Home Blog Page 138

Desmatamento na Amazônia migra de áreas públicas para uso privado

0

Foto: Juan Doblas/IPAM

Áreas de uso privado concentraram 55% do desmatamento na Amazônia ente 2023 e 2024, revelando uma mudança de tendência, já que, nos dois anos anteriores (2021 e 2022), 54% da derrubada se deu em terras públicas. Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em nota técnica.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

O Greenpeace Brasil realizou sobrevoo no sul do Amazonas e no norte de Rondônia para monitorar o desmatamento e queimadas em julho de 2024. Foto: Marizilda Cruppe

Tais áreas de uso privado englobam imóveis rurais e assentamentos, responsáveis por 34% e 21% do desmatamento, respectivamente. Já as terras de uso público correspondem a áreas que pertencem à União, estados ou municípios, como florestas públicas não destinadas, unidades de conservação e terras indígenas, cuja gestão cabe ao poder público nas diferentes esferas.

Pesquisadoras avaliam que a migração da supressão vegetal é consequência da redução de 59% do desmate em áreas públicas em 2024, em comparação com 2022. A redução do desmatamento iniciou em 2023, mas foi mais expressiva em 2024.

“A redução do desmatamento em terras públicas está provavelmente ligada a reestruturação do comando e controle a partir de 2023. De 2022 para cá foram reestabelecidos vários processos relacionados a governança dessas áreas, operações de fiscalização aumentaram, assim como número de embargos e multas, isso tudo acabou gerando resultado. Reduzir a supressão de vegetação em terras privadas é mais complexo, além da fiscalização para prevenir o desmatamento ilegal é preciso estabelecer incentivos para reduzir a retirada legal da vegetação”, comenta Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM.

Ilustração/IPAM

As FPND (Florestas Públicas Não Destinadas) tiveram uma queda de desmatamento de 60% (2,4 mil km²) em 2024, em comparação a 2022, foi a maior redução de área absoluta desmatada entre as categorias fundiárias.

Mesmo concentrando o desmate no período analisado, assentamentos também registraram queda de 50%, ou 1,3 mil km²) e imóveis rurais de 36%, ou 1,2 mil km² no mesmo período.

Já as maiores quedas percentuais do desmate ocorreram em unidades de conservação e Áreas de Proteção Ambiental, respectivamente 72% e 73%. Terras indígenas tiveram queda de 26%.

Em 2024, 80% do desmatamento em terras públicas ocorreu em áreas administradas pelo governo federal e 20% em áreas estaduais. Mesmo nas FPNDs, cuja extensão sob domínio estadual é 63% maior que a das federais, a devastação foi mais intensa em áreas federais, que concentraram 69% da supressão de vegetação das FPNDS no período. Contudo, a redução do desmatamento em FPNDs federais foi de 68%, enquanto nas estaduais a redução foi de apenas 2%.

Ilustração: IPAM

Em 2024, desmatamento bruto no bioma alcançou o menor valor em nove anos, a segunda menor área desmatada desde 2015, quando o bioma teve 5,9 mil km² desmatados. Os 6 mil km² desmatados em 2024 representam uma queda de 51% contraposto a 2022.

“Houve um aumento da fiscalização pelos órgãos de controle e essas ações foram direcionadas para os locais com maior aumento de desmatamento nos anos anteriores, deixando a fiscalização mais eficiente. Esse aumento da fiscalização, com certeza, impacta na redução da grilagem em terras públicas”, explica Rafaella Silvestrini.

Como a pesquisa foi feita

A análise determinou o desmatamento por categoria fundiária e por Estado a partir dos dados do PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), que reúne informações consolidadas de desmatamento até julho de 2024.

As informações geográficas utilizadas correspondem apenas ao bioma amazônico, desconsiderando as porções de Cerrado e Pantanal presentes em Estados da Amazônia Legal. O método do IPAM considera a área bruta desmatada anualmente pelo PRODES entre agosto do ano anterior e julho do ano subsequente, e não a taxa anual de desmatamento, diferenciando os números de desmatamento da Nota Técnica em relação aos dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

*Com informações Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)

Literatura presente: mais de 100 artistas ganham destaque na 54ª Expofeira do Amapá

0

Foto: Jorge Junior/Secom AP

A 54ª Expofeira do Amapá, realizada pelo Governo do Estado, oferece múltiplos espaços e atrações culturais, incluindo um palco dedicado ao segmento da literatura, o Miniteatro Caboco. De acordo com a organização, mais de 100 escritores, poetas e contadores de histórias terão visibilidade neste sábado (6).

Até domingo (7), o Parque de Exposições da Fazendinha recebe diversas atrações artísticas, com foco em atrações do Amapá, proporcionando momentos de arte, entretenimento e poesia. 

Leia também: 54ª Expofeira do Amapá: Quem é Antônio Roberto Ferreira da Silva, o nome oficial do Parque de Exposições da Fazendinha?

A secretária Estadual de Cultura, Clícia Vieira Di Micelli, reconhece a importância dos fazedores de cultura como agentes ativos de mudança social e como um elo entre as políticas culturais e as comunidades.

“É uma grande felicidade darmos visibilidade à literatura, poesia e aos livros e proporcionar que a comunidade tenha a oportunidade de conhecer nossos escritores e contadores de histórias. Queremos estimular que as crianças, estudantes e a juventude tenham acesso à cultura e a transformação de realidades por meio da arte”, pontua a secretária.

O projeto que destaca os segmentos, livro, literatura e biblioteca tem a proposta de popularizar a leitura, aproximar o público dos nomes por trás das obras e desenvolver o prazer pela literatura.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A poeta e conselheira Estadual de Cultura do Amapá, Patrícia Andrade, que também é uma das idealizadoras do ‘Varal da Pré-Folia Literária Internacional’, que conta com a participação de 84 escritores, celebra esse movimento em que se evidencia as diversas formas de expressão do segmento literário. 

“Ver a literatura valorizada como linguagem artística, num palco lindo como o Miniteatro Caboco, representa a parte mais bonita do meu trabalho, que é ver materializada o uso das palavras para criar arte. Dá muito orgulho de todos os artistas”, destacou a conselheira.

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Entenda o papel vital dos rios na biodiversidade, economia e sobrevivência de comunidades em Rondônia

0

Pôr do sol no rio Madeira. Foto: Armando Júnior

Os rios que atravessam Rondônia são muito mais do que paisagens exuberantes da Amazônia: sustentam a economia, abastecem comunidades ribeirinhas e mantêm ecossistemas vulneráveis às mudanças climáticas.
Na comunidade Brasileira, por exemplo, o Rio Madeira é parte essencial da rotina.

Para Simone Alves, ribeirinha, ele representa tudo o que é necessário para viver:

“Do rio a gente pesca, a gente toma banho, pega água de lá pra beber, pra fazer comida: tudo é o Rio Jamari”, explica.

Essa mesma rede de rios que garante a sobrevivência humana também abriga uma das maiores biodiversidades aquáticas da Amazônia — espécies exclusivas, com características únicas, muitas delas ameaçadas ou vulneráveis.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Um exemplo é o pirarucu, o maior peixe de escamas de água doce do mundo, podendo atingir até 3 metros de comprimento e pesar cerca de 250 quilos. O manejo sustentável do pirarucu gera emprego e renda para centenas de famílias.

Outro peixe de destaque em Rondônia é o tambaqui. A produção no Vale do Jamari — a maior do estado — recebeu o selo de Indicação Geográfica (IG), que reconhece que o peixe é criado em uma região com tradição, qualidade e práticas consolidadas na piscicultura.

Além das espécies abundantes, há aquelas que vivem sob risco constante — como o boto-cor-de-rosa. Presente nos rios da Amazônia e no imaginário popular, ele é símbolo do folclore regional. A lenda do boto é uma das mais conhecidas da cultura amazônica e faz parte do folclore brasileiro.

Apesar de ainda possuir uma população relativamente expressiva, o boto enfrenta ameaças como a caça ilegal, a poluição dos rios e os ruídos provocados pelas embarcações, que comprometem sua saúde e colocam em risco sua sobrevivência.

Essas ameaças à fauna aquática se somam a um problema ainda maior: a escassez de água. Quando os rios secam, não é apenas a vida animal que sofre — comunidades inteiras enfrentam uma realidade drasticamente alterada.

Leia também: Gigantes do Rio Madeira: peixes que surpreendem pelo tamanho

Principais rios de Rondônia

O Rio Madeira é o principal rio de Rondônia e um dos mais importantes da Amazônia, com mais de 3 mil km de extensão e uma vazão média que o coloca entre os maiores do mundo em volume de água. Ele é essencial para a economia do estado, funcionando como hidrovia estratégica para o transporte de grãos e fonte de sustento para dezenas de comunidades ribeirinhas.

Todos os rios de Rondônia acabam desaguando no Madeira, formando uma bacia hidrográfica vital para o estado. São eles:

  • Rio Guaporé: Marca a fronteira com a Bolívia e é essencial para a pesca artesanal e o turismo ecológico.
  • Rio Mamoré: Também fronteiriço, tem papel histórico no transporte fluvial e na ligação com a região amazônica boliviana.
  • Rio Machado: Cruza áreas agrícolas e urbanas, sendo importante para irrigação e abastecimento.

Seca e cheia: extremos que castigam

“Quando não é a cheia, é a seca.” A frase de Simone Alves mostra que os ribeirinhos sentem na pele o que os especialistas já perceberam: as mudanças climáticas têm intensificado os eventos extremos.

“Os rios têm tido cheias mais intensas e secas mais severas, dificultando o transporte e o abastecimento de água da população, principalmente a ribeirinha”, explica Daniely da Cunha, coordenadora de Recursos Hídricos da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental.

O professor Michel Watanabe, geógrafo e pesquisador, destaca que o equilíbrio dos rios amazônicos depende do chamado pulso de inundação — o ciclo natural de cheias e vazantes que fertiliza o solo, regula a reprodução dos peixes e sustenta a biodiversidade da região. Quando esse pulso se desequilibra e se torna extremo, o sistema entra em colapso.

“Secas severas causam mortandade de peixes por falta de oxigênio e levam a floresta a um estado vulnerável, a incêndios catastróficos. Cheias prolongadas encurtam o período de disponibilidade de alimentos para a fauna terrestre, erodem margens e desalojam comunidades inteiras. Torna-se um sistema descompassado, com variações bastante sérias”, compara.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

barcaças navegando nos rios de rondônia
Comboio de 30 barcaças navega o rio Madeira, em Porto Velho. Foto: Reprodução Transportes Bertolini

Esses extremos se tornaram evidentes nos últimos anos. Em abril, o Rio Madeira atingiu 16,67 metros, e mais de 2,7 mil famílias precisaram deixar suas casas por causa da cheia. Quem presenciou a cena talvez não imaginasse que, apenas seis meses antes, o mesmo rio havia registrado o menor nível da história: apenas 19 centímetros.

Segundo a etnoclimatologista Alba Rodrigues, o desmatamento é um fator que influencia diretamente nas mudanças no regime de chuvas da região Norte: “A floresta, além de ser geradora de umidade e micropartículas de água, que formam as nuvens para precipitação em chuvas, também tem o papel de reguladora do sistema e regime das águas”, aponta.

Quando a seca chega, a realidade do estado muda drasticamente. A falta de água afeta a produção agrícola, compromete a alimentação e dificulta até os cuidados básicos com higiene. Esse é o cenário atual: na quinta-feira (4), o rio chegou a 3,22 metros. Essa cota está abaixo da média, mas ainda bem distante da mínima histórica para o período, que é 1,33 metro.

“Muitos aqui tão sem água pra tomar banho, pra fazer comida. A gente fica dependendo de um e de outro pra poder conseguir água, é muito difícil”, lamenta Simone.

Para comunidades como São Carlos, o rio é também o principal meio de locomoção. Durante a seca, esse deslocamento se torna quase impossível, isolando famílias, dificultando o acesso a serviços básicos e comprometendo a economia local. A mobilidade ribeirinha depende da navegabilidade dos rios — e quando ela falha, falha também o acesso à saúde, educação e comércio.

Economia movida a água

Os rios de Rondônia são motores da economia estadual. Segundo Daniely Sant’Anna, eles contribuem de forma decisiva:

  • Energia: Potencial para grandes hidrelétricas e pequenas centrais.
  • Transporte: A hidrovia do Madeira é essencial para o escoamento de grãos.
  • Produção: Agricultura, pecuária, pesca e piscicultura dependem dos corpos hídricos.
  • Abastecimento e indústria: Garantem água para consumo humano e processos industriais.
  • Turismo: Atraem visitantes e movimentam a economia local.

Durante a seca de 2024, o nível dos rios da região Norte caiu drasticamente, afetando a geração de energia nas hidrelétricas instaladas no Rio Madeira. A crise hídrica levou ao acionamento de termelétricas e ao aumento na conta de luz dos brasileiros.

O Rio Madeira funciona como uma hidrovia estratégica, sendo um dos principais corredores logísticos da Região Norte. Em 2025, o rio foi palco da maior operação de transporte de grãos no Brasil, considerando o peso da carga. Um supercomboio fluvial levou 75 mil toneladas de soja de Porto Velho (RO) a Santarém (PA).

Esse peso equivale a:

  • 65 Cristos Redentores, considerando que a estátua tem 1.145 toneladas; ou
  • Mais de sete Torres Eiffel, que pesa cerca de 10.100 toneladas.

Os rios de Rondônia não são apenas caminhos de água — são caminhos de vida. Preservá-los é garantir o sustento de milhares de famílias, a continuidade de culturas ancestrais e o equilíbrio de um dos ecossistemas mais ricos do planeta.

*Por Beatriz Rodrigues, estagiária sob supervisão de Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO

Artistas da Amazônia participam da obra que celebra os 90 anos de Mauricio de Sousa

0

O paraense Gidalti Junior que foi premiado com o Jabuti 2017 por Castanha do Pará também é vencedor de prêmios como CCXP Awards e HQMix com Brega Story, Ele está no time dos artistas. Foto: Divulgação

Em comemoração aos 90 anos de Mauricio de Sousa, a Editora Panini e a Mauricio de Sousa Produções, lançam em outubro a publicação MSP 90, uma obra de capa dura com 240 páginas que reúne uma verdadeira seleção brasileira de quadrinistas. O livro traz releituras inéditas e autorais dos personagens clássicos da Turma da Mônica, em uma homenagem emocionante que celebra o legado do mestre dos quadrinhos nacionais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Artistas da Amazônia
O amazonense Ademar Vieira é autor de Ajuricaba e Sete Cores da Amazônia, indicado ao Prêmio Jabuti, Mapinguari e HQMix. Foto: Divulgação

Entre os artistas anunciados, quatro nomes da Amazônia integram o projeto, reforçando a força e a diversidade da produção nortista. A quadrinista indígena Tai, do Pará, autora de Onde Habita o Medo — vencedora do Prêmio Mapinguari e indicada ao Troféu HQMix 2025 —, participa ao lado do amazonense Ademar Vieira, autor de Ajuricaba e Sete Cores da Amazônia, indicado ao Prêmio Jabuti, Mapinguari e HQMix, além de ter uma de suas obras adaptada para os cinemas.

A quadrinista indígena Tai, do Pará, é autora de Onde Habita o Medo. Foi vencedora do Prêmio Mapinguari e indicada ao Troféu HQMix 2025. Foto: Divulgação

O paraense Gidalti Junior, premiado com o Jabuti 2017 por Castanha do Pará e vencedor de prêmios como CCXP Awards e HQMix com Brega Story, também está no time de autores. Completando a lista, a quadrinista paraense Karipola, autora de Quase Tudo São Flores — indicada ao HQMix 2024 e vencedora do Mapinguari 2025 —, reforça a representatividade da região nesta edição histórica.

A quadrinista paraense Karipola, autora de Quase Tudo São Flores — indicada ao HQMix 2024 e vencedora do Mapinguari 2025. Foto: Divulgação

Com artistas de todas as regiões do Brasil, MSP 90 não é apenas uma homenagem ao criador da Turma da Mônica, mas também um presente para seus fãs. A obra mostra como os personagens mais queridos dos quadrinhos nacionais podem ser revisitados com novos olhares, estilos e linguagens, mantendo viva a magia que há seis décadas encanta gerações.

Leia também: 5 artistas que fortalecem a identidade indígena e amazônica com o rap

Sobre o Norte em Quadrinhos

O Norte em Quadrinhos é uma iniciativa que busca valorizar, divulgar e fortalecer a produção de quadrinhos da região Norte do Brasil. Atuando como vitrine para artistas e coletivos, o projeto promove as obras e o reconhecimento da diversidade de narrativas e estilos que vem da Amazônia, conectando criadores locais a leitores em todo o país através de eventos, premiações, profissionalização e muito mais.

Informações

Para mais informações, confira as redes sociais do @norteemquadrinhos. Entre em contato com eles pelo e-mail: nortequadrinhos@gmail.com

Operações que utilizam explosivos têm provocado consequências à populações ribeirinhas, aponta relatório

0

Defensoria pede ao Judiciário suspensão do uso de explosivos em operações no Rio Madeira. Foto: Junio Matos/DPE-AM

Um relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho Teko Porã – Vida Digna da DPE-AM aponta que as operações da Polícia Federal e do Ibama, que utilizam explosivos para destruir balsas, têm provocado consequências desproporcionais: crianças e idosos traumatizados pelos estrondos, famílias desabrigadas após terem suas casas-balsas destruídas, perda de documentos pessoais, além da mortandade de peixes e contaminação das águas, afetando a principal fonte de alimentação e renda das comunidades.

A desconfiança sobre a qualidade do pescado tem reduzido o consumo e agravado a crise socioeconômica local.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Defensoria pede ao Judiciário suspensão do uso de explosivos em operações no Rio Madeira
Defensoria pede ao Judiciário suspensão do uso de explosivos em operações no Rio Madeira. Foto: Junio Matos/DPE-AM

Diante disso, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) protocolou um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um agravo de instrumento no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para que a União e o Estado do Amazonas suspendam temporariamente o uso de artefatos explosivos nas operações de combate ao garimpo ilegal no Rio Madeira, especialmente no município de Humaitá.

A Defensoria argumenta que tais ações, além de ineficazes a longo prazo para combater o garimpo ilegal, violam o devido processo legal, uma vez que os bens são destruídos sem oportunidade de defesa ou contraditório. O órgão defende que o combate à mineração ilegal deve ocorrer de forma firme, mas com respeito aos direitos fundamentais e com políticas públicas que ofereçam alternativas econômicas sustentáveis para os ribeirinhos.

A medida, segundo o órgão, não questiona a necessidade de enfrentar a mineração clandestina, mas busca proteger populações ribeirinhas que têm sofrido graves impactos sociais, ambientais e humanitários com a tática utilizada.

Defensoria pede ao Judiciário suspensão do uso de explosivos em operações no Rio Madeira. Foto: Junio Matos/DPE-AM

Moradores afetados relatam momentos de desespero durante as operações. “Eles chegam, não dão tempo pra gente se explicar, tirar nada. Chegam tocando o terror, tipo cena de filme, ou corre ou pega tiro”, contou Nilton Braz da Gama, 26, extrativista e morador da comunidade Paraíso Grande, em Humaitá.  Ele tem uma filha de seis anos e sustenta toda a família com a atividade. 

Já Benedita Moraes, 37, é dona de casa e  relatou as perdas materiais e ambientais: “Eles vieram, espocaram as bolsas e não deram satisfação de como a gente poderia sobreviver. Não dão tempo pra nada, só mandam sair e ir pra longe. Os peixes morrem, causa um estrago enorme”.

Pedido judicial

A Defensoria pede que o Judiciário determine a suspensão imediata das explosões até que seja apresentado um plano conjunto entre União e Estado do Amazonas para enfrentar os conflitos socioambientais no Rio Madeira, conciliando a proteção do meio ambiente com a dignidade e a sobrevivência das famílias ribeirinhas.

“O que está em jogo aqui não é a defesa do garimpo ilegal, mas sim a defesa da vida, da dignidade e dos direitos humanos das comunidades que vivem há gerações no entorno do Rio Madeira”, destacou a Defensoria no pedido cautelar.

Violações a direitos básicos

Uma comitiva da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), por meio do Grupo de Trabalho “Teko Porã – Vida Digna”, realizou em julho uma visita ao município de Humaitá para ouvir moradores e avaliar os impactos sociais e ambientais enfrentados pelas comunidades ribeirinhas da região. O relatório produzido após a inspeção revelou um cenário crítico de vulnerabilidade, marcado por insegurança alimentar, moradia precária e riscos ambientais agravados pelas cheias e secas extremas.

Defensoria pede ao Judiciário suspensão do uso de explosivos em operações no Rio Madeira. Foto: Junio Matos/DPE-AM

Entre as constatações, a equipe identificou que famílias inteiras vivem em balsas improvisadas, muitas vezes em condições insalubres e sem acesso à água potável, saneamento básico ou serviços públicos essenciais. A comunidade Paraíso Grande, por exemplo, abriga 47 famílias em situação de extrema vulnerabilidade, dependendo da agricultura de subsistência e da pesca artesanal, cada vez mais comprometidas pelas mudanças climáticas.

O relatório também destaca os efeitos colaterais das operações de fiscalização contra o garimpo ilegal na região. Moradores relataram que balsas usadas como moradia foram destruídas indiscriminadamente, sem distinção das estruturas voltadas à mineração. A prática tem causado desabrigo, perda de patrimônio construído ao longo de anos e extravio de documentos pessoais, deixando famílias sem acesso a benefícios sociais.

Defensoria pede ao Judiciário suspensão do uso de explosivos em operações no Rio Madeira. Foto: Junio Matos/DPE-AM

Na conclusão, o Grupo de Trabalho ressaltou que o combate ao garimpo ilegal é necessário, mas deve vir acompanhado de políticas públicas integradas que assegurem a moradia, a subsistência e a dignidade das populações atingidas. O relatório recomenda que a Prefeitura de Humaitá e o Governo do Estado adotem medidas urgentes de assistência, reparação e inclusão em programas habitacionais, além de articular soluções sustentáveis que equilibrem proteção ambiental e justiça social.

*Com informações da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM)

8 aparelhagens animam o Festival que faz parte da 54ª Expofeira do Amapá; saiba quais

0

Com sistemas de som potentes, jogos de luz, lasers, painéis de LED e efeitos pirotécnicos, as aparelhagens carregam nome e identidade própria. Na 54ª Expofeira do Amapá as aparelhagens são atrações confirmadas e imperdíveis.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A programação conta com DJs que comandam essas estruturas, criando uma experiência única ao público. Confira as que vão tocar este ano no Festival das Aparelhagens:

Leia também: Você sabe o que são as populares ‘aparelhagens’ da Amazônia?

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Pesquisadores do Inpa descrevem 33 novas espécies de vespas na Amazônia

0

Pesquisadores do Inpa anunciaram a descrição de 33 novas espécies de vespas da família Bethylidae. Foto: Leonardo Gomes/ Acervo Pessoal

A Amazônia segue revelando alguns dos seus segredos. Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) anunciaram a descrição de 33 novas espécies de vespas da família Bethylidae, popularmente chamadas de “vespas-achatadas”.

O trabalho, conduzido pelo biólogo Leonardo Alho Gomes, recém-egresso do Programa de Pós-Graduação em Entomologia do Inpa, representa um marco para o estudo do gênero Pseudisobrachium no Brasil e amplia significativamente o inventário de insetos da região.

Vespas são pequenas e discretas, mas essenciais

Apesar de quase imperceptíveis a olho nu, as vespas-achatadas exercem funções ecológicas de grande relevância. Elas atuam como parasitoides de outros insetos, muitas vezes considerados pragas agrícolas, ajudando a equilibrar os ecossistemas.

“Eu escolhi trabalhar com Bethylidae porque são muito abundantes, mas pouco estudadas na Amazônia. É fundamental compreender melhor sua diversidade e papel nos ambientes naturais”, explicou Gomes.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Expansão do conhecimento científico

O gênero Pseudisobrachium está presente em quase todas as regiões biogeográficas do planeta, exceto nas áreas polares. Globalmente, cerca de 194 espécies já haviam sido reconhecidas, sendo 61 no Brasil — em sua maioria registradas na Mata Atlântica. Na Amazônia, apenas quatro espécies eram conhecidas antes da pesquisa.

A descrição das 33 novas espécies revela o quanto a biodiversidade amazônica ainda é pouco explorada e reforça a necessidade de ampliar os estudos taxonômicos.

O papel das coleções científicas

A pesquisa só foi possível graças ao acesso às coleções biológicas do Inpa e de instituições parceiras, que guardam exemplares coletados ao longo de décadas. “Essas coleções são verdadeiros guardiões da biodiversidade. Sem elas, o trabalho não teria sido possível”, destacou Gomes.

Leia também: Acervo biológico: Inpa abriga umas das maiores coleções de formigas do Brasil

O processo de descrição envolveu análises minuciosas da morfologia dos insetos. Estruturas específicas, como o clípeo — localizado entre antenas e mandíbulas — foram determinantes para distinguir as espécies amazônicas. Os estudos mostraram que muitas delas apresentam características únicas, inexistentes em outras regiões.

Biodiversidade ainda a ser revelada

Mais do que um avanço acadêmico, a descoberta reforça a urgência da conservação. Cada nova espécie descrita é uma peça do complexo quebra-cabeça da vida na Amazônia.

“Essa descoberta mostra que ainda há muito a conhecer sobre a biodiversidade amazônica. Cada espécie nova é um testemunho da importância de proteger o bioma”, concluiu o pesquisador.

*Com informações do Inpa

Nova ferramenta criada no Amazonas analisa água e detecta metais pesados

Foto: Yurimiler Leyet Ruiz/Acervo pessoal

Desenvolver tecnologias mais acessíveis e eficazes para o monitoramento da qualidade da água e detecção de metais pesados, especialmente em regiões vulneráveis como a Amazônia, a fim de promover a fiscalização ambiental, a proteção das comunidades ribeirinhas e a formulação de políticas públicas eficazes.

Esse é o principal objetivo da pesquisa ‘Sensor eletroquímico baseado em grafeno para detecção de metais pesados em água’, que resultou na obtenção de compósitos nanoestruturados de grafeno e óxido de grafeno, caracterizados como materiais extremamente finos e leves, com propriedades elétricas e químicas muito especiais.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

pesquisa analisa água e metais
Foto: Yurimiler Leyet Ruiz/Acervo pessoal

A pesquisa foi apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), amparada pelo Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, Chamada Pública FAP/CNPq N° 003/2022.

O coordenador da pesquisa e doutor em Ciências Físicas, Yurimiler Leyet Ruiz, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), explicou que estudar a presença de metais pesados na água é fundamental, visto que esses elementos, mesmo em pequenas quantidades, são altamente tóxicos para o ser humano, para os animais e para o meio ambiente.

“Metais como mercúrio, chumbo, cádmio e níquel podem se acumular no organismo ao longo do tempo, causando doenças neurológicas, renais, respiratórias e até câncer. Em comunidades ribeirinhas da Amazônia, onde a água dos rios é usada diretamente para beber, cozinhar e pescar, o risco é ainda maior”, afirmou.

Leia também: Análise confirma presença de metais na água após rompimento de barreira em garimpo ilegal, no Rio Cupixi, no Amapá

Além do impacto à saúde, esses metais também comprometem a qualidade do solo e da biodiversidade aquática, prejudicando a fauna e a flora locais. Como muitos desses poluentes vêm da atividade de garimpo ilegal e do desmatamento, monitorar a água torna-se uma ferramenta essencial para fiscalização ambiental, proteção das comunidades e formulação de políticas públicas eficazes.

Etapas da pesquisa

O estudo foi realizado em etapas, começando pela produção de materiais chamados nanocompósitos, formados por grafeno e óxido de grafeno, seguindo para análise minuciosa em laboratório com o uso de técnicas como microscopia eletrônica, espectroscopia Raman e ensaios eletroquímicos e, por fim, teste como eletrodos, que são componentes principais em sensores eletroquímicos.

compósito é um material feito da combinação de dois ou mais componentes com propriedades diferentes. Para o estudo, eles foram aplicados em sensores eletroquímicos capazes de detectar e medir a presença de metais pesados na água, como cádmio, chumbo e mercúrio, que são substâncias perigosas à saúde humana e ao meio ambiente.

Esses metais podem estar presentes na água por causa do despejo de resíduos gerados em atividades de garimpo, desmatamento e desmontes de encostas, comuns na Região Amazônica. Muitos deles acumulam-se nos organismos vivos, como peixes, e acabam entrando na cadeia alimentar, afetando diretamente a saúde das populações ribeirinhas.

“Durante a pesquisa, usamos grafeno, que é uma folha ultrafina de átomos de carbono com excelente condutividade elétrica e resistência mecânica, e o óxido de grafeno, que tem uma estrutura parecida com o grafeno, mas contém grupos de oxigênio que o tornam mais fácil de dispersar em água. Ao combinar esses dois materiais, conseguimos unir o melhor de cada um: a condutividade do grafeno com a estabilidade e a boa dispersão do óxido de grafeno”, detalhou.

Ele complementou ainda reforçando que a produção desses compósitos foi feita por meio de um método chamado sonoquímico, que usa ondas de ultrassom para “quebrar” as camadas de grafite (o mesmo material do lápis) em folhas muito finas, gerando as nanopartículas desejadas. O processo utilizado foi considerado limpo, rápido e de baixo custo.

Logo após essa etapa, os compósitos foram analisados com diferentes técnicas para entender suas características, como, por exemplo: o tamanho das partículas, a estrutura e o comportamento elétrico. Esse método foi essencial para garantir que o material tenha qualidade e desempenho adequados para ser usado futuramente em sensores e aplicados diretamente no campo para monitorar a qualidade da água em regiões impactadas pela mineração, como muitos rios da Amazônia.

*Com informações da Fapeam

Tradição, cultura e histórias marcantes: 6 curiosidades sobre a Expofeira do Amapá

0

A Expofeira do Amapá é um dos eventos mais tradicionais da região Norte e reúne negócios, cultura, lazer e entretenimento em um só lugar. Realizada no Parque de Exposições da Fazendinha, na Zona Sul de Macapá, a feira atravessou décadas e deixou muitas histórias curiosas que ajudam a entender sua importância para o estado.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Confira algumas delas:

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

‘Açaiódromo’: você sabia que é possível encontrar açaí à venda até de madrugada na Expofeira do Amapá?

0

O espaço funciona dentro do Parque de Exposições da Fazendinha. Foto: Mariana Ferreira/Rede Amazônica AP

O visitante que for até a 54º Expofeira do Amapá encontra açaí à venda até às 3h no ‘Açaiódromo’, área destinada aos batedores de açaí. A ideia por parte da organização do evento é valorizar a culinária local.

Como de costume no Norte, o fruto é consumido acompanhado de diferentes proteínas, por isso o cardápio no espaço gastronômico é variado: charque, frango, carne e até combinações mais inusitadas como carne enlatada. A porção do fruto custa R$ 10.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O espaço foi criado em 2023, quando o evento retornou. Marco Antônio da Silva é um dos batedores que trabalha na área. Para ele, um dos diferenciais é o horário de venda. 

“Estou pelo segundo ano trabalhando aqui. Então, aqui a gente encontra o fruto com camarão, com charque, calabresa, conserva [carne enlatada] tudo com o açaí. A partir de 17h pode vir aqui que consegue tomar um novo e seguimos até 3h”, disse Marco. 

O batedor afirma que as vendas estão boas e atribui o sucesso à identificação do público com a variação dos alimentos. 

Leia também: Aguce o paladar: confira os pratos típicos que você pode encontrar 54ª Expofeira do Amapá

açaí
Espaço conta venda de iguarias típicas da região. Foto: Mariana Ferreira/g1

“As vendas estão boas, estamos vendendo bastante. Está tendo uma boa procura. É da nossa terra, todo mundo gosta”, brincou.

Os batedores do fruto foram credenciados por meio de edital coordenado pela Secretaria de Estado do Trabalho e Empreendedorismo (Sete). 

A Expofeira segue até o domingo (7) com exposições, rodadas de negócios, shows nacionais e locais. 

Curiosidades sobre o açaí

Com mais de 22 mil toneladas do fruto, o açaí apresentou os maiores números de extrativismo em 2024 no Amapá, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Leia também: Cappuccino gelado de açaí? Startup do Amapá lança novidade como opção saudável para o calor

açaí
Uma das iguarias mais procurados é o camarão com açaí. Foto: Mariana Ferreira/g1

Do açaí, foram produzidas 22 mil toneladas do fruto, com 1.760 hectares de área plantada, totalizando em R$ 65 milhões. 

*Com informações da matéria escrita por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.