Foto: Reprodução/ABDI
Por Renato Sátiro – jrsantiago@jrsantiago.com.br
A Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, abrange uma área de quase 7 milhões de km², ao longo de nove países na América do Sul. Já o chamado Bioma Amazônia se estende por cerca de 4,2 milhões de km², representando cerca de 50% de todo o território nacional, ao longo de nove estados, são eles: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.
Dentre as suas principais características cabem ressaltar a vasta biodiversidade compreendida por milhões de espécies de plantas e animais, o clima quente e úmido e seu importante papel de regulação do clima global. A população compreendida ao longo dessa área é composta, principalmente, por ribeirinhos, agricultores familiares, indígenas, extrativistas, quilombolas e comunidades tradicionais.
Impossível deixar de destacar também a presença de grandes desafios logísticos e estruturais, decorrente da precariedade nas infraestruturas portuárias e aeroportuárias e da ausência de acessos terrestres adequados entre as cidades localizadas na região, cujas distâncias entre elas costumam ser grandes.
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Atualmente é de entendimento comum de muitos daqueles que militam pela causa amazônica, que o desenvolvimento da região passa pela estruturação de ações que considerem questões associadas à sua conservação de forma equilibrada e, simultaneamente, estejam de certa forma integradas à bioeconomia, conceito que consiste no uso de recursos biológicos e conhecimento científico e tradicional para a criação de produtos e serviços de forma sustentável.
Segundo pesquisadores, a melhor compreensão a respeito da bioeconomia se deve muito por conta de estudos desenvolvidos pelo economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen que é considerado, ainda hoje, por muitos, como o “pai” da bioeconomia. Coube a ele revolucionar o pensamento econômico ao integrar os princípios biofísicos à análise da teoria econômica sob a ótica das ciências naturais, onde a natureza atuaria como limitante do processo econômico.
Sua contribuição ajuda a compreender por que o crescimento econômico precisa considerar não apenas os resultados financeiros, mas também a disponibilidade dos recursos naturais e os impactos ambientais da produção e do consumo. E dentro desse contexto a melhoria das condições econômicas e sociais dos agentes envolvidos também deve ser considerada.

Por conta desse entendimento, o melhor uso de recursos naturais em prol do crescimento econômico passou a ser mais do que uma questão apenas importante, mas sim essencial para a evolução da sociedade de uma forma geral. Destarte é notório aferir o quanto as discussões sobre o desenvolvimento da região amazônica apontam cada vez mais a bioeconomia como um tema-chave que possui o potencial de conciliar conservação e inclusão dos assim chamados “assuntos da floresta” junto à sociedade, por ela ser um instrumento real capaz de tornar possível a valorização de forma sistêmica, sustentável e justa dos produtos da sociobiodiversidade e a integração da ciência, dos saberes locais e da inovação.
Diante disso entende-se que a bioeconomia regional na Amazônia poderá se consolidar de maneira consistente quando feita de forma a garantir a sustentabilidade ecológica, inclusão social e geração de valor, muito por conta também da sua contribuição ao fortalecimento das cadeias produtivas locais, do protagonismo das comunidades tradicionais e do uso da gestão do conhecimento alinhado às realidades locais e a sua maior disseminação, ao crescimento da relação de confiança entre os stakeholders e, por fim, a inserção de inovação.
Dentro desse entendimento, o Amazonas, maior estado da região norte, em seus 62 munícipios, possui características únicas no país, onde as cadeias produtivas da bioeconomia e insumos locais são baseadas fundamentalmente em agricultura familiar, com um adicional dos principais players envolvidos, sobretudo os ribeirinhos, agricultores familiares, indígenas, extrativistas, quilombolas e comunidades tradicionais, em sua maioria, viverem em situação de maior precariedade econômica e social, com as distâncias aos maiores centros em que os rios desempenham papel fundamental na conexão entre muitas localidades.
Neste cenário, o fortalecimento da bioeconomia amazônica e de seu uso como potencial estratégico para a região depende, portanto, não apenas da riqueza de sua biodiversidade, mas também da capacidade de transformar recursos e conhecimentos em oportunidades sustentáveis de desenvolvimento.
Sobre o autor
José Renato S. Santiago Jr. é consultor em gestão de projetos e inovação, pós-doutorando, doutor e mestre em engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
