Maior astroblema da América do Sul: saiba onde fica o Domo de Araguainha

O Domo de Araguainha é uma impressionante estrutura geológica de cerca de 40 quilômetros de diâmetro, formada há aproximadamente 250 milhões de anos.

Foto: Joana Sanchez/UFG

Você sabia que o maior astroblema — termo científico para cratera de impacto causada por meteorito — da América do Sul fica no Brasil? Localizado entre os estados de Mato Grosso e Goiás, o Domo de Araguainha é uma impressionante estrutura geológica de cerca de 40 quilômetros de diâmetro, formada há aproximadamente 250 milhões de anos.

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A colisão que o originou foi provocada por um corpo celeste que atingiu a Terra com uma força inimaginável. O impacto ocorreu numa época em que a região era coberta por uma plataforma marinha rasa. O resultado foi uma deformação massiva da crosta terrestre, cujas marcas ainda podem ser observadas nos afloramentos rochosos da região.

Rochas dobradas pelo impacto no Domo de Araguainha. Foto: Joana Sanchez/UFG

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Sua área total é de aproximadamente 1,3 mil km². Isso torna a cratera maior até mesmo que algumas grandes cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro. No total, 60% da cratera é dividida entre três cidades mato-grossenses: Ponte Branca, Araguainha, Alto Araguaia. Os demais são divididos entre Doverlândia, Mineiros e Santa Rita do Araguaia, em Goiás.

Os indícios de que essa estrutura foi causada por um impacto cósmico são claros para os geólogos: cones de estilhaçamento (shatter cones), brechas de impacto, feições planares em minerais como quartzo, feldspato e mica, e até bombas de impacto de hematita. Essas características são típicas de áreas que sofreram metamorfismo por impacto, fenômeno raro e poderoso.

A cratera de Araguainha vista por satélite. Imagem: Reprodução do Satélite Landsat/ETM+

Pesquisa

Todas essas informações fazem parte de estudos que buscam entender o que ocorreu na região. Um dos maiores especialistas no assunto é o geólogo brasileiro Álvaro Penteado Crósta, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Referência em sensoriamento remoto e geologia planetária, Crósta estudou o Domo de Araguainha e publicou artigos científicos que ajudaram a comprovar a origem da estrutura como uma cratera de impacto.

Além de sua relevância científica, o Domo de Araguainha é uma peça-chave para entender a história do planeta. Há hipóteses de que o impacto tenha contribuído para eventos ambientais extremos da época, possivelmente até influenciando a extinção em massa do Permiano-Triássico, a maior já registrada na Terra.

Um patrimônio científico e natural

Hoje, o Domo de Araguainha é reconhecido internacionalmente pela Union of Geological Sciences (IUGS), ligada à Unesco, e desperta o interesse de geólogos, astrônomos e curiosos de todo o mundo por ser um dos 100 principais sítios geológicos do mundo.

A cratera tem ainda o potencial de se tornar o 4° Geoparque do Brasil (território com um patrimônio geológico, associado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável). No início de 2025, o Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) faria um projeto para transformar o local em parque geológico.

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