Manaus 30º • Nublado
Terça, 26 Outubro 2021

Vacinação contra Covid-19 é mais lenta para indígenas da Amazônia, aponta estudo

Uma análise dos microdados da vacinação publicada pela Open Knowledge Brasil nesta semana revela que a vacinação de povos indígenas na Amazônia Legal segue em ritmo mais lento que em outras regiões do país. Um terço (34%) dos vacinados está na região, que abriga pelo menos 60% da população indígena brasileira. Além disso, os dados mostram que o ritmo de imunização entre povos indígenas é o que está mais atrasado entre os grupos priorizados pelo governo federal.

A vacinação de novas pessoas indígenas foi drasticamente reduzida quando ainda estava no patamar de 55% da população prevista, enquanto a segunda dose só chegou a 29% do público de 413.739 indígenas que deveriam tomar a vacina. A título de comparação: profissionais da saúde formam um grupo 13 vezes maior que o dos indígenas; porém, 67% dos profissionais de saúde já convocados haviam recebido a primeira dose.

Foto: National Cancer Institute/Unsplash

Parte do Índice de Transparência da Covid-19, a análise integra uma série de boletins especiais sobre a situação da pandemia na região da Amazônia Legal, em parceria com a Hivos e seu programa Todos os Olhos na Amazônia.

Problemas de qualidade dos dados

Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da OKBR e porta-voz do estudo, aponta que, além dessas questões, há uma falta de consistência nos dados de vacinação deste grupo. 

"A base de dados disponibilizada pelo Ministério da Saúde dificulta a análise e o monitoramento do processo de vacinação da população indígena. Isso porque ela apresenta uma série de problemas de preenchimento e consistência. Por exemplo, em 21% dos registros de todo o país, não há informação sobre o quesito raça/cor", comenta Fernanda.

O problema é mais grave em entes como Distrito Federal (42%), São Paulo (36%) e Rio de Janeiro (39%). Além disso, a base não traz informação sobre etnia indígena entre os vacinados, o que acontece em outras bases de dados sobre a Covid-19. Há, ainda, possíveis erros em relação ao registro de aplicação de doses: em quase 6 mil casos, apenas a aplicação da segunda dose foi preenchida.

Outro problema identificado pelo relatório é a discrepância expressiva entre os registros da base de dados do OpenDataSUS e do Painel "Imunização Indígena". O estudo aponta que são mais de 85 mil doses de diferença de uma fonte para outra, apesar de ambas serem mantidas pelo Ministério da Saúde.

Veja mais notícias sobre NotíciasAmazôniaSaúde.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Terça, 26 Outubro 2021

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://portalamazonia.com/