Nova espécie de peixe descoberta no Pará é classificada como quase ameaçada

A nova espécie de peixe cascudo-graveto foi registrada por pesquisadores da UFRJ no Baixo Tapajós.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) descobriram uma nova espécie de peixe cascudo-graveto, do gênero Farlowella, em pequenos igarapés em Juruti, no Baixo Tapajós, Pará. O estudo publicado na revista ‘Neotropical Ichthyology’ nesta sexta (28) traz luz à importância de estudar a biodiversidade amazônica e um alerta para os impactos da atividade mineradora no Estado: a espécie já entra catalogada como quase ameaçada.

O estudo da espécie foi realizado a partir de exemplares coletados em quatro estações de coleta em Juruti, no igarapé Rio Branco, igarapé Mutum e igarapé São Francisco. A partir da literatura, os pesquisadores utilizaram portal da Geospatial Conservation Assessment Tool para estimar áreas de Extensão de Ocorrência (EOO) e de Ocupação (AOO). Já para as categorias e critérios de status de conservação das espécies foi utilizado o Comitê de Padrões e Petições da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza).

A nova espécie, chamada de Farlowella wuyjugu, se diferencia das demais congêneres por uma região gular nua (região ventral da cabeça, anterior ao istmo e abaixo da maxila inferior). Ela também possui cinco fileiras de placas laterais na região anterior do corpo, enquanto em muitas outras espécies se observam quatro. O nome wuyjugu refere-se à junção das palavras Wuy Jugu, autodenominação dos indígenas Munduruku. A etnia faz parte do tronco Tupi e está localizada em diversas regiões e territórios, nos Estados do Amazonas, Pará e Mato Grosso

Distribuição onde se encontra a espécie. Imagem: Reprodução/Artigo ‘New species of Farlowella (Siluriformes: Loricariidae) from the rio Tapajós basin, Pará, Brazil’

Segundo o artigo, a descoberta e descrição do F. wuyjugu contribui para o conhecimento do rio Arapiuns e para o entendimento da ictiofauna – conjunto dos peixes que vivem em um certo ambiente – da bacia do rio Tapajós. “Por isso é tão importante o trabalho de taxonomistas”, explica Manuela Dopazo, pesquisadora e co-autora do artigo. “A taxonomia auxilia outras áreas de conhecimento que podem ajudar nas tomadas de decisão para estudos futuros de conservação”.

Foto: Reprodução/Artigo ‘New species of Farlowella (Siluriformes: Loricariidae) from the rio Tapajós basin,
Pará, Brazil’

Uma das fontes principais da economia da cidade de Juruti é a mineração de bauxita, operada desde 2006 pela empresa americana Aluminum Company of America (ALCOA). Segundo Dopazo, a atividade acontece fora do leito dos rios, mas afeta os corpos d’água locais por impactos como diminuição de fluxo, aumento de turbidez e alteração químico-física da água. Logo, a população de peixes das cabeceiras dos pequenos rios devem ser as mais afetadas pela mineração. “As ações a serem tomadas devem visar mitigar os efeitos de tais impactos no ambiente aquático”, salienta a pesquisadora.

A pesquisa demonstra a importância do conhecimento científico para estratégias de conservação da biodiversidade amazônica.

“Apesar da Amazônia ser a região mais rica em diversidade de peixes do planeta, muitas dessas espécies ainda não são conhecidas pela ciência e podem ser extintas antes mesmo de serem descobertas”, 

finaliza Dopazo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori.

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