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O efeito do vírus Fake News e as consequências que afetam a democracia

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De acordo com dados do IBGE, em 2019, a internet era utilizada em 82,7% nas casas brasileiras. A maior parte desses domicílios fica concentrada nas áreas urbanas das grandes regiões do país. Três em cada quatro brasileiros acessam a internet, o que equivale a 134 milhões de pessoas.

Com isso, a indústria de notícias falsas tomou uma proporção grandiosa, as chamadas fake news. As fake news é um fenômeno conhecido internacionalmente e conceituado pela disseminação, por qualquer meio de comunicação, de notícias falsas com o objetivo de atrair a atenção para desinformar ou obter vantagem política ou econômica.

Mas afinal, quais os males que essa disseminação de notícias falsas pode causar na política e no que se conceitua democracia?

Para entender como essa problemática funciona, o Portal Amazônia entrevistou a Professora Doutora da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Ivânia Vieira, que possui experiência na área de Ciências Políticas para falar sobre o assunto.

Imaginemos uma doença grave, com alto poder de contaminação e de matar em pouco tempo. A humanidade já experimentou várias pandemias dessa ordem e saiu delas profundamente debilitada, marcada. Teve que rever procedimentos, decisões e criar pactos entre os governos do mundo para inaugurar novas etapas de vida. As não-notícias se equivalem a uma pandemia cujo vírus ataca com alvo certo e quer destruir direitos construídos ao longo da história da humanidade. As não-notícias são um vírus com alto potencial de destruição de pessoas, comunidades, das instituições e das nações.

Compreender o efeito desse vírus é uma das emergências do tempo atual e enfrentá-lo o desafio que se faz fundamentalmente necessário para que a destruição não avance. Ao contrário, retrocede e seja impedida de agir. 

Foto: Divulgação

 Mas, como isso pode interferir na questão política de um país? De acordo com Ivânia, essa ligação entre ambas as situações estão sempre ligadas, um sujeito que recorre ao expediente da mentira, da não-verdade e da não-notícia para envolver outras pessoas, grupos sociais... é portador de um sintoma que pode afetar, perversamente, muitas pessoas e provocar prejuízos de várias ordens. Há uma ação política de um sujeito que estabelece troca. Que tipo de troca poderá advir de um comportamento dessa natureza?

A notícia, para se completar como matéria-prima do jornalismo, precisa cumprir uma série de aspectos, a negação dela a priori é desvio de conduta. Para tratarmos de um aspecto da Política, a partidária e a no exercício parlamentar, podemos ver e sentir o quanto essa prática da não-notícia, é nociva e como é geradora de prejuízos à sociedade quer pela não fiscalização dos serviços públicos feitos pela metade ou não realizados, pelo compadrio entre os poderes, por manter a corrupção como prática de vida e pelo impulsionamento da noção de que a política é ambiente para os indecentes, os desonestos, os mentirosos, todos pagos com dinheiro público. A cidadania em um território com esse perfil, é ferida, torna-se vulnerável e com ela todos os valores e princípios que dela e nela estão imbricados.

As fake news afetam a democracia de várias formas, onde as não-notícias são toleradas e prosperam como regras de conduta social é sintoma de uma democracia fragilizada e, dessa forma, vulnerável aos ataques assacados contra ela. Não se trata do 'jogo democrático' e sim da gradativa perda de importância dos princípios democráticos. Sem essa percepção, a maioria da sociedade passa a compreender que os problemas enfrentados por ela são de responsabilidade da senhora democracia. Há aventureiros, afeitos a modelos autoritários, conservadores e neofacistas interessados em desfazer democracias para que seus projetos triunfem. As engrenagens do capitalismo de vigilância têm nas não-notícias um dos seus aportes e, com eles, vem conseguindo estabelecer mudanças de regras no jogo que é jogado no mundo a exemplo do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, da eleição de Donald Trump, nos EUA, e do 'Brexit'...Os controladores do capitalismo, grosso modo, decidem como querem, onde querem e quando querem. Defender a democracia tornou-se crucial na atualidade porque a democracia é a nossa melhor experiência humana até agora.

Foto: Freepik

No ataque sistemático à democracia, uma construção que exige vigilância e permanente evolução. O que estamos vendo hoje, a partir da experiência brasileira, a nossa experiência, demonstra o quanto a não-notícia faz mal e faz literalmente sangrar a democracia brasileira. A liberdade de expressão pela qual muitos lutaram e morreram e pela qual lutamos não é o fantoche acionado para dar eco a voz dos insanos e perpetradores contra a democracia.

Podemos dizer que as fake news são consequências do impacto da era da pós-verdade?

A pós-verdade remete às controvérsias dos anos de 1990 com o pós-modernismo. Nos campos abertos para outros debates e formulações teóricas, está o da pós-verdade (como segunda onda do pós-modernismo, uma reação negativa ao programa pós-modernista). A "inversão sem transformação", como afirma Dunker (2017). A pós-verdade se situa na recusa do outro, no culto da violência e do ódio quando se sente ameaçada. É a vida em formato de demanda, limitando-o, restringindo-a, apequenando-a. A não-notícia é parte do pacote e o pacote pós-verdade se confirma na disciplina personalista da verdade, parasita a educação com valores regressivos ligados à família, retorna à figura do pai-chefe e administrador eficiente como forma de desviar-se da política, na perspectiva dunkerniana. Qualquer semelhança com o quadro atual do Brasil não é mera consciência.

Cenário Fake News X Eleição 2022

O cenário de 2022 é de conflitos e confrontos elevados e que vêm sendo fomentados desde agora. Um deles é a tática de ampliar a suspeição sobre a fragilidade do sistema eleitoral brasileiro como antecipação de que um resultado de derrota ao pré-candidato Jair Bolsonaro só seria possível se os votos fossem manipulados em favor de outro candidato. O grupo pró-Bolsonaro sob a liderança do presidente da República está em ação para cumprir a tarefa demandada pelos arquitetos da candidatura bolsonorista. Cenas de invasões, confrontos e mortes podem se repetir no Brasil do próximo ano.

Eleições, como as presidenciais e ou nacionais, têm importância central para o destino de um país, de uma região, como a América Latina, por exemplo. São os resultados dela que irão levar essa nação e essa região a um ou outro caminho. Por isso, não é admissível banalizar a eleição, os perfis de candidatos, o processo eleitoral e os resultados dele porque são manifestações máximas das sociedades, em suas preferências e divergências, quanto aos projetos de governo rascunhados. É uma radiografia das percepções sociais e estas não são construídas isoladamente.

As não-notícias exercem função importante. São tijolos na construção de país pretendida. Na ordem democrática, comportamentos dessa natureza devem ser rechaçados e condenados pelos aparatos legais da Justiça. Uma sociedade de maioria cidadã seria a primeira a marchar contra tal situação e escorraçar os fomentadores, autores e cúmplices de tal prática, pois, agem como criminosos.

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