Amazonia-1 completa 5 anos em órbita e consolida o desenvolvimento da Plataforma Multimissão

Primeiro satélite totalmente brasileiro, o Amazonia-1 foi lançado no dia 28 de fevereiro de 2021 e segue em atividade.

Equipe do INPE presente no lançamento do Amazonia-1 no Satish Dhawan Space Centre (SHAR), na Índia. Foto: Divulgação/INPE

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) comemorou cinco anos de lançamento e operação do Amazonia-1, colocado em órbita em 28 de fevereiro de 2021, a bordo do lançador PSLV, a partir do Satish Dhawan Space Centre (SHAR), em Sriharikota, na Índia.

Primeiro satélite totalmente nacional de observação da Terra, o Amazonia-1 atingiu, em 2025, a vida útil prevista de quatro anos e segue operando com excelente desempenho, mantendo todos os subsistemas em condições satisfatórias, segundo o Inpe.

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Em cinco anos, o satélite já completou mais de 26 mil órbitas, garantindo constante revisita ao território brasileiro e fornecendo imagens para o monitoramento de biomas, áreas agrícolas, reservatórios hídricos, zonas costeiras e regiões impactadas por desastres ambientais.

Segundo o coordenador-geral de Engenharia, Tecnologia e Ciências Espaciais do INPE, Adenilson Roberto da Silva, “o satélite está com excelentes condições operacionais e continua apto a prestar serviços ao país, mesmo já tendo cumprido a vida útil inicialmente projetada”.

Equipado com a câmera WFI (Wide Field Imager), o Amazonia-1 produz imagens de ampla cobertura, sendo capaz de cobrir mais de 2 milhões de km² em 7 minutos, transmitindo as imagens em tempo real às estações terrenas do INPE e disponibilizadas gratuitamente, apoiando ações de monitoramento ambiental, análise do uso e cobertura da terra e gestão de recursos hídricos.

 As imagens do Amazonia-1 estão disponíveis no Catálogo do INPE: https://www.dgi.inpe.br/catalogo

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Plataforma Multimissão: legado tecnológico

Além dos resultados operacionais, o Amazonia-1 representa um salto tecnológico com a validação em voo da Plataforma Multimissão (PMM). Desenvolvida pelo INPE para satélites na classe de até 7500 kg, a PMM foi concebida para atender diferentes tipos de missões científicas, meteorológicas e de sensoriamento remoto.

Composta por subsistemas como estrutura mecânica, controle de atitude e órbita, propulsão, geração e gerenciamento de energia, controle térmico e telecomando, o conceito de plataforma multimissão permite maior autonomia tecnológica ao país, reduzindo custos e prazos em futuras missões.

Sua consolidação fortalece a indústria nacional, pois muitos subsistemas são produzidos no Brasil. A PMM pode prestar serviços essenciais em áreas como energia, telecomunicações, defesa e monitoramento ambiental.

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foguete amazonia-1
Amazonia-1 em foto artística. Foto: Divulgação

O sucesso do Amazonia-1 demonstra a capacidade da engenharia espacial brasileira e da equipe do INPE envolvida. Antes do lançamento, o satélite passou por extensas campanhas de qualificação, incluindo testes de vibração, acústica, interferência eletromagnética e termovácuo, totalizando milhares de horas de testes para garantir a confiabilidade do sistema em ambiente espacial, onde não há possibilidade de reparo.

Amazonia-1B: continuidade da missão e novos avanços

O legado do Amazonia-1 tem continuidade com o Amazonia-1B, atualmente em fase de integração no INPE. O satélite faz uso de equipamentos reserva do satélite Amazonia-1 e será a segunda missão a utilizar a PMM, comprovando sua capacidade multimissão. O que representa um importante elemento estratégico para o Programa Espacial Brasileiro.

Em janeiro de 2026, foi assinado o contrato de lançamento do satélite, previsto para 2027, a partir do Centro Espacial Europeu, em Kourou, na Guiana Francesa, a bordo do veículo Vega-C.

O Amazonia-1B será o primeiro satélite da Missão AQUAE, dedicada ao monitoramento dos recursos hídricos continentais e marinhos do Brasil, além de contribuir para o acompanhamento do estado da atmosfera e de sistemas meteorológicos.

Amazonia-1 passou por muitos testes antes de ser lançada. Foto: INPE

A missão também integra a cooperação internacional SABIA-Mar, em cooperação com a Argentina, e ampliará a oferta de dados para o monitoramento ambiental, o planejamento de recursos hídricos e a previsão de tempo e clima, assegurando também a continuidade de produtos atualmente fornecidos pelos satélites CBERS.

Ao completar cinco anos em órbita, o Amazonia-1 reafirma seu papel como símbolo da capacidade científica e tecnológica do Brasil. Mais do que um satélite, representa a consolidação de competências nacionais e a validação da Plataforma Multimissão, resultado do trabalho conjunto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), instituições que seguem fortalecendo a capacidade do país em desenvolver e operar missões espaciais voltadas ao monitoramento ambiental e ao desenvolvimento sustentável do país.

*Com informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

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