“Estava com minha esposa grávida”, conta sobrevivente do maior naufrágio do Amapá

Tragédia ocorreu em 6 de janeiro de 1981 quando embarcação seguia de Santana (AP) para Almeirim (PA). Mais de quatro décadas após a tragédia ainda não se sabe ao certo quantas pessoas morreram ou estavam na embarcação.

A maior tragédia fluvial do Amapá completou 43 anos no dia 6 de janeiro O barco Novo Amapá partiu de Santana (AP) com destino ao distrito de Monte Dourado, em Almeirim (PA), mas naufragou por volta das 21h do dia 6 de janeiro de 1981, no Rio Cajari.

Um dos motivos, segundo alguns dos sobreviventes, teria sido a superlotação da embarcação, que tinha capacidade para 400, mas levava cerca de 600 pessoas.

Até os dias atuais não se sabe o número exato de mortos, mas segundo relatórios da época, cerca de 300 pessoas foram sepultadas em uma vala comum no cemitério de Santana.

José de Nazaré Miranda da Costa, de 66 anos, sobrevivente do naufrágio do barco Novo Amapá. Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

O José de Nazaré Miranda da Costa, de 66 anos, estava na embarcação com a esposa, que estava grávida de 7 meses da primeira filha do casal. Ele descreveu o momento de pânico vivido e a luta para sobreviver.

“Eu estava deitado no chão, aí senti que ele [barco] foi rodando e virou. Quando tentavam sair muitas pessoas me agarraram no desespero e foi uma agonia horrível. Depois que saí, nadei pra longe, mas depois voltei e segurei no casco. Quando subi, encontrei com a minha mulher que estava grávida. Ela estava chorando”,

descreveu o sobrevivente.

Superlotação foi apontada como uma das causas do naufrágio. Foto: Reprodução

Após o naufrágio, militares do Exército Brasileiro foram acionados e enviados para o local. Entre eles estava o cabo Basílio Viana da Silva, que tinha 19 anos na época. Com 62 anos atualmente, ele falou sobre a atuação no local do naufrágio. 

“A gente nunca tá preparado para um momento assim. Era um ambiente desolador, de ver os corpos na beira do rio, amarrados. Conseguimos trazer 190 corpos na balsa que estávamos. Conseguimos pegar alguns corpos no caminho de volta, mas como estava lotado, não conseguimos mais pegar outros que passavam no rio”, descreveu.

Os militares que atuaram nas buscas são denominados “Os bravos heróis”.

Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

Viajar de navio era o modo mais importante e tradicional de locomoção na época na região. Segundo o inquérito marítimo nº 22.031, do Departamento Regional da Marinha no Pará, tinha 25 metros de comprimento com suporte para transportar no máximo 400 pessoas e meia tonelada de mercadoria. 

À época, a Capitania dos Portos havia registrado cerca de 150 passageiros, conforme lista cedida pelo despachante do barco. No entanto, o barco teria partido do porto de Santana com mais de 600 passageiros e quase uma tonelada de carga comercial, informou investigação à época.

Cerca de 300 pessoas foram enterradas em vala comum no cemitério de Santana. Foto: Edgar Rodrigues/Arquivo Pessoal

O que se sabe é que mais da metade das pessoas que embarcaram no Novo Amapá morreram. Alguns corpos conseguiram ser enterrados; muitos tiveram que ficar numa vala comum no cemitério do município de Santana.

*Por Rafael Aleixo, do g1 Amapá

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Saiba quais são as 9 construções mais antigas da Amazônia

Em cada cidade da Amazônia Legal existe ao menos uma construção que exala a história local a partir da colonização.

Leia também

Publicidade