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Segunda, 29 Novembro 2021

Surucucu: a cobra mais venenosa da América Latina

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Com comprimento médio de dois metros nos machos e até três nas fêmeas, a sururucu-pico-de-jaca (Lachesis Muta) ou simplesmente surucucu é considerada a maior serpente peçonhenta das Américas. No Brasil, ocorre predominantemente na Amazônia e na Mata Atlântica, onde encontra o habitat ideal para sua sobrevivência: áreas florestais com solo úmido.

A habilidade de produzir e expelir veneno é o que fez das cobras peçonhentas tão temidas quanto evitadas pelos humanos e por outros animais. Não é por menos que a surucucu (Lachesis Muta) ganha destaque no páreo das grandes serpentes.

Número de espécies de serpente encontradas no mundo — Foto: Arte: TG

Duas características são exclusivas da espécie: as escamas pontiagudas que se parecem com cascas de jaca, por isso o nome "pico-de-jaca", bem como a escama alongada de sua calda. A coloração de seu corpo varia entre o castanho-claro e o escuro, sempre com manchas pretas em forma de losangos. Esses atributos são mais evidentes nos indivíduos adultos. O ventre é branco ou creme, com manchas castanhas na região da cauda.

Durante o dia, ela repousa em ocos de árvores e dificilmente reage às aproximações, a não ser que seja pisada ou tocada. À noite, quando a surucucu está ativa (caçando), ela pode ser agressiva, dando botes longos e altos quando ameaçada. Assim como as jararacas, dá preferência para animais menores, em especial mamíferos, como roedores e marsupiais. A serpente fica toda enrolada à espera da presa, calculando o momento ideal para atacar.

Da família de jararacas e cascavéis, surucucu possui corpo escamado - Foto: Internet

Na hora de dar o bote, o corpo da cobra é projetado em direção à presa, afim de que seus dentes injetores de veneno penetrem no corpo da vítima. A serpente ainda deixa a presa fugir após a mordida, sabendo que ela não irá muito longe, afinal, o veneno causa paralisia nos membros locomotores e órgãos do atingido.

Espécies do gênero da sururucu  possuem um veneno tão potente que as presas deixam um rastro químico pelo chão durante a fuga. Trata-se de um mecanismo das cobras para farejar suas vítimas depois do bote e, então, ingeri-las. Normalmente as serpentes iniciam a ingestão da presa pelo lado da cabeça, uma vez que as patas dos animais podem dificultar o processo e/ou causar lesões.

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Envenenamento

O envenenamento ocorre quando a serpente consegue injetar o conteúdo de suas glândulas venenosas, o que significa que nem toda picada leva ao envenenamento. Há muitas espécies de serpentes que não possuem presas ou, quando presentes, estão localizadas na porção posterior da boca, o que dificulta a injeção de veneno ou toxina.

Acidente ofídico ou ofidismo é o quadro de envenenamento decorrente da inoculação de toxinas através do aparelho inoculador (presas) de serpentes.

Picada: Acidente laquético: quadro semelhante ao acidente por jararaca, a picada pela surucucu-pico-de-jaca pode ainda causar dor abdominal, vômitos, diarreia, bradicardia e hipotensão.


Providências urgentes

. Lavar o local com água e sabão, para limpar a ferida e impedir a entrada de mais veneno ou micro-organismos;

. Amarrar um pedaço de tecido alguns centímetros acima do local da picada de cobra. No entanto, não se deve amarrar muito apertado porque pode causar maiores complicações, e se já passou mais de meia hora da picada da cobra, não se deve amarrar.

. A maior parte das cobras no Brasil não têm veneno e, por isso, a picada não é perigosa para a saúde, no entanto, em qualquer caso é sempre importante ir no hospital para informar as características da cobra e confirmar e identificar se realmente era venenosa ou não. Caso tenha sido um picada por cobra venenosa, geralmente é administrado o antídoto para o veneno, de forma a que as lesões parem de acontecer.

. Se não for possível transportar a cobra para o hospital, é aconselhado tomar nota das principais características, como cor, padrão, formato da cabeça e tamanho, ou tirar uma foto.

Tratamento

Os soros antiofídicos específicos são o único tratamento eficaz e, quando indicados, devem ser administrados em ambiente hospitalar e sob supervisão médica. Não se recomenda o uso de soros fora do hospital, pois a aplicação deve ser feita na veia e, sendo ele produzido a partir do sangue do cavalo, ao ser injetado no organismo humano, pode provocar reações alérgicas que precisam ser tratadas imediatamente. Além disso, é preciso conhecer os efeitos clínicos dos venenos para se indicar o tipo correto e a quantidade de soro adequada para a gravidade.

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Terça, 30 Novembro 2021

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