Foto: Reprodução/Amazon Sat
Luiz Iraçu Guimarães Colares, conhecido como Iraçu Colares, é um dos convidados do programa Gente do Norte- Empresas, exibido pelo canal Amazon Sat. Engenheiro agrônomo, produtor rural e ex-servidor público, ele construiu uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada ao setor agropecuário e à produção de alimentos no Amapá.
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Natural do município de Amapá, no norte do estado, Iraçu cresceu em uma fazenda ao lado dos pais e dos nove irmãos. A experiência no campo desde a infância influenciou a escolha profissional e, posteriormente, a atuação como produtor rural.
Atualmente, mantém propriedades rurais em família no município de Amapá, onde trabalha com criação de gado bovino e búfalos. Para ele, a produção de alimentos ocupa um papel central no desenvolvimento da sociedade e da região amazônica.
“Todas as atividades são importantes para a vida, para o ambiente e a alimentação, no meu entendimento, é a primeira delas. Quem levanta pela manhã procura logo alimento para poder entrar em atividade. Então é o que nós fazemos, nós pecuaristas, nós agricultores, nós produtores rurais, nós pescadores, de um modo geral, que trabalhamos com a produção de alimento”, afirma.
Da infância na fazenda à formação em Agronomia
Iraçu passou os primeiros anos de vida em uma fazenda da família. O pai, Ernesto Pereira Collares, era cearense e chegou ao Amapá ainda criança, em 1917, trazido por um tio durante um período de seca no Nordeste.
Na fazenda, Iraçu acompanhou de perto a rotina dos pais e dos irmãos, e aos 11 anos, encerrou o ensino primário e se mudou para a cidade de Amapá para continuar os estudos. Depois, foi para Belém, no Pará, onde prestou vestibular para Engenharia Agronômica, concluindo a graduação em 1975.

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A formação profissional, no entanto, não rompeu a relação com o campo.
“Retornava sempre nas férias, sempre lidando com a fazenda, acompanhando meus pais, ajudando no que fosse possível, com o tempo disponível”, relembra.
Mais de 50 anos dedicados ao agro
Após concluir a graduação, Iraçu retornou definitivamente ao Amapá e passou a atuar profissionalmente como engenheiro agrônomo. Ao longo da carreira, ocupou diferentes funções no setor público e participou de atividades relacionadas ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária no estado.
Entre as funções exercidas, esteve a de secretário de Agricultura e secretário executivo da então Associação de Crédito e Assistência Rural do Amapá, a ACAR, instituição que posteriormente passou a integrar a estrutura do Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural (Rurap).
A atividade profissional também levou Iraçu a conhecer diferentes regiões do Brasil.
“Viajei por conta da atividade, conheci o Brasil todo, praticamente, participei de grupos de movimentos de produtores rurais para fora do estado, para Minas e São Paulo, para conhecer um pouco da pecuária de outras regiões do país, para tentar colocar algumas modernidades, algumas novidades tecnológicas”, explicou o pecuarista.
De acordo com Iraçu, essas experiências ajudaram a acompanhar as transformações ocorridas ao longo das últimas décadas. Segundo ele, o setor passou por um processo de modernização, com novas instalações, procedimentos e tecnologias, como a inseminação artificial.
Produção de alimentos
Na atividade privada, Iraçu mantém propriedades rurais em parceria com a família no município de Amapá. Uma delas está localizada na região de Costeira, em frente à Ilha do Maracá, onde são criados búfalos e gado bovino. Em outra propriedade, próxima à cidade de Amapá, a criação é voltada principalmente para o gado bovino.
A produção, segundo Iraçu, representa uma contribuição para o abastecimento da população e para a economia local. “Como eu sou, entre tantos outros, na região Amazônica, produtor de alimentos, eu classifico como de grande importância a nossa atividade para o desenvolvimento econômico e social da nossa região”, afirma.

Atualmente, a atividade conta com cerca de seis a oito trabalhadores permanentes, além de funcionários contratados de acordo com a necessidade das propriedades.
“Mas é, digamos assim, eu quantifico pela quantidade do que tem de pecuária no Estado, pela quantidade do que tem de produção de animal no Estado, que faz com que a gente entenda e quero que as pessoas entendam também o quanto é importante a nossa atividade na produção de alimentos”, explica Iraçu.
Os desafios para produzir no Amapá
Apesar das transformações tecnológicas no setor, Iraçu aponta alguns desafios que, na avaliação dele, ainda dificultam o desenvolvimento da atividade agropecuária no Amapá. Entre eles estão a regularização fundiária e a segurança jurídica das propriedades.
Segundo o produtor, a ausência de regularização dificulta o acesso a recursos financeiros destinados ao desenvolvimento das atividades rurais.
“Esse é o grande desafio, mas é o grande benefício que nós fornecemos para a sociedade. Nós temos ainda alguns gargalos no Brasil e aqui no Amapá em particular, que é a questão da segurança jurídica. Nós temos a questão da regularização fundiária não concluída”, afirma.
Para Iraçu, a regularização das propriedades é importante para que os produtores possam acessar linhas de financiamento e investir na modernização das atividades. “Enquanto não tivermos a questão da regularização fundiária concluída, para nos garantir segurança jurídica, para nós buscarmos os recursos financeiros junto às casas bancárias que existem para isso, é difícil desenvolver atividade”, explica.
A relação com a Amazônia
A relação de Iraçu com a atividade rural também influencia a maneira como ele enxerga a Amazônia. Para o produtor, um dos principais desafios é compreender que a região não possui uma realidade única.
“A Amazônia é uma ilustre desconhecida, essa que é a grande verdade. E a Amazônia não é um todo. Cada estado, cada município tem a sua peculiaridade, e essas diferenças são fundamentais no desenvolvimento de qualquer atividade que se queira na região”, afirma.

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Segundo ele, as diferenças climáticas, geográficas e econômicas entre os estados precisam ser consideradas na formulação de políticas públicas e no desenvolvimento das atividades econômicas.
“Quando aqui para nós o sol está, como está agora, mês de setembro, outubro, escaldante, lá em Roraima, bem pertinho de nós, dois mil quilômetros, está chovendo. Então são coisas diferentes que têm nessa Amazônia. Então enquanto as autoridades não perceberem que essas diferenças são fundamentais no desenvolvimento de qualquer atividade que se queira na região, a gente vai ter inúmeras dificuldades”, destaca.
Lugares marcantes no Amapá
A história de Iraçu também está relacionada a um espaço que hoje faz parte da área urbana de Macapá. “Na realidade, quando eu sugeri a produção que fosse uma parte feita aqui, na Praça Jacy Barata Jucá, é porque aqui onde nós estamos exatamente foi uma vacaria que foi adquirida pelo meu pai e nós produzíamos leite aqui em Macapá”, explica Iraçu.

“Eu entreguei leite na cidade. Na vacaria nós tínhamos uma charrete que eu saía de manhã, sete horas da manhã, com os botijões de leite, levava e ia até próximo ao aeroporto fazer a entrega”, relembra.
Iraçu Colares é um dos convidados do programa Gente do Norte – Empresas, transmitido pelo canal Amazon Sat. Assista:
