor – em comparação aos 3.265 focos registrados em 2024, reflexo direto do fortalecimento das políticas públicas de prevenção e controle ambiental no estado, além da situação da situação favorável em relação às chuvas e à normalidade das variáveis climáticas e oceânicas.

“Esses números expressivos refletem o compromisso firme do governo do Pará com a preservação da Amazônia e a qualidade de vida da nossa população. Ao garantir a proteção da floresta viva por meio do combate efetivo às queimadas, estamos preservando nossos recursos naturais e promovendo o desenvolvimento sustentável. Seguimos implementando ações contínuas e integradas que colocam o Pará como referência nacional e internacional no enfrentamento às mudanças climáticas e na conservação ambiental”, destacou o governador do Estado, Helder Barbalho.

Estratégia integrada e ações estruturantes no Pará

Esses resultados refletem uma estratégia contínua de comando e controle, valorização da floresta viva e fortalecimento das ações de fiscalização.

Como medida estruturante, o Programa Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PEPIF), o Pará Sem Fogo, foi lançado neste ano pela secretaria em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar, com base em quatro eixos: monitoramento em tempo real, prevenção com base em ciência, resposta rápida coordenada e capacitação de brigadas locais.

O estado já mapeou 22 zonas com risco médio a alto de incêndios e mantém um centro de monitoramento climático e de queimadas, que utiliza imagens de satélite, dados meteorológicos e sensores termais para acompanhar, em tempo real, tanto o desmatamento quanto os focos de calor.

floresta amazônica no pará
Foto: Reprodução/Agência Pará

Além disso, o programa vai criar um Centro Integrado Multiagências de Combate aos Incêndios Florestais, que traz ações da secretaria integradas ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado, à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuária e da Pesca (Sedap), à Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi) e ao Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do estado (Ideflor-Bio), para que atuem em um centro de comando único.

Leia também: Número recorde: Mato Grosso, Pará e Amazonas tem áreas de matas mais impactadas pelo fogo em 2024

Outro avanço importante foi a oficina de construção participativa do PEPIF, realizada neste mês, conduzida pela Semas com apoio técnico e envolvimento de diversos setores da sociedade civil, pesquisadores e instituições públicas, buscando consolidar diretrizes de longo prazo para enfrentar o uso do fogo de forma ordenada, considerando a realidade territorial do estado.

“A redução significativa nos focos de queimadas em julho é um reflexo direto do esforço coletivo que o Pará vem fazendo para proteger seus territórios. Estamos fortalecendo a fiscalização, investindo em tecnologia e ampliando o diálogo com os municípios e com as comunidades. Esse resultado mostra que é possível aliar desenvolvimento à preservação ambiental e seguir evoluindo a estratégia do Estado para enfrentar os novos desafios climáticos”, afirmou Raul Protazio Romão, secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade.

Municípios com maiores reduções no período analisado

O município de Itaituba, que liderou o ranking em 2024 com 719 focos, reduziu esse número para apenas 83 em 2025 — uma queda de 88,4%. Altamira apresentou redução de 66,3%, passando de 169 à 57 focos. São Félix do Xingu registrou queda de 74,7%, com redução de 162 para 41 focos. Já Novo Progresso e Jacareacanga, que figuraram entre os cinco municípios com mais queimadas em 2024, não aparecem entre os maiores registros em 2025, o que indica uma queda tão expressiva que os retirou do topo do ranking estadual.

Campo experimental testa variedades do café robusta amazônica em Roraima

Plantio experimental de café robusta amazônico em Roraima. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RR

Um projeto de campo experimental em Roraima testa o cultivo de 4.500 pés de café robusta amazônico em um hectare no Projeto de Assentamento Nova Amazônia, em Boa Vista. O objetivo é alcançar até 100 sacas por hectare e consolidar o estado como polo de cafeicultura adaptada ao clima amazônico.

Leia também: Café Robusta Amazônico é declarado patrimônio cultural e imaterial de Rondônia

O projeto é desenvolvido pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater), com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

No projeto do campo experimental, são utilizadas técnicas modernas de cultivo, manejo nutricional das mudas e irrigação por microaspersão – em que a água é distribuída em pequenas gotas, formando uma espécie de névoa ou chuveiro sobre a planta ou solo.

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campo de cafe robusta
Café Robusta Amazônico. Foto: Armando Junior

Campo experimental testa diferentes manejos

No campo experimental, técnicos testam diferentes manejos do café com a proposta de avaliar a produtividade por hectare, como explica o engenheiro agrônomo Eliander Trajano, do Iater:

“Especificamente aqui na nossa unidade no PA Nova Amazônia, do café robusta amazônico, estamos trabalhando com um sistema de irrigação por microjets [pequenos jatos], que funciona como um micro nebulizador. Ele forma uma nuvem de água e irriga com bastante eficiência os cafezais. Também estamos adotando o manejo com duas hastes de café, que devem ser nosso potencial produtivo. Cada haste induz ramos produtivos, permitindo maior número de hastes produtivas por hectare”.

Leia também: Conheça a diferença dos cafés Arábica e Robusta e entenda sua distribuição na Amazônia

A ideia da iniciativa é ter espécies com uma excelência maior na região. Na unidade demonstrativa, foram plantados três blocos com 1.500 plantas cada.

Seis híbridos estão sendo testados para identificar quais se adaptam melhor ao solo e clima de Roraima. O projeto também busca posicionar o estado no mercado nacional e internacional de café robusta amazônico.

*Por Katiane de Jesus, da Rede Amazônica RR

Pará garante presença dos povos indígenas nas agendas climáticas rumo à COP 30

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Foto: Jaelta Souza/Ascom Sepi

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), informou que reafirma o compromisso de garantir os direitos e assegurar voz ativa às comunidades indígenas na formulação de políticas públicas e nas decisões que afetam seus territórios, culturas e modos de vida em uma atuação integrada à agenda ambiental, “reconhecendo que a proteção das populações originárias é inseparável da preservação da Amazônia”.

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Os objetivos são garantir acesso à terra, cultura, educação diferenciada, saúde e participação política, que também significa proteger a floresta e sua biodiversidade. Esses princípios orientam as ações estratégicas do Pará rumo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que será realizada em Belém, reconhecendo o papel essencial dos povos indígenas como guardiões do meio ambiente.

povos indígenas pará
Foto: Jaelta Souza/Ascom Sepi

Leia também: Mudanças climáticas ameaçam biomas brasileiros e destacam papel do ecoturismo na COP 30

Caravana dos Povos Indígenas nas etnorregiões

Entre as iniciativas em destaque está a Caravana dos Povos Indígenas rumo à COP 30, promovida pela Sepi com apoio da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa) e do Banco do Estado do Pará (Banpará). A ação percorre as oito etnorregiões do Estado, levando informação, promovendo escuta ativa e ampliando a participação indígena na construção da conferência ambiental.

“Essa Caravana é um instrumento de acesso à informação e de articulação política diretamente nos territórios, permitindo que cada comunidade leve suas demandas para o centro das discussões da COP30. Ao escutarmos quem vive e protege a floresta, fortalecemos não apenas os direitos humanos, mas também a luta global contra a crise climática”, destacou a secretária de Estado dos Povos Indígenas, Puyr Tembé.

O Pará se consolida como liderança na Amazônia ao unir direitos humanos e proteção ambiental, reforçando que a justiça climática só é possível com a valorização e o respeito aos povos originários. “Defender nossos povos é preservar a Amazônia. É ouvir quem cuida, respeitar quem vive e proteger quem resiste há séculos. O Pará, por meio da Sepi, segue determinado a colocar os povos indígenas no centro das soluções que o mundo precisa conhecer”, reiterou a secretária.

*Com informações da Sepi PA

Produtos da Amazônia passam a ter rota direta para a China via Porto de Santana, no Amapá

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Produtos amazônicos devem ter envio acelerado ao mercado chinês com a nova rota. Canal Dourado, na China. Foto: Divulgação/MIDR

A primeira viagem da nova rota marítima entre o Porto de Santana (AP) e a região da Grande Baía, na China, está em andamento. A informação foi confirmada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que enviou comitiva à cidade chinesa de Zhuhai no último fim de semana.

A iniciativa busca acelerar o envio de produtos amazônicos ao mercado asiático, reduzir custos logísticos e fortalecer o comércio bilateral.

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A comitiva brasileira visitou o Porto de Gaolan, um dos principais terminais da região, e conheceu a sede da Plataforma Integrada de Serviços Econômicos e Comerciais Sino-Latino-Americana — projeto que facilita negócios entre empresas brasileiras e chinesas.

“A rota marítima reduz custos logísticos, diminui o tempo de transporte e fortalece o comércio bilateral. O primeiro navio tem previsão de chegar em breve ao Porto de Santana, o que confirma o progresso da iniciativa”, afirmou o ministro Waldez Góes.

O Porto de Gaolan, em operação há 20 anos, passou a oferecer a nova rota neste ano após o diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, que intensificou as relações comerciais entre Brasil e China.

Produtos a caminho

Segundo o CEO da empresa Zhuhai Sino-Lac Amazônia, Marcius Nei Santos, o primeiro navio já saiu de Zhuhai e deve chegar ao Amapá ainda neste mês. Um segundo embarque está previsto para setembro.

“Nossa meta é que um navio saindo de Santana chegue a Zhuhai em 30 a 35 dias, o que é excepcional. Hoje, uma carga enviada pelos portos do Arco Norte leva de 90 a 180 dias para chegar à China”, explicou o executivo.

A delegação brasileira também conheceu a estrutura da plataforma comercial em Zhuhai, que inclui armazéns refrigerados, áreas para congelados e carga seca. O espaço conta com dois prédios exclusivos para o Brasil, com capacidade para abrigar até 150 empresas brasileiras interessadas em atuar diretamente na China.

produtos da amazônia serão levados em nova rota marítima para a china
Brasil e China inauguram rota marítima direta com passagem pelo Porto de Santana. Foto: Reprodução/Acervo PMS

O ministro destacou que a parceria com a Província de Guangdong abre espaço para diversificar exportações brasileiras e reforça ações voltadas à bioeconomia, inovação e desenvolvimento regional.

Ainda segundo o MIDR, o novo corredor marítimo atende diretamente zonas estratégicas de produção agrícola e mineral, consolidando os portos de Santana e Salvador como hubs para o escoamento de produtos como soja, minério de ferro, carne bovina e celulose.

Oportunidade para o Amapá

Para o pesquisador Tiago Luedy, que é professor de relações internacionais da Universidade Federal do Amapá (Unifap), a nova rota é uma excelente oportunidade para o escoamento da produção de produtos regionais.

“Uma rota marítima direta com a China não só coloca o Amapá no radar da logística de carga do comércio internacional, como também representa um enorme potencial de desenvolvimento do nosso estado. Apurei que a operação inicial começa com um navio a cada dois meses, sendo que a frequência pode aumentar dependendo da demanda”, explicou Luedy.

Ainda segundo o pesquisador, o tarifaço imposto pelos EUA aos produtos brasileiros e chineses facilita o comércio entre a Ásia e a América do Sul.

Leia também: Setor pesqueiro do Pará pode ser duramente afetado por tarifas dos EUA

“Com a nova rota, o tempo de viagem vai ser reduzido em 30 dias, o que dá uma redução de custo de viagem de cerca de 30%”, informou.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

5 acidentes aéreos que marcaram a história da aviação no Amazonas

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Alguns dos maiores acidentes aéreos no Amazonas aconteceram devido os desafios logísticos de sua vasta extensão territorial, fatores climáticos e até mesmo por falhas humanas e, ainda, de motores.

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Os acidentes envolveram desde aeronaves de pequeno porte até grandes aviões comerciais e revelam os riscos da aviação em áreas remotas e da falta de revisão das aeronaves. Saiba

Queda do voo 4815 da Rico Linhas Aéreas (Amazonas, 2004)

No dia 14 de maio de 2004, um avião modelo Embraer 120 Brasília, da Rico Linhas Aéreas, caiu enquanto se preparava para pousar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus (AM). A aeronave havia decolado após uma escala em Tefé com 30 passageiros e três tripulantes a bordo.

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Acidente da Rico Linhas Aéreas. Foto: Reprodução/Policia Militar do Amazonas

O voo fluiu normalmente até o momento em que a aeronave se preparava para pousar em Manaus, quando começou a perder altitude e colidiu com árvores em uma área de floresta a apenas 30 km da capital amazonense. Os 33 ocupantes do voo morreram. 

A investigação da polícia determinou que as causas do acidente incluíram fatores como falhas na coordenação entre os pilotos, ausência de procedimentos de briefing (reunião informativa realizada antes de cada voo com a tripulação) e má gestão da aproximação, já que a aeronave estava em condições de voo normais, sob o controle do piloto, e colidiu com a floresta sem que a tripulação percebesse o perigo a tempo.

Leia também: Levantamento do setor de inteligência da PF informa que aviões ilegais entram diariamente no Território Yanomami

Queda do Manaus Aerotáxi em Barcelos (Amazonas, 2023)

No dia 16 de setembro de 2023, um avião de pequeno porte da empresa Manaus Aerotáxi caiu em Barcelos, no interior do Amazonas, matando todos os ocupantes. A aeronave, Embraer EMB-110 Bandeirante, transportava 12 turistas brasileiros e dois tripulantes que seguiam para uma pesca esportiva no Rio Negro. 

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Destroços do avião do acidente aéreo em Barcelos. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

De acordo com as investigações, chovia bastante na região no momento do acidente e o avião teria chegado a tocar a pista, mas não conseguiu frear a tempo e saiu da área de pouso. As possíveis causas do acidente incluem o mau tempo e falha na decisão de pouso. 

Acidente da Manaus Aerotáxi no Rio Manacapuru (Amazonas, 2009)

No dia 7 de fevereiro de 2009, um avião EMB-110P1 Bandeirante, também operado pela Manaus Aerotáxi, caiu nas águas do Rio Manacapuru. No total, 24 pessoas morreram. A aeronave havia saído de Coari e se dirigia a Manaus, com 28 ocupantes sendo 18 da mesma família que seguiam para uma festa de aniversário.

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Destroços do avião Bandeirante da companhia Manaus Táxi. Foto: Michell Mello.

A aeronave estava certificada para transportar somente 19 pessoas, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e levava 28, incluindo os dois tripulantes, e somente quatro pessoas sobreviveram.

Durante o trajeto, sob forte chuva, o piloto comunicou que retornaria a Coari e pouco depois, o avião desapareceu dos radares e caiu a cerca de 500 metros da cabeceira da pista.

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Queda do avião Constellation da Panair (Amazonas, 1962)

No dia 14 de dezembro de 1962, um avião Lockheed Constellation da extinta Panair do Brasil, caiu a cerca de 40 km de Manaus, nas proximidades de Rio Preto da Eva. A aeronave vinha do Rio de Janeiro, com escala em Belém, e deveria pousar no aeroporto de Ponta Pelada, mas desapareceu minutos antes do pouso.

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Acidente Rio Preto da Eva, 1962. Foto: CIGS – Símbolos da Guerra na Selva, TC Souza Abreu.

Após 10 dias de intensas buscas, os destroços foram localizados em uma clareira no meio da selva e todos as 50 pessoas, 44 passageiros e seis tripulantes, morreram no impacto. Atualmente, o local onde o acidente aconteceu é conhecido como Clareira do Avião, onde o Exército do CIGS realiza homenagens anuais às vítimas e aos esforços de resgate.

Queda do Fairchild Hiller da empresa TABA em Tabatinga (Amazonas, 1982)

No dia 12 de junho de 1982, um avião Fairchild Hiller FH-227 da empresa TABA caiu no estacionamento do aeroporto de Tabatinga, no interior do Amazonas. O avião havia saído do município de Eirunepé e se dirigia a Manaus, realizando escalas em Tabatinga, Coari e Tefé.

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Destroços do avião após acidente em Tabatinga. Foto: Reprodução/Sindicado Nacional dos Aeronautas

A aeronave tentou pousar em meio a um nevoeiro denso, no entanto o radiofarol da pista estava fora de operação e por isso a tripulação tentou usar referências visuais como o rio. O avião então colidiu com a torre do próprio radiofarol e explodiu ao atingir o solo, matando todos os 44 ocupantes do voo.

Acidente do voo 1907 da Gol (Mato Grosso, 2006)

Esse acidente é fora do Amazonas, mas envolveu a capital do Estado. Isso porque o avião da Gol saiu de Manaus com destino ao Rio de Janeiro. Ele levava 154 pessoas, todas mortas após a colisão que aconteceu dia 29 de setembro de 2006.

O Boeing 737-800 da Gol colidiu em pleno voo com um jato executivo Legacy, sobre a Floresta Amazônica, na região de Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso. O jato Legacy, com sete pessoas a bordo, conseguiu pousar emergencialmente em uma base aérea.

A investigação da polícia apontou falhas na comunicação com o controle aéreo e erro humano, além da desconexão do transponder do Legacy, como causas do desastre. O acidente é considerado o segundo pior desastre da história do Brasil.

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Destroços do avião em Mato Grosso. Foto: Reprodução/ Corpo de Bombeiros

SGB e Marinha realizam mapeamento para assegurar monitoramento hidrológico em Itacoatiara

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Técnicos do SGB e militares da Marinha realizando o monitoramento geodésico da Estação Fluviométrica de Itacoatiara. Foto: Divulgação/Marinha

Para garantir a plena operacionalidade da Estação Fluviométrica de Itacoatiara, no Amazonas, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Marinha do Brasil, por meio do Centro de Hidrografia e Navegação do Noroeste (CHN-9), realizaram atividades de monitoramento geodésico e topográfico na região. O trabalho, que ocorreu em 16 de julho, teve como objetivo coletar dados sobre o nível do rio Amazonas nesse trecho e determinar coordenadas geográficas e altitudes ortométricas na área da estação.

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A Estação Fluviométrica de Itacoatiara pertence à Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) e é uma ferramenta fundamental para o acompanhamento dos níveis dos rios. Com os dados produzidos pela estação de controle, são realizados estudos hidrológicos para planejamento de ações preventivas que visem reduzir os efeitos das estiagens e secas severas. Nesse contexto, a ação do SGB e da Marinha, identificando o nivelamento geodésico na região da estação de Itacoatiara, foi essencial e necessário para que o trabalho de controle hidrológico fosse assegurado.

O que é um monitoramento geodésico?

O monitoramento geodésico é a medição e o acompanhamento de movimentações de estruturas ou áreas terrestres ao longo do tempo utilizando equipamentos receptores de tecnologia GNSS (Global Navigation Satellite System), determinando a posição e a altitude de pontos na superfície terrestre e em corpos hídricos com alta precisão.

Os pesquisadores do SGB estiveram no local para a instalação destes receptores GNSS de alta precisão nas referências de nível (RN) instaladas na seção de réguas, para obtenção das coordenadas geográficas e altitudes ortométricas e assim monitorar possíveis alterações observadas nas leituras diárias da cota do rio Amazonas nesta importante estação de monitoramento.

Equipamento utilizado na realização do mapeamento geodésico, auxiliando no monitoramento.
Equipamento utilizado na realização do mapeamento geodésico. Foto: Divulgação/SGB

De acordo com o técnico em geociências do SGB Carlos da Matta, após a prática do nivelamento geodésico nas RN, com a análise das cotas ortométricas adquiridas, torna-se possível a reconstrução de novos lances de réguas, em caso de ocorrência de danos, sem comprometer o histórico de monitoramento do rio, garantindo a continuidade das leituras antes e após dos reparos de eventuais sinistros na estação fluviométrica. Ressalta-se que o local onde está instalada a estação é um ponto de intensa movimentação aquaviária e já houve acidentes de embarcações derrubando lances de leitura do nível do rio.

Para a Marinha do Brasil, os números obtidos servirão como referência e balizamento no trabalho de batimetria para o mapeamento do leito do rio, possibilitando a atualização das cartas náuticas e informações essenciais para a segurança da navegação nesse trecho do rio.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB)

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta, evento gratuito que celebra a diversidade cultural amazônica

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Boa Vista será a segunda cidade a receber o Festival dos Povos da Floresta, projeto itinerante que celebra e reafirma a potência criativa e a diversidade da Amazônia. O evento gratuito, que será entre os dias 22 e 28 de agosto, se consolida como espaço de visibilidade, valorização e protagonismo para as artes produzidas pelos povos da floresta.

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Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta
Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

Idealizado pela Rioterra e apresentado pela Petrobras por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal, o projeto promove o encontro entre tradição e contemporaneidade, e ainda fomenta um espaço de visibilidade nacional para os povos da Amazônia.

Segundo a diretora executiva e responsável pela curadoria musical do Festival dos Povos da Floresta, Aline Moraes, a festa em Boa Vista promete manter e aprofundar o olhar iniciado em Porto Velho, exaltando as mulheres da floresta, a afetividade que conecta a Amazônia ao Brasil e a ancestralidade sonora dos povos originários e mestres de cada território — do movimento Beradero ao Roraimeira.
Com atividades gratuitas e acessíveis para todos os públicos, o festival valoriza mestres da cultura popular, coletivos artísticos, artistas indígenas e lideranças territoriais, compondo um mosaico vivo das expressões amazônicas.

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Atrações

Na sexta, dia 22, o encontro da Orquestra IBVM (Instituto Boa Vista de Música) com Eliakin Rufino e Lionella dialoga com a ancestralidade do Grupo Kapoi (povo indígena de Roraima), o elo interoperacional e a conexão com o Brasil, ao trazer pela primeira vez a Boa Vista Thalma e Heloise com um show que todos irão cantar juntos.

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

No sábado, 23, Socorro Lira apresenta Dharma, também inédito em Boa Vista, seguido de Do Cangaço ao Seringal, de Patrícia Morais com Anne Louise e a Quadrilha Agitação, valorizando a Amazônia Nordestina.

No domingo, 24, a força ritual da performance do Povo Gavião (RO) antecede o encontro de Binho (RO) e Leka Denz (RR), celebrando a conexão Rondônia–Roraima e encerrando com a homenagem ao movimento Roraimeira, protagonizados por Neuber Uchôa e Zeca Preto convidando Ana Lu e o Bodó Valorizado. Um palco onde memória, afeto e diversidade constroem pontes entre tradição e contemporaneidade.

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Exposição

A programação ainda inclui a exposição Povos da Floresta que reúne obras inéditas de artistas convidados, como Paula Sampaio (PA) e Gustavo Caboco (RR) que assina o logo do projeto, e selecionados por meio de chamamento público, e segue com uma intensa imersão artística e cultural, a qual contempla vídeos de realidade aumentada, produzidos exclusivamente para a interação com o público e curtas que foram selecionados também por meio de chamamento público.

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

A proposta convida o público a vivenciar uma experiência estética profunda, que atravessa o som, a imagem e a relação entre pessoas e territórios.

Além das atrações musicais e exposições, o festival oferece uma programação formativa com oficinas de vídeo e fotografia com celular, rodas de conversa temáticas e vivências culturais. A proposta é promover o encontro entre tradição e contemporaneidade, estimulando o reconhecimento da Amazônia como território de criação, inovação e resistência cultural.

Roteiro nacional

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

Depois de Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), o Festival dos Povos da Floresta segue para Macapá (AP), Belém (PA) e Brasília (DF). Em cada cidade, serão realizadas atividades que fortalecem redes de intercâmbio entre artistas, mestres da cultura popular, lideranças indígenas e coletivos culturais, criando pontes afetivas e artísticas em defesa da floresta e de seus povos.

Sobre a Petrobras e a parceria

Roraima receberá Festival dos Povos da Floresta. Foto: Divulgação

A Petrobras apresenta o Festival dos Povos da Floresta reafirmando seu compromisso com a cultura brasileira e com a valorização das múltiplas identidades que compõem o país. O patrocínio à iniciativa integra um amplo programa de apoio à cultura popular, como o Festival de Parintins e as festas juninas do Nordeste, promovendo o fortalecimento de expressões artísticas e tradicionais. Por meio dessa parceria, a Petrobras reconhece a cultura como força de identidade, inclusão e transformação.

Sobre a Rioterra

A Rioterra – Centro de Inovação da Amazônia é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e uma Instituição de Inovação, Ciência e Tecnologia (IICT) fundada em 1999. Atua no desenvolvimento de projetos que aliam conhecimento, sustentabilidade e inclusão social, contribuindo para o fortalecimento de comunidades e o desenvolvimento territorial da Amazônia. O Festival dos Povos da Floresta marca a criação do seu braço cultural, ampliando a atuação da instituição no campo das artes e da cultura.

Instagram: @festivaldospovosdafloresta
Email: festival@rioterra.org.br

Serviço

  • Festival dos Povos da Floresta – Etapa Boa Vista
  • Data: 22 a 28 de agosto de 2025
  • Locais: Teatro Municipal de Boa Vista
  • Entrada: Gratuita
  • Esquenta – Espaço Marupiara: 21 de agosto de 2025 – a partir de 20h.

Mais informações, horários e programação geral:
@festivaldospovosdafloresta | festival@povosdafloresta.art.br

Setor pesqueiro do Pará pode ser duramente afetado por tarifas dos EUA

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Foto: Divulgação

Após a inclusão de diversos produtos brasileiros na nova política tarifária dos Estados Unidos, o setor pesqueiro do Pará acendeu um sinal de alerta. Além do açaí, amplamente discutido nos últimos dias, o pescado paraense também está entre os itens que devem sofrer forte impacto com a imposição de tarifas adicionais pelo governo norte-americano.

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Setor pesqueiro
Peixes na feira. Foto: Divulgação

Dados do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) mostram que, somente entre janeiro e junho deste ano, o Estado exportou 3.671 toneladas de pescado, totalizando US$ 32,5 milhões. Os Estados Unidos figuram como o segundo maior destino dessas exportações, respondendo por cerca de US$ 12 milhões, o equivalente a 36,94% do total comercializado para o exterior, atrás apenas de Hong Kong.

Mesmo com um crescimento de 8,17% nas exportações para o mercado norte-americano em comparação com o mesmo período do ano passado, a adoção de tarifas pode reverter essa tendência positiva e comprometer parte significativa da receita do setor. Atualmente, o Pará lidera o ranking nacional de exportações de pescado, com participação de 21,33% nas vendas externas brasileiras, seguido pelo Ceará (14,75%) e Paraná (11,48%).

Os principais produtos exportados incluem “cabeças, caudas e bexigas natatórias de peixes”, que somaram US$ 14,1 milhões e representam 43,27% das exportações, além de “outros peixes congelados, exceto filés” (US$ 9,6 milhões) e o tradicional “pargo congelado” (US$ 4,9 milhões).

Tarifas e o setor pesqueiro

No entanto, o bom desempenho recente convive com fragilidades estruturais e operacionais que tornam o setor ainda mais vulnerável a mudanças externas. A ausência de uma regulação eficaz e a falta de apoio governamental às demandas históricas do setor agravam o quadro.

“A situação da indústria da pesca demonstra claramente que, na ausência de uma intervenção e suporte adequados por parte do poder público, a ilegalidade tende a se proliferar enquanto a atividade econômica formal, responsável por gerar emprego, renda e desenvolvimento socioeconômico, sofre um declínio acentuado, prejudicando toda a sociedade”, afirma o presidente da FIEPA, Alex Carvalho.

O cenário é corroborado por Apoliano do Nascimento, presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Estado do Pará (Sinpesca). Ele destaca que a imposição de tarifas adicionais por parte dos Estados Unidos representa um novo e significativo desafio para a cadeia produtiva do pescado no Pará.

setor pesqueiro amazonas
Foto: Divulgação/Acervo Sepror-AM

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Com margens de lucro já pressionadas por fatores internos, o setor corre o risco de perder competitividade internacional, ver seus produtos encarecidos no exterior e, consequentemente, reduzir sua capacidade de gerar emprego e renda em uma das regiões mais dependentes da atividade pesqueira.

“A indústria do pescado é um dos setores mais importantes do agronegócio da região Norte, responsável pela geração de emprego e renda de inúmeras famílias. No entanto, apesar da grande disponibilidade de pescado, a produção industrial ainda não alcança todo o potencial existente, principalmente aqui no Estado”, pontua Nascimento.

*Com informações da Fiepa