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Segunda, 24 Janeiro 2022

Conheça os fortes da Amazônia que existiram entre os séculos XVII e XVIII

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As chamadas fortificações são estruturas planejadas para a defesa de territórios em tempos de guerra. A palavra deriva do grego "fortis", que significa forte, seguido da palavra facere (fazer). Estas construções são erguidas há milhares de anos, de diversas variações.

Ele pode ser composto por uma ou mais baterias de artilharia na construção e possuem um longo intervalo entre si. Uma fortificação pode significar, também, o aperfeiçoamento da defesa de certa área. Isso é feito com a melhora das fortalezas militares e trabalhos defensivos.

Existem diversos tipos de fortificação, entretanto, para categorizá-los podemos definir 2 tipos: As fortificações de campo (de campo), onde as tropas utilizam materiais encontrados e materiais encontrados no local, que não exigem muita preparação; e as fortificações permanentes, erguidos com todos os recursos que o Estado dispõe, utilizando melhores formas construtivas e mecânicas, com materiais duradouros. 

No Brasil, os portugueses ergueram mais de 350 fortificações em dois séculos e meio. Estas fortalezas também eram chamadas de fortes, fortins, redutos, redentes, presídios, trincheiras, portões, feitorias, baterias, vigias ou hornaveques. A maior concentração de fortalezas no Brasil ocorreu em Belém, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Santos.

Na região amazônica, a primeira fortaleza a ser construída foi o Forte do Presépio, na cidade de Belém, no Pará, em 1616. Por conta do interesse de outros países na região.

Conheça mais sobre algumas dessas estruturas:

Forte do Presépio ou forte do castelo - Belém (PA)

O Forte do Presépio teve diversos nomes ao longo de sua história: Forte do Presépio de Belém, Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo, Forte do Senhor Santo Cristo e Forte do Castelo, localizado em Belém, no Pará.

Os exploradores portugueses acreditaram que a estrela de Belém guiara Castelo Branco até chegar a bom porto, Transeamus usque Bethlem, segundo o Evangelho de São Lucas. Em 18 dias de viagem, em 12 de janeiro de 1616, desembarcaram nas tabas tupinambás, onde estabeleceram uma fortificação que denominaram de Forte do Presépio e batizaram a região de "Feliz Luzitânia". Ela serviria para a penetração e ocupação do vasto território desconhecido que ficava a oeste. Ajudados pelos tupinambás, levantaram uma dupla linha de paliçada, repleta de areia, formando um parapeito do lado do mar, onde montaram dez peças da artilharia, as quais trouxeram da frota. A localidade alta, adaptava-se bem aos dispositivos de defesa militar. Tinha 2 faces para os dois rios, sendo por esse lado escarpada, ligada ao continente por uma estreita faixa de terra; fácil seria isolá-la e defendê-la. O forte erguido era de paliçada,1 em quadrilátero, feito de taipa de pilão na parte do rio e guarnecido por cestões na parte de terra. Peças de artilharia apontavam para os inimigos eventuais de Portugal e Espanha, se preparando à foz do rio Amazonas para o combate contra os ingleses e holandeses, então donos do vantajoso comércio na calha do rio Amazonas.

O forte sofreu reformas em 1759 e em 1773. A partir de 1759, uma parte de suas instalações foi transformada em hospital. Em pouco tempo, o então governador Fernando da Costa de Ataíde Teive o transformou em hospital militar. Hoje, esse local é conhecido como a Casa das Onze Janelas. Reformado e rearmado a partir de 1850, durante o governo de Jerônimo Francisco Coelho, presidente da província do Pará, o Forte do Presépio recebeu limpeza geral interna.

Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu de quartel para uma bateria de artilharia. Na década de 1950, as suas dependências abrigaram diversos serviços da 8ª Região Militar. Em 1962, o Forte do Presépio foi tombado pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 

Foto: Divulgação

 Forte de Santo Antônio de Gurupá - Gurupá (PA)

Localizado na ilha de Gurupá, a oeste da ilha de Marajó, foi fundado em maio de 1623, à margem direita do rio Amazonas, no estado do Pará. Construído no mesmo local onde os holandeses construíram o Forte Mariocai em 1610. Seu nome vem da língua falada por indígenas que moravam entre a foz do rio Peri e a do rio Acaraí, na margem esquerda do rio Xingu, afluente do rio Amazonas.

A ilha mede 151 km de comprimento e 35 km de largura. É contornada pelo rio Amazonas, pelo canal de Gurupá e pelo "Furo"4 de Santa Maria.

Foto: Iphan

Fortaleza de São José da Barra do Rio Negro - Manaus (AM)

Em 1668, o general Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, primeiro governador do Maranhão e Grão-Pará, determinou que o capitão Francisco da Mota Falcão erguesse um posto avançado e fortificado, capaz de controlar a circulação de embarcações holandesas ou espanholas junto aos rios Negro, Solimões e Amazonas. A região onde os portugueses o implantaram correspondeu ao local da antiga aldeia dos manáos, e também a um dos antigos acampamentos de tropas de resgate, escolhido em função de suas características estratégicas militares. Em formato de desenho triangular, vastamente irrigado, localizado à margem esquerda do rio Negro, próximo à ao ponto de encontro com o rio Solimões.

A Fortaleza de São José da Barra, também recebeu nomes como Forte da Barra de São José do Rio Negro, Forte de São José, ou Casa Forte. Erguida provavelmente em 1669, era uma porção ribeirinha de um sistema de colinas em forma de tábua, com altitude de 44,99 metros sobre o nível do mar.

O forte era composto por 100 praças e de uma companhia de infantaria auxiliar. Sob o governo do brigadeiro Manuel da Gama Lobo D'Almada, tornou-se sede da capitania de São José do Rio Negro, em 1791, e elevada à categoria de vila da Barra do Rio Negro, em 29 de março de 1808. Infelizmente, nos dias atuais, não existe mais restos ou pedaços da estrutura.

Foto: Divulgação

Forte de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Paru ou Forte da Vila de Almeirim - Pará

Situado no Baixo Amazonas, no estado do Pará, o Forte de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Paru ficava localizado na antiga aldeia do Paru. Foi originada por indígenas que vinham do centro e prosperou quando se uniu à taba dos indígenas do rio Uacapari. Os fundamentos do povoado foram lançados pelos frades capuchos de Santo Antônio no mesmo local onde existia a aldeia.

Francisco da Mota Falcão, em 1669, já havia construído a Fortaleza da Barra do Rio Negro que deu origem à cidade de Manaus, e também as instalações da Fortaleza de Santarém na boca do rio Tapajós, em 1697. Em 1745, devido ao desgaste do tempo e do clima quente e úmido, o Forte do Paru teve que ser reconstruído. Como não havia meios para pagamento de soldos aos construtores, os próprios soldados arcaram com os custos de manutenção e obras de reconstrução, em troca de promoção de patente, ou recepção de cargos e honrarias por tempo determinado. A guarnição do forte era sempre um problema

Forte de Santo Antônio dos Pauxis de Óbidos - Pará

O Forte de Santo Antônio dos Pauxis fica localizado na região de Óbidos, interior do estado do Pará, na antiga aldeia dos pauxis, à margem esquerda do rio Amazonas, local onde suas águas se apresentam com 1.854 m de largura e chegam a oitenta metros de profundidade, em 1685.

O forte foi construído em função da característica geográfica, há 1.100 km de Belém por via fluvial, na parte mais estreita, e com seu canal mais profundo, no local conhecido como a "garganta do rio Amazonas", ou a "fivela do rio". Nesse ponto, a largura do rio é de cerca de 1.890 metros em seu leito normal.

Um século depois da viagem de Orellana, o jesuíta Cristóbal de Acuña, em seu relato de viagem, mencionou a importância estratégica do maior estreito do rio. Em 1637, subindo o rio Amazonas em direção a Quito, na jornada que se estendeu até o Napo, Pedro Teixeira notou a chamada garganta do rio.

Foto: Iphan

 Fortaleza do Tapajós – Santarém (PA)

Em 1626, o capitão português Pedro Teixeira partiu de Belém chegado à taba dos tupaiús com o objetivo de comprar prisioneiros de guerra de outras tribos, para depois escravizá-los. No entanto, os tupaiús não aceitavam esse tipo de negócio, cabendo ao capitão adquirir esteiras e outras curiosidades, além de manter um ótimo relacionamento. Já em 1639, Bento Maciel, o sargento-mor da capitania do Cabo Norte, investiu de surpresa sobre a aldeia dos índios tapajós, dizimando grande número de indígenas. Em 1659, chegou à região o padre Antônio Vieira, o primeiro jesuíta que veio ao Tapajós. Assim, diversas ordens religiosas vieram para a Amazônia, e coube à Companhia de Jesus as terras que ficassem ao sul do rio Amazonas, ou seja, aquelas da margem direita. Em 22 de junho de 1661, o padre João Felipe Bettendorf instalou uma missão na aldeia dos índios tapajós. Com o progresso das missões, Francisco da Mota Falcão iniciou a construção de uma fortaleza, que após a sua morte foi terminada por seu filho, Manoel da Mota Siqueira, em 1697.

A Fortaleza do Tapajós tinha a forma quadrada, com baluartes nos ângulos, numa colina próxima ao rio Tapajós, para melhor proteção dos ataques de estrangeiros, formando um pequeno povoado.

Depois de 1757, com a extinção das missões religiosas, o pequeno povoado ficou em total abandono. A antiga aldeia dos tapajós foi elevada à categoria de vila, em 14 de março de 1758, pelo governador da província do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, recebendo o nome de Santarém, uma homenagem dos portugueses à cidade lusitana de mesmo nome, em homenagem a Santa Irene de Portugal. Em 1762, estando em ruínas, a Fortaleza do Tapajós foi reconstruída, passando por diversos reparos. Hoje nada mais existe.

Foto: Divulgação

Forte de São Gabriel da cachoeira - São Gabriel da Cachoeira (AM)

O Forte de São Gabriel da Cachoeira está no morro da Fortaleza, à margem esquerda do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas. Situa-se na fronteira do rio Negro ao norte do Brasil, em locais de antigos acampamentos de tropas de resgate. Essas áreas foram escolhidas pelos portugueses em função de suas características estratégicas militares, em geral grandes platôs de desenho triangular ou quadrado, parte delas localizandos no meio da floresta, às margens dos rios Amazonas, Negro, Solimões, Guaporé, Branco e outros. No caso de São Gabriel, é na bacia do rio Uaupés ou Caiari.

O mapa elaborado pelo coronel Manuel da Gama Lobo de Almada mostra a localização da Fortificação de São Gabriel, e duas outras fortificações castelhanas. Segundo carta de Delgado, de 29 de agosto de 1761, na margem esquerda do rio Negro, ao lado das correntezas, em cima de um morro de pedra, foi levantado o Forte de São Gabriel, pelo capitão José da Silva Delgado, no lugar mais estreito do rio. Nas narrativas da história, o forte parece grande, mas o espaço observado durante as pesquisas não mostra uma grande fortificação, pois o morro com a pedra elevada é pequeno.

As defesas construídas pelo capitão Delgado, em madeira, não foram aprovadas pelo governador Manuel Bernardo de Melo e Castro, que enviou o engenheiro cartógrafo alemão Felipe Frederico Sturm para vistoriar a fortaleza e construir uma nova fortificação. Em 1762, Felipe Sturm verificou que a fortaleza não oferecia condições de artilharia e era vulnerável a inimigos. Sturm recomendou então a manutenção da casa-forte, mas que sua defesa fosse reforçada por outros 2 fortes: um na margem norte do rio Negro, outro em Marabitanas. Sturm continuou estudos exaustivos no rio Negro, das cachoeiras para cima, que foram considerados por Lacerda e Almeida, pelo capitão Joaquim Ferreira, em 1781, pelo tenente Marcelino José Cordeiro, de 1784 e 1788, e por Manoel da Gama Lobo de Almada, mais eficazes do que aqueles elaborados anteriormente. Essa nova fortificação, entretanto, teve que ser reerguida 13 anos após a sua construção. 

Fortaleza de São José de Macapá - Amapá

A Fortaleza de São José do Macapá, localizada à margem esquerda do rio Amazonas, na antiga província dos tucujus, hoje faz parte da paisagem da capital do Amapá. A antiga vila de Macapá controlava a "boca" setentrional do rio, importante localização estratégica. A coroa portuguesa, na sequência do Tratado de Madri de 1750, já se preocupava em garantir a posição conquistada. Em 1758, com a elevação à vila de Macapá, o governador Manuel Bernardo de Melo e Castro decidiu construir, em 1761, um fortim de faxina, trabalho delegado ao alemão capitão eng. Gaspar João de Gronfeld. Mas,essa fortificação era muito pequena e de péssimo acabamento, fato que motivou construir uma fortaleza de maior porte. Isso se fez no reinado de d. José e por ordem do marquês de Pombal.

Depois da Proclamação da República em 1889, a Fortaleza de São José de Macapá foi abandonada. Em 1943, com a criação do território do Amapá, ela abrigou o comando da Guarda Territorial, e suas casamatas foram utilizadas como presídio da cidade.

A Fortaleza de São José de Macapá é aberta à visitação pública e é considerada uma das sete maravilhas brasileiras.

Foto: Rogério Lameira/Rede Amazônica

 Forte de São Joaquim do Rio Branco - Boa Vista (RR)

O Forte de São Joaquim do Rio Branco está localizado no encontro dos rios Tacutu e Uraricoera, que se unem para formar o rio Branco. O ponto é estratégico, pois, o rio Tacutu servia de entrada de espanhóis vindos da Venezuela, e o Uraricoera era utilizado pelos holandeses vindos do Suriname para chegar ao Amazonas. O local mais apropriado anteriormente escolhido era entre os dois rios, mas o local sofria inundações e não oferecia condições seguras para uma construção duradoura. O Forte de São Joaquim do Rio Branco foi construído por Felipe Frederico Sturm, em 1775, enviado para destruir instalações estrangeiras e garantir a posse da terra. Ele foi escolhido para essa missão porque já havia expulsado espanhóis em Marabitanas e Portugal pretendia ocupar a região do rio Branco efetivamente, com a construção de uma fortificação e a formação de povoações. O comandante do forte seria o representante da política portuguesa e o estrategista da ocupação advinda da expulsão dos espanhóis. Para tanto, os indígenas eram imprescindíveis, como exímios conhecedores da região, mão de obra ou para o povoamento.

Da mesma forma que agiu em Marabitanas, em 1767, Felipe Sturm construiu o Forte São Joaquim, de forma retangular. A escassez de materiais e mão de obra não impediu que Sturm optasse por construir o forte de pedra. Diante da falta de cal para fazer a argamassa, utilizou barro na junção das pedras. A construção estilo Vauban ficou, por esse motivo, bem menos resistente. O forte era pequeno, aproximadamente uns 18 m em seu lado maior, com muralhas baixas em torno de 5,5 cm e um reparo. O espaço reservado aos canhões era muito estreito, de forma que somente canhões pequenos poderiam ser instalados. As instalações para a guarnição do forte eram desconfortáveis e só podiam abrigar 15 ou 16 praças. Além das precárias instalações, o forte era vulnerável às cheias do rio e às inundações, que subiam de 60 a 90 centímetros nas enchentes.

Em 1787, o governador da capitania do Rio Negro, Manoel da Gama Lobo de Almada, criticou o forte por ser pequeno. Ainda que fosse muito bem situado, a sua guarnição variava entre quarenta e cinquenta homens.

Durante uma expedição na Amazônia brasileira realizada por Alexandre Rodrigues Ferreira que durou quase 10 anos, concluíram que os desenhos das plantas e das 2 vistas do forte foram feitas por Antônio José Landi, arquiteto italiano de Bolonha, que veio ao Brasil em 1753, junto com Felipe Sturm, na Comissão Demarcadora dos Limites.

Em maio de 1822, a guarnição estava reduzida a apenas 7 soldados. Quase dez anos depois, em 1831, Baena, informou que o forte era o mais bem conservado das fronteiras.

Foto: Divulgação

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Comentários: 1

Francisco Linhares Silva em Segunda, 01 Novembro 2021 22:06

muito proveitoso este comentários feito a respeito do candiru. Porque com certeza pouca gente sabia disso .

Muito bom

muito proveitoso este comentários feito a respeito do candiru. Porque com certeza pouca gente sabia disso . Muito bom
Visitante
Segunda, 24 Janeiro 2022

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