Estudo aborda queimadas e qualidade do ar no Acre

Os professores do campus Floresta da Ufac, Antonio Willian Flores de Melo e Sonaira Souza da Silva, publicaram dois relatórios sobre impactos das queimadas e deterioração da qualidade do ar em 2019 no Acre. 

Os relatórios apontam que o Estado do Acre teve, em média, 21 dias acima do limite diário recomendado pela Organização Mundial de Saúde para concentração de material particulado, ou seja, partículas poluentes do ar, e 80% de mais áreas queimadas em 2019 em comparação a 2018. Na Amazônia, a principal poluição do ar é originada pelas queimadas para limpeza de áreas recém-desmatadas ou reforma de pastagens e áreas de agricultura.

Com base nos dados de 31 sensores instalados em 22 municípios do Estado do Acre para monitoramento da qualidade do ar, durante o período de junho a dezembro de 2019, os pesquisadores estimaram que houve alta exposição da população do sudoeste da Amazônia com partículas poluentes do ar. Os problemas à saúde humana decorrentes das queimadas afetam, principalmente, o sistema respiratório, entre outras doenças provocadas pela poluição do ar.

“O entendimento de que a qualidade do ar é fortemente deteriorada pelas queimadas no Estado e em toda a Amazônia pode ajudar gestores em saúde a prepararem-se melhor, evitando sobrecarregar recursos hospitalares neste momento de pandemia pela covid-19”, afirmou o professor Willian Flores.

Os estudos foram coordenados pela Ufac, em parceria com diversas instituições de pesquisa, órgãos públicos e prefeituras, como Ministério Público do Estado do Acre, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Woods Hole Research Center e Embrapa de Roraima.

Segundo a pesquisadora Liana Anderson, do Cemaden, a origem do material particulado é de queimadas e incêndios florestais, que ocorreram não só localmente, mas em toda a Amazônia.

Os relatórios, intitulados “Relatório Executivo de Monitoramento da Qualidade do Ar em 2019 no Estado do Acre” e “Queimadas 2019 no Estado do Acre”, foram produzidos com financiamento dos projetos Acre Queimadas (CNPq/Prevfogo — Ibama, n.º 33/2018, processo: 442650/2018-3); MAP-Fire (IAI —processo: SGP-HW 016) e Observatório das Políticas Públicas de Variações Climáticas do Estado do Acre.

Foto: Divulgação

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