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Domingo, 20 Junho 2021

Poraquê

O rio Amazonas guarda lugares de águas turvas e fundos lodosos, onde a visão subaquática limita-se a pequenas distâncias, mesmo durante o dia. E é justamente nesses locais que vive uma das mais fantásticas obras da natureza: o poraquê, o peixe-elétrico da Amazônia.

O nome poraquê, na língua tupi, significa "o que coloca para dormir". Na verdade, esse peixe não poderia ter nome melhor. Graças à presença de células musculares especializadas, seu corpo é capaz de produzir energia (eletrogênese) e captá-la (eletro-recepção). Essas células, chamadas eletrócitos, encontram-se na cauda do animal, que corresponde a 90% do corpo do Electrophorus electricus

Um peixe-elétrico adulto pode ter cerca de 10 mil mioeletroplacas, que são conjuntos de eletrócitos. O poraquê é capaz de matar um cavalo, com um choque de mais de 500 volts. 

Segundo diversos estudos realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), esse peixe é capaz de produzir até 1.500 volts. Ele pode ser comparado a uma pilha, já que a parte da frente de seu corpo tem carga positiva, enquanto a ponta de sua cauda é de carga negativa. Por isso, se uma pessoa pegar na cabeça e na extremidade final de seu corpo, ao mesmo tempo, o choque terá o poder de "fritar" a vítima em questão de segundos. 

Não é de se admirar que o Electrophorus electricus já tenha feito muita gente "dormir". O risco do contato com o poraquê é maior na superfície, pois esse peixe-elétrico precisa do ar atmosférico, tanto quanto os animais terrestres, para obter oxigênio.

O poraquê é um peixe sem escamas, semelhante a uma enguia. Não possui nadadeiras dorsal, ventrais e caudais. Possui nadadeira anal longa e peitorais pequenas. Seu corpo é alongado e cilíndrico. Sua cabeça é achatada e sua boca é equipada com uma fileira de dentes cônicos e afiados. Sua coloração é sempre muito escura, porém a parte ventral é amarelada. Pode chegar a dois metros de comprimento.

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Segunda, 21 Junho 2021

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